As Coisas Nao Acontecem por Acaso
Eu não sei o que responder quando me perguntam o que me define. Eu não sou um conceito. A vida é composta de múltiplas histórias. Eu não “sou”, estou constantemente “sendo”, aprendendo, vivendo. O gerúndio tem mais a ver comigo.
Em tempos não tão distantes eu buscava encolher-me, pois acreditava que a invisibilidade me protegeria das "pedras" lançadas. Hoje vejo que de nada adianta, os “granizos” virão, sempre vêm, mas quando construímos uma blindagem amparada em um autoconceito positivo e compreensão para com as nossas fragilidades, entendendo que somos seres em eterno desenvolvimento, alguns adjetivos negativos não nos machucam mais como antes. Procuro, acima de tudo, me amar, me observar, me acolher, ter paciência e perdão comigo mesma. Sou um sujeito em eterna aprendizagem, e os outros também!
Para além de se entender como privilegiado, o branco deve ter atitudes antirracistas. Não se trata de se sentir culpado por ser branco: a questão é se responsabilizar. Diferente da culpa, que leva à inércia, a responsabilidade leva à ação.
As pessoas sempre dizem que eu não desisti do meu lugar porque estava cansada, mas isso não é verdade. Não, o meu único cansaço era estar cansada de ceder.
Queria eu não sentir, mas sentir faz parte de mim, sinto porque sou humano, sinto porque sou naturalmente normal.
Não é sobre as rasteiras sofridas na jornada, é sobre a força que te impulsiona levantar, reagir e colecionar as pequenas vitórias conquistadas na caminhada.
Insta: @elidajeronimo
Não somos inimigos senão do racismo e da opressão.
O CAMINHAR PELA VIDA
Como imaginamos ser hoje a nossa vida?
Essa pergunta não me parece fácil de resposta, pois de repente a vida vai ficando para trás como estivéssemos observando uma estrada através do espelho retrovisor do carro em que viajamos, pois quanto mais seguimos à frente mais as coisas ficam para trás. Com o carro sempre andando sem parar e as imagens se distanciando, dando lugar a novas paisagens às quais tendemos nos adaptar a cada viagem da nossa existência.
Em nosso caminhar pela vida, as coisas normalmente não aconteceram de acordo com o que acreditávamos que elas fossem. Desejamos muito “sucesso” e possivelmente já tenhamos experimentado o que desejávamos tanto tê-lo.
Quanto aos planos traçados – na época passava um turbilhão de coisas nas nossas cabeças - podemos identificar algumas realizações pelas quais nos orgulhamos de ter feito ou participado. Mas também muitas perguntas com respostas parciais e até mesmo sem resposta. Entre essas perguntas, quais os passos dados em direção à realização dos nossos sonhos? Quais os limites que a vida nos impôs quando poderíamos ter feito tudo o que queríamos e não fizemos? Quais as situações ou obstáculos que simplesmente achamos intransponíveis? O que realmente pesou no nosso dia a dia? Foi uma tarefa, uma atitude ou uma condição qualquer que nos impossibilitou aliviar das costas o peso do fardo que carregamos?
A essa altura da vida, podemos até ter identificado algumas coisas como, por exemplo, a perda de tempo que nos privou descobrir o caminho mais iluminado em nossos passos a procura do nosso objetivo. Nossas dúvidas ou hesitações certamente serviram de obstáculos às nossas realizações ou na verdade optamos pela leveza insustentável quando o peso da responsabilidade falava mais alto na subida da montanha.
Aprendi que a vida não nos dá limites, mas sim obstáculos. Os limites são impostos por nós mesmos. O maior obstáculo da vida é achar que não conseguiremos vencê-lo e a fuga dos problemas é a maior enganação que podemos nos impor quando, ao contrário, devemos nos fortalecer nas dificuldades e nunca sermos vencidos pelos obstáculos ou pelas limitações de nossas crenças inconfessáveis.
"As pessoas são semelhantes as refeições:
Podem não serem bonitas e nem cheirosas, mas isso não as impedem de serem nutritiva..."
O problema do tempo, é que o mesmo não perdoa. Você pode ter tudo porém, nunca o terá em seu domínio. Hoje jovem, amanhã estará na terceira idade.
Tik Tok
OS FIOS QUE TECEM A VIDA
Não é nada fácil entender a vida diante os incontáveis laços que se conectam no mundo inteiro, quando são muitos os fios que tecem suas tramas múltiplas e complexas que desafiam a capacidade humana em encontrar soluções para as diversas versões do jogo da realidade nua e crua e a sutileza do imaginário de sonhos e ilusões.
Ao desenrolar os fios do novelo chamado vida, esta é como um labirinto, cheio de entradas repletas de curvas e paredes, que nos levam - diferente de Teseu que conduzia um novelo de linha para sair do labirinto - a caminhos desconhecidos e a novas alternativas sem a certeza de superação dos desafios.
Na luta constante da tecelagem cotidiana dos inúmeros fios necessários à fiação, semelhante a navegar em mar revolto, a pergunta que se faz necessária é: qual o porto seguro do continente, da cidade, da ilha ou do abrigo, indicado no mapa do atlas da vida, a ser seguido pela humanidade, pela sociedade nesse trânsito inseguro da violência que banaliza o crime e a morte e faz terra arrasada na infinita provisoriedade da vida do ser humano, nos tirando a calma, o sossego e a tranquilidade?
Na eterna busca pela sobrevivência, os homens se mostram Prometeus teimosos, com semelhanças e diferenças, ao transgredirem os limites da harmonia social e da felicidade individual. Tudo o que o homem pode fazer, ele está fazendo, cedo ou tarde, a custo e risco elevado para sociedade, que alguns dizem não está ainda preparada; outros, que sim.
A principal consequência desse processo é permitir que os fios sejam tecidos através das tecnologias e ligados com maior profusão até agora não vista à uma rede infinita de máquinas inteligentes com novas possibilidades de manipulação da natureza, acarretando possíveis riscos irreparáveis a todas as espécies de vida do planeta.
