Amigo Palhaço
Amor Plural
Uma flor, amanhã, eu sei, nascerá nos quintais onde os sonhos se afirmam no jamais.
Uma flor, amanhã, eu sei, brotará, da imensidão lembrança de tardes outonais.
[...] Nascerá lindo luar! E os sentidos se confraternizarão, ao som do violão.
Felicidade é encontrar na saudade do abraço o encontro da nossa paz.
Eu queria falar de amor... mas não do amor apenas vestido de palavras, queria falar do amor vestido.. de nuvens! Queria falar do amor comum, morno e normal, de sempre e de todos, do amor que nasce no gesto. Bem, eu queria falar do amor que não vem num cavalo branco, daquele amor que acontece, que é acontecência na vida, nos ciclos diários. Eu queria falar do amor que não existe na linguagem, mas no viver dos instantes... ou seja, o amor dos poetas calados. Esse amor humano, o amor substância do tempo no mundo, entende? Eu queria falar do amor sorriso, do amor lágrima, do amor saudade, do amor invisível... é, invisível! Que tolera o outro exatamente como ele é, desengonçado, esquecido, desajustado, esse amor que não está na gente e que só existe porque tentamos buscar de fora pra dentro, esse amor que deixa gente cheio e vazio ao mesmo tempo. Eu queria falar desse amor estúpido mesmo, de jogar pipoca no outro, de fazer piada sem pé, sem eixo. Esse amor que nos permite sentir o infinito e que tem ficado estreito num mundo tão aflito.
É como o cara que entrou no mar e caminhou tão pra frente, rumo ao horizonte, que nunca mais voltou. E quando se perguntam "cadê aquele cara que entrou no mar?" Todo mundo responde: "Foi o mais perto do horizonte que ele conseguiu."
É desse amor que eu queria falar!
A Maria, jardineira das flores do próprio túmulo.
Co'a lata na cabeça parte a moça,
(na estrada triste e torta ela se some)
que tem ela, Maria, senão força?
que tem ela, Maria se não nome?
A lata bate forte e se encerra
Um tambor ruge vulto no estombo
Mal se difere a moça e a terra.
Se entortece Maria e o seu lombo.
Enquanto pinga gota da lata
e gota até do corpo dela,
No chão vasto pisado nascem flores
Quando a noite cai co'a lua prata
E a morte desce rude em sentinela
morrem latas, Marias e amores.
Chuva
Havia um tempo em que as telhas acusavam: chove.
Hoje é preciso ter a sorte de, por uma brecha,
descobrir que o mundo se molha lá fora.
Há de se dizer um eterno matuto na cidade dos grandes:
malditos sejam os prédios.
Desde que me deixei levar nessa vida, passei a ver a vida de outra forma, por outros ângulos, que muitas vezes evitava me inclinar pra que isso fosse possível. Aprendi coisas que a vida não te mostra, que os livros não contam... mas que os olhos de uma criança te ensina. E nessas estradas, encontrei pessoas que ao contrário do que corriqueiramente acontecem, impactam a tua vida de uma forma que teus olhos chegam a derramar todo arsenal de lágrimas que estava estocado. Lágrimas de crescimento, de carinho pelo próximo, preocupação, emoção... Aqueles que presencialmente por alguns minutos são teus parentes mais próximos mas, que emocionalmente estariam presentes em teu coração pra todo o sempre. Família de sangue, Deus nos dá de presente e somos eternamente gratos a Ele por isso, por ter a base, o alicerce, o apoio em casa... Mas, as pessoass que conquistamos fora do seio familiar se torna tão importante quanto... porque já dizia o velho sábio.: "tudo aquilo que conquistamos com os nossos esforços, com o nosso suor... aprendemos a ter muito mais cuidado. Somos cuidado por uma, que nos ensina a cuidar das outras." É assim seguimos fiel a nosso Pai Eterno e ao seu maior mandamento: Amai ao Senhor, Teu Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.
Assim sou eu...
Talvez nem o tempo
Apaga as marcas que ficou
Mas sigo meu caminho
Desviando do destino
Que um dia magoou
Sou residente deste tempo
Calculando meus passos
Na deriva mais não vou
A corda tá esticada
Equilibrista sou
Titubeio mas não caio
Saltimbanco deste mundo
Vivo todas as coisas
Não reclamo, nem imploro
Rasgo meu peito
Mas me orgulho
Do palhaço que sou
Era rap sem rima
Até cegos que viam
Homens sem palavras
Paredes que ouviam
Choros de alegria
O palhaço não ria
E a plateia triste e cordial aplaudia
Um poeta que nunca escrevia
Um coração partido
Que do amor tinha fobia
Um romance entre a morte e a vida
Mas quando brigavam
Outros amantes escolhiam
( As Rimas Do Velho Marinheiro )
E agora Narciso?
