Northon Salomao
A prudência é a arte de saber que possuir um direito não significa necessariamente ser sábio ao exercê-lo.
Epicuro percebeu que muitos sofrimentos nascem de desejos desnecessários; o Direito poderia acrescentar que muitos conflitos nascem de pretensões desnecessárias.
A paz social não é ausência de direitos, mas equilíbrio entre direitos que poderiam entrar em conflito.
A felicidade jurídica talvez seja viver em uma sociedade na qual ninguém precise lutar diariamente pelo reconhecimento de sua dignidade.
Uma sociedade obcecada por acumular pode esquecer que algumas coisas existem precisamente para não serem vendidas.
Kant transformou a dignidade em uma ideia poderosa: pessoas não deveriam ser tratadas simplesmente como instrumentos.
Quando uma instituição transforma pessoas em números, o Direito precisa lembrar que números não possuem dignidade, pessoas possuem.
O ser humano não deveria ser meio para o lucro, para a política, para a burocracia ou para a tecnologia.
A eficiência é uma virtude administrativa até o momento em que começa a exigir sacrifícios incompatíveis com a dignidade humana.
O imperativo moral pergunta aquilo que o contrato frequentemente esquece: “E se todos fizessem isso?”
A autonomia exige mais do que liberdade de escolha; exige condições para escolher sem coerção indevida.
O Direito começa a perder sua humanidade quando considera a pessoa apenas como titular de obrigações.
Quanto maior o poder de decidir sobre outros, maior deveria ser a obrigação de justificar a decisão.
Hegel percebeu que a história é atravessada por conflitos; o Direito tenta impedir que toda contradição termine em violência.
A jurisprudência muda porque a sociedade muda, e a sociedade muda porque novas contradições tornam antigas respostas insuficientes.
