Versos de Solidão
Nos Intervalos do Mundo
Nos intervalos do mundo, onde o ruído se cala,
há um canto onde a alma se despe,
e na penumbra suave da solitude,
enfim se encontra sem pressa, sem medo.
É ali que o silêncio fala mais alto,
e cada pensamento tem forma e peso.
A dor amadurece, a dúvida dança,
e o coração respira o que antes temia.
Mas nem toda jornada é feita a sós.
Às vezes, no eco de um gesto leve,
uma voz amiga, uma mão estendida,
nos lembra que não somos deserto.
Há apoio nas sombras também,
em olhares que não julgam,
em presenças que não exigem,
em abraços que dizem, oi estou aqui.
Solitude é ponte, nunca prisão.
E apoio é farol, nunca amarra.
Entre os dois, o espírito cresce
na liberdade de ser, e no milagre de ser.
Saudades
Saudades são pequenos ecos do que já foi um cheiro, uma voz, um olhar que não volta,
mas insiste em ficar dentro da gente.
Em curtos espaços de tempo,
elas aparecem como vento leve,
ou como um silêncio pesado.
Não precisam de muito para doer,
nem de muito para aquecer o peito.
A saudade é o que resta quando o tempo passa,
mas o sentimento permanece.
A gente só entende o valor de uma foto quando não tem mais a chance de tirar outra. Só percebe o peso de uma conversa que não aconteceu quando o tempo se encarrega de fechar portas que nunca mais se abrem.
Quantas vezes ignoramos sentimentos por medo? Quantas vezes deixamos de ser quem queremos, só para não dar o braço a torcer? E então, o que sobra? Histórias que nunca foram vividas, amores que ficaram no “e se...”, amizades que eram apenas ilusões bem montadas.
É fácil olhar para trás e perceber onde deveríamos ter sido mais corajosos, mais atentos, mais vivos. Difícil é mudar isso enquanto ainda há tempo. Porque, no fim, todos vão olhar para alguma coisa e pensar: “Eu poderia ter aproveitado mais…”.
E quando esse momento chegar, não se engane. Muitos não vão atravessar a rua para te ver, mas vão andar quilômetros para te enterrar. No fim das contas, o adeus sempre vem a questão é se, até lá, você realmente viveu.
Entre o Silêncio e o Vento
No fio da tarde, o tempo se dobra,
carrega lembranças no sopro do ar.
O mundo respira, mas quase não fala,
tudo que importa começa a calar.
Os passos se perdem nas sombras do chão,
mas dentro de mim, há fogo e caminho.
Mesmo na dor, renasce a esperança,
feito uma flor brotando sozinha.
O olhar se levanta, encontra o infinito,
não pelo céu, mas pelo sentir.
Pois quem já caiu, aprende o segredo:
é no silêncio que a alma decide existir.
Caminhos Invisíveis
Há passos que damos sem ver o chão,
movidos por algo que não tem nome.
Às vezes é fé, outras é fuga,
mas sempre há um porquê que só o tempo revela.
O mundo ensina com mãos ásperas,
e nem toda dor vem para ferir.
Algumas vêm para abrir janelas
em lugares que julgávamos muros.
Carregamos perguntas como bagagem,
algumas pesam, outras sustentam.
E no vaivém das estações da alma,
descobrimos que nem tudo precisa resposta.
A vida é feita de curvas e quedas,
mas também de olhares que nos levantam.
E mesmo sem saber para onde ir,
o mais bonito é seguir e sentir.
Quando o mundo se sustenta
Há forças que não têm nome
mas sustentam o que somos
como raízes ocultas na terra
nutrindo sem serem vistas
O visível é breve
como reflexo na água
mas o invisível permanece
feito essência que não se apaga
O tempo não caminha em linha
mas se curva em espirais de sentido
e o amor, quando profundo
não precisa provar que existe
Não é o saber que acalma
mas o sentir que acolhe
há luz nas pausas do pensamento
e abrigo nos vazios do entendimento
Tudo o que escapa ao controle
ensina o valor da entrega
e o silêncio que parece ausência
é, muitas vezes, o lugar mais cheio de presença
Nó no gorgomilo
Há dias convivo com esse nó no gorgomilo.
