Abismo
Nem toda dor vira arte,
nem todo peito sabe lapidar;
mas quem encara o próprio abismo
aprende a se reinventar.
Carta II — O Calabouço: O mergulho no abismo
Após aquele grande evento no tribunal da desgraça, eis que, por decisão comum — dos lordes e dos plebeus — lançaram-me num calabouço onde a fome era silêncio; a sede, solidão; o sorriso, miséria; o sonho, pesadelo; e a moldura, um vazio.
Ali, a luz do sol não encontrava lugar para me oferecer claridade. Tudo era escuro naquele espaço, sem qualquer iluminação.
Crânios espalhados por todos os cantos da caverna pareciam dialogar com as campas, e nada se ouvia senão o sussurro dos espíritos que queriam roubar-me a alma. Um monte de ossos amontoados formava uma grande muralha, cercando o calabouço para que nenhum prisioneiro pudesse escapar.
Alimentava-me de ratos, pois negavam-me comida; e não tinha como nem onde cozê-los, porque não havia fogo nem cozinha.
A escuridão causava-me frio; a terra era feita de pedras com pontas afiadas, tão bruscas que partiam-me os ossos. Não conseguia dormir confortavelmente. A sede enxugava a saliva das minhas glândulas; a minha garganta tornara-se seca como o deserto. A língua já não conseguia provar o paladar, como se tivesse perdido tal faculdade.
E, se subsisti por tanto tempo, não foi por coragem, mas pela necessidade de fazer-vos chegar uma carta completa antes do meu último suspiro.
As minhas pernas paralisaram; eu não podia mover-me. Os meus olhos nada conseguiam enxergar senão o desespero que se espalhava na escuridão do tédio. Os meus ouvidos enclausuraram-se no grito do medo e na surdez do tempo.
As palavras desapareceram da minha boca como memórias de quem sofre de amnésia.
Abandonaram-me ali, e não lhes interessava a dimensão do meu sofrimento. No intuito de sobreviver, ingeria a minha própria urina para manter-me vivo. Pensei tratar-se de um pesadelo, mas nem sequer pude fingir delírio.
Cheguei a devorar os dedos das minhas próprias mãos para redigir-vos esta carta com sangue, pois não havia caneta tampouco tinta que eu pudesse usar.
Às vezes, a sociedade censura-nos por pensarmos e agirmos de modo diferente do que ela espera. E, na ânsia de garantir que todos cumpram o que dita, aqueles que a desafiam acabam por tornar-se vítimas.
É preciso morrer para voltar a viver; desfazer-se do que fomos para poder renascer. Não basta ser corajoso: para permanecer firme nas próprias ideologias, crenças e convicções, é preciso estar disposto a dar a própria vida.
Ali percebi que o pior cárcere não é o calabouço, mas a consciência de viver entre homens injustos.
Talvez ainda possamos construir um mundo em que a todos seja permitido falar sem sofrer perseguições ou censuras. Mas, enquanto os homens não aprenderem a conviver com pensamentos diferentes, a paz permanecerá impossível.
Diante do abismo que paralisa o homem comum pelo medo, a virtude se revela na ação. Onde a hesitação recua em busca de abrigo, eu imponho ordem, atitude e direção imediata: minha bagagem não é a de quem reage ao caos, mas de quem o governa.
O Equilíbrio do Espelho
Queremos o mundo, o mapa, o inteiro,
mas recuamos diante do abismo do nada.
Somos o passo que anseia pelo roteiro,
e o medo da estrada que não foi traçada.
Buscamos no outro o reflexo, a voz, o abraço,
multidões que gritam para o silêncio estancar.
Mas voltamos sempre ao mesmo escasso espaço:
aquela solidão que ninguém consegue ocupar.
O tempo? É um rio que se bebe e se esvai,
um "agora" que morre antes de ser nomeado.
É o "sempre" que chega, é o "nunca" que vai,
um instante que nasce já sendo passado.
Não há oposição entre o cheio e o vazio,
são margens opostas de um mesmo fluir.
O ser e o não ser, no mesmo desvios,
tecendo a trama de quem tenta existir.
Habitamos a fronteira, o traço, a fresta,
entre o que se sente e o que não tem tradução.
Nesse jogo de espelhos, o que nos resta
é o paradoxo vivo de ser contradição.
