Calce os meus sapatos: frases para pensar antes de julgar
A vida só não é curta para aqueles que correm atrás do prejuízo, sem calcular a consequência de suas escolhas.
BARCOS DE PAPEL (soneto)
Na chuva da temporada, pela calçada
A enxurrada era um rio, e o meio fio
O teu leito, com barragem e desafio
Na ingênua diversão da meninada
Bons tempos felizes, farra, mais nada
Ah! Os barcos de papel, inventivo feitio
Cada qual com um sonho e um tal brio
Navegando sem destino, a sua armada
Chuva e vento, aventura e os barquinhos
Tal qual a fado nos mostra os caminhos
E a traçada quimera no destino velejada
Barcos de papel, ah ideais, são poesias
Que nos conduzem nas cheias dos dias
No vem e vai, no balanço, da jornada...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/06/2020, 11’05” – Triângulo Mineiro
Aliviar o stress
Quero um chinelo ao invés de um par de sapatos que só me calejam os pés
E desse modo a vida se fez de louca
Desdenhou da realidade com um doce na boca
Cá com meus botões,
Sandália de dedo, calção de feira.
Camisa de time das bem fuleiras.
Cá com meus botões,
Dinheiro regrado, uma doze de cana,
Um bom carteado, ninguém se zanga.
Cá com meus botões,
Uma morena fogosa, da perna roliça,
Rapaz uma boa prosa, mas ela que enfeitiça.
Cá com meus botões,
Felicidade sofrida, daquelas de pouco dinheiro,
Tristeza na ida, ninguém quer ir primeiro.
Cá com meus botões
Ficam se os anéis, vão se os parentes,
Nada de revéis, nada a frente..
Cá com meus botões
Fim de semana, fim de estrada,
Negada na rua, na casa mais nada.
Cá com meus botões
Estou aqui conversando comigo mesma sobre quando sair do trabalho calçar um tênis e ir fazer caminhada, mas não me convenci.
João Sem-Braço
Não nasci para cálculos. Não meço palavras, perco os sentidos e os centímetros, avalie os sentimentos. Para os fardos da atualidade e a busca incessante do ser, a reciprocidade não anda de vento em poupa. Pasmem! O cenário frio e calculista dos tempos modernos é retrógrado e vago. É veemente o traço da fugacidade encontrado nas projeções de vida e sua conjuntura folclórica. O romance foi assassinado. Na prática, a luta entre os sexos, é vista burlando a boa-fé da espontaneidade. E o que se assemelha a um personagem poético, é dotado de uma inocente ingenuidade. “Sabe de nada inocente”. Porque nada disso é verdade! Tudo é calculado. A aptidão para os números é multiplicada pelos corpos, subtraída pelo vácuo e somada ao descaso. Desejam praticar o desapego, apegados ao passageiro. Olha o passeio! Dar as mãos é coisa do passado, estão passando é a mão mesmo. A flor da pele fica os nervos com a falta de senso, raros são os arrepios em meio aos poros sufocados de desdém. Os beijos efusivos tornaram-se tentativas do chamado “forçar a barra”. Parece que as pessoas hoje em dia são maquetistas deste cenário onde o dissabor acarreta uma aptidão para esquivar-se do romance. A frase clichê “quer romance, compra um livro”, virou música popular complementada pelo filósofo Mr. Catra “quer fidelidade compre um cachorro e quer amor volta pra casa da mamãe”. A tendência é esta! Os espertinhos (as) de plantão implantaram nas mentes estéreis a ideia de poder como meta sem baldrame para conquista. Nada se ganha sem o devido mérito. “Bonito isso, né? Eu li num livro”.
Felicidade é um café com bom dia e o sabiá que pia.
Felicidade é uma camiseta branca, uma calça jeans e um colar bem brasis.
Felicidade é voltar no tempo e encontrar-se na memória dos bons ventos.
Felicidade é um abraço apertado de quem estava há muito no passado.
Felicidade é ver os cabelos brancos penderem do alto da cabeça… E sorrir!
Escolher, finalmente, o seu chapéu e, sair.
Afinal, o roxo lhe cai muito bem!
Felicidade é isso:
Uma edificação erguida de pequenas atitudes com boas doses de paixão.
Apaixone-se a todo instante por você, pelo dia, pela vida, pelo viver!
