Uma carta em Forma de poema de Amizade

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Sabia que ninguém é de ninguém?


A gente tem essa forma errada de achar que tudo é para a vida toda.


Mas, até nas ruas, está cheio do sexo oposto, podemos sempre nos apaixonar por outros, sem nunca tocar naquela pessoa.


Por já ter um compromisso.


Mas, nós humanos somos movidos por isso.

Eu descobri que cultivar plantas no quintal é uma forma sofisticada de enlouquecer com elegância. Porque veja bem, enquanto tem gente colecionando problemas, eu coleciono folhas, raízes, frutos e uma esperança diária de que a vida, pelo menos ali, obedeça algum tipo de lógica. E obedece. Planta não mente. Ou ela cresce, ou ela morre. Simples, direto, quase ofensivo de tão honesto.


No meu quintal tem de quase tudo, e eu falo isso com o peito estufado de quem virou praticamente uma fazendeira de um metro quadrado. Tem fruta que eu mesma já nem lembro quem plantou, se fui eu num surto de motivação ou se foi o vento sendo mais competente que muita gente. Tem erva pra chá, e a minha querida cidreira que, diferente de certas pessoas, me acalma de verdade. Basta eu chegar perto, amassar uma folhinha e pronto, já sinto como se o mundo tivesse pedido desculpa por existir.


E o mais curioso é que cuidar dessas plantas me ensinou mais sobre a vida do que muita conversa profunda por aí. Planta não cresce no grito, não responde à pressa, não floresce porque você está ansiosa. Ela cresce no tempo dela, no silêncio dela, na teimosia dela. E eu ali, regando, observando, aprendendo a esperar, coisa que a gente detesta, mas precisa.


Tem dias que eu converso com elas, confesso. Não por achar que vão responder, mas porque, de certa forma, já respondem. Quando brota uma folha nova, quando dá fruto, quando resiste a um sol de rachar ou a uma chuva sem aviso, é como se elas dissessem bem baixinho: continua. E eu continuo.


No meio desse mundo barulhento, onde todo mundo quer tudo pra ontem e ninguém sabe direito o que está fazendo, eu vou lá pro meu quintal, sujo a mão de terra e lembro que a vida de verdade não acontece na pressa. Ela acontece ali, quietinha, crescendo sem alarde.


E no fim das contas, talvez eu nem esteja cultivando só plantas. Talvez eu esteja cultivando paciência, presença, e um tipo de felicidade que não faz barulho, mas preenche tudo.

O tempo passa de forma distinta na mente. Em mim, atravessaram-se milhares de sofrimentos em milhares de anos. Sofri para compreender, aceitar e moldar cuidadosamente todo o mármore que envolve minha alma.


Ninguém poderia ditar-me a melhor forma de ser senão eu mesmo, pois tive a infelicidade de sustentar-me até os limites do próprio limiar de minha vida.

A ausência de si

Talvez exista uma forma de ausência que nunca percebemos.

Estamos presentes fisicamente, cumprimos compromissos, conversamos, trabalhamos, produzimos, conquistamos, respondemos mensagens e continuamos funcionando.

Mas funcionar não significa necessariamente estar presente.

Podemos comparecer a todos os lugares e ainda faltar dentro de nós mesmos.

Talvez essa seja a ausência de si.

Não é desaparecer do mundo.

É permanecer nele durante tanto tempo respondendo ao que esperam de nós que já não sabemos distinguir aquilo que fazemos por escolha daquilo que fazemos por repetição.

Existem pessoas extremamente ocupadas que talvez estejam, na verdade, ocupando-se para não se encontrarem.

Porque o silêncio produz perguntas que o barulho consegue adiar.

Quanto mais barulho fazemos do lado de fora, menos ouvimos aquilo que continua falando do lado de dentro.

Produzir pode ser realização.

Mas também pode ser fuga.

Trabalhar pode representar propósito.

Mas também pode evitar encontros internos.

Ajudar os outros pode ser generosidade.

Mas, algumas vezes, cuidar permanentemente de todos pode ser uma maneira sofisticada de nunca precisar olhar para quem cuida.

