Vento
Poema VI
"Lucro d'Alma'"
Todo tempo meu é como o vento. Passageiro me sinto a cada ano.
Ando sempre em vão me preocupando, como se fosse eu dono do tempo.
Ansiedade trás no peito só lamento, tornando nosso sonho sepulcro.
Lutando com o instinto de ser chucro eu expresso a alegria de falar.
Aprendendo a cada dia a caminhar.
Viver é Cristo e morrer é lucro.
Vou Ali ser Feliz.
Vou ali, a felicidade me sorri do outro lado da rua, cabelos soltos ao vento, cachos esvoaçantes, sorriso de luz na boca e um abraço apertado que me cabe dentro.
Ela me acena, faço leitura labial e leio
Um pedido para o amor.
Estou indo, atravessando por desilusões,
por amores interrompidos.
Caminho, não na certeza, mas na esperança de novamente ser feliz.
Vou ali, a felicidade estendeu as mãos.
Onde Não Há Interesse — Há Verdade
Há amizades que chegam como vento —
tocam, refrescam… e passam.
Mas a verdadeira não tem pressa:
ela escolhe ficar.
Não nasce do interesse —
nasce do encontro.
E, sem fazer alarde,
vai criando raiz onde quase ninguém vê.
Nela, não há necessidade de máscara —
o silêncio não constrange,
a palavra não precisa ser medida
como quem pisa em terreno frágil.
É presença que não cobra —
é ausência que não apaga.
O tempo não corrói o que foi feito
com verdade.
Amigo de verdade não disputa lugar —
celebra conquistas
como se fossem suas,
e segura a queda
sem anunciar que está ali.
E quando precisa falar duro, fala —
mas não para ferir,
fala como quem protege
o que não quer perder.
Não prende — acompanha.
Não exige — compreende.
Não usa — reconhece.
E assim, sem contrato, sem promessa dita,
permanece.
— Porque, no raro território da amizade verdadeira,
o outro nunca é caminho —
é destino.
— Paulo Tondella
Ah!!
Esse mar, de águas
cristalinas, de Marinhos Cavalos.
Velas ao vento,
embarcações a dentro
te navegar. Mar de ilusões,
de promessas para Iemanjá.
Garrafas com juras de amor lançadas ao mar.
Mar, de verde Esmeralda, que é raso.
Crianças brincam,
Pegam jacaré.
Nas areias fazem castelos de contos de sereias, e princesas.
Ah!!
Esse mar, mar de amor.
Mar de amar, de navegar.
Sereno mar.
O Soneto da Noite
A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.
Depois do getsêmani
No monte das oliveiras
a voz do vento é uma forma de oração,
talvez reboando aquela outra…..
assim como o silêncio do azeite
que corria mansamente até às ânforas
depois de passar pelo *getsêmani.
*Prensa de azeitonas.
De JoséAlberto Lopes
Sou barco sem rumo
Sempre a deriva
Pela tempestade de tua vida na minha,
Vento forte, devastador...
Vento das paixões tardias...
Por que de mim então fugías?
A ave alba dos meus sonhos
Deu- me adeus e foi embora
Chuva sempre mansa e constante
Coração derrete, amolece e esvazia
Na busca incessante dessa hegemonia
Na prática da louca fantasia
Que consome e incendeia
Mas que sublima e desfolha
Eterna noite chuvosa..
Que transborda o coração
Sossega essa alma lânguida...
Que a paz somente quer ter.
A gota de orvalho cai, e o sopro do vento revela que o tempo segue seu curso, um novo dia está por nascer. Ainda que a noite traga dores e o frio da madrugada nos envolva, persista. O amanhecer não apaga o passado, mas oferece a chance de recomeçar com mais sabedoria.
(Izaias Afonso)
Enquanto Ainda Há Vento
Quando o vento já não encontrar caminhos
E o sol se despedir do próprio brilho,
Quando o som se dissolver no vazio
E o silêncio reinar absoluto...
O que restará da viagem?
Que respostas nos aguardam após a travessia?
Haverá preço a pagar pelo percurso?
Qual será o peso das escolhas
E o valor das nossas ações?
Enquanto o sol ainda aquece os dias
E o vento insiste em soprar,
Há tempo, precioso e breve,
De viver com verdade,
De semear o bem sem medida,
De caminhar leve, sem dívidas na alma,
E de fazer da jornada
Um caminho digno de memória.
Porque, ao final,
Não levamos o tempo,
Levamos o que fizemos com ele.
Izaias Afonso
Os princípios são raízes que não se dobram ao vento. Os valores, folhas que dançam conforme a estação. Entre o imutável e o mutável, cresce a árvore do discernimento.
Encontra-se o sossego onde o vento sopra, os pássaros cantam e o verde da natureza silencia o mundo.
O vento é bem-vindo em qualquer lugar, mas no campo ele é especial. Ali, o silêncio nos permite ouvir não apenas o seu sopro, mas também o coro dos pássaros diante de uma vista sem fim.
Realidades
Em um mundo desilusório
o vento se desespera
a lua canta ao anoitecer
enquanto o sol lhe espera.
No mundo das ilusões
os pássaros cantarolam no jardim
e todas as aves vão voando
pra bem longe de mim.
Enquanto leio camões
vejo toda a soberania
de muitas decepções
e de muitas fantasias.
Eu ainda temo muito
e temo enquanto viver
mesmo com a realidade
ainda ponho-me a sofrer.
Em um mundo de historietas
e de crianças desobedientes
eu aprendo a dor mundana,
calada e inconsciente.
Vejo beleza no mundo
mas temo muito a sagacidade.
Preciso parar de pensar
e dar um fim na realidade.
"Durante muito tempo eu busquei um amor,
Eu escrevi meus melhores poemas
E joguei ao vento, mas eles sumiram no horizonte levados.
Eu sonhei estando pronto pro amor, eu quis me apaixonar.
Mas o tempo só me lançou pedras
Que empilhei pelo caminho, pavimentando meus sentimentos.
E o tempo passa como se tivesse pressa.
Eu me sentei, maduro, vivido, castigado pelo tempo,
E minha esperança era o que me restou
Em um coração desiludido do amor
Que nunca recebeu meus poemas que o vento levou.
Então olho fito para o horizonte
E sabem que eu nunca nasci pra amar,
Tal qual poeta solitário.
Me despeço do tempo que repousa lá longe no horizonte
Por onde meus poemas sumiram pra nunca mais voltar..."
Versos de um poeta
Por Marcio Melo
E se por acaso você quiser ficar,
que não seja por falta de estrada,
nem por medo do vento lá fora,
nem por dúvida disfarçada.
Fique porque o coração encontrou repouso,
porque o riso brota fácil, sem razão,
porque entre idas e vindas do mundo,
escolheu ancorar no mesmo chão.
Fique sem peso, sem pressa, sem prisão,
como quem pousa, não como quem se perde,
como quem ama com raízes livres,
e ainda assim, cresce e permanece.
E se por acaso você quiser ficar,
que seja inteiro, que seja sereno
não por acaso…
mas por vontade
Joyce Amanajas
