Verbo
Passado
Tudo está no passado, nenhum verbo se conjuga no presente.
Se eu digo sou, eu era há alguns segundos atrás.
Nesse que se passa, estou alguns versos mais a frente.
No futuro, espero –esperava- estarei em paz.
No passado estão os anos, as datas, os planos.
O agora apenas se vive, sem tempo para recordar o que fez.
E já passou, sem dizer adeus, nem aos fulanos, nem aos beltranos.
Porque o tempo, não se importa com quem seja, ele sempre em silêncio diz, se desfez.
E mais uma vez passou, passou por mim um arrepio.
Uma lembrança, porque aquele ônibus tinha que estar cheio?
E tudo o que eu senti foi, um calafrio.
Levantado pelo coração, dei lugar e ali fui dividido ao meio.
Fui sentenciado a viver em parte.
E sempre no passado, e distante.
Fui por aquele ímpeto, empurrado ao descarte.
E não vivo mais o agora, estou mais no futuro a cada instante.
Metade do meu tolo coração se tornou seu.
Em parte você se tornou o que me completa.
Esse é para você, a quem amo mais do que eu.
Mas não podemos ficar juntos, pois o choro é parte essencial para eu me torne, poeta.
Marcas do passado, tempo imperfeito, fizeram um sujeito, relembrar nas andanças um perdido ao verbo amar, mas não definhas o presente num laço a desatar...
Segundo dicionários de Língua Portuguesa "Oração é toda frase construída em torno de um verbo".
Segundo a bíblia, Jesus é o Verbo: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus". João 1:1
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade". João 1:14
Em resumo, não há oração sem Jesus. Não existe prece se Jesus não for o centro dela.
Ser amor... Quando se é o próprio amor, conjugamos o verbo da maneira mais plena. Substantivo abstrato que preenche e completa.
Mudar, ô verbo dificil! Mas a vida singificativa e transbordante jamais aconteceria sem isso! Simples Assim
A exata conjugação do verbo
Eles permaneceram casados por sessenta e dois anos. Um casamento complicado.
Ele era alcoolatra. Gostava de cantar e sempre tinha uma brincadeira, na ponta da língua, que divertia os amigos e conhecidos.
Era uma pessoa maravilhosa para todos, menos para a esposa. Batia nela, até a filha de oito anos começar a se impor e impedir as agressões.
Um dia, ele vendeu a casa onde moravam. Sumiu por uns tempos e, quando retornou, sem nenhum centavo, avisou que a casa deveria ser desocupada em vinte e quatro horas porque o novo proprietário viria tomar posse.
A esposa passou frio porque quase não tinha agasalho. Passou fome pois deixava de comer para que os filhos se alimentassem.
Sofreu traições porque ele, homem bonito, se permitia aventuras. Ameaçava-a de morte e dormia com um punhal embaixo do travesseiro.
Com tanto sofrimento, natural que, no transcorrer dos anos, o tempo a abraçasse com alguns problemas como insônia e depressão.
Os que a conheciam a amavam porque ela ria, brincava, semeando ao seu redor a alegria, que ela mesma não podia fruir.
Portadora de uma grande fé, espalhava o bem para as pessoas, fossem crianças ou adultos.
Perante os doentes, ela ia passando a mão, com delicadeza, na cabeça, nas mãos, enquanto orava com fervor.
Logo, eles afirmavam se sentir bem.
Certa feita, indo a uma consulta e narrando seu drama conjugal, a médica indagou:
Qual seu sentimento para com seu marido? A senhora o ama?
A filha, que a acompanhava, teve certeza de que ela responderia negativamente. A resposta que veio, depois de pensar uns segundos, foi surpreendente:
Como homem, não o amo. Como filho necessitado, sim!
A filha chegou às lágrimas ao reconhecer, uma vez mais, a grandeza daquela mulher.
Certo dia, aquele homem que gozara de tantos prazeres, teve um acidente vascular cerebral e foi hospitalizado. Os filhos se revezaram à sua cabeceira, no seu atendimento.
Mas a senhora também foi ao hospital. Ele estava entubado, incomunicável. Somente os aparelhos bipando, de forma regular, atestavam a sua estabilidade orgânica.
Ela chegou e tomou a mão dele entre as suas. E começou a falar.
Os aparelhos, de imediato, registraram a alteração dos batimentos cardíacos, que dispararam para mais de cem por minuto, a respiração acelerou.
Tudo isso dizia da consciência da presença dela ali. Ela falou das suas limitações como esposa, das suas dificuldades.
E lhe pediu perdão por tudo e de tudo. Depois, disse que ele poderia partir em paz porque ela o perdoava.
Interessante que ela não enumerou nenhuma das deficiências dele. Ao contrário, falou somente das próprias dificuldades.
Naturalmente não enalteceu virtudes que ele não possuía, mas de nada o acusou.
Depois, o convidou a orar com ela. Quando concluiu suas longas preces, deu-lhe um beijo na testa e desejou que ele ficasse com Deus.
Ela saiu. Poucas horas depois, ele partiu.
* * *
Pessoas assim existem muitas, neste imenso mundo de Deus. Anônimas.
Deixam lições inesquecíveis aos filhos, aos familiares, aos amigos, a quem goza a ventura de sua convivência.
Pessoas assim sabem, com certeza absoluta, a exata conjugação do verbo amar.
Quão ruins são os desalentos que o amor nos causa.
Que loucura é o verbo amar, em todos os tempos.