Por isso, nem toda produtividade significa evolução.

Há pessoas construindo grandes coisas enquanto silenciosamente deixam de construir a si mesmas.

Talvez tenhamos aprendido a medir demais aquilo que fazemos e muito pouco aquilo que estamos nos tornando enquanto fazemos.

Perguntamos:

Quanto produzi?

Quanto ganhei?

Quantas pessoas alcancei?

Quantas metas cumpri?

Mas raramente perguntamos:

Quem estou me tornando enquanto conquisto aquilo que desejo?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do desenvolvimento humano.

Porque nenhuma conquista chega sozinha.

Toda conquista também constrói o conquistador.

Cada caminho modifica aquele que caminha.

Cada escolha repetida transforma-se gradualmente em comportamento.

Cada comportamento repetido participa da construção de uma identidade.

Por isso, talvez exista algo anterior ao sucesso.

Não basta perguntar se estamos chegando. Precisamos perguntar quem está chegando conosco.

Podemos alcançar o destino e perder partes fundamentais de nós durante o percurso.

E existe uma ironia nisso:

passamos anos tentando construir uma vida melhor para nós mesmos e podemos acabar construindo uma vida na qual já não existe espaço para nós.

Uma agenda cheia também pode esconder uma existência vazia de presença.

Talvez o contrário de vazio não seja preenchimento.

Talvez seja presença.

Porque preencher todos os espaços não significa habitar nenhum deles.

Podemos preencher a agenda, a casa, a conta bancária, o currículo, as redes sociais e até os relacionamentos e, ainda assim, permanecer ausentes da própria experiência.

Por isso proponho outra ideia:

Presença não é estar onde o corpo está. É conseguir existir conscientemente onde a vida está acontecendo.

E a vida sempre acontece agora.

Não ontem.

Não depois da próxima conquista.

Não quando tudo estiver resolvido.

Agora.

Talvez tenhamos desenvolvido uma extraordinária capacidade de registrar momentos que já não sabemos experimentar.

Fotografamos antes de observar.

Publicamos antes de sentir.

Compartilhamos antes de compreender.

Transformamos experiências em conteúdo e, algumas vezes, deixamos de transformar experiências em consciência.

Nunca registramos tanto a vida e talvez nunca tenhamos precisado tanto aprender a vivê-la sem registro.

Não se trata de rejeitar tecnologia, trabalho, ambição ou progresso.

Trata-se de impedir que os instrumentos criados para ampliar nossa existência acabem ocupando o lugar dela.

Porque existe uma diferença entre possuir ferramentas e ser conduzido por elas.

Entre utilizar o tempo e ser utilizado pelas urgências.

Entre construir reconhecimento e depender dele para reconhecer a própria existência.

Talvez liberdade não seja fazer tudo aquilo que desejamos.

Talvez exista uma liberdade ainda mais rara:

não precisar demonstrar permanentemente que estamos vivendo para conseguir sentir que nossa vida possui valor.

Quando a existência depende excessivamente do olhar externo, podemos começar a viver como espectadores de nós mesmos.

Perguntamos como parecerá antes de perguntar como será vivido.

Escolhemos aquilo que poderá ser mostrado.

Construímos uma versão publicável de nós.

E, gradativamente, podemos começar a confundir visibilidade com existência.

Mas ser visto não significa ser conhecido.

Ser conhecido não significa ser compreendido.

Ser admirado não significa estar realizado.

E ser seguido por milhares não impede alguém de ter perdido o caminho para dentro de si.

Visibilidade é quando muitos conseguem nos encontrar. Presença é quando ainda conseguimos encontrar a nós mesmos.

Talvez essa distinção se torne cada vez mais necessária.

Porque o mundo continuará disputando nossa atenção.

Empresas querem nossa atenção.

Redes querem nossa atenção.

Pessoas querem nossa atenção.

Problemas querem nossa atenção.

Objetivos querem nossa atenção.

Mas existe uma pergunta anterior:

quanto da nossa própria atenção ainda permanece disponível para nós?

