Abismo

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⁠“Trago em mim a chama da redenção e a cicatriz do erro, numa eterna dança entre o céu e o abismo.”

"A ingratidão é um abismo que nos faz redescobrir a força para recomeçar."

O tempo, esse abismo silencioso entre um lugar e outro, recorda-nos que talvez busquemos nos galhos aquilo que só pode ser encontrado nas raízes.

Do caos ao cosmos existe um abismo. A sabedoria constrói a ponte; a obediência atravessa pela fé.

Misantropia


Que o abismo afogue este mundo!
Que a praga humana seja extirpada, varrida da crosta terrestre.
Da escória biológica, o bípede se ergue como o parasita supremo.
Vandalo da criação, estraçalha tudo o que seus olhos cobiçam.
Devora a própria carne
Tritura seus semelhantes em rituais de ódio
Incendeia o berço que o amamenta e profana o santuário do espírito.
A casta maldita cujo verdadeiro nome é Destruição!


- Ramile Godon

O Ciclo do Abismo

Nações doentes matam os vivos e agora nem querem enterrar os mortos.
Na superficie da terra, vagam os destruidores.
O que nós somos além da espécie mais amaldiçoada da face da terra?
Que somos nós, senão predadores e escravos
De nós mesmos?

A engrenagem social forja os monstros e as pestes.
Na superficie da terra, vagam todos os algozes.
A sociedade cria o problema e a solução.
Somos o abismo e a redenção.
Somos a ferida e cura.
Somos Deus e o Diabo.
Nós somos o problema, mas será que somos a solução?


- Ramile Godon

Solilóquio de Guerra

Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.

- Ramile Godon

⁠Bastou o encardido encontrar o ponto fraco do povo — esse abismo sutil entre a religiosidade e o fanatismo — para politizar as igrejas.


A religiosidade, quando saudável, nasce da consciência da própria fragilidade.


Ela é ponte: liga o humano ao divino, o erro ao arrependimento, a culpa ao perdão.


Já o fanatismo é muro.


Ele não aproxima; separa.


Não ilumina; incendeia.


Não convida ao amor; convoca à guerra.


Entre uma coisa e outra existe um terreno perigoso: o ego travestido de fé.


É ali que discursos políticos encontram abrigo, não para servir, mas para dominar.


Quando a fé deixa de ser transformação interior e passa a ser instrumento de poder exterior, o altar vira palanque — e o púlpito, trincheira.


Não é a política que contamina a fé; é o coração que, seduzido por certezas absolutas, troca o Evangelho pela ideologia.


O problema não está em cidadãos que creem participar da pública — isso é legítimo.


O problema começa quando a fé deixa de ser farol moral e se torna escudo partidário.


O fanático não se percebe capturado, acredita estar defendendo Deus, quando, na verdade, está defendendo homens.


E homens passam.


Projetos passam.


Mandatos também.


Mas o dano causado quando se confunde Reino com governo terreno atravessa gerações.


Talvez o maior sinal de maturidade espiritual seja justamente este: saber que Deus não precisa de cabos eleitorais, nem de militantes inflamados, mas de consciências coerentes.


A fé que se ajoelha não precisa gritar.


A fé que ama não precisa esmagar.


A fé que é verdadeira não teme perder espaço político, porque jamais dependeu dele para existir.

⁠No abismo sutil
entre a Religiosidade
e o Fanatismo,
o Encardido
perverteu as Almas Carentes
para instrumentalizar as igrejas.


A religiosidade, quando nasce da consciência, é ponte.


Liga o humano ao transcendente, a fragilidade à esperança, o erro à possibilidade de redenção.


Já o fanatismo é muro.


Separa, acusa, simplifica o que é complexo e transforma fé em trincheira.


Entre a ponte e o muro há um abismo quase imperceptível — sutil como a Vaidade Espiritual que se disfarça de Zelo.


É nesse intervalo que a fé deixa de ser encontro para ser ferramenta.


Ferramenta de poder, de influência, de domínio.


Quando a espiritualidade perde o compromisso com a verdade e se apaixona pela própria narrativa, ela se torna vulnerável à manipulação.


E almas carentes — feridas pela vida, desassistidas pelo Estado, esquecidas pela sociedade — tornam-se terreno fértil para discursos que prometem pertencimento antes mesmo de oferecerem transformação.


O fanatismo seduz porque oferece respostas rápidas para dores profundas.