Já dizem especialistas que conjugar esse verbo causa cegueira sem previsão de cura;
Causa também dores internas, não identificadas por exames médicos;
Em busca de laudos muitos procuram solução divina, porém outros acreditam que o Deus tempo é o único capaz de arrancar essa dor, há quem discorde.
A angústia sem sentido comprovado, provoca tonturas, enjoos e delírios.
Um estudo de centenas de anos não seria o suficiente para entender a fundo as causas, o tratamento e a cura.
Fica no ar esse grande mistério.
BEIJO FRUITIVO
Flui dos olhares bacantes
Verbo, poesia e prosa
Das declamações pedantes
Verso, primazia em glosa
Dúlcido beijo Fruitivo
Deleitável ardor vivo
Leve como flor airosa.
CONJECTURAS SOBRE AMOR E PERDÃO
O maior erro do ser humano é conjugar o verbo amar no passado, e acreditar que reatar um relacionamento é sinônimo de retrocesso na vida.
Perdoar não significa assumir uma fraqueza ou dependência, e sim admitir que não é impassível!
Passamos a vida em busca da felicidade que na maioria das vezes está bem perto, na simplicidade de momentos que deixamos passar por acreditar em paixões idealizadas.
Perde-se tempo em curvas escorregadias que não levam a lugar algum, esse tempo é cobrado pela sombra da inquisitória solidão, espraia-se o orgulho... E lá se vai o tempo, e mais tempo, até perceber que a mais pura ignorância é considerar-se autossuficiente por medo de viver uma frustração.
É nesse momento que devemos deixar de lado a carapaça, levando em conta tudo que aprendemos com doridas quedas, nos vestir de humildade e abraçar com todas as forças aquela que pode ser a última oportunidade de compreender a importante missão do amor.
Toda linguagem é um verbo que se faz carne, um Lógos que, ao sair do encéfalo, encarna e se torna realidade no mundo físico.
Amar no verbo presente, esperar no futuro ou sofrer no verbo passado?
Nesse decorrer dos dias acredito que conseguiu entender que gosto das coisas fugazmente, no aqui e no agora, sem dizer Eu te amo, dissolver alguma mágoa presa no peito ou ter uma certa atitude pra depois, pois temos bocas para expressar os sentimentos, ouvidos para escutar e coragem para agir. Eu penso nisso como viver a vida sem restrições e ao máximo, mas muitos acreditam ser isso impulsividade.
Meu amor, duvidava dias e noites que encontraria alguém que fosse o meu Ying, que me daria equilíbrio, traria a paz, tranquilidade e me ensinaria a viver de uma maneira mais pacífica, sem tanta ansiedade, pois tudo em excesso traz consequências e qualquer um notava a minha aparência cansada, pois estava de fato, exaurida, havia passado dos limites, estava fora dos eixos e você sem questionar nada, simplesmente estendeu sua mão e me salvou. Todo o desespero, a impaciência, a falta de fé se dissiparam e deparei-me com uma serenidade até então irreconhecível e inexistente.
Você é um príncipe pelo amor puro, gentil e genuíno que me aquece, é o meu melhor amigo por escutar-me mesmo quando me silencio e é um anjinho da guarda que o papai do céu enviou para o meu caminho para que trilhamos nossa jornada como uma só carne, um só coração, uma só alma, unidos não pelo acaso mas pelos planos de Deus.
Sei que estamos protegidas nos braços de quem amamos, então tormenta ou momentos obscuros nenhum sera capaz de nos abalar, se conservamos no companheirismo e respeito recíproco.
Eu te amo, sempre contigo e por ti!
Amizades
O verbo amar conjuga a vida
e dos amores que a vida traz,
a cumplicidade de um amigo
nenhum amor se iguala,
nenhum amante segreda.
Amizades que crescem na simpatia espontânea
no primeiro dia de aula, da primeira infância.
E envelhecem juntas até a hora derradeira.
Um amigo querido que a inevitabilidade da morte
acolhe em seu manto de mistério,
sem ao menos nos permitir um último adeus...
Um amor dolorido por sentimentos
engasgados na garganta.
Tamanha a dor.
Amizades seladas por laços sanguíneos.
Um irmão que se faz grande amigo.
Um amigo que antecede o irmão.
Um amigo, uma amiga que chegam ao acaso
e em pouco ocupam as mais deliciosas lembranças.
Amigos de conversas noite adentro,
de madrugadas até a aurora.
Amigos para se permitir adentrar a casa
sem bater à porta,
abrir a geladeira sem permissão e acordar assustadoramente às onze da manhã.
Amizades que escondem uma paixão, um beijo desejado.
Um beijo bem dado, talvez... por que não?!
Amores que em amizade se fundem, confundem-se.
O amigo que o tempo e o distanciamento enuviaram,
e um dia, quem sabe, tropeçaremos, um e outro,
em uma rua qualquer, em qualquer lugar do globo.
O amigo que parece esquecer-se de mim,
quando na verdade, aguarda-me ansioso para o abraço.
Amizades que me ensinam, me apaixonam pela vida.
Amizades que me salvam não uma única vez,
mas quase todos os dias.
Amizades que guardam consigo metades de mim.
Apalavra Mae nao e um substantivo. E' um verbo. Mae e cuidar, brigar, chorar,brincar, sorrir, ajudar, mudar, se irritar... Mae e' saber Amar!
- Relacionados
- Verbo Ser do Carlos Drummond de Andrade
