Poemas curtos de Clarice Lispector
É preciso antes saber, depois esquecer. Só então se começa a respirar livremente.
Quem sabe, até, eu era só aprendiz de anjo.
É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas.
A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe.
Preciso ser livre - não aguento a escravidão do amor grande, o amor não me prende tanto.
Chorou livremente, como se esta fosse a solução.
O grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade. Tenho que me violentar até não ter nada, e precisar de tudo; quando eu precisar, então eu terei, porque sei que é de justiça dar mais a quem pede mais, minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é a minha medida.
O que sinto não é traduzível. Eu me expresso melhor pelo silêncio.
Minhas ideias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas.
A fé – é saber que se pode ir e comer o milagre. A fome, esta é que é em si mesma a fé – e ter necessidade é a minha garantia de que sempre me será dado. A necessidade é o meu guia.
Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, sempre não acaba nunca.
Minha história é de uma escuridão tranquila, de raiz adormecida na sua força, de odor que não tem perfume.
O que é preciso é não ir demais contra a onda. A gente faz como quando toma banho de mar: procura subir e descer com a onda. Isso é uma forma de lutar: esperar, ter paciência, perdoar, amar os outros. E cada dia aperfeiçoar o dia. Tudo isso está parecendo idiota... Mas até que não é.
Por pura sede de vida melhor estamos sempre à espera do extraordinário que talvez nos salve de uma vida contida.
Refugio-me nas rosas, nas palavras. Pobre consolação. Estou inflacionada. Não valho nada.
E o que não posso e não quero exprimir fica sendo o mais secreto dos meus segredos.
Uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar.
