Vinho: textos e poesias que celebram sua essência

Nos sonhos repetitivos ela já fez seu abrigo,
Na noite perdida dos goles de vinho seco, ela chega fazendo companhia mesmo não estando fisicamente ali,
Doces lamúrias são ouvidas pelo vazio da madrugada que só responde com o seu silêncio,
Pensamentos vagabundos, chegam sem pedir licença, vêm aos berros e sem pena de dizer adeus,
Atingindo a frequência certa eu tenho a opção de desligar tudo e reiniciar.

Olho para o copo de vinho à minha frente e vejo o reflexo de uma saudade que teima em não passar. Dizem que o tempo cura tudo, que as memórias desaparecem, mas comigo aconteceu o contrário. Quanto mais os dias passam, mais nítido é o teu sorriso na minha memória e mais pesada é a tua ausência no meu peito.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance para seguir em frente, para encontrar um novo norte, mas a verdade é que ainda preciso de ti. Preciso da tua voz, que ainda acalma o meu coração, e da tua presença que, por si só, fazia o mundo parecer um lugar mais certo. Sem ti, sinto o meu coração partir-se em mil pedaços, num processo lento que só para quando me perco em pensamentos sobre nós.
Tu tinhas o dom de me fazer sentir invencível, como se o mundo estivesse na palma da minha mão. Hoje, sinto-me pequeno, a tentar encontrar conforto onde ele não existe, apenas para conseguir esquecer, por uns instantes, que já não estás aqui.
Onde quer que estejas, sabe que o meu amor por ti permanece intacto, guardado naquele canto da alma que ninguém consegue tocar. Sinto a tua falta em cada brinde e em cada suspiro.

O vinho fica melhor com o tempo, e o cinema clássico também. Não se sinta mal por preferir o original ao remake.

Dizem por aí que tenho uma alma antiga
Que bebe vinho
Dança bolero
Acha graça na vida


Dizem por aí
Que esse meu inesperado com a poesia
Nasce de uma confusão de afetos
Que como as estrelas se chocam e se estabilizam⁠

Entre o café e o vinho
(Mauro A Evaristo)

Todos os domingos são assim
Levo as horas sem receio ou pantim,
Aproveito bem todo o caminho
Com intervalos entre o café e o vinho.

Sigo bem nesse ínterim
Aprendi a ter paz comigo,
Mentalizo rios, mares, jardins,
Navego por entre poemas e livros.

Tudo é bom e faz bem
Aos que buscam se amarem também
E isto enriquece todo viver

Que faz merecer toda bondade além,
Pois, tudo é fazer o mundo um lugar bem
Por saber do poder infinito em você.

feradapoesia.blogspot.com

⁠Taça de vinho ao chegar em casa, porção confortante, ocasião particular após um dia desgastante, dessarte, uma merecida compensação, um carinho salutar à alma, um calor agradável ao coração, o corpo em pouco tempo, relaxa, uma renovadora sensação.

Ode ao Vinho Eu Ofereço


Ó vinho, sangue da terra e do sol,
líquido rubi que dança no copo,
filho da videira que o tempo moldou
e a mão do homem elevou a ouro.


Nasce no silêncio das colinas,
amadurece sob o olhar do céu,
guarda no seio o fogo das estações
e o sussurro dos ventos antigos.


Quando te abro, o mundo se dilata:
o tinto queima como paixão antiga,
o branco canta leve como brisa,
o rosé sorri entre o dia e a noite.


Tu és memória e esquecimento juntos:
trazes à mesa os amigos distantes,
apagás as feridas do dia cansado
e acendes no peito a chama da festa.


Ó vinho, companheiro dos poetas,
aliado dos amantes e dos sábios,
tu que fazes o tímido falar
e o solitário sentir-se povoado.


Levanto o cálice e te saúdo:
saúde à terra que te deu a seiva,
saúde às mãos que te cultivaram,
saúde a quem te bebe com respeito.


Que cada gole seja uma oração
à vida que passa e ao prazer que fica.
Viva o vinho,
viva quem o ama,
viva a mesa onde ele reina.

Teus sussurros
brasa líquida,
vertigem de vinho
adocicando minha audição.
desce por mim
e acende, sob a pele,
uma procissão de estrelas.


Ah, não me fales de amor!
O amor, quando é puro,
ainda conserva distância.
Quero o desejo em sua forma impura:
a boca que insiste,
o corpo que reclama,
a respiração que se rompe
contra a minha.


