Poemas sobre o vento
Quero viajar no tempo
Sobre céu que nos cobre
Mais rápida que o vento
Nos ponteiros do relógio
Sobre o quinto elemento
Como é bom tocar o céu
Quando se está dormindo
Na caneta ou pincel
Os sonhos vão surgindo.
- Israel Lima
Parar... Sentir... Por um momento
O movimento sutil do vento
Que toca a folha e faz cair
O ciclo eterno se repetir
Em cada dia, uma sensação...
Mudamos junto com a estação
A natureza grita, tirando o sono
Ela diz... Venham ver o Outono!
Talvez você não seja mais que isto: alguém,
de costas, tenta acender um cigarro ao vento.
E há este oceano abstrato que vem bater em nosso quarto.
É preciso cuidado, não são poucas e são altas suas ondas;
escuto, mas quem compreenderia a valsa monocórdia
dos afogados, feita de uma boca intraduzível?
O vento dispersa o que eu diria, não chego
a você, a seus ouvidos; assim também minha mão
que desmorona antes de alcançar seu rosto onde
do que entre nós alguma vez foi nítido embaraçam-se
os fios; o vento derrama seus olhos para longe,
dessalga e seca nos meus a hipótese da queixa;
vento da noite, que espalha suas pedras negras
no imenso metro entre nós.
Talvez o mundo mais perfeito seja apenas isto:
você, enfim, acende seu cigarro.
Recomece seu caminho
Seu amor se foi com o vento
Deixou escorregar na escuridão
Escapar na imensidão
Morrer no pensamento
Nas lágrimas se afogou
Seu desespero parou
O peso aliviou
Na chuva se molhou
Garota erga sua cabeça
Sorria de leve
Sua vida celebre
Seu caminho recomece
Seu jardim refloreça
Nessa terra celeste
Veio a noite, o vento,
a lua que se esconde,
uma estrela cadente,
que brilha de repente
e tão longe...
veio a noite, a mesma de sempre,
na escuridão de ausências
"O Tempo é o arrebato sutil
do inesperado vento.
O Tempo é o despir da alma
do que já não faz falta.
O Tempo é enxurrada
que leva o desalento.
O Tempo é o sopro divino
que dita nossa Sina."
"O Tempo"
CORTEZÃO, Marta, B. "Banzeiro Manso. Gramado (RG): Porto de Lenha Editora, 2017.)
NEM SAUDADES DE TI...
Deixo-me arrastar pelas águas
Sinto o vento me acariciar o rosto
Sou parte de toda a vida que me cerca
E nem saudades de ti, meu bem, eu sinto...
Sou completude de mim mesma
Tuas longetudes não me afetam
Tuas ausências já não podem me ferir
Porque estou sendo arrastada pelas águas
Águas azuis de um córrego manso.
Deixo-me embalar pela aragem fresca
Um cheiro de paz chega-me às narinas
A vida, por hora me fascina
Sou satisfação, assim, arrastada pelas águas
E nem saudades de ti eu sinto meu amor
Nem saudades...
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
DIANTE DE TI PARA SUPLICAR
Com lágrimas enxugadas pelo vento,
Ponho-me diante de ti para suplicar,
Quero te dizer que meu intento,
Nem por um momento tenta duvidar!
Que das tuas mãos vêm a cura,
De tudo que preciso para continuar,
Ainda que pareça loucura,
Não tenho motivos pra deixar de confiar!
Tu que tens os olhos tão distantes,
E conhece-me como ninguém,
Sabe dos meus pleitos muito antes,
Que eu os confesse para alguém!
Hoje de ti quero apenas um abraço,
Já não sei o que faço pra tentar melhorar,
Mas permita -me tirar um pedaço,
Da tua atenção que me faz suplicar
Quisera a minha súplica poder te alcançar,
Ouvir a tua voz tão lúdica e acreditar nessa quimera,
Pudera as notas da tua música me acalmar,
Conter esse ímpeto que vocifera!
Eis que um líquido escorre na minha fronte,
E do meu corpo se apodera,
É o bálsamo que vem da tua fonte,
O refrigério que a minha alma tanto espera!
Rodivaldo Brito em 10.02.2019
Papel Escuro
Tudo esta como uma folha de papel
Se vier um vento forte pode levar
E o papel pode até escurecer
Antes de voar pode se cortar
Se não se cortar pode até se rasgar
Se voar não volta.
Não tem conserto é um papel
É frágil,que com um gota de água
Pode se esfarelar, é tão mole
Que com um puxão pode rasgar
É muito difícil entender
Mais o resultado é não desistir
Lutar é a melhor opção.
Ser forte para não se rasgar.
Crescer para não voar
Entender para não escurecer
Lutar para ganhar
Esforçar para nunca se esfarelar.
A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.
E em nós depõe do que se deu à obra
somente o modo de não sentir o tempo,
senão no ritmo interior de a sombra
passar à transparência do momento.
Mas um momento de que baniram horas
o hábito e o jeito de estar vendo
para muito mais longe. Para de onde a obra
surde. E a velhice nos ilumina o vento.
