Vivemos
Vivemos cercados de vozes,
conselhos e opiniões,
e ainda assim morremos sem jamais
ter ouvido a nossa própria razão em silêncio.
A sociedade em que vivemos não é ideal. Se veste de moralismo, mas caminha vazia de verdade.
Fala-se muito sobre certo e errado, mas poucos sustentam o peso das próprias palavras.
Porque a maior resistência hoje é continuar sendo inteiro em um mundo que lucra com a falta de caráter.
Vivemos em um mundo de extensas correrias.
Onde nem sempre paramos por um pouco para pensar se na realidade deve ser assim,
ou se devemos rever aos conceitos e viver mais a família, que é bem primordial,
a cada ser em existência...
Por ser base e real apoio.
Antonio Cícero da Silva (Águia)
Vivemos na busca de ser alguém maior,
mas ao vestir o que não somos, perdemos o valor.
Esquecemos do chamado, do plano do Criador,
e trocamos a essência por um falso esplendor.
Saul quis parecer rei aos olhos da multidão,
Davi foi escolhido no silêncio do coração.
José foi humilhado antes de governar,
o sonho não mentiu, só teve que esperar.
Jonas fugiu do propósito, tentou se esconder,
mas ninguém foge do plano que nasceu pra viver.
Pedro negou com medo, chorou na escuridão,
e foi restaurado pra ser pedra e fundação.
Deus não erra na forma que nos faz caminhar,
quem tenta ser outro acaba por se afastar.
Ser quem Ele sonhou é o verdadeiro saber:
não fomos criados pra parecer,
fomos chamados pra ser.
Ser homem
Vivemos numa geração que reclama por tudo.
Reclama da dor, reclama das dificuldades, reclama da vida.
Mas deixa eu te dizer algo…
Se você é homem de verdade, você vai sentir dor.
E muita.
Vai doer quando as coisas não acontecerem como planejou.
Vai doer quando as pessoas te decepcionarem.
Vai doer quando o dinheiro faltar.
Vai doer quando ninguém acreditar em você.
E sabe o que isso significa?
Que você está vivo.
A dor não é sinal de fraqueza.
A dor é sinal de crescimento.
O homem fraco usa a dor como desculpa.
O homem forte usa a dor como combustível.
Enquanto um reclama,
o outro trabalha.
Enquanto um se vitimiza,
o outro evolui.
A vida não foi feita para ser confortável.
Foi feita para forjar caráter.
Então pare de reclamar.
Aguente firme.
Respire fundo.
Levante-se mais uma vez.
Porque homem de verdade não é aquele que não sente dor…
É aquele que sente — e continua mesmo assim.
Eu chorei diversas vezes por tudo ter acabado. Tudo o que vivemos foi de verdade. Nossa história permanece, não foi apagada. Precisei de um tempo para compreender tudo o que aconteceu. Você foi minha melhor amiga e eu sempre amarei você.
Vivemos tempos de trevas. Ódio, ignorância e exaltação ao simplório e irracional são a ordem! Intolerância é a lei!
A maneira como vivemos o presente constitui-se no acúmulo de ações práticas que nos levarão às consequências, físicas, emocionais e espirituais, que teremos no nosso futuro e na eternidade.
A vida exige tanto, e nós vivemos com tanta densidade aquilo que jamais poderá ser encontrado no rolar infinito de uma tela. Nem todo o café ou energético do mundo substitui a paz e o sono reparador trazidos pelo teu abraço, numa noite qualquer, enquanto repousamos em conchinha.
O livramento ignorante
Vivemos sob a lógica do livramento ignorante: diante de cada ruptura, apressamo-nos em dizer que fomos salvos de alguém antes de perguntar o que aquela experiência tentou revelar sobre nós.
Vestimos o sofrimento com frases prontas, repetidas como sabedoria, mas raramente compreendidas em tudo o que também exigem de quem as pronuncia.
Uma delas é:
“Escolha bem quem estará ao seu lado.”
Todos falam sobre escolher bem quem estará ao nosso lado. Poucos falam sobre a responsabilidade de sustentar o lugar que pedimos para ocupar na vida de alguém.
Aprendemos a avaliar quem merece permanecer conosco, mas raramente examinamos se possuímos maturidade para permanecer com quem escolhemos. Mais difícil ainda é reconhecer que podemos ter escolhido bem e, mesmo assim, não estarmos preparados para ser uma boa escolha para o outro.
Encontrar a pessoa certa não nos transforma automaticamente na pessoa certa para ela. Podemos reconhecer o amor que desejamos e ainda não saber oferecer a presença, a verdade, o cuidado e a constância que esse amor exige.