Vem.
Que teus braços sejam laços,
que teu peito seja cárcere,
que a noite nos encontre
sem véus, sem nomes,
sem a pobre vigilância da razão.


Quero perder-me em ti
como um perfume se perde no ar,
como a lua se dissolve
no cálice negro da madrugada.


E quando o prazer
nos fizer tremer juntos,
não haverá pecado bastante
para nos condenar
porque a própria culpa,
ajoelhada aos nossos pés,
há de desejar
o que nós desejamos.


Alzira Aquino Mendes

Domingo,
Beijos com gosto amadeirado de vinho tinto.
Camiseta manchada de molho de tomate.
E algumas pausas...
Melhor programa a dois.

Cheguei à fase do bom vinho: onde a pressa dá lugar à maturação, a quantidade perde para a seletividade e cada gole da vida é feito para ser degustado, nunca apenas consumido.

Talvez o vinho não aqueça nada.


Talvez ele apenas revele
o que já estava quente por dentro.


E você fica especialmente bonita nessa cor —
como se tivesse sido escolhida
para carregar todos os tons que eu não sei dizer.


Minha camisa da SZA em você,
o preto quebrando o vinho,
e minha imaginação completando aquilo
que meus olhos nem sequer tiveram permissão para conhecer.


Mas existe algo ainda mais curioso…


São os teus olhos.


Castanhos, eu sei.
E, ainda assim, quando me veem, parecem mudar de cor.
Aquele brilho que antes parecia apenas razoável
se transforma em alguma coisa quase impossível de explicar.


Como uma esmeralda cintilante
quando encontra a luz certa.


E talvez eu esteja enganada…
talvez seja só a minha maneira de enxergar você.


Mas gosto da possibilidade
de que, quando seus olhos encontram os meus,
alguma coisa também mude aí dentro.


E existe a tua boca…


Não preciso dizer muito sobre ela.
Talvez seja justamente o silêncio que diga mais.


Só consigo imaginar aquele instante tranquilo,
quando o espaço entre nós diminuiria devagar,
como se até o tempo soubesse
que certas coisas não precisam de pressa.


Um beijo calmo,
daqueles que não pedem explicação,
apenas deixam uma pergunta no ar:


“E se a gente tivesse deixado acontecer?”


Curioso…


Será que você sente alguma coisa parecida
quando percebe que existe alguém
pensando demais em uma simples imagem sua?


Ou será que certas ideias
só ficam perigosas
quando existe a possibilidade
de serem compartilhadas?


Porque talvez o verdadeiro mistério
não seja aquilo que eu imagino sobre você.


Talvez seja descobrir
o que você imagina quando pensa em mim.


E é justamente nessa diferença
que mora a minha curiosidade:


entre aquilo que eu digo,
aquilo que você entende
e aquilo que nenhuma de nós
tem coragem de dizer.

Vivo, enquanto vivo
Sem vinho e nem uva
Nem terra e nem chuva
Rio, enquanto houver riso
Vivo porque preciso
Erro por não saber
Errar é a única ciência
Que tenho certeza que tenho
Mas não existe certeza de nada
Pode ser que eu esteja errado

Edson Ricardo Paiva

Eu sou aquele que espremeu a uva do seu vinho.


Embreague-se comigo!

Um dia você aprende que o vinho mais caro do mundo não vale nada quando a sua sede é de água.

E entende que a vida não é sobre ter o que impressiona os outros, mas sobre reconhecer aquilo que realmente faz bem à sua alma.

Porque, no fim, luxo não mata qualquer sede, riqueza não compra qualquer paz e aparência não substitui aquilo que é essencial.

Aprenda a dar valor ao que você precisa, não apenas ao que os outros admiram.

O nosso amor não é vinho, é a embriaguez que resta após todas as taças, uma sede que se renova no beijo e na permanência.

Que a sua boca se torne a adega onde a minha alma bebe o vinho do esquecimento de todas as tristezas passadas.

Queres vir jantar
à minha casa hoje?
Olha, traz o vinho
e não te esqueças,
vem despida a rigor.

Vinho e versos nas curvas de uma taça

Taça singela com as suas belas curvas, envolvendo no seu íntimo uma porção de vitalidade — um vinho intenso na quantidade exata para um avivamento, que relaxa e aquece o corpo nesta madrugada e em qualquer outro momento; um fogo ou um simples conforto que alcança a alma, assim como fazem alguns dos meus versos.

“O amor com vinho rejuvenesce”.

Vou resumir a vida em uma palavra, “vinho”.