Amigos Antigos
“Minha vida neste momento é como antigos sedimentos que ficam numa xícara de café e prefiro morrer jovem deixando várias realizações ao invés de apagar todas essas coisas delicadas…”
Uma recaída é uma regressão a esses antigos padrões de conduta e pensamento que se tinham superado. São pequenas decisões erradas que somadas umas às outras, levam a pessoa ao caminho da recaída. Porque é mais forte, é uma compulsão. Alguns confiam mesmo assim, porque como já superaram o vício antes pensam que podem controlar de novo quando quiserem. Quando recaem sentem um grande alívio. Porque no início o sentimento é bom. E quando reagem, já é tarde demais .A compulsão, esse impulso autodestrutivo, sempre está aí. Escondido. Rondando como um corvo. Sentem o cheiro de uma ferida aberta, e sobrevoam sobre você, prontos para atacar. Sentem o cheiro do seu medo, da sua ignorância. A recaída é um medicamento falso para uma doença falsa. É uma tentativa de tampar a todo custo essa dor que nunca foi embora. Do que serve todos os esforços para deixar para trás a dor, se suas pernas são de pedra e não consegue seguir em frente? E a dor sempre te alcança.
A causa das recaídas é a intolerância à dor. A mesma feria de sempre volta a se abrir. E este corre até a solução conhecida.
Ressentir é sentir demais.
Recair não significa ser fraco. Significa que a dor se agravou. Porque isso é o que define oque sentimos e o que fazemos com o que sentimos.
Os vícios são falsos remédios que acalmam por um tempo a dor. Dor que não vai sarar até que você faça algo com ela. Porque isso é o que você é, embaixo de tudo que você faz para tampar sua dor, e no meio da confusão, isso que você sente, esse é você!
O medo , os temores excessivos antecipam todas as dores que você poderia chegar a sentir. Temer é pressentir. É sentir antes do tempo. Somos o que sentimos. Se sentimos ódio e ressentimentos, somos ódio e ressentimento. É difícil colocar em palavras a dor profunda. Mas, por incrível que pareça, essa dor pode ser aliviada com palavras. Todo trauma é filho de outro trauma. E às vezes é preciso curar as dores de muito tempo atrás. Para chegar até elas. Tem que atravessar a anestesia emocional, as feridas profundas, isso que não se pode dizer. É a única coisa que "o tempo cura tudo", não pode curar. Essas dores atávicas, herdadas e legadas, continuam com o tempo, e se tornam cada vez mais intensas. As dores traumáticas não conhecem anestésicos. Elas só podem ser aliviadas quando você começa a entender o que é isso que você está sentindo. São sentimentos muito humanos, que atravessam pela metade as vítimas e agressores. Nos alivia pensar que existe um lugar em nossa alma que podemos guardar as dores que nos acompanham. Um lugar onde isso que sentimos já não doerá tanto. Mas não existe um lugar para se guardar as dores, nem um falso remédio para acalmá-las. Só há boca, braços, mãos e olhos para expressar tudo o que sinto. A dor é um coração em carne viva, que só poderá ser curada, quando puder ser dita.
MEU PASSADO FOI ERGUIDO POR BALURDOS
Todos nós somos como cemitérios antigos
Temos recordações em inúmeros jazigos;
Às vezes perdidos no subconsciente há mendigos
Que vem nos acordar para os nossos castigos.
As sepulturas das más recordações tem poeira
Algumas são feitas de maneira tão grosseira.
No cemitério de nossa alma há também pedregulho
Que esconde o jazigo por dor ou por orgulho.
No cemitério de nossas almas às vezes interfere Deus
A poeira de toda sepultura ele com bater de asas dá adeus.
Nos pedregulhos são colocados os balurdos
E ao levanta-los aparecem os maiores absurdos.
No canto mais sombrio de meu cemitério
Tem um pedregulho gigante sobre um mistério
Duas vezes foram colocados e pedregulho levantado
E o ser ao ver um lampejo da cova ficou chocado.
O balurdo está colocado no pedregulho gigante
Um dia com a graça de Deus destruo, pois vou adiante;
Mas enquanto o dia não chega pinto o pedregulho
Deixando de lado todo o meu orgulho
André Zanarella 06-08-2012
Balurdo = Espécie de grande parafuso que serve para
levantar a pedra nos lagares.
Pedregulho = Pedra muito grande; penedo.
Bras. Grande quantidade de pedras miúdas.
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4397097
Nos tempos antigos
Era uma vez uma vez um amor
Eu não sei direito como
Mais causava muita dor
Era vivido em silencio
Com um aperto no coração
Era o amor dele dela
Quão grande essa paixão
Diga-me: Como pode ser tão encantador?
Era uma vez um amor
Era uma vez uma dor
Diga-me: Como esse amor proibido
Esse amor não vivido
Pode mexer tanto comigo
Não somos mais aquela força dos antigos tempos;
quando movíamos céus e terras pelos nossos ideais,
hoje somos cordeiros cercados em um curral;
Nossos corações heroicos que batiam em um ritmo de tarol;
Hoje enfraquecidos pelas manchas do tempo e os novos falsos valores humanos,
Mas fortes na vontade infinita de lutar;
Na busca de um mundo melhor;
No encontro da Paz tão desejadas;
No olhar de um novo sustentável futuro;
Para isso, o caminho é não se render ao Destino.
Antigos fantasmas....
De sombras da noite...
