Poemas sobre o vento
Brevemente sabiá
Sabiá que desce a serra.
Vento que bate e alerta,
encobre o vale para contar
as boas novas que varrem a terra.
Será dia, ou noite cria essa conversa?
Tarde é a semana, e os dias que moldam
esse plano de metas?
Vai saber, quem sabe é o sabiá,
doido para voar nesse tempo de
certezas incertas.
Eu vejo o vento bater na porta, vejo ela se abrindo lentamente enquanto tento encarar a dualidade da minha vida mundana, enfrentar o fato de que já não posso mais me esconder de mim mesmo, o mesmo vento que outrora soprava e empurrava cada vez mais a minha porta para que minha alma viesse uma face de desgosto e desapontamento, uma tragédia infundada da qual eu não consegui escapar por meios triviais e frívolos. Ela olhou pra mim e eu a olhei de volta... Apesar da aparência mórbida, um semblante completamente apático sobre tudo e todos, ela sorriu e um som pôde ser ouvido.
Um ranger dos músculos em sua face, abismado eu retribui o sorriso mas... Aquilo representava uma única coisa, a mim mesmo em seu estado mais insano, irreal e ilusório. Arrependido e culpado era o sentimento entretanto não durou-se muito, assim que o porta fora escancarada minha dualidade ia se esvaindo assim como um papel queimado, restando apenas cinzas e uma sensação de desconforto porém... Auto conhecimento? São coisa difíceis de serem explicadas e postas sobre a mesa, existem várias versões de você mesmo para cada pessoa, contudo somente você sabe quem realmente é e suas faces.
Melancólico eu sei
Belo talvez
Mágico? Não, mas certamente proposital.
o dia que o vento soprou tão forte, eu não pude evitar de querer sentir aquela força que ele tinha. Ainda vi uma enorme onda vindo diretamente em minha direção, aquele dia foi um completo caos, pessoas mortas e desabrigadas, a natureza é algo que o ser humano nunca vai vencer, não importa o quanto tente, chega a ser óbvio que uma descida ingrime é impossível de se descer normalmente.
Via pessoas desesperadas querendo uma saída de algo que já tinha sido predestinado á acontecer, olhei com desprezo aquela cena, eu apenas via demônios perseguindo cada uma delas dizendo que elas não teriam um bom fim, quando alguém diz na sua cabeça que já não tem mais volta, talvez não tenha mesmo. O que eu quero dizer é que as tragédias são como problemas impossíveis de se solucionar naquela hora e quando não solucionados, deixam cicatrizes terríveis.
Vento que venta
Vento que venta lá, venta cá
Dois pesos
Duas medidas
Duas almas aflitas num jogo de azar
## A Sinfonia da Natureza
Ah, o vento! Mensageiro sutil,
Com sussurros secretos, a alma ele acalma.
Traz consigo histórias que a natureza esculpiu,
Em folhas que dançam, em rios que correm, em nuvens que se movem.
O sol, em seu abraço, calor e luz derrama,
Na pele, um carinho que a alma acende.
Em cada raio, um toque, um despertar,
A vida pulsa, a esperança renasce.
E quando a chuva cai, em gotas que descem,
É como se a terra suspirasse, em alívio e paz.
Lavando a poeira, purificando o ar,
Renovando a alma, a esperança a florir.
Nos momentos simples, a beleza se revela,
Em cores vibrantes, em aromas que encantam.
A natureza, em sua grandiosidade,
Nos presenteia com a vida em cada instante.
Então, vamos apreciar, com olhos atentos,
Cada nascer do sol, cada canto de um pássaro.
Em cada folha que cai, em cada gota de chuva,
A beleza se esconde, a vida se revela.
E assim, em cada instante, a vida se renova,
Com a sinfonia da natureza, que nos acolhe e nos encanta.
Em cada sussurro do vento, em cada raio de sol,
A vida pulsa, a esperança renasce, a alma se alegra.
Que engraçado
O vento é criança
Só hoje percebi
Sempre ao lado das folhas douradas
Seguem brincando num pega-pega sem fim
CÂNCER
das margaridas dobradas ao vento, ela é chuva que fertiliza o solo: sempre nutrindo e sobrevivendo. é ter um coração revigorante capaz de curar qualquer ferida. é ser família, casa que abriga e o cuidado que alguém precisa. regida pela lua, ela é lago movido pela emoção, correnteza pacífica perdida na imaginação. respira poesia, irradia alegria; sabe ouvir com a alma e sentir sem ser tocada. pode te ler como um livro aberto e guardar cada capítulo dentro do peito. o passado é seu amigo, mas só guarda nele o que for preciso: sua candura e lealdade não permite guardar mágoas. ela é das águas. sempre maré. sempre profunda. ás vezes cristalina, ás vezes neblina. menina-frágil-defensiva. luta dentro de sua concha para ser racional, quando é puro sentimento. no primeiro beijo já traça o firmamento. é sensível, generosa e impaciente ao mesmo tempo. coração do mundo, veio para plantar e preservar. para semear e deixar seu amor incondicional por onde passar.
