Aprendeu
A leveza não está na ausência de peso, mas na força inquebrável da coluna que aprendeu a suportá-lo.
Ele ficou, quando o mundo desabou em telas mortas e a música aprendeu a sangrar. Com a roupa rasgada pela história, olha anjos quebrados que esqueceram o céu, e corvos que sabem o nome do fim. Há almas passando por ele como neblina que não pede licença, e uma cachoeira distante tentando lembrar que ainda existe queda, e ainda existe som.
As noites se tornaram longas porque carregam seu nome. O silêncio aprendeu a falar por você, e cada gole levantado era uma tentativa fracassada de apagar o que insistia em permanecer. Quando o coração sofre assim, até o tempo aprende a machucar.
Sou um grito que aprendeu a cadência da respiração. A dor continua lá, mas eu aprendi a caminhar com ela.
Sou como um canto que nasceu livre, mas aprendeu cedo o peso invisível das próprias grades, não as que se veem, mas as que se sentem no fundo da alma. Há em mim um desejo antigo de voo, desses que não pedem destino, apenas horizonte, mas que se desfazem toda vez que a lembrança me puxa de volta. Minha liberdade mora longe, talvez no tempo em que o peito ainda não conhecia o silêncio imposto pela dor. E mesmo assim, continuo cantando baixo, como quem tenta não esquecer a própria essência, ainda que tudo ao redor insista em aprisioná-la. Porque existem almas que nasceram para o céu, mas aprenderam a sobreviver dentro de gaiolas feitas de saudade.
- Tiago Scheimann
Há tristezas que não pedem consolo, apenas uma cadeira vazia e o respeito de quem aprendeu a ouvir o próprio ruído interno.
A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.
Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.
Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.
Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.
É permitir que alguém me ame.
Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.
Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.
Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.
Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.
- Tiago Scheimann
O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.
A nação e o povo que não aprendeu nada além de repetir seus mesmos erros, age de forma leviana e está fadadamente destinada ao seu própio fracasso.
Numa terra cheia de vozes que gritam por atenção, torna-se sábio quem aprendeu a ouvir o silêncio e deixou de carregar o peso da aprovação alheia.
A PARÁBOLA DE QUEM APRENDEU A CAMINHAR EM SILÊNCIO
Houve vitórias que chegaram como amanheceres discretos, sem taças erguidas nem mesas repletas de celebração. Venci, mas não estive presente nos jantares da festa. Não por me faltarem razões para comemorar, mas porque aprendi que algumas conquistas florescem melhor longe dos holofotes, onde o aplauso não confunde o propósito.
Observo como quem lê o vento antes da tempestade. Falo pouco, porque nem toda palavra merece nascer, e, por vezes, escolho não olhar para aquilo que não alimenta a minha caminhada. Nem tudo merece reação; nem toda provocação merece o eco da minha voz.
Também aprendi que, quando o preconceito ergue muralhas, talvez aquele chão não seja o lugar onde devo lançar as minhas raízes. Não preciso convencer todos do meu valor. Basta-me continuar a construir, pedra sobre pedra, algo tão sólido que nem o tempo consiga apagar.
Hoje, caminho com as convicções acesas, os planos guardados como sementes sob a terra e a serenidade de quem conhece o rumo, mesmo quando a estrada se cobre de neblina. Se o ambiente se torna tenso, não entrego a minha paz à agitação alheia. Há tempestades que passam sem conseguir mover uma única raiz.
Existem planos que ainda precisam do abrigo do silêncio, sonhos que devem ser protegidos antes de verem a luz e compromissos com Angola que carrego comigo, ao lado da cota, com responsabilidade, coragem e visão de futuro.
Continuo em paz, com os olhos abertos, os passos firmes e o futuro aceso no horizonte.