O jogo acabou
O fogo apagou
A lenha acabou
O gás acabou
O rio secou
O estrelismo ofuscou
O leite derramou
A máscara caiu
A maquiagem saiu
A farsa acabou
O circo acabou
Não tem mais público
O sonho do palhaço acabou
A bajulação terminou
As luzes apagaram
A boçalidade acabou
E agora você?
Está sem mulher
Está sem carinho
A farra terminou
Quer andar de helicóptero
Mas não tem piloto
Quer luzes dos holofotes
Mas as luzes queimaram
Quer mordomia que apraz
Mas tudo acabou
Quer vender seus sonhos
Os sonhadores acordaram
Não existe mais plateia
A base facial saiu
O narcisista se afogou
Sua imagem desabou
E agora Narciso?
Se você não estiver percorrendo o caminho da autoconsciência, a verdade e a mentira são muito parecidas.
Desenvolva um olhar espiritual através das virtudes, dos valores de alma.
Só assim, você poderá distinguir o sábio do palhaço!
Tenha calma; o sofrimento é efêmero; logo a máscara vai ao chão e todo mundo vai enxergar com clareza o engodo do palhaço narcisista
Póstumos
São farinhas do mesmo saco
Mesmos sacos de farinhas
Mesma farinha em trilhas
Frutos da mesma sacola
Festa com mesma trilha sonora
A qual se toca entocados
Intocáveis a qualquer revolta
Vícios vividos sem limites
Nos repiques de um carnaval
Onde todos se mantém fantasiados
Com seus narizes de palhaço
Em um cortejo que sabe lá seu final.
Se vc sabe a verdade as pessoas mentirão até onde vc permitir. A arte de ver o circo pegar fogo é exclusiva pra quem ja foi feito de palhaço.
Se considerarmos alegria o sinônimo de felicidade é porque nunca entendemos a realidade por trás da pintura do palhaço.
"Que um comediante se torne presidente é de louvar ...agora que um presidente se torne comediante é muito grave - nessa altura já o circo está reduzido a cinzas ..."
Pode um poeta ao peso de uma dor compor versos de amor e alegria? Pode outro vate festejando o amor cantar em verso a dor e a nostalgia? Eu sei que a história do palhaço existe; o grande artista e mestre no fingir; que ao peso de uma dor pungente e triste, ainda sim faz a plateia rir. Mas o palhaço sim, o poeta não.. Não creio que um poeta de verdade seja capaz de tanta falsidade dizer em verso o que não está sentindo. Deixar de lado a pura inspiração, narrar em verso a falsa sensação, embora ciente de que está mentindo...
Como palhaços sem plateia, a solidão faz companhia aos corações ansiosos por risos aleatórios. Na esperança de que um deles venha a preencher um vazio desmedido de solidão voluntária.
caçoando até nadando contra a maré,
meu jeitinho de rir diferente,
como eu sou engraçado quanto tem muita gente,
oposto de quanto tô só: não sou só mais um,
por onde quer que eu vá, qualquer um sente,
os livro dos corpos frios e mórbidos,
resultado do meu jeito solar, mais quente,
me ter é como ter um... "davi?" presente.
por tempos, fui a ervilha entre tantos colchões,
nunca quebrado: coração de aço,
debocham da minha cara, logo eu, o palhaço,
entretanto dentro de mim, o circo é meu.
o problema não sou eu
se é você que eu não convido a subir no palco,
ou até seria...
pois independente das rugas que me surgir,
minha alma sempre irá cheirar a talco.
votos de um novo ano podem te fazer ser melhor,
a cada momento que comigo você "brinque",
te ofereço um gole para se afogar no meu drinque
como os porcos de chihiro.
até em cortinas que não se abrem, sou de bom grado,
apesar de escrever isso ao teu lado
e recitar para multidões.
meu jogo não funciona com moedas, são milhões,
escolha diversas outras opções,
mas nada se compara a mim.
sou a mistura do nada muito engraçado:
gostoso, me divido pois todo mundo quer um pedaço;
mas nada muito bruto: pois nasci palhaço.
depois de muitas tentativas,
trilhando o meu próprio percurso,
eu sou a minha fonte, o meu recurso,
coma mais arte:
pois o dom que eu nasci, cê precisou fazer curso.
o espetáculo foi um sucesso e sempre será,
respeitável público,
os espero novamente em janeiro
em mais uma abertura do meu picadeiro.
Palhaçada nacional
Vamos eleger um salvador da pátria
Torcendo para um milagre acontecer
Vamos votar no nosso bobo da corte
E, no dia seguinte, da opção esquecer
Em outubro, terá palhaçada nacional
Mesmo os debates são uma diversão
Leva vantagem quem grita mais alto
Enquanto o público cogita abstenção
País do Futuro só se for bem distante
Estamos exaustos de vagas promessas
A depressão tomou conta do território
Nunca as fronteiras foram tão abertas
Não é recomendável ficar sóbrio aqui
Ávido por festa, o povo quer tumulto
Candidato bom sabe promover briga
Deixando os poucos sensatos de luto.