Aquilo para o qual entregamos repetidamente nossa atenção participa silenciosamente da construção da nossa consciência.

Talvez, portanto, atenção seja muito mais do que concentração.

A atenção é uma forma silenciosa de autoria: aquilo que escolhemos observar começa, pouco a pouco, a participar daquilo que nos tornamos.

Se entregarmos nossa atenção apenas ao barulho, o barulho passará a habitar nosso interior.

Se entregarmos nossa existência apenas às urgências, poderemos passar uma vida inteira resolvendo aquilo que precisava ser feito sem descobrir aquilo que precisava ser vivido.

Talvez o verdadeiro desenvolvimento não consista somente em acrescentar competências.

Talvez também exija recuperar presença.

Voltar a habitar as próprias escolhas.

Voltar a escutar as próprias perguntas.

Voltar a perceber aquilo que sentimos antes de explicar aquilo que sentimos.

Voltar a existir antes de representar que existimos.

Chamo isso de presença consciente:

a capacidade de participar da própria existência enquanto ela acontece.

Porque talvez exista uma tragédia maior do que perder alguma coisa durante a vida.

É chegar ao final e perceber que estivemos presentes em quase todos os acontecimentos, mas ausentes de nós mesmos enquanto eles aconteciam.

Não permita que sua existência se transforme apenas em evidência de que você existiu.

Esteja nela.

Porque uma vida pode ser longa em anos, enorme em realizações e repleta de acontecimentos…

e ainda assim ter sido pouco habitada.

A maior distância que alguém pode percorrer talvez seja aquela que, sem sair do lugar, o afasta de si mesmo.

E talvez uma das maiores conquistas humanas seja exatamente o caminho contrário:

voltar a estar presente na própria existência.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

POR QUE DUVIDAR DE SI MESMO PODE SER UMA FORMA DE AUTONOMIA?

Normalmente associamos autonomia à confiança.

Uma pessoa autônoma sabe o que pensa, sustenta suas decisões e não se deixa levar facilmente pelos outros.

Tudo isso pode ser verdadeiro.

Mas existe outra dimensão menos confortável da autonomia: a capacidade de suspeitar do próprio julgamento.

Não para viver em insegurança permanente.

Mas para reconhecer que autoria não produz infalibilidade.

Ser autor de um pensamento não o torna verdadeiro. Sentir uma emoção não transforma sua interpretação em fato. Ter vivido uma experiência não garante que compreendemos todas as suas causas. Estar convencido não elimina a possibilidade de erro.

Por isso, duvidar de si mesmo pode ser profundamente autoral.

A dúvida cria espaço.

Entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

É justamente nesse espaço que situo o discernimento.

Não como paralisia. Como intervalo funcional.

Um lugar cognitivo no qual o pensamento pode ser observado antes de receber autorização para continuar comandando a interpretação.

Para pensar não basta pensar. É necessário duvidar do que pensamos.

Mas a dúvida também precisa de limite.

Duvidar de tudo impossibilita agir. Nunca duvidar de nada impossibilita aprender.

Discernimento talvez seja justamente aprender quando a dúvida merece entrar e quando já cumpriu sua função.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Analisando e expondo de forma sutil, sobre problemas da sociedade sem precisar falar quase nada:


Todos sabem quem é Musk (Elon), mas Alice Walton ninguém abre a boca à comentar (quem é mesmo essa)?


Não, sobre economia e política com relação às mulheres, ninguém realmente andou interessado..

O futuro de um povo, depende também em grande forma, da cultura e qualidade das músicas que existem e se produzem sobre eles.


Os gregos perceberam desde o princípio e o Governo sabe usar disso muito bem (pão e circo).


Um mal governo, valerá de usar esse saber contra o povo, em favor de sí mesmos. E então, aí saberás diferenciar dignamente a qualidade de quem te governa!


Seja sábio, eduque sua família e sua mente com qualidade cultural e, principalmente, boas músicas.
Os efeitos e repercussões valerão por gerações infinitas, sem precedentes.

