Viver em Sociedade
A insanidade que nos cerca não deve ser a alternativa para vivermos com plena lucidez numa sociedade repleta de valores ditos sãos
A falsa normalidade da sociedade nos leva a crer que na guerra, as verdadeiras trincheiras são aquelas nas quais luta-se a favor de um ideal e não contra o mesmo
Não adianta se esforçar para ser de fino trato, a sociedade está iludida, somos farinha do mesmo saco
A sociedade nada mais é que um grande conglomerado de pessoas dispostas a comprar tudo e a se vender a qualquer custo
"Quando debatemos as complexas problemáticas em que a sociedade é vítima, percebemos que as lideranças que falam pelo povo prometem paz, liberdade, igualdade, prosperidade, para uma sociedade utópica, pois os próprios são os responsáveis por promover a desigualdade, pobreza, e até mesmo mortes em massa, sem o mínimo de preocupação com o próximo."
Faço parte da sociedade de consumo sem sumo...
"As pessoas pra mim são como lagos, eu avalio-as pelas suas profundidades..."
"Há um deus crucificado para cada judas que morre enforcado."
ONDE MORREM OS OLHARES
Faço parte da sociedade de consumo sem sumo; se eu pensasse em algo na minha adolescência, provavelmente eu pensaria nisso, mas nisso eu não pensava; o meu olhar caia com o sol e a magia que só a natureza proporciona nos finais das tardes, até então eu ainda não entendera esta sensibilidade de contemplar os ocasos. calção roto, pés descalços, um carretel de linha e uma pipa, eu ajudava a compor as cores maravilhosas dos verões com os tons extraordinários das minhas pipas e suas evoluções. Nunca imaginei como algo irreparável as carências materiais que me cercavam, tudo isso se perdia diante do azul anil do firmamento ou do verde oliva das colinas; as cores da natureza tinham suas magias e na hora do crepúsculo tudo ganhava poder revigorante; alguém, algo, alguma coisa surreal me fez acreditar que com a minha boca roxa de chupar jamelões, as minhas unhas encardidas e a minha pipa eu era uma espécie de sentinela daquele portal que só eu tinha a capacidade de vislumbrar. eu guardava o arrebol e os deslimites onde morrem os olhares, se perdem os sonhos e nascem as esperanças; mas isso, a minha confusa adolescência, perdida no fascínio do rosicler ainda não explicara. Minha grande preocupação eram os predadores: Simica, Brucutu e Mermequer, que derrubavam para além do horizonte as mais belas cafifas. Traçando uma estratégia para o dia seguinte, sob os tons opacos da penumbra eu retornava ao convívio do meu clã; tentava uma desculpa esfarrapada para a minha ausência, mas o cinto nas mão de mamãe jamais entendera... depois da janta, já sob a presença de papai, eu dividia, somava, subtraia e multiplicava, tentando entender a filosofia de que a ordem dos fatores não alteram o produto; eram lógicas que não me seduziam. Eu ainda tentava entender onde morrem os olhares, quando o olhar de papai já desmaiava cansado de mais uma jornada, provavelmente muito mais árdua que a deste infante sonhador.
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A sociedade está transformando-se num grande museu. Não se pode tocar em determinados assuntos, para não macular o bom relacionamento.
Quando a sociedade adoece, vê-se que foi infectada por religiões e carcomida pelo tumor maligno da corrupção dos seus governantes.
Sociedade inversa
Com tanta corrupção
E muita iniquidade
Gente sendo corrompida
Com tanta facilidade
Muita gente a se vender
Meu medo é de um dia ter
Vergonha da honestidade.
Santo Antônio do Salto da Onça/RN
23/11/2023
Se queres sempre agradar
A esta sociedade
Tu terás que se calar
Perante a sua verdade.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/04/2024
