Urbano
Eu amo esse contraste entre o urbano e o natural, a calmaria dos pássaros se misturando às rotinas caóticas dentro dos apartamentos.
A mãe que corre para levar o filho à escola.
A senhora que acabou de receber a visita da filha para um café.
O CEO estressado com as reuniões do dia.
O casal que vibra com a notícia de um bebê a caminho.
Enquanto isso, as folhas das árvores balançam lentamente com a brisa de uma manhã nublada.
Contraste.
É ele que nos faz perceber o quanto tudo é paralelo, vidas inteiras coexistindo em tempos e mundos diferentes.
Enquanto uns sorriem, outros choram.
Enquanto o mundo gira em sua rotina incessante e cansativa,
a natureza permanece plena, intacta,
sempre disposta a nos acolher na calmaria.
Contraste.
O que nos move e nos desperta gratidão.
Sem ele, talvez nunca perceberíamos a diferença entre o caos e a paz.
E é por isso que eu o amo tanto.
Respira… há um universo inteiro de paz ao seu redor.
"Por ti o povo todo ouço despertar e há aquele urbano movimento onde nada há de se calar por um momento e onde eternamente, nós existiremos, juntos, ocupando a arte que é pública, tão nossa. No verso da folha de ordem de prisão, ainda sim versamos, resistimos, livres. Livres e selvagens."
O urbano, o vento, o silêncio e um olhar observador sobre o espaço à sua frente, pronto! A arte se impõe.
A censura, a mentira, o barulho e um olhar intolerante sobre o fato à sua frente, pronto! A cizânia se impõe.
"O valor de um trilhão é medido pela capacidade de transformar o caos urbano em harmonia produtiva, sem sair do nosso solo."
"O solo urbano não guarda apenas concreto e fundações; ele guarda padrões, dados e coordenadas de comportamento. O erro da incorporação tradicional é tentar adivinhar quem é o comprador, quando a própria geolocalização do solo já revela onde a demanda está latente. No mercado imobiliário de alto ticket, a sorte é apenas o pseudónimo de quem não possui infraestrutura de dados."— Paulo Leads
A perda das línguas nacionais é um fenómeno urbano, concentrado em Luanda. Nas províncias de Angola, línguas como o umbundu, kimbundu, tchokwe e kikongo são as mais faladas no dia a dia pela maioria da população. Agora, tratar Luanda, como a totalidade do país é um erro de análise.
Cair de uma Flor
O homem urbano, no concreto
pulou do prédio.
O homem se foi.
Quis adocicar a essência.
Ele se foi por isso.
Partiu para sempre.
Afundou no buraco que caiu.
Buraco ele deixou, há muitos
na rua, na vida nem se fala.
Levou almas, lágrimas,
elas preencheram a cova
que ele formou.
Seu peso na vida foi grande.
Penosa estrada curta.
Era jovem, 17 anos.
Homem de nascença,
menino de idade,
criança de ser.
Ah, como todos nós
somos crianças.
O edifício era comprido,
tocava o céu.
Por entre as escadas
ele chegou às nuvens.
Nuvens onde dança anjo,
escorrega na chuva,
que molha e revive.
Nasceu de novo, graças as gotas
que caem pouco a pouco ao chão.
Tocam pessoas restantes,
bebem dessa água e se nutrem.
Partiu o homem, todos irão.
Todos ficam aqui, ali, lá.
Bem ao longe, eu vejo o homem,
todos os outros homens que se guardam
e sofrem. Pelo mundo ser sofrido.
Não mais restam olhos.
Boca se foi, saliva secou.
Abraço foi só em uma caixa.
Descida na terra magra e seca.
Seca com verme, seca com dor
tanta dor.
Encharcada por saudade.
Deixada por medo
Foi para sempre.
Não mais volta.
Claro que volta!
Volta no sentir,
na falta que faz
Nas lembranças nas quais
nunca se vão.
Uma das formas de fazer com que o imbecil anti cívico atire com o lixo para o cesto urbano é colocar no mesmo caixote um autocolante com a inscrição "Chão".
Os atos violentos no meio urbano impedem que os brasileiros tenham acesso ao direito básico da segurança. Todavia, a violência não só impede que comunidade afetada sinta-se segura, mas também estimula que jovens se percam no caminho das drogas, assim como faz o preconceito com determinadas classes sociais aumentar, em razão de vivem em ambientes perigosos. Enquanto a palavra "agressão" conviver junto com a sociedade, nossa nação perderá inúmeras mentes que poderiam transformar o espaço onde vivem, fazendo com que sejamos barrada na estrada do progresso.
Nascimento
Poema em homenagem ao missionário sacramentino Pe Ivo Urbano Moreira sdn)
É noite!
Chove lá fora,
sinto cheiro de terra molhada!
Ouço rumores, murmúrios,
revivo um nascimento.
é o amor de Deus,
molhando o mundo lá fora.
É noite!
Chove lá fora,
fico aqui a meditar!
Penso no impreciso, imprevisível,
angustio-me em intento a decifrar.
Quantas noites me perco, no infinito,
querendo a uma dedução chegar?
É noite!
Chove lá fora,
fico aqui a meditar!
Aconteceu em maio,
mês em que uma mãe concebeu.
Deu a luz um filho,
e que filho o seu?
É noite!
Chove lá fora,
Fico aqui a meditar!
( Poema dos escritos Fragmentos D'Alma Solange Malosto)
Não sigo a trilha
de versos regulares,
caburé urbano no ar,
no campo, na cidade, no vale…
À procura de versos
livres,
livres,
livres...
Tempo de mudanças retrocesso e perseverança.
Vidas corrompidas, fé abalada em meio ao caos urbano, papel picado e sonhos no chão.
Possibilidades em forma de repressão, violação, mais valia e descaso.
Toda via as Vidas seguem se equilibrando em poças de sangue, balas perdidas, contratos e leis contraditórias de uma justiça sega.
A fé é a munição que alimenta nossa arma vigorosa para adentrar esse matagal urbano na esperança de propor dias melhores.
O transito da cidade congestionada, é como o sangue que corre em minhas veias, sou urbano. O sol sob o pixe mal posto e esburaco pela chuva de um clima tropical com cheiro ruim, é minha pele. Sou o supra sumo do consumo, do gasto desenfreado pelo desnecessário. O cheiro de notas novas que saem junto ao barulho metálico dos caixas eletrônicos por toda parte. Sou as seis da tarde acompanhada do cheiro de combustível, inflamando seus pulmões, sou urbano, e gosto disso, não nego.
No sertão urbano
mais uma criança chora
de fome,
que já perdura
por uma semana.
A sociedade
segue indiferente.
Silêncio das
horas mais
agudas da noite.
A desigualdade
faz vítimas inocentes.
A periferia
alimenta
rostos sem formas,
gentes sem nome.
Mas outras crianças,
gulosas e
inconscientes
se empanturram
descontraidamente.
A alegria
burguesa
contrasta
com a tristeza
dos olhos cinzentos
e das bocas sem vozes
da vizinhança.
O choro desperta
o condomínio.
Nasceu mais um João
que ninguém esperava.
Mais um no meio
dessa multidão,
que calada,
ordinariamente
vive.
Mais um
sem esperança.
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