A PIOR FORMA DE DESONESTIDADE É TRANSFORMAR A PRÓPRIA FALSIDADE EM VIRTUDE.

“Pior que ser desonesto é mentir que se é honesto.”
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

A desonestidade já constitui uma falha de caráter; disfarçá-la sob o manto da honestidade, porém, acrescenta à falha a deliberada intenção de enganar. O indivíduo deixa de apenas transgredir um princípio moral e passa a utilizar a própria virtude como instrumento de dissimulação.

É nesse território que a imagem bíblica dos **sepulcros caiados**, apresentada por Jesus em Mateus 23:27-28, adquire sua força mais contundente. A brancura exterior não modifica aquilo que se oculta no interior. A aparência de retidão pode impressionar os observadores, conquistar reputações e alimentar discursos moralistas, mas não transforma a natureza dos atos praticados às escondidas.

O problema não está em alguém reconhecer suas imperfeições e procurar corrigir-se. Está em construir uma imagem de superioridade moral para ocultar aquilo que não deseja reconhecer em si mesmo. Quem admite a própria falibilidade ainda dispõe de um caminho para a mudança; quem faz da própria máscara uma identidade passa a defender a mentira como se defendesse a verdade.

Há uma diferença essencial entre **ser honesto e representar a honestidade**. O primeiro exige coerência, inclusive quando ninguém observa; o segundo depende de espectadores, aplausos e da preservação de uma reputação.

A consciência moral não se mede pela eloquência com que alguém condena os defeitos alheios, mas pela coragem de submeter as próprias atitudes ao mesmo critério. Afinal, é relativamente fácil apontar a mancha no outro; difícil é abandonar o espelho que nos devolve uma imagem conveniente de nós mesmos.

Jesus não condenava a imperfeição humana simplesmente por existir. Sua crítica atingia a hipocrisia daqueles que aparentavam justiça enquanto praticavam a iniquidade.

**A honestidade não precisa de encenação para existir. A falsidade, por sua vez, frequentemente precisa de uma virtude emprestada para sobreviver.**
#Hipocrisia #Honestidade #Ética #Caráter #ReflexãoMoral

Forma de sentir


Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.


É expressão em estado bruto.


Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.


Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.


Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.


Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.


Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.


As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.


Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.


As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.


Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.


E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…


mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.


Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.


Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙

Cada um tem sua forma de desistir, uns de se vestir bem, de se cuidar fisicamente, perdem os desejos, descuidam da saúde, param de tirar fotos, se escondem dentro de si mesmo, deixam de lutar pelos próprios sonhos...


Daí-me força e fortalece a minha fé para a cumprir a sua vontade Paí.


Perazza .'.

A mais perversa forma de seleção natural talvez seja a humana: aquela que transcende a sobrevivência biológica e se manifesta na criação de hierarquias intelectuais, sociais e culturais. De grupos que se julgam superiores àqueles que estabelecem critérios próprios de valor, a humanidade transforma suas diferenças em instrumentos de exclusão. No fim, cada grupo inventa sua própria medida de superioridade, como se o simples ato de classificar o outro pudesse conferir algum sentido à própria existência.


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O tempo é um artesão paciente, mas meu peito já não suporta a forma como ele esculpe a sua ausência. Durante muito tempo, eu te fiz rima no escuro e te guardei em gavetas que só o meu coração sabia abrir. Eu te amei em silêncio, como quem protege uma chama de um vento súbito, temendo que o mundo fosse pequeno demais para a nossa imensidão.
Mas o silêncio, que antes era abrigo, tornou-se um eco.
Hoje, não quero mais ser a estrela que espera a noite para existir. Quero ser o dia que te encontra, o sol que desfaz as sombras e a voz que finalmente ganha o ar. O meu mundo, que por tanto tempo foi um monólogo sonhado, precisa da sua resposta para se tornar melodia completa.
Quero te reencontrar não para resgatar o que fomos, mas para descobrir quem seremos agora que o meu "eu" transbordou de tanto te guardar. Que o nosso próximo abraço seja o ponto final da saudade e o início da nossa história mais barulhenta, viva e iluminada.