Em novas formas escuras
Feitas de gritos surdos
Durante a aurora
Mentira aos prantos
De muita vergonha
Solidão sentida nas.....
Falhas que espalham-se
E que encobrem-me o corpo...!!!
As vezes, quando vejo filmes antigos, fico imaginando a década de ouro dos anos 30: Homens se vestindo e se portando como homens e não como garotos mal trapilhos; Mulheres em um esplendor de sensualidade natural, sem remendos nem embustes. O que aconteceu? Porque deixamos de ser assim?
Antigos plαcαres nuncα empαtαm...
Velhαs feridαs nuncα se fechαm...
O máximo que podemos fαzer é
esperαr que um diα tenhαmos α
sorte de esquecer.
QUANDO A SAUDADE VISITA
Bateu a saudade em minha porta
e a deixei entrar!
Ofereci antigos álbuns, lareira acesa
e xícara de chá.
Ofereci à ela, a melhor poltrona pra sentar.
Defumei o ambiente com aroma de lavanda.
De fundo podia-se ouvir
uma clássica música branda...
Acendi velas que estiveram sempre apagadas
e ajeitei as dúzias de almofadas.
Fiquei em silêncio para ouvir o silêncio
que silencioso não dizia nada!
Na estante o vidro do porta-retrato
refletiu em meu olhar.
A saudade levantou-se
para ver o que estava a brilhar...
E não viu brilho algum na foto
que começava a desbotar
e descobriu que o tal brilho
eram minhas lágrimas à rolar!
NÃO DEVIAS
Ao mexer em alguns livros antigos na biblioteca,
Revi mais do que as traças que ali moravam, já
Que achei meus textos, ainda totalmente presos
E sonâmbulos ao nosso contexto, pois traziam a
Insônia, sem parcimônia, na história da memória
Triste do fim que existe em mim, do que vi depois
Que de nós dois partiste e sequer a dor repartiste.
E te confesso que ao reler senti doer, corroer, já
Que em mim segue triste o nosso fim, pois virou
Saudade o que foi de verdade e lembrança sem
Chance de herança sequer na esperança de tudo
O que vivenciamos e covardemente renunciamos,
Quando nossa união virou separação e corremos
Perigo, quando frontalmente nós viramos inimigos.
Eu sei que vais dizer que valeu, que durou o que
Tinha que durar, mas desculpe-me, pois não quis
E nem por merecer fiz, até porque até hoje quero
Entender por que na minha vida chegaste, se não
Era pra afetivo, efetivo ficar, por que terna paixão
Promoveste com tão belo e eterno ritual, se sabias
Que um dia terminaria, por que começaste afinal?
Juro que ainda não compreendo e saibas que me
Alimento das feridas que vou lambendo e que só
Assim, só, vou sobrevivendo, mas não querendo
Jamais, de forma alguma entender e aceitar que
Topaste igualmente nos prejudicar, já que ao me
Separar de ti quem mais amava perdi e perdeste
Quem mais te amaria e que muito mais pretendia!
Guria da Poesia Gaúcha
Tropecei na minha insônia e me esbarrei em amores antigos que já não me servem de nada. Fiquei presa com medo de dar um passo na frente das minhas escolhas e acabei caminhando para trás sem saber que a estrada de volta tem sempre mais pedras do que a primeira despedida. No projeto da minha vida havia muros desnecessários que sufocavam a minha alegria, tentando me esconder do sol que insistia em brilhar pra mim a cada nova manhã. Faxinei a casa abrindo a janela pra ventilar, tirar o mofo do lençol que me cobre e levar embora o que já era pra ter ido mas insistiu ficar. Descobri que esvaziar a alma e começar de novo é suficiente. Que eu posso beber da fonte e me tornar limpa. Que essa cura interior é infinita e que deve haver cautela e zelo para que não se quebre peças preciosas dentro de mim. Eu me permito um desmanche, uma explosão interna e um conserto. Faxinei. Recupero.
Desculpa a pressa com que penso
nos milímetros marginais do verso
e, como cão farejando antigos mijos,
dissimule o cio enquanto ponho as asas no poema.
Desculpa a obsessão pelo tutano das palavras,
mesmo as bem nascidas e cuidadas
como os seixos mais polidos.
Desculpa a caligrafia e a gramática,
sempre tão dorsais e tão patéticas.
RASTROS DE POEMAS
Revisitando meus escritos Antigos e inglórios Tais quais pergaminhos Encontrei tanta coisa Estranha Até teias de aranha E amarelidão no papel Letras de datilografia Palavras do primórdio Tudo revelando o tempo Passante, passado, passeante De fato tudo passou Eu não sou mais o mesmo Hoje gosto de pão com queijo E veja até de cerveja... Do amanhã não sei nada ainda O que sei apenas é que a poesia mora e sempre vai morar em mim Ela pulsa latente, de forma irreverente, não me deixa ficar ausente E assim eu sigo rente eu e a poesia, de mãos entrelaçadas, deixando um rastro de poemas.
Navegadores antigos
tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso;
viver não é preciso"... FP.
Internet naquele tempo era apenas
oceano.
Dizem os antigos que o sacrifício, no que é Bom Justo e Sereno, é a ação resultante do Amor dos Sábios, Humanos Virtuosos, pela Humanidade que é desperta e que não é desperta.
"Deixe para lá antigos amores, antigas dores. Receba o que há de novo de coração leve. Perdoe, compreenda, esqueça, amadureça. Grandes amores necessitam de grandes corações."