Ele entrega identidade pronta a quem ainda não se encontrou.


Dá inimigos claros a quem não consegue nomear suas angústias.


Simplifica o mundo em “nós” e “eles”, como se Deus coubesse em slogans e a Eternidade pudesse ser reduzida a palanque.


A religiosidade madura, ao contrário, incomoda.


Ela exige autocrítica, compaixão e muita responsabilidade.


Ela não precisa gritar para existir, nem destruir para se afirmar.


Sabe que a fé autêntica não é instrumento de coerção, mas caminho de conversão — primeiro interior, depois social.


Quando igrejas se deixam capturar pela lógica da influência e do controle, deixam de ser hospital para se tornarem comitê.


E onde deveria haver cuidado, instala-se a estratégia.


Onde deveria haver silêncio reverente, instala-se o ruído deliberadamente calculado.


O sagrado passa a ser moeda simbólica numa economia de poder.


Talvez o maior antídoto contra essa instrumentalização seja a Maturidade Espiritual.


Uma fé que não negocia sua essência por aplausos.


Uma comunidade que prefere formar consciências a fabricar soldados.


Um povo que entende que Deus não precisa de defensores raivosos, mas de testemunhas coerentes.


No fim, o abismo entre Religiosidade e Fanatismo não é teológico — é humano.


E atravessá-lo ou não, depende menos do discurso dos púlpitos e mais da vigilância.

A Dialética do Abismo: O Despertar da Soberania

Falar da sombra é, antes de tudo, reconhecer a dualidade que nos fundamenta. Ela não é um acidente de percurso, mas a própria substância do nosso ser — o antagônico que vive nas frestas da nossa consciência. Por muito tempo, a ingenuidade nos serviu de escudo; acreditávamos na ficção de uma identidade solar, enquanto enterrávamos o "outro" em nós sob o solo do esquecimento. Mas o recalcado não morre; ele aguarda o gatilho, o instante em que a vida, em sua irônia implacável, nos obriga ao confronto.
Vivemos sob a ilusão do acaso. Atribuímos ao destino, aos outros ou à má fortuna os naufrágios que nós mesmos projetamos. É a náusea sartreana: o desconforto de perceber que nossa liberdade é absoluta e nossa responsabilidade é total. Descobrimos que a "demência" é fluida — somos os arquitetos das situações que nos aprisionam. Provocamos o caos para validar nossa escuridão e, depois, de forma ignóbil, miramos a flecha contra o próprio peito.

O cordão umbilical com o pensamento mágico foi cortado. Resta-nos a solidão da vida adulta: uma sincronicidade austera onde o mundo não é algo que nos acontece, mas algo que coautoriamos. Hoje, a soberania nasce no intervalo. Entre o impulso bruto e a ação consumada, abriu-se um espaço de lucidez técnica. O "final trágico" — a ressaca moral e a dissipação da energia — agora é uma premonição que nos protege.
Neste diálogo, o tempo deixa de ser um carrasco e torna-se testemunha. Cada vez que escolhemos a diplomacia em vez da explosão, estamos reescrevendo nossa crônica pessoal. Não estamos apenas evitando uma "ressaca moral"; estamos esculpindo o próprio caráter. Afinal, a verdadeira liberdade não é fazer o que se quer, mas ter o poder de não ser escravo daquilo que nos destrói.

Entenda que quem conversa com sua sombra é sua luz. Ambas coexistem; somos dualidade pura. Jamais dissiparemos nossas trevas por completo, mas podemos adormecê-las com a presença da luz. **Não se trata de uma "cura" que elimina a treva, mas de uma diplomacia interna. Quando a luz conversa com a sombra, a consciência define-se como esse mediador que não nega a existência do oposto, mas que escolhe qual força terá a palavra final na ação.** A intenção não é encontrar um mundo de claridade absoluta onde tudo é belo, mas encontrar o equilíbrio real naquilo que sabemos que existe: nossa própria sombra.
Confronte-a. Puxe a cadeira, mande-a sentar e converse com ela. Ao final, seus medos perdem a força, pois você estará diante do seu espelho vivo. Desse confronto, você não sairá perfeito, mas sairá mais fortalecido, integrado e, finalmente, seguro de si.

