Coleção pessoal de rosariobissueque

1 - 20 do total de 52 pensamentos na coleção de rosariobissueque

Nem toda verdade vem aos gritos.
E nem todo silêncio significa fraqueza.


Às vezes, o homem mais perigoso da sala…
é aquele que parece salvador demais.

Foi então que surgiram os zeladores, figuras que caminhavam entre as vírgulas dos decretos, à procura de corpos de vogais e de bocas que falavam as línguas mortas das árvores e o dialecto do rio.

Quando a parede cai sobre ti, é aí que o teu carácter é posto à prova.

Antes da lei e ordem, olhavam para o céu, em busca do mesmo azul, o da nossa terra. Tentando descobrir a parte do nosso corpo, onde conseguem partir sem fazer barulho.

Eram homens corajosos a pendurar os alfabetos dos deuses caídos, os arquitectos das valas comuns, fingindo compreender o latim dos deuses mortos.

Os cães também fazem parte da vida, por mais que sejam cães.

MORRER É NORMAL
Uns morrem por armas, em chacinas;
outros em acidentes. uns morrem na água; outros, no fogo. Há quem morra por assumir um determinado cargo, e há quem morra por amor. Há quem poderá morrer por ter muita saúde e outros pela paz. Mas morrer é normal.

Sejam independentes, se possível. Há quem nunca tenha tido essa oportunidade.

"Não há melhor maneira de me conhecer do que ouvindo as minhas poesias. Se queres conhecer-me melhor, ouve o que digo poeticamente."

Há jovens que já não seguem ideias.
Seguem emoções.
Seguem raiva.
Seguem frases feitas como quem segue tambores numa noite escura.

E há dores que nenhum comício consegue enterrar. Depois não digas que... a vovó não avisou.

E sabes o que mais mete pena Lucas?
É saber que amanhã haverá outra notícia confirmando outro morto, ou mais uma outra família a chorar sozinha.

Guarda também esta velha verdade, meu neto:

"Todo homem que sobe ao alto usando o ódio das pessoas…
um dia precisará manter esse mesmo ódio vivo para continuar de pé."

Conhece-te a ti mesmo, até ao dia em que te compreendas

O PREÇO QUE A CIDADE DE CHIMOIO COBRA

Já estive naquela cidade. Chimoio é uma cidade bonita. Tem uma beleza própria, calma e limpa. As pessoas conversam, riem e seguem com as suas vidas normalmente. Mas, por detrás daquela tranquilidade, existe também muita dor e muita tristeza escondida.

Viver naquela cidade parece ter um preço. E não preciso falar por metáforas para dizer isso. Todos os dias morrem pessoas em Chimoio. A criminalidade aumenta cada vez mais. Quem não morre por causa do crime, pode morrer por outras razões absurdas: por ser diferente, por vestir-se de maneira diferente, por opiniões políticas, por inveja, por discussões pequenas ou até simplesmente por azar.

E os acidentes também já fazem parte da rotina da cidade. Quase todas as semanas há notícias de acidentes nas estradas. Talvez tenha chegado o momento de olhar seriamente para os problemas da cidade: melhorar as ruas, organizar melhor o trânsito, corrigir erros na construção e no planeamento urbano.
Porque muitas destas mortes podiam ser evitadas. Há sofrimentos que uma cidade não devia causar ao seu próprio povo. Mas, infelizmente, continua a acontecer! É o preço.

“Que a poesia continue a ser um meio de libertação.”

Começo por acreditar e desenvolver o que um rapper brasileiro SID, falou dizendo a morte de um cachorro, por vezes, gera mais desconforto, mais revolta pública e maior repercussão do que a morte de uma mulher negra e grávida, de homens esquecidos pela pobreza ou de crianças abandonadas à própria sorte.

Eu concordo.
Isto não significa negar os direitos dos animais. Todo ser vivo merece respeito. Humanos, animais, plantas e até os próprios malfeitores carregam dentro de si o direito de existir. O problema não está no amor dedicado aos animais. O problema está na indiferença selectiva que a sociedade desenvolveu diante da dor humana. Chegámos a um tempo em que muitos choram diante de um vídeo de um cão ferido, mas deslizam o dedo com frieza diante da notícia de uma criança morta pela fome, de uma mulher assassinada ou de famílias inteiras destruídas pela miséria.

Não porque o animal não mereça compaixão, mas porque o sofrimento humano foi banalizado pela repetição, pela política, pela desigualdade e pelo costume. A dor tornou-se espectáculo. E o espectáculo escolhe aquilo que provoca mais emoção instantânea. Um animal, muitas vezes, aparece aos olhos do povo como inocente, puro e incapaz de maldade. Já o ser humano é constantemente julgado pela sua cor, pela sua classe social, pela zona onde vive, pela forma como fala ou até pela roupa que veste.

