Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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Leproso - Uma carta ao leitor


Caro leitor,


Antes de qualquer coisa, gostaria que entendesse que *Leproso* não é um poema sobre uma doença. Pelo menos, não uma doença que possa ser curada com medicamentos ou tratada por algum médico.


A lepra que descrevo é muito mais profunda. Ela está na carne, mas também na alma, nas lembranças, nos arrependimentos e, principalmente, naquilo que carregamos dentro de nós sem sequer perceber.


Quando escrevi esse poema, quis retratar alguém que se encontra aprisionado em uma espécie de purgatório. Um lugar onde seu corpo apodrece, sua alma sofre e sua existência parece não ter fim. Mas não quero que você imagine esse lugar apenas como um cenário religioso. Quero que pense nele também como a própria mente humana.


Afinal, quantas vezes não nos tornamos prisioneiros de nossos pensamentos, lembranças, medos e arrependimentos?


O personagem que chamo de Leproso cometeu erros durante sua existência. Isso é certo. O que não sabemos é quais foram esses erros, tampouco se foram graves o suficiente para justificar tamanha condenação.


E ele também não sabe.


Imagine ser condenado a sofrer sem compreender exatamente o motivo. Saber que fez algo errado, mas não conseguir identificar o quê. Sentir uma culpa que não consegue explicar e procurar um perdão sem sequer saber pelo que deveria pedi-lo.


É justamente essa angústia que eu quis representar.


Logo no início, descrevo uma alma aprisionada em seu próprio corpo. Seus gritos percorrem sua espinha dorsal, mas não conseguem escapar de sua boca amordaçada.


Essa imagem não fala apenas de alguém impossibilitado de gritar. Fala sobre todas aquelas vezes em que estamos sofrendo, mas não conseguimos colocar em palavras o que sentimos. Sobre querer desesperadamente ser ouvido e, ao mesmo tempo, não conseguir se abrir com ninguém.


Às vezes, a nossa própria existência se torna uma prisão da qual não sabemos escapar.


Depois, aparecem as feridas, as moscas e os vermes.


Talvez essa seja uma das partes mais importantes do poema para mim, porque não estou falando simplesmente de decomposição.


**As moscas e os vermes são pessoas.**


Pessoas que se aproximaram de alguém ferido e, em vez de ajudá-lo, encontraram uma oportunidade de tirar alguma coisa dele.


Pessoas que consumiram seu tempo, seu carinho, sua dedicação e seu amor. Que receberam tudo o que ele tinha para oferecer e continuaram exigindo mais, mesmo quando já não restava quase nada.


Mas existe um detalhe que faço questão de destacar: o Leproso permitiu que isso acontecesse.


Não porque gostasse de sofrer, mas porque amava aquelas pessoas. Porque tinha medo de perdê-las. Porque a solidão lhe parecia assustadora. E, talvez o mais triste de tudo, porque acreditava que não merecia ser tratado de maneira melhor.


É difícil admitir, mas às vezes aceitamos coisas terríveis simplesmente porque temos medo de que, ao dizer não, deixem de nos amar.


Às vezes nos convencemos de que, se dermos mais um pouco, se suportarmos mais uma dor, se perdoarmos mais uma atitude, finalmente seremos valorizados.


Só que nem sempre isso acontece.


E é por isso que os vermes continuam se alimentando, até que não reste mais nada. Depois, passam a devorar uns aos outros, porque a natureza daquelas relações continua sendo destrutiva, independentemente de quem esteja sendo consumido.


Quando digo que o último verme se empanturra, quero representar justamente isso: o Leproso não consegue determinar o próprio limite. Ele permite que os outros continuem até que estejam satisfeitos.


E uma das coisas que precisará aprender é que amar alguém não deveria significar permitir que essa pessoa o destrua.


Mas não quero que você pense que ele é apenas uma vítima.


Essa seria uma interpretação muito simples para aquilo que tentei construir.