Acordo cansado,
durmo em vigília.
Como demais quando posso,
e quando não, tanto faz.
Se bebo água, mijo.
Se não, só percebo dois dias depois.
Sobreviver virou protocolo.
Viver... virou luxo.
Se respiro, é automático.
Se morro, me liberto.
Um Pequeno Sorriso
Há dúvidas que se instalam como neblina na mente densas, persistentes, inalcançáveis por qualquer lógica. E há tristezas que não choramos, porque se tornaram parte da respiração cotidiana.
Seguimos por instinto, como quem anda sobre um fio invisível, disfarçando o peso com gestos comuns, ocultando o abismo sob passos calculados.
É uma sobrevivência sutil: esconder as ruínas enquanto oferecemos fachadas inteiras.
Talvez seja isso o que chamam de força
não a ausência da dor, mas a habilidade de seguir mesmo quando tudo desaba por dentro… e ninguém percebe.
O homem morreu de fome. E quando já era tarde demais, serviram comida no velório. Não é metáfora. É o retrato do quanto as pessoas se importam... só quando já não dá mais tempo.
Todo mundo diz que vai ajudar, todo mundo jura que se preocupa, mas a verdade é que quase ninguém está disposto a fazer algo enquanto você ainda está respirando.
Preferem te aplaudir no caixão do que estender a mão quando você ainda podia ser salvo.
Gostam de parecer bons — não de fazer o bem.
Então entenda: se você espera ser alimentado pela compaixão dos outros, vai morrer com fome. E ainda vão dizer que você partiu em paz.
Mundo Vago
Caminho por ruas que não respiram,
muros mudos, olhos sem luz.
O tempo escorre entre dedos frios
como um lamento que não se traduz.
O mundo é uma casa desabitada,
com portas trancadas por dentro,
e eu sou o eco de alguém que partiu
antes de ter sequer um centro.
As vozes sumiram nas esquinas,
os toques morreram nos gestos.
O amor virou uma palavra vencida
perdida entre gritos discretos.
Nenhuma cor permanece na pele,
nenhum som me alcança inteiro.
Sou casca de sombra flutuando
num céu sem ar, derradeiro.
Há dias em que nem a dor responde,
em que o silêncio pesa demais.
E sorrir é apenas um espasmo,
nos cacos de tempos normais.
Não há horizonte, só névoa.
Não há futuro, só negação.
E tudo o que restou de mim
é o vulto de uma ausência em expansão.
E quando vc se vai, o meu coração vai junto.
E quando a porta se fecha, eu fico pensando,
será que haverá um novo beijo, um novo abraço um eu e vc dividindo o mesmo espaço?
Porque os meus medos dizem:
qual será a forma que ele quebrará seu coração?
Qual será o motivo pra partir? Qual será o dia de você ir?
Eu sei, você disse que não me magoaria e que sem motivos jamais partiria,
que eu não deveria pensar essas coisas.
Mas meus medos dizem:
Qual será a sua decepção?
Quando ele rejeitará seu coração?
Se prepare para o tempo ruim, se prepare para o fim.
Você é o dono do meu coração
Com você me sinto única.
A minha mente está repleta de retratos seus e de mais ninguém.
Com você me sinto bem, me sinto completa.
Mas meus medos dizem:
Será que o seu coração é somente meu?
Será que o passado te roubará de mim?
Será que sou boa o suficiente assim?
Pra merecer um amor tão lindo e bom aqui?
Os meus medosdizemedizem.
O peso do agora
O tempo não passa.
Somos nós que deslizamos por ele,
como folhas levadas por uma corrente invisível.
Chamamos de presente o que já se foi,
e de futuro o que nunca se deixa alcançar.
Mas o agora
esse ponto microscópico entre dois abismos
carrega o peso de tudo.
Permanecer é impossível.
Tudo pulsa em transformação,
mesmo na pedra,
mesmo no silêncio.
Perguntamos o sentido das coisas
como quem interroga o espelho,
sem notar que o espelho apenas devolve
aquilo que somos incapazes de ver.
Existe um centro dentro de nós
que não se move,
mas que observa
todas as nossas tentativas de ser.
