Izaiasafonso
A gota de orvalho cai, e o sopro do vento revela que o tempo segue seu curso, um novo dia está por nascer. Ainda que a noite traga dores e o frio da madrugada nos envolva, persista. O amanhecer não apaga o passado, mas oferece a chance de recomeçar com mais sabedoria.
A gota de orvalho cai, e o sopro do vento revela que o tempo segue seu curso, um novo dia está por nascer. Ainda que a noite traga dores e o frio da madrugada nos envolva, persista. O amanhecer não apaga o passado, mas oferece a chance de recomeçar com mais sabedoria.
(Izaias Afonso)
Há muitos que vivem buscando a felicidade a todo custo e, nessa busca incessante, perdem as pequenas felicidades que já possuem. Quando se dão conta, percebem que eram felizes e não sabiam, procuravam o que já tinham e deixaram escapar.
(IZAIAS AFONSO)
A ignorância humana é o fardo silencioso que pesa não apenas sobre quem a carrega, mas também sobre aqueles que partilham a caminhada.
Escravo é quem se prende ao passado e à própria ignorância, incapaz de viver o presente e de extrair qualquer prazer das lembranças que o aprisionam.
Linda morena.
Não há como vê-la e não desejar, não há como se aproximar e não querer um abraço. Não há como olhar em seus olhos e juntamente contemplar essa boca tão linda, e não querer beijá-la.
Entre Estações
Não sei explicar.
Mas ao te ver, sinto alegria e tristeza,
contentamento e desalento.
És calor e frio ao mesmo tempo,
luz que também é escuridão.
És inverno e também verão,
és chuva leve
poeira pura que se ergue do chão.
És amor,
lâmina invisível,
que em silêncio
corta meu coração.
Se a vida me desse o dom de escolher, eu escolheria você em todos os tempos: no ontem que nos trouxe até aqui, no hoje que nos faz existir, no amanhã que ainda vamos viver… e no para sempre que habita em mim e em você.
Enquanto Ainda Há Vento
Quando o vento já não encontrar caminhos
E o sol se despedir do próprio brilho,
Quando o som se dissolver no vazio
E o silêncio reinar absoluto...
O que restará da viagem?
Que respostas nos aguardam após a travessia?
Haverá preço a pagar pelo percurso?
Qual será o peso das escolhas
E o valor das nossas ações?
Enquanto o sol ainda aquece os dias
E o vento insiste em soprar,
Há tempo, precioso e breve,
De viver com verdade,
De semear o bem sem medida,
De caminhar leve, sem dívidas na alma,
E de fazer da jornada
Um caminho digno de memória.
Porque, ao final,
Não levamos o tempo,
Levamos o que fizemos com ele.
Izaias Afonso
Dedicação
De que vale sonhar com o pódio
Se os pés recusam o peso do caminho?
A vitória não floresce no desejo,
Mas no suor que insiste em cair.
Querer vencer sem lutar
É iludir o próprio espelho;
E a conquista que nasce sem batalha
Carrega o vazio de si mesma.
Há quem escolha atalhos sombrios,
Chamando de conquista o que nunca foi digno;
Mas, ao fim da estrada,
A recompensa revela o seu verdadeiro nome.
Melhor seguir de mãos vazias
Do que carregar glórias manchadas,
Pois a honra não habita
Onde o esforço foi negado.
De Izaias Afonso
Algoz Invisível
O tempo não é amigo.
É algoz disfarçado de continuidade.
Não caminha comigo — me arrasta, me despedaça, me consome em silêncio.
Se ele soubesse que o desafio, talvez hesitasse…
Mas não hesita.
O tempo não pensa, não sente, não negocia.
Ele apenas avança — indiferente, brutal, absoluto.
Eu não conto com ele. Eu o confronto.
Mas ainda assim ele me atravessa todos os dias como lâmina invisível.
Se eu quero algo, ele me responde com demora.
Se eu espero, ele me pune com pressa.
Se eu imploro, ele ri na forma do atraso.
Sou seu inimigo sem poder vencê-lo.
Ele é meu juiz sem ter sido eleito.
E ainda assim ouso perguntar:
Se eu pudesse dobrá-lo, seria liberdade ou tirania?
Se eu o dominasse, eu ainda seria humano — ou apenas outro tempo, frio e sem culpa?
Talvez o verdadeiro desespero não seja o tempo passar…
Mas perceber que nada nele precisa de nós para continuar.
Se as estações fossem justas, eu desconfiaria.
Se a primavera fosse perfeita, eu temeria seu veneno escondido.
Se o inverno tivesse piedade, eu chamaria isso de mentira.
Porque nada que é absoluto pode ser inocente.
Tempo, você não é idêntico.
Você é guerra constante contra tudo que insiste em existir.
E eu não me curvo — não porque sou forte,
Mas porque já estou sendo quebrado.
Izaias Afons