- O céu está coberto de um cinza azulado, um vento fresco e árido, açoitando levemente as grandes e fortes rochas, em questão de minutos o céu oriental se tornou uma conflagração de âmbar flamejante, as colinas crescia contra ele, que então despejava uma brilhante luz acobreada, com água incendiada, essa luz percorreu o flanco da colina e o terraço, envolvendo-os em flamejante radiação fazendo com que a linda flora ter pulado pra vida; então o sol apareceu no cume de uma montanha e a terra acordou com um eco sussurrante.
A luz natural atravessa a janela quebrada
ilumina a sala mais também deixa o vento correr livre.
As infiltrações das paredes refrescam o interior da casa
e a compromete mais a cada dia.
O filho do rico usufrui simplesmente de tudo.
O filho do pobre sofre e trabalha a vida inteira para conquistar
o que o filho do rico já nasceu tendo.
No final de tudo quando o infeliz consegue chegar perto do seu ideal,
já esta velho, desgastado pela vida.
Não usufrui e gera uma nova geração de cabeças incapazes de valorizar
o trabalho que lhes possibilitaram tudo aquilo.
ROBSON SEVERO
Saudades.. Outro dia senti saudade de você
E de mim
Senti falta do tempo
Do vento
Das flores
Do canto e do encanto
Senti saudade da chuva
Do sono
Do sonho
Do ronco .. E até do pranto...
Senti saudade de Deus
Da vida e do amor
Senti saudade do beijo que ficou.. Do presente que findou
Do futuro chegou.. E da vida que passou...
@marcosmagno_
Alma corroída 1986
Meu amor por você se foi
O vento levou o sentimento
Simultâneo árduo momento
Não há nada mais que pensamento
Coração formado de pedra
Deixei você e despertei a fera
Por mais que eu busque a bela
Saia agora da minha mente
Sua falsa serpente
Esta corroendo minha alma
Está me envenenando com calma
Morrendo estou por dentro
Me matar é um jogo lento
Só que a você é satisfatório
IDENTIDADE
Sensação de outono.
Em que folhas soltas
ao vento se perdem leves,
em total desapego.
É quando me percebo
mais amiúde, transmutada.
Sempre em profusa doação,
me acompanho: adubo da terra,
úmido limbo, absorvido
pelas pedras, sal e lama.
Entregue às estações,
desprendida, aceito o ciclo
da regeneração.
Tudo sentindo, fundo.
E ao sentir, espalho palavras,
assim como as folhas ao vento.
Renovo-me.
Assim sou parte.
Há doces amores
que não se revelam,
apenas flutuam
ao sabor do vento,
e por onde vão,
bordam quimeras
Há doces amores,
que sonham em luas e sóis,
envolvem-se nas tramas do tempo,
espreitando outros amores
em docesesperas
O Andarilho
Enquanto um carro passa apressado
e lhe banha o corpo com uma rajada de vento,
ele atravessa uma ponte sobre um pequeno riacho
e para por um instante,
olhando a paisagem.
Ele segue seu caminho!
Passa por pequenas propriedades rurais
e avista um trator arando a terra no alto de uma serra:
_ Do que será aquela plantação?
Ele caminha...
Outro carro passa como uma flecha buscando um alvo
com o som no volume mais alto,
enquanto ele silencia para ouvir o solo de um canarinho
laranja como o entardecer:
_ Bom dia, Senhor Laranja!
Ele caminha...
Uma brisa lhe refresca e lhe dá fôlego,
mesmo com o sol ardendo e fazendo o asfalto suar.
Está muito quente,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele sente a dor de seus pés dentro da velha bota rasgada,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele caminha...
Ele caminha...
Crianças jogam futebol num pequeno campo de terra
com traves de bambu amarradas com corda,
ele para e observa.
E depois de alguns minutos, ele segue sua jornada,
ouvindo, ao longe, o grito de gol e a farra dos meninos.
Ele continua caminhando...
Na curva da estrada ele passa por uma casa branca
de janelas azuis abertas
e um velho cão vira-lata começa a latir,
correndo em sua direção.
Ele aperta o passo:
_ Sai! Vai deitar, Campeão!
O cão é distraído por duas motos que passam devagar
e ele já foi.
O cão o procura com olhos inquietos.
Outro carro passa
e duas crianças se viram no banco de trás:
_ Pai, para onde vai aquele maluco? De onde ele vem?
Ele caminha...
Ele passa por um pequeno vale
e para em frente uma cruz de madeira na beira da estrada.
Faz o sinal da cruz e uma prece:
_ Descanse em paz, meu filho. Logo estarei com você, mas não agora. Ainda não.
Ele segue seu caminho carregando algumas lágrimas no rosto sujo.
Ele caminha...
Livremente, ele caminha.
De lugar nenhum ele veio
e para lugar nenhum ele vai.
Ele somente caminha.
Livremente, ele caminha.
Velas sem vento
almas sem calma
encalham em sargaços
nas águas salgadas.
Algumas naufragam
soçobram em escolhos
só sobram sem escolha,
sem escolta,
poucas naus
– e nós.