O Leproso também cometeu erros. Talvez tenha machucado pessoas. Talvez tenha sido egoísta, cruel ou injusto em algum momento de sua vida. Talvez tenha feito coisas das quais se envergonharia profundamente se conseguisse se lembrar delas.


Nós não sabemos.


E é importante que não saibamos.


Porque não quero que você decida facilmente se ele merece ou não sofrer.


Quero que você se pergunte se o sofrimento que alguém recebe é necessariamente proporcional ao mal que cometeu.


Será que uma pessoa que errou merece ser castigada para sempre? Será que toda punição imposta por uma autoridade deve ser considerada justa? E será que sofrer verdadeiramente significa estar arrependido?


Para mim, existe uma diferença enorme entre essas duas últimas coisas.


Alguém pode implorar para que sua dor termine sem jamais compreender o mal que causou. Pode pedir perdão apenas porque não suporta mais ser castigado, e não porque realmente se arrependeu.


O Leproso precisa descobrir seus erros, reconhecê-los, arrepender-se e, principalmente, encontrar uma maneira de perdoar a si mesmo.


Mas como alguém pode se perdoar por algo que ainda não consegue compreender?


E se, quando finalmente descobrir quem realmente é, passar a se odiar ainda mais?


Esse é o verdadeiro medo do personagem.


Não são os vermes. Não são as feridas. Nem mesmo a entidade que o condenou.


**O maior medo do Leproso é descobrir quem ele realmente é.**


É nesse ponto que entra uma das minhas inspirações para o poema: *Silent Hill*. Sempre me interessou a ideia de que os monstros e os ambientes horríveis podem representar algo que existe dentro das próprias pessoas. Que o verdadeiro terror não precisa estar diante dos nossos olhos, mas escondido em nossas lembranças, na culpa e naquilo que tentamos esquecer.


Por isso, o corpo do Leproso apodrece enquanto sua alma também se deteriora.


E é por isso que digo que nem a morte poderá sanar sua dor.


Porque não se trata de uma enfermidade puramente física. Morrer não resolve necessariamente aquilo que ainda permanece dentro de sua consciência.


Mas existe outra figura muito importante nessa história: seu juiz.


Eu nunca digo exatamente quem ele é, e isso foi proposital.


Você pode interpretá-lo como Lúcifer, como Deus ou como alguma outra entidade superior. Pode até enxergá-lo como a própria consciência do condenado.


Essa entidade conhece os erros do Leproso. Sabe o que ele fez e por que está sendo punido.


Entretanto, não sabemos se ela é justa.


E nem mesmo sabemos se pretende libertá-lo algum dia.


O condenado espera que, ao compreender seus pecados e alcançar o verdadeiro arrependimento, talvez consiga conquistar algum perdão.


Mas ninguém lhe prometeu isso.


Talvez exista salvação. Talvez não.


Talvez seu juiz esteja esperando que ele se transforme. Ou talvez simplesmente não se importe com seu sofrimento.


E aqui existe algo que me incomoda profundamente e que também quis transmitir no poema: se uma entidade possui o poder absoluto de condenar e de perdoar, isso significa que todas as suas decisões são necessariamente justas?


Se Deus é misericordioso, por que permitiria um sofrimento aparentemente interminável? E, se alguém cometeu erros, existe algum limite para o castigo que merece receber?


Não estou tentando afirmar que Deus é mau ou que Lúcifer é o verdadeiro responsável por tudo.


Estou apenas questionando.


Foi justamente por isso que escolhi terminar com:


**“Pela própria lepra de Vosso Mal?”**


Utilizei “Vosso” para trazer um tom de reverência, como se estivesse me dirigindo a uma entidade superior. E escrevi “Mal” com letra maiúscula porque queria que ele pudesse representar algo maior do que a simples maldade humana.


A pergunta é proposital.


Afinal, de quem é essa lepra?


Do homem que cometeu seus pecados?


Das pessoas que o consumiram?


Ou da própria entidade que o condenou?


Talvez seja de todos.


E existe ainda uma última coisa que gostaria que você considerasse.