E talvez a sabedoria
não esteja em encontrar respostas,
mas em escutar o que permanece
quando todas as perguntas cessam.
Nasci no ventre do eco,
onde o tempo não ousa entrar.
Ali, o mundo me olhou de costas,
e eu tive que ser meu próprio espelho.
Trago os ossos do pensamento à flor da pele,
mas ninguém ouve a dor que não sangra.
Tudo em mim é vidro —
mas cortante, não frágil.
Chamei a ausência pelo nome,
ela respondeu com o meu silêncio.
E no frio do sentido negado,
vi que até Deus evitava meus olhos.
A mente, em espirais de pedra,
caminha sem chão,
mas insiste em buscar
uma saída onde não há porta.
Sou o cárcere que se nega a abrir-se,
sou a chave que teme a liberdade.
Ser é um verbo afogado —
mas ainda respiro.
E se tudo isso for o belo?
Essa dor sem forma,
esse grito contido,
essa esperança disfarçada de exílio?
Pois talvez o belo more
não no alívio,
mas no gesto de seguir
mesmo sem horizonte.
Por amor; Dei adeus a minha desilusão.,
Busquei você que estava tão distante,
e tomei as rédias do meu coração.
E por um instante eu parei pra pensar...
Vi que a vida não tem graça sem você,
pra que chorar, pra que sofrer, pra que
viver sozinho nesta solidão; Quero viver somente para ti meu amor,e nossos
sonhos que estavam adormecidos, acordou. Pra que viver sozinho nesta solidão; Se existe o sol, se existe o mar,
e se ainda existe amor em nossos corações.
'O incerto tempo me fez, se perder em seu caminho.
Lançados ao vento, todos os meus sentimentos se desfizeram;
E, cansado de tentar encontrar-se,
Ardoroso existir me fez desvanecer ...
Despojado de qualquer felícia, todo meu fulgor se expira.'
►E se?
Se eu te contasse como me sinto,
Você ainda ficaria comigo?
Se eu te contasse meus delírios,
Você ainda me daria sorrisos?
.
Se eu não fosse assim,
Você me deixaria sozinho?
Se eu não detestasse tanto a mim,
Você ainda me daria seu carinho?
.
Se eu sucumbisse ao meu pensamento,
Você me salvaria da depressão?
Se eu te pedisse um tempo,
Você se afastaria em compreensão?
.
Se eu entrasse em pânico,
Você me apontaria um cais seguro?
Se eu ficasse sem ânimo,
Você se tornaria o meu mundo?
.
Se eu tivesse pesadelos horríveis,
Você me abraçaria em afeto?
Se eu chorasse dias em crises,
Você apalparia meu ego?
.
E se?
A felicidade esta naqueles que encontram motivos para sorrir,
mesmo que tenha muitos motivos para chorar!
Validade
Já reparou no prazo de validade ?
Ontem mesmo tentando resolver um dilema .
Percorri toda a cidade.
Andei, e andei...
E nada de resolver este dilema.
Tu já se perguntou algum dia...
Será que teria amizade, prazo de validade?
Já dizia Bauman na sua tese da modernidade...
Ninguém é confiável nesta cidade.
Amizades se transformam.
Quando o outro já não mais se favorece.
E nessa insegurança toda uma sociedade padece.
Afundando na liquidez.
Escolho andar só..de vez.
Parafraseio sábio...antes só ,do que mal acompanhado.
E nessa de lobo solitário
Desbravo cada vez mais meu ser.
Quero ter honestidade...
Nem venha com parecer.
não me encaixo em sociedade com prazo de validade.
O problema de só se sentir bem quando esta acompanhada
são as dores que enfrenta quando esta sozinha!
TUDO TERMINOU
Tudo entre nós terminou
Nosso amor pouco durou
E eu fico a esperar
Que você volte a me amar
Já não sei que eu fazer
O meu coração
Sem você não vai viver
Por isso vou sofrer com a solidão
Na minha realidade,
Tudo acabou
Foi-se a felicidade
Só a tristeza ficou.
Agora o que sobrou?
Foi somente o tormento
De um amor que acabou
Mas ficou no pensamento
Sei que um dia vou te esquecer
E ficará só a lembrança
Vou para de sofrer
Vou ter novamente esperança.
