Voo
E assim se morre... a cada pensamento engolido. A cada voo perdido. A cada descoberta, que deixa de ser, por medo do que é incerto. A cada palavra do outro não filtrada, abraçada, absorvida, encarnada. A cada novo dia que se finda sem sentido. A cada música, grito, palavra, engolida pelo silêncio, intolerância, ignorância, impersistência, falta de empatia, tempo e escutatória. A cada abraço arrebentado. A cada olhar não dado. A cada segundo ignorado. A cada beijo indelicado, curto, raso.
Hoje entendo que a morte se dá em vida, e é bem pior do que aquela tal morte que meus pais e a sociedade em geral adoram pintar... à qual entendo como mero desligamento, fim. Viver não é o oposto bom de morte. Não devo renunciar a morte, mas sim abraçá-la, compreendê-la, e transformá-la em algo novo. Até porque, caminhar pelo mundo atual sem esbarrar em uma dessas mortes que escrevi a cima, é caso para pessoas de outros planetas, não para nós... para nós é impossível, me permito dizer! Eu morro hoje, aos 25, na certeza que vou viver meus outros tantos anos. Espero que você também!
A vida passa, num sopro,
no voo dos dias.
A vida se vai, matando esperança,
extinguindo alegria.
A vida se esvai.
E o que me resta? Fazer poesia.
Toda vez que penso em desistir, recomeço, reergo toda força que em mim habita e reajo em voo plano.
Nildinha Freitas
Gaivota
Eu ganhei uma gaivota.
em um voo perfeito, parece,
sobre o oceano, antes dos
recifes de corais que se fortalecem.
Olhando aquela cena
pensei na extrema
linha divisória entre o real
e o imaginário abissal.
Eu vi uns recifes nadando,
no oceano brincando,
onde, parada, uma gaivota alada,
se mostrava assustada.
Com a minha perplexidade,
diante da beleza simples,
do cotidiano e dos enganos
da inatingível complexidade.
"Há poucas coisas que limitam mais o voo das pessoas que a distância a que chega seu olhar."
("Eu matei JK". Editora Pandectas)
Imagine um pássaro experimentando a liberdade de um vôo, pela primeira vez, apósfugir de uma cômoda gaiola. Imaginou? Pois é esta a sensação de final de curso. Asensação de liberdade (pelo que passou) versus o medo (do que há de vir). Foi durante operíodo de vigência deste curso que sai do ninho e dei o meu primeiro vôo. Cai, algumas vezes, cortaram as minhas tenras asinhas, mas, aquele a quem me chamo de Pai(Deus) sustentou-me, tal como o lírio dos vales, e disse-me: “Ide!”. Fui. Mesmo com asensação do medo que eu sentia do ‘bicho-homem” eu voei e experimentei: lágrimas,tormentos, pavor, alegrias, amores, vida, sonhos, e, finalmente, a morte. Mas, tal comoo lendário Fênix, que renasce das cinzas, continuei e continuo a voar.
Autoria: Cláudia Valéria/ Kakal (@claudia.valeria.kakal)
Sabe essas caixas-pretas de avião que retêm os dados do voo não importando o dano que tenha sofrido? É como o nosso passado. Os gostos, os cheiros, os momentos… eles esperam a hora certa para serem lembrados algum dia.
"A vida as vezes coloca um ponto final em um vôo de um pássaro, certas poesias continua liberar as asas".
Giovane Silva Santos
Não adianta fugir a natureza.
Eu sou os ventos, as tempestades,
Eu sou a calmaria, eu sou o voo suave da Borboleta,
Eu sou a fúria do búfalo,
Eu sou igual ao bambu que enverga, mas não quebra.
Eu sou filho de Oyá.
Voo livre
tenho voado tão alto
que, nesses últimos dias,
penso, respiro e exalo,
à flor da pele, poesia.
As alturas alcançadas por grandes homens alcançadas e mantidas. Não foram conquistadas com um voo ligeiro. Enquanto seus companheiros dormiam, eles avançavam laboriosamente noite adentro.
O VOO DAS AVES
Homens têm que voar, mesmo que sejam:
Voos solitários como os do sabiá
Voos em revoadas como os das andorinhas
Voos saltitantes como os do tiziu
Voos em forma de V como os dos pelicanos
Voos velozes ou pairando no ar como os do beija flor.
Voos como os das gaivotas sobre o mar
Voos rasantes como os do gavião
Voos certeiros como os da águia
Voe! Se o céu é o limite, sozinhos ou em grupos, lentos ou rápidos, devemos explorá-lo!