A sociedade aprendeu a humanizar certos animais, mas continua a desumanizar muitos humanos. É triste admitir que, em certos casos, um cachorro recebe mais atenção médica, mais campanhas de solidariedade e mais defesa pública do que um cidadão pobre abandonado num hospital sem medicamentos. Enquanto isso, mulheres continuam a morrer nos corredores da negligência, crianças crescem sem saneamento, e homens desaparecem silenciosamente dentro da depressão e da fome.

Não se trata de escolher entre defender animais ou defender pessoas. Uma sociedade equilibrada deve proteger ambos.

"Que a poesia continue a ser um meio de libertação"

Como é que um produto que nem chegou a pousar na prateleira do mercado já conseguiu subir de preço? Seja banana, tomate ou até uma bicicleta, a regra é simples. Deve ser talento ou magia?

Organização exemplar. O dono vende ou apenas faz de conta que está a vender? Porque o produto é dele, claro, e pode até pôr o preço que quiser… afinal, quem quiser compra. Ou não compra.

Não se pode brincar com a necessidade das pessoas. A sede e a fome não entram em negociações. E não esperam tabelas de preços a serem reinventadas.

O IMPORTANTE É A RAÍZ


Lançam-se projectos, criam-se lemas, levantam-se campanhas para combater a corrupção, as drogas e toda a ilegalidade. Mas até que ponto isso resolve, de facto, o problema?


Campanhas sensibilizam, mas não substituem acções concretas. Talvez a nossa maior preocupação devesse ser outra: procurar a raiz destes males. Onde nasce e quem alimenta? Se existem fontes claras, redes, esquemas, sistemas organizados, então é aí que a intervenção deve ser firme.


"Porque combater as consequências sem tocar nas causas é como secar o chão enquanto a torneira continua aberta."


Ainda assim, reconheço: não é simples. Talvez haja quem veja mais longe. Mas uma coisa é certa; nenhum problema profundo se resolve apenas com palavras.

1- DE MAIO
UMA FESTA, UMA CONSCIÊNCIA


(Reflexão)
"Ser feliz é bonito. Partilhar é ainda mais necessário" É bonito ver-nos felizes, alegres, desfilar, agradecer e reconhecer o nosso esforço diário. Mais bonito ainda é ajudarmo-nos uns aos outros.


Mas há um ponto que não pode ser ignorado: é arrepiante festejar diante de quem não trabalha, comer diante de quem não tem o que comer. "Nós, que trabalhamos, temos também uma responsabilidade. A de estender a mão a quem está desempregado."


Aquele lixo que acumulas no teu quintal, pode ser trabalho para alguém. Chama alguém e paga, nem que seja pouco.
O teu carro precisa de estar limpo. Façamos valer cada minuto da nossa vida, não só para nós, mas para os outros. Sejamos felizes, mas sobretudo, unidos.
Feliz 1 de Maio de 2026, e perdoem -se sempre.

JÁ ESQUECEMOS QUEM SOMOS


Vivemos tempos estranhos e fora da dignidade. E digo isto com peso, medo e insegurança. A cada dia, torna-se ainda mais duro.


Está tudo misturado.
Hoje és acusado, amanhã, já estás condenado, sem provas, sem defesa, sem voz. Há quem seja agredido e há quem nem sobreviva para contar a sua versão. Tudo por causa de um boato. Tudo por causa do medo. Tudo por causa da ignorância.


Criou-se, nas mentes de muitos, a ideia perigosa de que fazer justiça com as próprias mãos é aceitável. E isso é um erro grave. É muito perigoso.
As escolas, as igrejas e os mais velhos já não ensinam como deviam ou não são vistos como antes. Não orientam como antes. E os valores que mantinham a ordem, foram sendo esquecidos lentamente até chegarmos onde estamos.


Uma sociedade dominada pelo pânico torna-se cega. E quando a razão desaparece, qualquer mentira ganha força de verdade. O que está a acontecer certamente é um teste à nossa consciência como seres humanos.


Já esquecemos quem somos. Precisamos parar e pensar. Olhar para o passado, entender onde falhámos. Analisar o presente, com coragem.
E proteger o futuro, antes que seja tarde demais.
Nem toda história que se ouve é verdade. E nem toda suspeita justifica violência. Se continuarmos assim, não estaremos apenas a destruir inocentes…
estaremos a destruir-nos a nós próprios.


Agora, a verdadeira luta não deve ser contra fantasmas, deve ser contra a ignorância que carregamos dentro de nós, para que possamos lembrar quem somos. Porque já esquecemos quem somos.