Northon Salomao
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Toda concentração patrimonial produz consequências que ultrapassam os patrimônios concentrados.
A liberdade econômica precisa conviver com a liberdade daqueles que possuem menos poder econômico.
Contratos podem ser voluntários na forma e profundamente desiguais na realidade.
A autonomia contratual perde sentido quando a necessidade elimina a possibilidade real de escolha.
O Direito privado nunca é inteiramente privado quando seus efeitos alcançam a sociedade.
A economia produz incentivos; o Direito decide quais incentivos são socialmente aceitáveis.
Onde há enorme desigualdade de poder, a liberdade contratual precisa de vigilância jurídica.
Marx percebeu que as relações econômicas também são relações de poder; o Direito não pode fingir que não percebeu.
A neutralidade jurídica pode esconder desigualdades quando trata posições profundamente diferentes como se fossem equivalentes.
Quem possui mais recursos geralmente possui mais possibilidades de transformar interesses em influência.
O dinheiro compra serviços jurídicos, mas não deveria comprar versões diferentes da justiça.
A igualdade perante a lei perde força quando a capacidade de chegar até a lei é profundamente desigual.
Toda economia produz vencedores; o Direito precisa perguntar quem paga os custos invisíveis dessas vitórias.
A pobreza não é apenas ausência de dinheiro; frequentemente é ausência de poder de escolha.
Quando eu era vivo as pessoas me achavam um idiota. Agora que estou morto, me acham um gênio.
A riqueza pode ampliar a liberdade individual e, simultaneamente, ampliar o poder sobre a liberdade alheia.
O mercado distribui preços; a democracia precisa distribuir poder.
O Direito econômico começa a amadurecer quando percebe que eficiência e justiça não são palavras necessariamente equivalentes.
Foucault mostrou que o poder também habita instituições, discursos e mecanismos cotidianos.
Nem todo poder usa violência; alguns poderes simplesmente definem o que será considerado normal.
A burocracia pode controlar uma pessoa sem jamais levantar a voz.
O formulário também pode ser instrumento de poder quando transforma a complexidade humana em caixas obrigatórias.
Uma instituição pode ser opressiva mesmo quando todos os seus funcionários acreditam estar apenas cumprindo procedimentos.
O poder moderno frequentemente não ordena; ele classifica, mede, registra e compara.
Quem controla os dados possui uma forma silenciosa de conhecimento sobre os outros.