Há, evidentemente, relações das quais partir é preservação. Nenhum compromisso exige tolerar abuso, desrespeito ou apagamento de si. Mas nem toda perda é livramento. Algumas são consequência daquilo que não soubemos nomear, cuidar, reparar ou sustentar.
Talvez a maturidade afetiva comece quando deixamos de perguntar apenas:
“Escolhi a pessoa certa?”
E encontramos coragem para perguntar:
“Eu estava preparado para honrar essa escolha?”
“Tornei-me alguém capaz de também ser uma boa escolha para ela?”
Porque amar não é apenas encontrar. É aprender a habitar o vínculo sem ferir, permanecer sem se apagar, cuidar sem possuir e, quando partir for necessário, não falsificar a história apenas para escapar de si.
Nem toda pessoa que perdemos era errada. Às vezes, era a nossa forma de amar que ainda não sabia permanecer.
Vivemos tempos estranhos.
Nunca houve tanta vitrine, tanta exibição, tanta necessidade de ser visto.
E, ao mesmo tempo, nunca houve tanto vazio silencioso.
Talvez o mundo não sofra apenas de crise econômica.
Talvez sofra de uma pandemia de miséria invisível —
a miséria de sentido,
a pobreza de propósito,
a carência de consciência.
Aprendemos a medir riqueza por números, seguidores e aplausos.
Mas quem mede a paz?
Quem contabiliza a serenidade?
Quem investe na própria integridade?
É possível possuir muito e ainda assim não possuir a si mesmo.
É possível ter pouco e ser abundante por dentro.
Talvez o verdadeiro trocadilho não seja RICO ou POBRE,
mas POBRE por dentro ou RICO em essência.
A exibição pode impressionar o mundo.
Mas só a profundidade sustenta a alma.
A prosperidade que realmente edifica não depende de palco.
Ela nasce no silêncio, cresce na coerência
e floresce na consciência.
Que escolhamos a riqueza que não se desgasta,
a prosperidade que não depende de comparação,
a abundância que começa no espírito.
Porque no fim,
não é o que mostramos que define quem somos,
mas o que cultivamos quando ninguém está olhando.
Muita paz — daquelas que não precisam ser anunciadas.
A vida é sobre iniciar e encerrar ciclos!
Nunca vivemos numa constante euforia ou tristeza, aliás essa alternância entre os estados nos tira da zona de conforto, levando ao rompimento com o eu daquele momento e a consequência inevitável é o crescimento pessoal!
O quanto cada um irá crescer nesse processo está diretamente ligado a capacidade de deixar aquele incômodo te levar a reflexões e se permitir conhecer o novo!
Maria Augusta Ranulfo
Não sussurre no meu ouvido "só vivemos uma vez".
Nós não.
Vivemos infinitamente.
Eternamente,
Condenado a um "requintado para sempre".
Vivemos com o que temos; nascemos, alguns, com imposições duras que, infelizmente, perduram para a vida toda.
“Não somos apenas aquilo que vivemos; somos também aquilo que conseguimos fazer com o que vivemos.”
— Juliana Hoffmann Liska
REALIDADE PARALELA
Vivemos em réplicas de espelhos quebrados, onde o reflexo não devolve o rosto, mas o eco de um grito engolido. As mentes, lascadas como vidros sob o martelo do tempo, teias entre o frisson e o divino: o delírio vira profecia, o tremor das mãos se ergue como hino aos céus partidos. O que parece cura é veneno disfarçado de salvação, e o veneno, ah, ele se veste de milagre, cuspindo promessas em línguas que ninguém mais ouve. Aqui, o real se contorce como fumaça em vento contrário. Um homem ajoelha ante o altar de comprimidos partidos, crendo que a náusea é êxtase celestial, enquanto a multidão aplaude o surto como visão apocalíptica. Não é loucura, dizem; é revelação. Não é doença, insistem; é deus infiltrado nas veias. Mas o que aparenta ser santo desaba em abismo, e o abismo, fingindo luz, engole o que resta de nós. A distorção rasteja, invisível, reescrevendo o mundo: o céu chove cinzas que chamamos de bênçãos, o chão se abre em feridas que juramos serem portais. Fragmentos de mentes se chocam, confundindo o pus com óleo sagrado, e o que é se desfaz no que parece. Nesta paralela, a verdade não existe, só o eco de si mesma, distorcendo até o silêncio.
Hoje vivemos pela angustia e a depressão, pois tentamos incansavelmente suprir os caprichos insanos de uma sociedade que nem sequer sabe exatamente o que deseja.
