Ventre
"Ser Mãe! É muito além de gerar, de trazer ao mundo, de acariciar em seu ventre durante nove meses. É refletir tudo isso após o nascimento, amar incondicionalmente e proteger para o resto da vida como se ainda estivesse no seu ventre... É cuidar mostrando a realidade do mundo e abraçando para que nada o faça mal. Ser mãe é entender que Deus fez dela a morada da vida."
-Aline Lopes
Me perdi em teus beijos
Me encontrei em teu ventre
Me destrai com teus seios
Me quedei em teus abraços
Me entreguei a delícia que é teu regaço.
Com você redescobri
A alegria de compartilhar
Uma paixão foda
E juntas nos reinventarmos
Mergulhamos na magia profunda de:
Tu Estrela e Eu Lua!
No céu dos nossos corpos pratedaos.
Presente de Deus !
Tú és para mim, um presente de Deus,
bendito é o ventre, no qual tu foste formada.
No primeiro dia em que ti vi, disse a mim mesmo: Que me dera trocar estas coxas,
beijar está boca e sentir nestes lábios, o néctar das flores que formou o batom, que realça os teus lábios.
Fecho os olhos e te vejo, não sei mais o que fazer para tirar você dos meus pensamentos,
o ar que respiro tu te fazes presente, a minha refeição não consigo ingerir, pois penso em você, perco o ânimo para comer.
Até o meu sono tem fugido das minhas pupilas, ás vezes perguntou-me : quem é está mulher que tem me roubado o sono ?
De onde és ?
Por fim, acabo pôr descobrir: Ela é um presente de Deus.
DANÇAS DO VENTRE E OUTRAS EXCITAÇÕES
Era na noite avançada
Dos nossos tempos idos.
Aplicavas os teus fluídos
Nos requebros do teu ventre,
Em danças que a gente sente
Acordar libidos adormecidos.
Em lascívias
Óbvias
Do teu tronco,
Em sinais de púbis molhados
Nos negros caracóis
Fantasiados
Nos brancos lençóis,
Que depois da dança tua
De ventre
E de frente,
Fazíamos amor
Cansado
Mas sempre apetecido
Quando regurgitavam
Orgasmos,
Em espasmos
De loucura e dor.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-04-2023)
O PÓS E O PRÉ
Lembro-me ainda de quando era velho
A cair de podre.
O ventre saído desmesurado
Expelido
Inchado
Como que a rebentar
A bomba fatal
Tal odre
Que estoura
Em excessos
Possessos
De processos
De químicas
De álcool com salmoura.
Menino, agora, já sou outra vez.
Com pés a caminho da cova,
Voltarei ao pó
Pó, pó, pó, pó
E cinza adubada.
Vou tornar a ser
Um novo ser
A nascer,
Não demora nada.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-04-2023)
As Rodoviárias
No ventre de concreto e aço, a rodoviária se revela
Um portal para o labirinto do asfalto, onde o tempo se congela
Cacofonia de vozes, almas em trânsito, anseios e despedidas
Um microcosmo humano, onde a vida pulsa em batidas
Sob o teto, a luz, sombras inquietantes
Viajantes e fardos, histórias errantes.
O cheiro de café e saudade no ar
E a melodia melancólica de um violão a ecoar
Nos painéis, destinos se anunciam
Cidades distantes, sonhos que se adiam
Embarques e desembarques, abraços apertados
Lágrimas contidas, sorrisos forçados
Nos rostos, a marca da jornada
A esperança de um novo amanhã, a alma desnortada.
Corpos cansados, mentes em devaneio
Na rodoviária, a vida se revela em seu roteiro
Ônibus serpenteiam como feras famintas
Devorando quilômetros cruzando estradas infindas
No horizonte, o sol se põe, tingindo o céu de sangue
E a rodoviária se ilumina, como um farol que nunca se extingue
Em cada plataforma, um drama
Em cada rosto, uma epifania
A rodoviária, palco da existência
Onde a vida se mostra em sua essência
E eu, poeta peregrino contemplo este cenário
Eternizando em versos este itinerário
Na rodoviária, a alma humana se desnuda
E a poesia encontra sua musa
Metrô
Uma Odisséia Urbana
No ventre sombrio da terra, a multidão se acotovela
Corpos exaustos, almas inertes, a esperança que se revela
Nos rostos, a marca do cansaço, do tempo que se arrasta
E a melodia do silêncio que nos basta
Nos vagões, a solidão se agiganta
Cada um em seu canto, perdido em suas fantasias
Olhares vazios, palavras sussurradas
E a sensação de que a vida nos ignora e nos distancia
Nos túneis, a escuridão nos engole
E a voz do abandono ecoa
Somos sombras errantes, perdidas no labirinto
Buscando um fio de luz, uma razão, direções
Nas estações, o tempo se suspende
E a multidão se transforma em um mar de rostos
Em cada um, uma história, um drama
E a certeza de que a vida nos prega tantos gostos
Mas, no meio do caos, a esperança renasce
No metrô
A vida pulsa
E a poesia
Floresce
Mãe,
§
Que nos guarda em seu ventre e nos protege do mundo.
