Coleção pessoal de rosariobissueque
O PREÇO QUE A CIDADE DE CHIMOIO COBRA
Já estive naquela cidade. Chimoio é uma cidade bonita. Tem uma beleza própria, calma e limpa. As pessoas conversam, riem e seguem com as suas vidas normalmente. Mas, por detrás daquela tranquilidade, existe também muita dor e muita tristeza escondida.
Viver naquela cidade parece ter um preço. E não preciso falar por metáforas para dizer isso. Todos os dias morrem pessoas em Chimoio. A criminalidade aumenta cada vez mais. Quem não morre por causa do crime, pode morrer por outras razões absurdas: por ser diferente, por vestir-se de maneira diferente, por opiniões políticas, por inveja, por discussões pequenas ou até simplesmente por azar.
E os acidentes também já fazem parte da rotina da cidade. Quase todas as semanas há notícias de acidentes nas estradas. Talvez tenha chegado o momento de olhar seriamente para os problemas da cidade: melhorar as ruas, organizar melhor o trânsito, corrigir erros na construção e no planeamento urbano.
Porque muitas destas mortes podiam ser evitadas. Há sofrimentos que uma cidade não devia causar ao seu próprio povo. Mas, infelizmente, continua a acontecer! É o preço.
“Que a poesia continue a ser um meio de libertação.”
Começo por acreditar e desenvolver o que um rapper brasileiro SID, falou dizendo a morte de um cachorro, por vezes, gera mais desconforto, mais revolta pública e maior repercussão do que a morte de uma mulher negra e grávida, de homens esquecidos pela pobreza ou de crianças abandonadas à própria sorte.
Eu concordo.
Isto não significa negar os direitos dos animais. Todo ser vivo merece respeito. Humanos, animais, plantas e até os próprios malfeitores carregam dentro de si o direito de existir. O problema não está no amor dedicado aos animais. O problema está na indiferença selectiva que a sociedade desenvolveu diante da dor humana. Chegámos a um tempo em que muitos choram diante de um vídeo de um cão ferido, mas deslizam o dedo com frieza diante da notícia de uma criança morta pela fome, de uma mulher assassinada ou de famílias inteiras destruídas pela miséria.
Não porque o animal não mereça compaixão, mas porque o sofrimento humano foi banalizado pela repetição, pela política, pela desigualdade e pelo costume. A dor tornou-se espectáculo. E o espectáculo escolhe aquilo que provoca mais emoção instantânea. Um animal, muitas vezes, aparece aos olhos do povo como inocente, puro e incapaz de maldade. Já o ser humano é constantemente julgado pela sua cor, pela sua classe social, pela zona onde vive, pela forma como fala ou até pela roupa que veste.
A sociedade aprendeu a humanizar certos animais, mas continua a desumanizar muitos humanos. É triste admitir que, em certos casos, um cachorro recebe mais atenção médica, mais campanhas de solidariedade e mais defesa pública do que um cidadão pobre abandonado num hospital sem medicamentos. Enquanto isso, mulheres continuam a morrer nos corredores da negligência, crianças crescem sem saneamento, e homens desaparecem silenciosamente dentro da depressão e da fome.
Não se trata de escolher entre defender animais ou defender pessoas. Uma sociedade equilibrada deve proteger ambos.
"Que a poesia continue a ser um meio de libertação"
Como é que um produto que nem chegou a pousar na prateleira do mercado já conseguiu subir de preço? Seja banana, tomate ou até uma bicicleta, a regra é simples. Deve ser talento ou magia?
Organização exemplar. O dono vende ou apenas faz de conta que está a vender? Porque o produto é dele, claro, e pode até pôr o preço que quiser… afinal, quem quiser compra. Ou não compra.
Não se pode brincar com a necessidade das pessoas. A sede e a fome não entram em negociações. E não esperam tabelas de preços a serem reinventadas.
O IMPORTANTE É A RAÍZ
Lançam-se projectos, criam-se lemas, levantam-se campanhas para combater a corrupção, as drogas e toda a ilegalidade. Mas até que ponto isso resolve, de facto, o problema?
Campanhas sensibilizam, mas não substituem acções concretas. Talvez a nossa maior preocupação devesse ser outra: procurar a raiz destes males. Onde nasce e quem alimenta? Se existem fontes claras, redes, esquemas, sistemas organizados, então é aí que a intervenção deve ser firme.
"Porque combater as consequências sem tocar nas causas é como secar o chão enquanto a torneira continua aberta."
Ainda assim, reconheço: não é simples. Talvez haja quem veja mais longe. Mas uma coisa é certa; nenhum problema profundo se resolve apenas com palavras.
1- DE MAIO
UMA FESTA, UMA CONSCIÊNCIA
(Reflexão)
"Ser feliz é bonito. Partilhar é ainda mais necessário" É bonito ver-nos felizes, alegres, desfilar, agradecer e reconhecer o nosso esforço diário. Mais bonito ainda é ajudarmo-nos uns aos outros.
Mas há um ponto que não pode ser ignorado: é arrepiante festejar diante de quem não trabalha, comer diante de quem não tem o que comer. "Nós, que trabalhamos, temos também uma responsabilidade. A de estender a mão a quem está desempregado."
Aquele lixo que acumulas no teu quintal, pode ser trabalho para alguém. Chama alguém e paga, nem que seja pouco.
O teu carro precisa de estar limpo. Façamos valer cada minuto da nossa vida, não só para nós, mas para os outros. Sejamos felizes, mas sobretudo, unidos.
Feliz 1 de Maio de 2026, e perdoem -se sempre.