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E eu perdi a conta dos momentos em que fechei os olhos e me deparei com o abismo mais profundo da Terra, o abismo de todos os meus anseios, o abismo de todas as minhas soluções. De repente, perdi o chão sob meus pés e a sensação de leveza dominou meu corpo. Gritei com a toda a força que minhas cordas vocais possuíam, mas nenhum som era emitido. Observei o céu azul se tornar cada vez mais distante das minhas pequenas e frágeis mãos. As nuvens iam diminuindo conforme a paz inundava minha alma e meus pensamentos ficaram escuros e vazios como a própria dimensão dos corações partidos. Nada. O sentimento do nada era tão reconfortante quanto o brilho do sol tocando minha pele alva. E o que durou milhões de anos não passaram de segundos até me chocar contra o chão seco e escutar a última batida do meu coração, trazendo-me de volta a cruel e fria realidade.
No abismo que a minha alma se encontra meu coração dispara por sentir a tua ausência o sentimento mais destemivel aparece saudade que me afasta de ti com esse amor que você não corresponde.
,
“…O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto…”
Eu vivo na beira de um abismo. Mas lá eu tenho minhas amigas para me segurar. E minhas inimigas estão caindo como a dignidade delas.
Se o seu pensamento samba em sua cara, de lhe uma rasteira, destrua e jogue-o para o abismo do esquecimento.
Ah ! O amor:
salto no abismo sem rede!
E sem cordas de segurança tambem.
Ou você pula ,
ou fica na beirada vendo tantos passarem correndo ao seu lado
e despencarem mundo a baixo,
e isto para o bem ou para o mal diga-se de passagem.
É fato que não se pode praticar este esporte tão perigoso sozinho.
È apenas requisito primordial :
estarem de mãos dadas.
Mas obviamente existem aqueles que cansados de esperar ,
se lançam ao vento desacompanhados.
Já posso imaginar-lhes, de cara quebrada e coração moido.
Mas ainda assim é preferivel tentar,
quem irá garantir que muitos daqueles que passam aqui ao lado juntinhos,
logo não estarão subindo a montanha de novo em busca de novas tentativas?
Além de tudo, o que embala todas as tentativas são aqueles
grandes geradores de inveja,
aqueles que ao se lançarem unidos se tornam realmente um,
e comprovam a magica que todos nós temos buscado a seculos,
se tornam imunes a queda , semplesmente por estrem lado a lado.
Estes embalam os pensamentos dos que tentam e daqueles que gostariam de tentar.
Empurram para a busca da mão estendida aqueles que juram :
"Não querem voar!"
Mas ainda que neguem ,
todos querem,
querem descobrir que são metade,
querem se lançar ao nada só porque alguem esta segurando sua mão,
querem planar ou se estabacar.
Só não querem estar aqui na beira do amor,
esperando por uma mão que jamais será estendida em sua direção!
Quando você acha que sua vida cai do abismo, ela sempre faz isso de volta.
Eu não sei como, às vezes, mas ela faz. Basta manter a vida
Ah tempo que não me falta.
O dia não acaba, mesmo quando cerro meus olhos e caio no abismo escuro do sono.
Quem dera eu tivesse realmente sono.
Durmo sim, mas apenas para o descanso do corpo.
Alimento-me pelo mesmo motivo.
Para que essa máquina que me foi dada de presente não desapareça por falta de cuidados.
Não há nenhum prazer nisso.
Mas, um presente desses não se joga fora apenas por desanimo...
Madrugada por favor, vá embora, deixe um novo dia nascer.
Ah tempo, por favor, não pare.
Mesmo que eu me vá, continua teu curso incessante.
Para conhecer o verdadeiro significado da vida, você deve fazer uma viagem ao mais profundo abismo , pois de lá o Senhor te resgatou , te deu um novo nome , uma nova vida e a terra prometida por herança .
Poderia estar segurando a sua mão e te livrando desse enorme abismo, mas o céu parece bom quando se cai de baixo para cima....
A música me leva ao mais profundo abismo, e me faz retirar todos os sentimentos que um dia achei que nao os retiraria mais de la.
Somos fortes por sermos medrosos. Por derrubar paredes do abismo e por suportar o peso de nossa consciência.