Ysrael Soler

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#filosofia
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Ele sorriu como se estivesse livre do abismo. Sorriu, como quem estivesse se sentindo salvo. Mas no fundo daquele sorriso, se escondia uma névoa de sentimentos ruins que se espalhava ao longo do tempo, dominando-lhe por completo. Já não era mais tão fácil ceder os sentimentos a alguém e nem mesmo confiar nas pessoas.

O posicionamento político
é o abismo
que distancia o pintor de parede do artista.

O Pressuposto do Abismo


A vida não pediu licença para existir.
Brota teimosa entre pedras de catedrais, como relva que desconhece a geometria, a vida talvez seja, como o silêncio que grita num quarto vazio ao amanhecer.
Somos sombras que caminham sob um olhar que não vemos,
sopros que escapam entre os dedos sem que percebamos, instantes de luz que não sabem que vão apagar.


O mais importante não é desvendar o mistério dos séculos, nem decifrar o alfabeto das estrelas ou o sentido das guerras.
O mais importante é, e aqui reside o espinho e a rosa que é saber, com a certeza que corrói e liberta, que um dia a morte virá.
Não como ladrão, mas como dono da casa, batendo à porta para cobrar a chave que nos foi emprestada.


Pois é essa finitude, esse ponto final que nos espreita na esquina, que transforma o caos em milagre.
Sem a morte, a vida seria eternidade insuportável,
mar sem margens, tédio sem fim.
É porque sabemos que vamos morrer que o agora se torna sagrado.
É porque a página vai fechar que cada palavra urge ser escrita.


Então, o único pressuposto


— "infelizmente, e felizmente"
—"é a sua existência".
Infelizmente, porque dói. Dói sabermos que o abraço vai desfazer-se, que a voz se calará, que o amor será memória.
Felizmente, porque é essa dor que nos faz humanos,
que nos arranca a máscara da indiferença e nos obriga a olhar o outro nos olhos.
A existência é o milagre trágico, um presente que só tem valor porque sabemos que será tomado de volta.


Há quem veja aqui a epopeia do herói que luta contra o destino.
Há quem veja a mulher que, ao segurar uma maçã,
sente o peso do universo inteiro na casca vermelha.
Eu vejo apenas o espanto, saber que a vida é, e que um dia não será.
E que, entre o sim e o não,
o único pressuposto é que fomos e que, por um breve e eterno instante,
existimos.

"Quem escolhe a cegueira moral caminha para o abismo, acreditando que a culpa é do chão e não dos próprios passos."

⁠Não adianta ser lindo(a) por fora
E por dentro ser um abismo de ruindade.

"A vida é suor e espinhos.
Mas, não pule no abismo,
construa um altar."
Haredita Angel
10.01.26

Floresce e resiste as estações
do tempo na Mata Atlântica,
a Rainha-do-abismo nesta terra
de Santa Catarina romântica.


Inspirando também a acontecer
do amanhecer ao anoitecer.


Manhã de Sol e noite enluarada,
Porque tu és flor enraizada
e filha de cada novo alvorecer
desta Pátria nascida libertada.


Não preciso te dar este poder
porque ele é teu desde nascer.

Sanhuda para ser o teu abismo
de flores nativas para que
se perca com indomável ímpeto
em plenitude em retribuição,
E me coloque em iniciação
no teu pomar selvagem de adoração
Evanescer por dentro e ser o ardor
crescente em transbordamento,
o prazer lúdico e elegante,
​da cobiçança em chamamento
do desejo romântico e fúrio
intrincados ao mesmo tempo.


Para não dar chance de escolha,
tornar-me a rebeldia mais louca,
e querer ter nas mãos as rédeas
da sagrada intimidade perturbadora.


Assim para que meus beijos feitos
dos ingazeiros dos rincões distantes
da nossa América do Sul profunda
beije o teu corpo bonito e o cubra.

Entre você e quem conversa
existe um distante abismo.
Tu tens a capacidade de incendiar
uma rebelião apenas com um suspiro.
Como sou poeta, em ti fiz
a jura de escrever o destino.


Farei de ti uma mina de diamantes,
interminável em brasas lentas,
para que em outros romances
não encontres mais cadências.


Em céu catarinense tal como
a amável carícia do sol deixa
rastro aurífero nas asas livres
e belas da saíra-de-sete-cores,
tu hás de iluminar as penumbras
e guiar-me nos voos da intimidade,
porque em tuas mãos desejo
ter-me com plenitude e liberdade.

No abismo,
vejo o mar azul
do Atlântico Sul.