Vivo pra Mim
Há meses ou anos que não me sentia vivo, ao lhe ver, e vi o quanto és bela, bela não, esplêndida, meu coração disparou, minha respiração acelerou, e senti que há pessoas que podem nos fazer felizes de imediato.
Ao lhe encontrar, abraçar e beijá-la, vi que só no primeiro contato, há possibilidade de gostar, adorar e até amar uma pessoa em um só dia!
Peço a Deus, e a você, que nosso carinho se torne amor, e possa ficar para o tempo que nossos corações ficarem batendo.
Autorretrato
Faço apologia do inútil,
fomento as desimportâncias.
Não vivo sobrevivo apenas com o indispensável.
O sonho e a loucura são essenciais.
Faço oposição ao não amor.
O oposto do amor não é ódio, é indiferença.
Numa sociedade indiferente,
prefiro ser o antônimo.
Minhas palavras descalçam-se
em chão fértil de miudezas,
onde o desimportante vira raiz.
Sem pressa, sem aprisionar o tempo,
sigo plantando o improvável.
Combato o óbvio,
a pobreza da descrição cheia de certezas turvas,
com um segundo olhar.
Troco o fato pela frase,
para abortar extremistas e ditadores.
Economizo a informação,
aumentando o encantamento.
É o jeito que encontrei
de revisitar o Éden.
Utopia ajuizada não é utopia.
Penso que, melhor do que uma verdade escrita,
é uma beleza bem contada.
Crises cotidianas
Vivo a minha versão dessas tempestades de coisas.
Na esquina dos milhares de caminhos,
Então, te entendo
você precisa escolher.
O tempo são seus anos de vida,
e o peso da escolha é imenso:
escolher por onde seguir,
sabendo que não adiantará olhar pra trás.
Então, não olhará.
Cada estrada é uma vida,
e milhares de assassinatos de tantas outras vidas,
as vidas não vividas,
as estradas das possibilidades não escolhidas.
Crise é o choque da decisão importante
diante das infinitas possibilidades.
Muitas estradas conduzem à felicidade
através de caminhos repletos de tristezas.
Destinos tristes,
encontrando alegrias inesperadas.
Poucos caminhos são só tristeza ou felicidade,
porque assim somos nós:
misturamos dor com alegria.
Eu misturo, e você também.
Em alguns caminhos, somos belos demônios
disfarçados de homens e anjos.
Em outros, somos anjos caídos
entre homens e demônios.
Num mundo onde não existem nem anjos, nem demônios,
apenas homens.
Algumas estradas são plenas,
outras, fatais.
Milhares de caminhos únicos,
paradoxos prolixos,
traçados no vasto mapa das possibilidades.
Linhas que partem de você,
onde seus pés estão agora,
e seguem por cruzamentos e derivações,
rumo ao futuro.
Cada um é um universo de escolhas.
Sempre há uma guinada possível,
ou a opção de seguir em linha reta.
A amálgama da vida,
o abstrato desenho do destino.
Crises querem dizer que está acontecendo muito.
Tantas coisas que não temos tempo,
ou energia, para ponderar cada rota.
Ansiedade e estresse surgem como sinais
do nosso subconsciente,
percebendo a complexidade.
Decisões importantes pressionam,
o tempo nos desafia.
Isso é crise.
De algum ângulo,
há algo de romântico em saber
que nossa ansiedade vem de algo importante.
As crises são os pontos de virada,
as cenas que os diretores destacariam.
Pássaro Perdido,
o título do filme da sua vida.
Assim também seriam os capítulos da sua biografia:
sempre sobre as crises.
O Rodopio da Borboleta,
seria seu livro.
O meu, eu não sei.
Entro em crise só de pensar
Abraço meu desejo,
Vivo meu momento,
Estou no meu hoje, mas
Amanhã a Deus pertence.
Eu sou livre
Minha liberdade é prazerosa
Sorrio para vida
O tempo não para
Idéias que se afogam
Existe uma imensidão de informações
Há caminhos que não percorri
Uma lua a banhar
Palavras que aguardam o momento exato
Um silêncio que diz mais que muitas falas
O necessário fala ao meu coração
Tem que ser assim
O filtro foi exigente
Passou por todas as etapas
Não dá para viver de ilusões
A vida pede maís
A solitude pode ser viciante,
principalmente quando a solidão não é sua companheira.
O espírito evolui nesse silêncio gostoso, o aprendizado acontece e a vida floresce.
Poesia de Islene Souza
Me desculpe por ser exagerado, é que eu nunca soube gostar pouco, ou amar pouco, vivo de exageros, sinto muito.
TRIANON
Longe das ruas de terras
Do Capão conhecido
Dos becos e vielas
Lugar onde vivo.
Longe do Parque Fernanda
Longe do gueto querido
Longe do Parque Santo Dias
Eis me aqui... Na Paulista.
Longe da amada. Ó
No Parque Trianon.
Cercado de árvores
Brisa na face
Enquanto escrevo meus versos
Os pedestres passam.
Eu não vivo em desalinho com a minha própria natureza, antes de qualquer decisão eu respeito a minha natureza.
Para: Meu Pai.
Espero que Tu me permita
Me deixar levitar
Com as palavras lidas
Eu te vivo mais que florestas e jardins
Pois Tu salvou vidas
Para que nós construíssemos nosso
Amor e aflições
para que nós tornassemos
Livres e sem privações
O livre arbítrio de amar
Distanciar
Odiar
Desacredtar
Pois eu acreditei, e creio
Tu vencestes o mundo
E eu venci também
Pois Tu estás em mim
Desde da primeira batida
Até o eterno fim
“Eu vivo a vida do luxo ao lixo, do lixo ao luxo. Aspas para o “lixo” porque o que pode ser lixo para você, pode ser um luxo para mim”
Quando vc pensa na morte, tu se sente grato por estar vivo e tem uma vontade maior de realizar as coisas
La Description du Poète
Um corpo extenso, tez alongada e alta,
E, homem, chorando vivo incessantemente.
Dos meus dez anos, na vida rude, a falta,
Perdi a mãe, talvez por desígnio da Mente.
A alma aparenta-se inclinada, cônscia
De dores maternais e tumultos extremos;
Em meu cérebro, a ideia, não vã, propícia,
De esperanças e triunfos supremos.
Nenhum livro me escapa ao ardor da mente,
Mas, ah! Conhecimento, que pura ilusão!
Nenhuma dor ou pranto silente,
Pode esconder-me o fúnebre caixão
Da triste esperança, eterna e persistente,
Nos olhos mortos do meu coração.
Um poeta, cujo olhar nos céus se encontra,
Reflete em nuvens sua ambiciosa visão;
Uma erudição que em vão se desponta,
E, em vasta escala, uma férrea solidão.
Poeta visionário, sem mente sombria,
Vislumbra o amor no mundo em sua dor.
Mas, em seu tempo, é uma alma vazia
Sem saber se é criatura ou criador.
quem enxerga o que vejo?
quem vê o que vivo?
quem percebe o desconcerto
e a sanha do malabarismo?
sou poeta e nada sou
nas mãos de uma gente cruel
desde o ventre me matou
a chance de ter um céu [e ver o céu!]
trapos
vestem meu corpo
tripas
mordem minha mente
tropas
prendem meus sonhos
sorvendo os seres doentes
visíveis apenas aos olhos
daqueles que ainda sentem
sem o torpor do egoísmo
sem a ponte do abismo
pelo olhar das nossas gentes…
Durmo em pesadelos, acordo em sonhos, mas, quando desperto, vivo a realidade que é mais pura verdade.