Todo dia se repete
Jangada lançada ao mar
Vento soprando na costa
Jangadeiro vai pescar
O sustento da sua casa
Um peixe na maré rasa
Pra poder se alimentar
SEMEADOR
O poeta semeia palavras
Como quem joga cinzas ao vento
Colhendo seus poemas
Nas entrelinhas do pensamento.
O céu
A noite solar, o dia lunar
Água de prata ao mar
O vento que voa frio
O raio que nuvem partiu
O crepúsculo aos olhos
Resplandece as rochas negras
E os que desciam mórbidos
Ascendem às doces sedas
A suprema obra majestosa
Que tudo alcança, tudo vê
E a ti, nu, faz à mercê
De uma vasta nuvem gloriosa
As harpas da deusa estrelada
Cantam às flores azuis
E a bela deusa dourada
Fulgura em seu leito de luz.
A janela
O belo símbolo da esperança
A que traz a luz e o vento
E o doce riso da criança
O velho que olha de dentro
A moça que fica debruçada
Olhando as vidas da calçada
O pássaro nela se senta
E a beleza dali aumenta
Com seu mais puro canto
Olha para fora da janela
E faz dela a tua porta
Para um mundo de encanto
Curarás qualquer mazela
Ou árvore que cresça torta
Tu verás um outro lado
Poderás lançar o dado
Com a tua sorte a testar
E com o pássaro a cantar.
RABISCANDO AO VENTO
Ah!
Como amei, amei perdidamente,
Amando em lágrimas, em todo azul do mar,
Das dores me fiz crédulo,
E dos sonhos, meus versos de aflição...
Como amei, amei loucamente,
Bebendo do chão o orvalho da manhã,
E da noite o sereno da solidão,
Como poeta salmeei, versos de ausência...
Como amei, amei usando disfarces,
Para o aquecimento do coração...
Dê tudo vivi,
Rabiscando ao vento,
O que pulsava neste coração.
Jmal
Final do inverno de 2013
A ESPERA
Ouvem-se passos de alguém que nunca chega. Onde estará?
O vento começa a soprar ao leste, e encontra o oceano a oeste apenas depois de cruzar por montanhas e vales sem fim. É nesse longo caminho que o vento sopra por entre os cabelos da jovem, faz levantar o cachecol do idoso, leva para longe as folhas do outono.
O vento adquire experiência, aprende a conhecer os caminhos do mundo, viaja com os pássaros, vira brisa, tempestade e furacão. O vento torna-se verdadeiramente livre.
Ao fim, quando a longa jornada parece querer fazê-lo desistir, eis que o oceano aparece, imenso, majestoso e sem fim. Ar e água juntam-se em um só. Ondas começam a arrebentar na praia. Os passos silenciaram-se. Tudo agora é bonança.
A espera acabou.
Leve & Breve
E que o vento leve
embora, e tão breve,
tudo o que for breve,
e o que não for leve.
E a espera seja breve,
o coração mais leve,
e a alma se eleve,
pois a vida é breve.
Rodeio ao vento
Poetisa daqui
de Rodeio ao vento
em tempo de recolhimento
e pelo Médio Vale do Itajaí
cercada que têm me feito
todos os dias tranquilizada,
Num ânimo catarinense
de corpo, alma e coração;
O vento traz renovação
e areja as energias
para com novas poesias
trazer a sua doce paixão.
Rodeio Poética
Dia bonito no Centro
na cidade de Rodeio,
Aqui entre versejos
do vento está a poetisa
do Médio Vale do Itajaí;
As flores azuis do tempo
se abriram e estão
como o meu coração
que por ti está sorrindo.
(A nossa Rodeio poética
de azul vestida está luzindo).
O vento do mês de Junho
soprou a mais radiante
flor do Ipê-Rosa e levou
para as mãos de Deus.
In Memoriam a Irmã Guilhermina Heinzen.
As Aroeiras cantam doces
para mim junto com o vento,
Meu bonito envolvimento,
te espero sem contar o tempo,
O teu amor fundou em mim
Pátria, poesia e enredamento.
Celebro a Taquara
de pé que o vento toca,
os poemas que nela
a Lua ainda cultiva
e quero ver espalhados
por muitos lugares,
enquanto houver uma
Taquara a balançar
sombra e água nunca
haverão de faltar,
Para quem na vida sabe
observar nunca como
antes fez tanto sentido .
