Teus sussurros brasa líquida, vertigem... Alzira Aquino Mendes

Teus sussurros
brasa líquida,
vertigem de vinho
adocicando minha audição.
desce por mim
e acende, sob a pele,
uma procissão de estrelas.


Ah, não me fales de amor!
O amor, quando é puro,
ainda conserva distância.
Quero o desejo em sua forma impura:
a boca que insiste,
o corpo que reclama,
a respiração que se rompe
contra a minha.


Vem.
Que teus braços sejam laços,
que teu peito seja cárcere,
que a noite nos encontre
sem véus, sem nomes,
sem a pobre vigilância da razão.


Quero perder-me em ti
como um perfume se perde no ar,
como a lua se dissolve
no cálice negro da madrugada.


E quando o prazer
nos fizer tremer juntos,
não haverá pecado bastante
para nos condenar
porque a própria culpa,
ajoelhada aos nossos pés,
há de desejar
o que nós desejamos.


Alzira Aquino Mendes