O Leproso não precisa necessariamente conquistar a liberdade de seu juiz para começar a se libertar de si mesmo.


Talvez um dia consiga compreender os próprios erros, arrepender-se de verdade e deixar de acreditar que merece ser destruído por aqueles que ama.


Talvez consiga aceitar que foi responsável por algumas dores, mas que também sofreu injustiças.


Que ter machucado alguém não significa merecer ser machucado para sempre.


Que amar não é se sacrificar até desaparecer.


E que se perdoar não significa fingir que nunca errou, mas reconhecer o que fez sem permitir que seus erros sejam a única coisa que define sua existência.


Mesmo assim, nada garante que seu juiz vá absolvê-lo.


E talvez essa seja a parte mais cruel de toda a história.


Ele pode finalmente encontrar paz consigo mesmo e, ainda assim, permanecer aprisionado.


No fundo, o que tentei escrever foi um poema sobre a dificuldade de viver com nós mesmos. Sobre os erros que cometemos, as pessoas que nos ferem, as culpas que carregamos e a necessidade quase desesperada de encontrar algum sentido para nosso sofrimento.


A lepra é apenas a forma que encontrei de dar um corpo a tudo isso.


E o Leproso não precisa ser uma pessoa específica.


Talvez exista um pouco dele em qualquer pessoa que já tenha se culpado por algo que não compreendia, aceitado menos amor do que merecia ou passado tanto tempo tentando agradar aos outros que acabou esquecendo de si mesma.


Não quero que você termine essa leitura sabendo se o condenado é inocente ou culpado.


Não quero que saiba se seu juiz é benevolente ou perverso.


E muito menos quero que tenha certeza de que existe uma salvação esperando por ele.


Quero apenas que se pergunte até que ponto somos responsáveis por aquilo que nos tornamos, quanto sofrimento realmente merecemos por nossos erros e se é possível encontrar liberdade quando ainda não conseguimos nos perdoar.


Porque, talvez, o verdadeiro purgatório não seja um lugar para onde vamos depois da morte.


**Talvez seja um lugar que construímos dentro de nós mesmos, enquanto ainda estamos vivos.**


E talvez a parte mais difícil de sair dele seja justamente descobrir que a porta sempre esteve ali, mas que nunca soubemos se tínhamos o direito de abri-la.


Com carinho,


LFF

Leproso


Uma alma ímpia permanece aprisionada,
Em seu invólucro carnal.
Gritos que ecoam por toda espinha dorsal,
Não escapam de sua boca amordaçada.


Feridas irrompem por toda a epiderme,
Onde moscas malditas hão de se banquetear.
Roer-lhe-ão a carne; depois, roer-se-ão sem findar,
Até que se empanturre o último verme.


Execrável existência, fadada a penar!
Foste condenado a viver inerme,
Enquanto em tua alma se multiplica o germe
De uma dor que nem a morte poderá sanar.


Mesmo que eleves uma súplica final
Para que sejas libertado,
Hás de viver para sempre assolado
Pela própria lepra de Vosso Mal?

Inverteram a lógica: a esquerda ensinou uma parcela da população a odiar o pagador de salários e a aplaudir o cobrador de impostos.

“O silêncio mora dentro do vazio.
E o vazio é o lugar onde uma presença continua existindo, mesmo depois de partir.”

"Somos produtos, em meio uma natureza devastada."

Tenho uma pessoa que me arranca facilmente um sorriso.
ela faz meu dia melhor.
ela me cuida tão bem.
ela é linda o tempo todo.
até mesmo quando ela não quer,
ela é linda.

Te Cuida

Sempre tive prazer em cuidar de você
Vigiar e orar por teus passos.
Nunca foi uma proteção excessiva
Era um cuidar pra te ver feliz.
Agora não te cuido mais.
Mas te cuida por favor.
Te cuida bem.
Não é por que estás longe
Que não te quero bem.

“O ouro que o mundo oferece não vale o peso de uma alma em paz”

“Uma mesma estrela pode guiar um viajante e cegar outro; nem toda a diferença está na luz, às vezes está nos olhos que a contemplam.”