Nos traz à vida e nos oferece braços de amor
Mãe, maravilhosa criatura
Que nos ampara em todos os momentos
E mesmo em sua ausência ou lembrança
Sempre nos faz reviver e nos mostra
Que não estamos sozinhos
§
Feliz dia das Mães.
A morte começou ainda no ventre,
A celebração no nascimento era a
Confirmação de que um dia se
Consumaria. Não chorem, celebrem
Desejando-me boa chegada a eternidade,
Sobretudo vivam antes de me seguir!
Sou de ninguém
Venho do céu
Venho da terra
Venho do ventre
Venho de cá e acolá
Sou de Deus
Sou entre demônios
Sou o que sou entre os Homens
Sou de todos eles
Venho da África
Venho também da Ásia
Venho da Europa
Venho desta raça
Sou preto
Sou branco
Sou mestiço
Sou todas raças
Entre Neve e Silêncio
No ventre da noite, no frio da missão,
Ergue-se um homem, de aço e razão.
O mundo lá fora é grito e conflito,
Mas dentro do peito, um fogo restrito.
Guerreiro da neve, guardião do além,
Enfrenta o vazio que mais ninguém tem.
O peso do aço, o silêncio do chão,
O vento gelado tocando a tensão.
Não luta por glória, medalha ou poder,
Luta por todos que não sabem o que é perder.
Seu rosto é muralha, seus olhos são farol,
Que brilham no escuro, que buscam o sol.
Entre o vermelho do sangue e o azul do céu,
Caminha sereno, de armadura e fé.
Pois mesmo na guerra, há traços de paz
No coração de quem firme jamais se desfaz.
"...Andas em mim quando te percorro.
Para superar o instante, ir-me em ti além,
no ventre do tempo, me lavro em teu peito..."
Carlos Daniel Dojja
Fragmento Poema Semente Recolhida
Ventre do Sentir
Não fiquei a colher a flor,
desnuda entrega de tua voz.
Adentrei-me, avesso ao passageiro.
Desejei-me morada em tua raiz.
Quis ser lamparina,
respiro brotado por entre tuas mãos
no pulsar candente de tuas veias:
- Eis-me: Habitado pelo ventre do teu sentir
Ser mulher
Vai muito além do nome
É a existência da vida
Que desenvolve amor no ventre
E demonstra amor no gesto
Ser mulher é a grandeza da beleza
E sua essência meiga cativa qualquer ser
Enfim ser mulher é ser
A plenitude da suavidade e feminilidade
Que só o corpo feminino contempla ter
Não é do ventre,
mas do coraçãoda mãe que cria,
que cuida,
que amae protege os teus filhos,
que o amor transborda
de gratidão pela vida
e se eternizaenquanto mãe!
na vida, muitas vezes somos esquecidos porque no ventre materno passa a hora do batimentos e a mãe esquece do batimentos do filho, assim é continua a vida
No ventre do Nada, um eco sussurra,
um som sem origem, que o vácuo murmura.
É cifra que dança na sombra da luz,
onde o Verbo não fala, apenas seduz.
Quem forja os limites do que não tem fim?
Quem planta a centelha no pó do jardim?
Ali onde a forma se curva e se esconde,
jaz o Mistério que tudo responde.
Se a chama é oculta no seio do gelo,
qual é o segredo que anima o anelo?
E se o espelho do céu é o chão que se quebra,
quem lê as palavras que o tempo celebra?
A teia do real, tecido sem cor,
é feita de névoa, silêncio e ardor.
Nela os números cantam, os ângulos oram,
as letras se curvam, as formas devoram.
No olho do ciclo que nunca termina,
há um ponto imóvel que tudo domina.
Mas quem o percebe? Quem nele repousa?
O sábio sem rosto ou a estrela que pousa?
Sete são os portais e doze os sopros,
mas qual é o nome que habita os próprios?
Se a rosa gira e jamais se fecha,
qual mão invisível a forma e a deixa?
Há ouro no vento e sal nas estrelas,
há mapas gravados na pele das velas.
E quem decifrá-los, será como um rio:
fluido, sem margem, sem tempo, sem fio.
O que tudo contém
mas nada é, quando o tudo convém?
Sussurre o enigma ao silêncio que paira,
e a Chave surgirá onde o eco não falha.
