Northon Salomao
A vigilância torna-se especialmente perigosa quando o observado desconhece quem observa, por que observa e o que fará com aquilo que descobriu.
O Direito precisa acompanhar o poder até seus territórios invisíveis: dados, algoritmos, plataformas e arquiteturas de decisão.
Na era digital, controlar a informação pode significar controlar possibilidades antes mesmo que uma escolha seja feita.
Hannah Arendt percebeu a dimensão política da ação humana; o Direito deveria lembrar que instituições são feitas de pessoas, não apenas de procedimentos.
Grandes injustiças podem nascer de pequenas tarefas executadas por pessoas que decidiram não pensar.
A responsabilidade começa quando percebemos que participar de uma estrutura não elimina nossa capacidade de escolha.
A burocracia pode fragmentar a responsabilidade até que ninguém se sinta responsável pelo resultado.
Sartre levou a liberdade a uma região desconfortável: mesmo diante de circunstâncias, ainda somos responsáveis por nossas escolhas.
Ser livre não significa escolher todas as circunstâncias; significa responder pelo modo como agimos dentro delas.
Algumas pessoas querem liberdade sem responsabilidade porque desejam os benefícios da escolha sem o peso de suas consequências.
O Direito é uma das maneiras pelas quais a sociedade transforma escolhas individuais em consequências públicas.
Nem tudo que causamos devemos necessariamente responder; nem tudo pelo que respondemos causamos sozinhos.
Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.
A liberdade humana é suficientemente complexa para impedir tanto o determinismo absoluto quanto a ingenuidade moral.
Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.
