Vinho: textos e poesias que celebram sua essência
Geralmente, o último gole de vinho não é meu.
Ele pertence aos que suportaram pensar até o fim.
A Oscar Wilde, pela inteligência como arma contra a hipocrisia.
A Hemingway, pela ética seca diante do absurdo.
A Rimbaud, pela violência precoce do gênio e pelo abandono.
A Flaubert, pela disciplina quase cruel da forma.
A Voltaire, pela lucidez ferina,
por ter combatido a estupidez com ironia
quando a coragem ainda era possível.
E o último dos últimos,
quando o vinho já não promete nada,
vai para Baudelaire.
Porque ele soube que a beleza não nasce da pureza,
mas do atrito entre o tédio e o abismo.
Depois disso,
o copo vazio.
O silêncio.
E a noite continua,
como sempre.
Sexta-feira santa, será que é santa mesmo? A gula por chocolate, o alto consumo de vinho, e a mercantilização do consumo do peixe em nada demonstra um sentimento santo.
Na tarde nublada de domingo o crepúsculo derrama vinho púrpura sobre os ombros fatigados do horizonte. Não havia tristeza, apenas uma tarde que tardava todos os sonhos, mas não diria que todos, pois eram numerosos e sempre surgiam novos. A saudade possuía o perfume azul das distâncias impossíveis e eu me lembrava de quem quero bem, mas não sentia vontade de vê-lo. A melhor maneira de lidar com o passado é lembrando e deixando passar. O silêncio caminhava descalço pelos corredores da imensidão e eu diria que a vida é infinita nas incontáveis estradas de caminhos de lírios, margaridas e orquídeas vastas a ocupar o tempo da memória. E nasciam antúrios na lua que bordava rendas de prata nos cabelos da lógica. Eu mastigava lentamente o dia e não havia lamento maior que o vazio, mas isso é arte de domingo. O vento folheava as páginas de meu rosto e escrevia livros de longas histórias anônimas. Eu lacrimejava, porque o céu bebia o melancólico néctar do entardecer. Eu vivia a aurora despertando sinos entre as flores. O amor era uma estrela atrasada iluminando ruínas de primavera, no oceano que escondia relâmpagos adormecidos sobre sua pele de safira. À dezesseis horas eu te esperei, mas você não veio. E não vinha há cinco anos. Cai a chuva escrevendo cartas transparentes nas janelas do esquecimento. E eu fiz para você um chá, que esfriou na xícara. Como demoram as visitas. O destino tecia fios de ouro no acaso da cidade. Difícil se encontrar em uma cidade sem esquinas. A tristeza florescia como uma rosa violeta nos jardins dos desencontros. Mas eu estava apática, mas feliz, porque o universo respirava através do orvalho da noite. A saudade é um pássaro transparente preso à gaiola e eu rejeitava, já que eu amava a liberdade. A solidão vestia um manto amarelo e eu me imaginava em um campo de girassóis. Eu acho que eu nasci mesmo foi para ser feliz. As gaivotas no céu são livres e voam os passarinhos. Um dia hei de ter asas e esquecer as visitas em casa, se me amo mais que o próprio mundo. Eis meu pensamento mais profundo.
Ela aprecia os pequenos prazeres: o vinho que aquece, um perfume marcante que a descreva, a companhia de um bom livro, o bem estar dos que ama e o silêncio da própria alma.
Gosta de escrever como quem sangra bonito e prefere a própria companhia ao barulho de conversas vazias.
Pensa demais, sente tudo, observa com a alma, pensa com o coração, sente intensamente e se entrega ao luxo de ser instável, porque no fundo sabe: ser de um jeito só, nunca a caberia.
Cheguei à fase do bom vinho: onde a pressa dá lugar à maturação, a quantidade perde para a seletividade e cada gole da vida é feito para ser degustado, nunca apenas consumido.
Você bebe uma taça de vinho hoje,
uma lata de cerveja num dia qualquer,
mas quando tentar parar o vício já te pegou,
isso ainda não é o pior, porém os efeitos colaterais,
que o álcool traz, entre eles uma cirrose...
Pare enquanto você pode ou nem comece,
pra não se arrepender depois!
Falam do metanol no vinho... mas tem amor que faz o mesmo. Bonito por fora. Letal por dentro. E a diferença é que o vinho você sente queimar. O amor, não.
Ele só vai te matando devagar.
Falam do metanol no vinho... mas tem amor que faz o mesmo.
Bonito por fora. Letal por dentro.
E a diferença Ele só vai te matando devagar.
Cadê os imitadores de Jesus? Tô precisando de vinho, pão e peixes, quero curar minhas doenças crônicas, inclusive preciso ressuscitar meu vizinho que me devia uma fortuna.
Do cristianismo só gosto do vinho, dos feriados e dos pecados. Examinei todas as superstições conhecidas do mundo são todos baseadas em fábulas e mitologia e não encontro na superstição do cristianismo uma característica redentora, ou uma revelação. A decisão cristã de considerar o mundo feio e mau, tem feito do mundo feio e mau.
Entre as uvas da vida, encontrei em você o melhor vinho.
Intensa, leve, suave, doce, viciante…
daquelas que o tempo só melhora, que se degusta sem pressa e deixa um gosto bom na alma — impossível provar e não querer mais.
Entre as uvas da vida, encontrei em você o melhor vinho.
Intensa, leve, suave, doce, viciante...
Daquelas raridades que o tempo não estraga, apenas aperfeiçoa. Quanto mais conheço você, mais descubro novos sabores, novas razões para admirar sua essência.
Você não embriaga os sentidos, embriaga a alma.
Uma ironia cruel da nossa espécie: conseguimos transformar água em vinho, mas ainda temos dificuldade de transformar sobra em solidariedade.
As rosas é a beleza que em ti existe...
O vinho é para não me deixar triste...
Embretado nesta solidão...
Que me faz tanta coisa lembrar...
Que até choro de emoção...
Pois não consegui pra sempre te amar...
E nem te entregar o meu coração.
Domingo,
Beijos com gosto amadeirado de vinho tinto.
Camiseta manchada de molho de tomate.
E algumas pausas...
Melhor programa a dois.
O nosso amor não é vinho, é a embriaguez que resta após todas as taças, uma sede que se renova no beijo e na permanência.
Que a sua boca se torne a adega onde a minha alma bebe o vinho do esquecimento de todas as tristezas passadas.
Eu sou como um vinho seco
Para aquelas pessoas que não sabem apreciar algo bom
Doce e suave para pessoas importantes
que querem uma explosão de saber em sua vida
O vinho fica melhor com o tempo, e o cinema clássico também. Não se sinta mal por preferir o original ao remake.