CALCANHAR DE AQUILES
Deixe-me tocar em seu coração, deixe-me bater à sua porta... Não sou um estranho ao qual rejeitas e desconheces, mas sou alguém tão igual a você que também busca as respostas deste nosso louco viver. Também faço diversos tratamentos, desde os médicos até os espirituais, pois, minha vida é um eterno turbilhão de emoções e de contradições. Mas, é claro que sofro, se não sofresse, sequer estaria aqui escrevendo, preciso escrever para desabafar, uma vez que, a prisão da solidão me angustia e me faz desmoronar. Falo tudo isto é no sentido de que saibas que ninguém nesta vida terrena é perfeito, ninguém está acima do bem e do mal, todos nós fedemos, não acredita? Fica um dia de sua vida sem tomar um bom banho ou fazer a sua higiene pessoal. Por isso que o orgulho e a soberba são tão insignificantes que nem devemos perder o nosso tempo com bobagens assim e também não tenho piedade daqueles que assim são, isto porque, acredito que somos responsáveis pelos nossos atos e cada qual recebe da vida o que dá a ela em troca. Pode alguém também me provocar e perguntar: “Como alguém como você, que vai da euforia a melancolia em segundos pode aconselhar alguém?”
E eu posso me calar e nada responder, pois, não dizem que os verdadeiros sábios são aqueles que nada falam? Mas, não, prefiro escrever, assim me manifesto, exerço a minha dignidade, me exponho e mostro as pessoas que não há uma fórmula perfeita de felicidade ou de alguém feliz, próspero, bem sucedido ou inatingível. Todos nós temos o nosso calcanhar de Aquiles e o que devemos fazer é evitar simplesmente que nos atinjam em nosso calcanhar de Aquiles.
Simples, não? Não, não é nada simples, mas, quer um conselho? Esqueça o meu conselho e procure cuidar-se espiritualmente, ouvir somente a sua voz interior, a sua razão que é a sua intuição, sem medo de desagradar quem quer que seja, pois, nosso caminho é somente nosso e se não o caminharmos ninguém irá caminhar por nós.
Quer um exemplo de como somos sozinhos conosco mesmos? Quando ficamos internados ou em observação em um hospital, deitado em uma maca ou em um leito, estamos ou não sozinhos diante da multidão? O mundo simplesmente continua a girar lá fora, as pessoas vão e vem, a Bolsa de valores continua a comercializar suas ações e os políticos continuam com suas bobagens efêmeras, tão efêmeras como eles, e, nós, continuamos deitados esperando pela alta que não chega. Ah! Como tempo custa a passar e o quanto nos sentimos inúteis, um nada, como dizia a minha bisavó paterna, uma ameba do cocô do cavalo do bandido. Viu, como o nosso caminhar é somente nosso, pois, nem mesmo o seu pastor deixou de cobrar o seu dízimo fiel e necessário para a manutenção de suas obras sociais e da oferta ao seu Deus. Como se Deus precisasse de capital para perdoar alguém, se ele sequer se ofende, pois, quem se ofende é quem é mortal, vaidoso e orgulhoso em sua tola soberba. Então, faça como eu, extravase os seus sentimentos, sem medo de chocar ou de se chocar, no máximo vão lhe arrumar uma vaga em algum manicômio ou lhe crucificar como fizeram com Jesus, pois, o sistema não perdoa, ele é fatal e inquisidor. Mas, se tiver um pouco de sorte, talvez consiga um auxílio-doença no INSS como neurótico, já é um bom caminho, assim se alia ao sistema e se transforma em um transtornado obsessivo compulsivo controlado por remédios tarjas pretas e ainda remunerado.
Que tal? É uma boa dica? então aproveite e faça um bom uso dela, mas, não deixem que atinjam o seu calcanhar de Aquiles, pois, ele é só seu e o seu eixo central.
Floricultura
Mais cachorros que pessoas passando na calçada, bicicletas, o som das jovens vozes no ginásio da outra quadra. A orquídea que perfuma tudo pra chamar atenção, o vento, a brisa calma: vão fazer falta no verão.
Da porta vejo escadas, no alto, janelas refletoras de sonhos...
Uma promoção, um suco gelado, uma vontade de falar com alguém.
O telefone toca, uma voz amiga do outro lado do mundo - Que vontade de chorar. Queria ser pássaro, pássaro não, vento: pra chegar mais rápido.
Vou conhecendo a pequena floricultura com a chegada do sol, com a promessa da primavera - Piso num chão de sombras de folhas douradas...
