Leproso Uma alma ímpia permanece... LFF

Leproso


Uma alma ímpia permanece aprisionada,
Em seu invólucro carnal.
Gritos que ecoam por toda espinha dorsal,
Não escapam de sua boca amordaçada.


Feridas irrompem por toda a epiderme,
Onde moscas malditas hão de se banquetear.
Roer-lhe-ão a carne; depois, roer-se-ão sem findar,
Até que se empanturre o último verme.


Execrável existência, fadada a penar!
Foste condenado a viver inerme,
Enquanto em tua alma se multiplica o germe
De uma dor que nem a morte poderá sanar.


Mesmo que eleves uma súplica final
Para que sejas libertado,
Hás de viver para sempre assolado
Pela própria lepra de Vosso Mal?