A noite é uma criança pra quem tá na pista sabendo exatamente onde quer chegar amanhã.

Jeremias 32:40

E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.

“A aliança de Deus não é temporária: Seu amor permanece, Seu cuidado continua e Sua presença nunca abandona”.

Lucas 17:24

Porque, como o relâmpago, que faiscando desde uma parte do céu, resplandece até outra parte do céu, assim será também o Filho do homem no seu dia.

"Brilhante como o relâmpago, inevitável como o Seu dia. Oh! Maranata, ora vem, Senhor Jesus."

Lucas 1:37

Porque para Deus nada é impossível.

“O impossível não é uma barreira para a onipotência do nosso Deus, mas um degrau para o fortalecimento da nossa fé e para contemplarmos os milagres que Ele realiza!”

"UMA DAS MAIORES VIRTUDES DE UM LÍDER NÃO É RECONHECER OS
PROPRIOS ERROS E APRENDER COM ELES, MAS RECONHECER QUE É
INCAPAZ DE TOMAR CERTAS DECISÕES E, POR ISSO, BUSCAR AJUDA
ANTES DE DECIDIR.
UM LIDER NÃO ACERTA 100% DE SUAS DECISOES;
CERTAMENTE COMETERÁ ERROS EM PARTE DELAS.
PORTANTO, CERQUE-SE DE PESSOAS QUE SABEM MAIS E
POSSUEM MAIS EXPERIÊNCIA DO QUE VOCE, E QUE NÃO
CONCORDAM COM TUDO O QUE VOCÊ PENSA
ELAS SÃO INDISPENSÁVEIS PARA A TOMADA DE DECISÃO DE UM LÍDER."

A tua voz embeleza a manhã, Lábios cor-de- maçã, Sedução nada vã, O sonho flui de uma forma que já até sinto o teu aroma de hortelã.

Querendo viver

uma vida normal

ouvindo o som

de Miss Anthropocene

na minha sala

ao redor deste

isolamento social,



Parece piada

por aqui eu li

que 'o dilema

é bíblico',

há quem defenda

trabalhar,

há quem defenda

ficar em casa,

e até agora nada

está resolvido;



Apenas o quê

me resta é

ficar reclusa,

dançar a música

na mais plena

figuração

da linguagem,

escrever poemas

sobre a Lua

para não morrer

de doença

ou ir para a cadeia,



Esperando sigo

perguntando

qual será a próxima cena,

porque quem lambe

a borda da taça,

a alma não cala

e não busca

por 'indulgência' barata.

O nosso país é sério, apenas uma considerável parte dos detentores do poder fazem dele uma piada.

⁠Tocam no Universo
como uma partitura
as asas do Condor,
não consigo da Lua
e nem das estrelas
que quero só meu
o teu infinito amor.

Inti me presenteou
constelações incas
que lembram no céu
a beleza do teu olhar
e a nobreza do amor
que estou a cativar
neste mundo a girar,
e que insistem parar.

Fortes são as minhas
cordilheiras que criei
para ninguém tentar
tocar em tudo aquilo
que é de inspiração
e na eterna canção
que irá nos embalar.

O amanhecer será
nosso e indomável,
a última ópera fiz
questão de escutar,
e toda hora vivo por
dentro a me preparar
para quando o amor
vier a nos encontrar.

Sem mimimi e sem desculpa: quem quer dá um jeito, quem não quer arruma uma justificativa.

Passei demasiado tempo
à porta de uma casa
que juravas estar a construir.

Levei comigo
paciência,
planos,
amor.

Nunca quis paredes perfeitas.

Só queria sentir
que não era a única
a tentar fazer dali
um lugar para ficar.

Mas há promessas
que, de tanto serem repetidas,
deixam de parecer futuro.

E começam a parecer ausência.

Um dia percebi
que já não estava à espera
que mudasses.

Estava apenas cansada
de esperar por alguém
que só existia
nas coisas que prometias ser.