Tudo na cidadezinha é devagar, o tempo, o homem, o olhar, o sorriso. Quando se pensa em sorrir, a vida já deu dois passos, e uma parte de mim nunca olha pra trás.
Vendo flores, vasos, sonhos, uns sorrisos, surpresas, amores e contentamento.
O quase perfume de criar um jardim entre quatro paredes de concreto.
Nada num jardim é concreto, nada permanece, mesmo as esculturas de pedra.
Esse é um desses negócios que além da beleza e do prazer vende renovação, nutrição, recomeço... Algumas recomendações, o desejo que vinga, o cuidado de um novo alguém, um novo lar, e se ninguém cuidar?
As tardes de conversa jogada fora com insetos e folhas... Entre podas drásticas ou carinhosas, percebo que preciso de espaço. Um escritório debaixo do pé de caju, quem sabe?
Alguns metros quadrados a mais pra cultivar as flores de vento, borboletas!
O caminho não é mais o mesmo, ainda tem um campo de girassóis antes de chegar em casa, ainda tem o mar, a vila, mas é o barquinho azul, parado na lembrança que ensina a olhar pro que se quer mesmo quando não se quer nada.
Os dias de sol trazem coragem, os de céu branco ditam o ritmo da espera.
Vou pintar o vento no tronco de uma árvore...
►Navio Do Asfalto
Sombras indo e vindo
Calçados refletidos pelos vidros
Sorrisos e brincos, moletons contra o frio
Os quebra-molas que sempre são percebidos
Os raios do sol que desenham os cílios
Em um navio de metal,
Transportando os marujos até a capital,
Que desembarcam no ponto final.
Crianças no colo dos pais,
Que lembranças isso me traz
O navio possui o seu próprio conforto
O capitão está a caminho do porto
As ondas de concreto causam sono
As paisagens são expostas em cada canto
Normalmente os marujos não possuem um canto,
O silêncio as vezes é constante.
Ah dia que o tempo não passa
Outros, ele simplesmente me ultrapassa
Alguns eu mal adormeço e já chego em casa
Parece até que viajei dentro de uma espaçonave
E quando desço, me sinto pesado, e não leve
Posso levar para casa novas pessoas que conheci
Dentro deste navio também posso interagir.
Chora _ Canta
Dança _ Ri
Ama
Passa o batom
Bebe um café
Calça saltos altos
Deixa de existir e vive
Tu mereces ser feliz.
UM DIA DE VIDA APENAS
Estava fazendo cálculos, e cheguei a uma conclusão pessoal, entendimento meu.
Se Deus deu 100 anos de vida para cada ser humano, não necessariamente todos chegarão a esse número exato, mas...
Poucos passarão de 100 anos.
Então, se cada dia tem 24 horas, podemos fazer o cálculo de 100/24 e teremos o valor de cada hora desse dia que temos para viver.
Cada hora desse dia teria uma média de 4,15 anos.
Se você está com 50 anos você já chegou ao meio dia.
Se você está com 80 anos, você está perto das 20 horas.
Se você está com 90 anos, você está perto das 22 horas, não arredondado, mas aproximado.
Existe uma coisa em cima disso, o mesmo que deu a nós o limite do direito, é o mesmo que limita o tempo desse direito.
Alguns nasceram para viver algumas horas dentro desse dia que se divide em 100 anos, outros viverão o ciclo quase cheio, mas ninguém que está aqui sabe quando vai.
Precisamos parar e pensar sobre nossas atitudes ao longo desse dia, pois no final, o que dá o direito nos cobrará sobre o que fizemos com o nosso tempo dentro desse dia.
No final dos dias dos viventes, todos terão que se encontrar com quem lhes deu o direito de viver.
Teremos que prestar contas do que fizemos, se fizemos, e se o que fizemos teve algum valor.
Muitos ocupam o seu tempo para fazer o mal, e praticar maldade.
Outros viverão de forma justa ocupando seu tempo para viver em paz, e se afastando do mal, ambos comparecerão à frente do autor da vida.
Cuidemos dos nossos feitos ao longo desse dia chamado, VIDA
16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17. Portanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele.
(João 3:16,17)
Texto escrito por Otoniel Teodoro em um dia que lhe faltou o sono às 3 da manhã.
Você usa sapatos caros como este e leva uma vida confortável, mas não liga para o dilema dos trabalhadores.