JÁ ESQUECEMOS QUEM SOMOS
Vivemos tempos estranhos e fora da dignidade. E digo isto com peso, medo e insegurança. A cada dia, torna-se ainda mais duro.
Está tudo misturado.
Hoje és acusado, amanhã, já estás condenado, sem provas, sem defesa, sem voz. Há quem seja agredido e há quem nem sobreviva para contar a sua versão. Tudo por causa de um boato. Tudo por causa do medo. Tudo por causa da ignorância.
Criou-se, nas mentes de muitos, a ideia perigosa de que fazer justiça com as próprias mãos é aceitável. E isso é um erro grave. É muito perigoso.
As escolas, as igrejas e os mais velhos já não ensinam como deviam ou não são vistos como antes. Não orientam como antes. E os valores que mantinham a ordem, foram sendo esquecidos lentamente até chegarmos onde estamos.
Uma sociedade dominada pelo pânico torna-se cega. E quando a razão desaparece, qualquer mentira ganha força de verdade. O que está a acontecer certamente é um teste à nossa consciência como seres humanos.
Já esquecemos quem somos. Precisamos parar e pensar. Olhar para o passado, entender onde falhámos. Analisar o presente, com coragem.
E proteger o futuro, antes que seja tarde demais.
Nem toda história que se ouve é verdade. E nem toda suspeita justifica violência. Se continuarmos assim, não estaremos apenas a destruir inocentes…
estaremos a destruir-nos a nós próprios.
Agora, a verdadeira luta não deve ser contra fantasmas, deve ser contra a ignorância que carregamos dentro de nós, para que possamos lembrar quem somos. Porque já esquecemos quem somos.
DEPOIS NÃO DIGAS QUE NÃO AVISEI
Vai chegar o dia em que vais aprender da pior forma: falar demais não te salva, só te expõe.
Quando fores acusado injustamente, vais sentir vontade de gritar, de implorar para que acreditem em ti. Não adianta. Quem decidiu condenar-te já não quer verdade.
O teu desespero vai trair-te. Vais parecer culpado só por tentares provar que não és. Explicar demais é humilhar-te. Quem quer entender, não precisa do teu discurso inteiro. Quem não quer… vai usar cada palavra tua contra ti.
Guarda provas. As tuas emoções ninguém quer saber. Dor não convence ninguém.
Aceita isto: nem todos estão do teu lado. Alguns sempre desconfiaram de ti. Outros só estavam à espera de uma falha, ou de uma mentira para te virar as costas sem culpa.
E dói mais saber que alguns vão sorrir enquanto cais. A vida não pára. Enquanto tentas limpar o teu nome, o mundo segue. E, se parares, ficas para trás… por causa de algo que nem fizeste.
Só depois, não digas que não avisei.
Haverá noites em que vais sufocar com palavras não ditas. Vais querer explicar tudo, detalhe por detalhe… mas ninguém está à espera disso. Ninguém tem paciência para a tua verdade inteira.
E aqui está a parte que custa engolir:
há bocas onde o teu nome já está sujo, e nunca mais será limpo. Por isso, esquece convencer toda a gente.
Faz apenas isto, se ainda tiveres forças: não te abandones. Porque perder a tua reputação dói… mas perder-te a ti mesmo é o fim.
Só depois, não digas que não avisei.
Pode ser...
Mas se fosse, já teria sido o que devia ser. E sendo que seja, aqui ninguém deve sequer tentar entender alguém.
E se aquele travar?
E se alguém atravessar?
E se eu me distrair?
E se o travão falhar?
É o que mais penso quando estou no volante.
E você, o que pensa quando está no volante?
😔
Nem tudo precisa concordar para coexistir. Nem todos vão pensar como tu, nem viver como tu. E está tudo bem.
A convivência não depende de concordância, mas de tolerância. Podemos ser diferentes… e ainda assim existir lado a lado. Respeito é liberdade.
Há homens que não querem apenas viver no mundo. Querem possuí-lo.
O primeiro erro de quem deseja governar o mundo é não compreender que o mundo não é um trono, é um organismo. Não é um objecto de comando, mas uma soma viva de vontades, culturas, interesses, medos e resistências.
Quem tenta governar tudo, precisa controlar tudo. E para controlar tudo, precisa destruir o que não controla. Assim começam as ruínas. A história ensina que o desejo de domínio absoluto sempre terminou em cinzas.
O mundo não se curva; ele absorve, desgasta e, por fim, derruba. Basta lembrar o colapso do projecto imperial de Adolf Hitler ou o império expansionista de Napoleão Bonaparte ambos tentaram moldar o mundo à sua imagem e encontraram a resistência da própria realidade.
Governar o mundo exige eliminar diferenças. Eliminar diferenças exige violência. Violência constante gera medo. E o medo nunca constrói, apenas adia o colapso. Quem tenta governar tudo acaba por destruir o próprio espaço que deseja comandar. Porque o mundo não é um território. É um equilíbrio frágil.
Aqui cada um cumpre o papel que lhe calhou: uns possuem o que não podem vender, outros desejam o que não podem comprar.
A maré subiu. O homem agora é a onda e o abismo. E vocês deverão ser, a espuma nos tímpanos deles.
Rosário Bissueque
Meus amigos, desta vez escolhi passar o final do ano 2025 na cidade mais quente de Moçambique. Tete, a conhecida Cidade das Quininas, terra de calor intenso. Boas festas e que tenham um bom ano. Perdoem-se, sempre. Protejam-se.
“Que a poesia continue a ser um meio de libertação”
