O Equilíbrio do Espelho Queremos o... Arlei Lima
O Equilíbrio do Espelho
Queremos o mundo, o mapa, o inteiro,
mas recuamos diante do abismo do nada.
Somos o passo que anseia pelo roteiro,
e o medo da estrada que não foi traçada.
Buscamos no outro o reflexo, a voz, o abraço,
multidões que gritam para o silêncio estancar.
Mas voltamos sempre ao mesmo escasso espaço:
aquela solidão que ninguém consegue ocupar.
O tempo? É um rio que se bebe e se esvai,
um "agora" que morre antes de ser nomeado.
É o "sempre" que chega, é o "nunca" que vai,
um instante que nasce já sendo passado.
Não há oposição entre o cheio e o vazio,
são margens opostas de um mesmo fluir.
O ser e o não ser, no mesmo desvios,
tecendo a trama de quem tenta existir.
Habitamos a fronteira, o traço, a fresta,
entre o que se sente e o que não tem tradução.
Nesse jogo de espelhos, o que nos resta
é o paradoxo vivo de ser contradição.
𝓙𝓾𝓻𝓾𝓷𝓪j