Olhando para trás, percebo que meu silêncio nunca foi falta de vontade; foi uma forma de proteção. Eu tive medo. Medo de que, ao me entregar por inteiro, eu acabasse perdendo os pedaços que ainda me restavam. Às vezes, a gente se fecha não por falta de amor, mas por um receio, quase infantil, de sofrer de novo.
Eu tentei seguir. Tentei convencer a mim mesmo de que você era uma página virada, mas há pessoas que não saem da gente; elas apenas mudam de lugar. Você se tornou o reflexo em um detalhe qualquer do dia, aquela saudade que aperta o peito antes de eu pegar no sono.
Uma parte de mim ainda acredita que fomos a história certa no momento errado. Que talvez, em algum outro tempo, com as cicatrizes já curadas e o coração mais corajoso, a gente saiba como cuidar do que não soubemos proteger antes.
Por enquanto, fico com o que restou: o respeito por tudo o que fomos e a coragem de finalmente deixar estas palavras saírem.

Pode parecer ambiguidade
manter vivo o que adversa
como forma de resistência
sem abrir a porta para a guerra,
Desta maneira é que se prova
a própria sabedoria e resiliência,
porque conviver desafia,
e também pede a nossa paciência.


Busca não se deixar pelo conflito
deste mês de março que está
cruzando para enfeiar o caminho;
A realidade pode ser moldada,
merecemos o melhor destino,
mantenha o olhar atento
para não ser por nada distraído.


Busque folhas de Caroba branca
para fazer o teu carinhoso banho,
Não desvie do teu bonito plano,
não permita que nada desequilibre,
porque tu estás firme caminhando,
e não merece ser desmobilizado.


O convívio desafia diariamente,
mas muito pior é ter que lidar
com quem quer a distância alimentar
o conflito e a desesperança,
para que a tempestade tu venhas arcar.

⁠Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.


Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.


E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.


A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.


Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…


Ainda que diferentes.


Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.


Empatia não é diagnóstico — é presença.


É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.


E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.


Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.


E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.


A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.


Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.

⁠O crime, de forma geral, jamais subsistiria sem a ajuda de parte da sociedade e de parte do Estado e seu braço armado.


É uma ferida aberta, dolorosa, incômoda — daquelas que muitos preferem cobrir com discursos prontos a encará-las com honestidade.


Mas ela está ali, latejando, lembrando que nenhuma estrutura criminosa se sustenta sozinha.


Há sempre uma teia invisível de conveniências, silêncios e conivências que a mantém de pé.


Isso não é muito diferente de outras lutas sociais que, à primeira vista, parecem ter um inimigo bem definido.


O combate ao machismo, por exemplo, torna-se ainda muito mais árduo quando se percebe que ele também é reproduzido por mulheres.


Não por essência, mas por condicionamento, por cultura, por sobrevivência em um sistema que ensina, desde cedo, a normalizar o absurdo.


Da mesma forma, enfrentar o corporativismo e a leniência entre pares dentro do Estado é uma tarefa extremamente espinhosa.


Durante décadas, construiu-se — e vendeu-se — uma imagem quase intocável de idoneidade, especialmente no que diz respeito às forças de segurança.


Questionar isso, para muitos, soa como heresia.


E é exatamente aí que mora o problema.


Porque, além das defesas técnicas e estratégicas entre os próprios agentes, existe ainda uma camada mais difícil de atravessar: a defesa cega, emocional, quase devocional de uma parcela da sociedade que se recusa a pensar por conta própria.


Que transforma crítica em ataque, e cobrança em traição.


Nesse cenário, abusos deixam de ser exceção para se tornarem relativizações.


Agressões viram “excessos compreensíveis”.


Autoridade se confunde com autoritarismo — e tudo isso vai sendo absorvido, digerido e, pior, justificado.


A indignação seletiva, nesse contexto, não é apenas um detalhe — é parte do problema.


Ela é tão medonha quanto a própria barbárie que diz combater.


Porque não se trata apenas de condenar o erro, mas de escolher quando e contra quem ele importa.


E talvez o retrato mais cruel disso seja imaginar: se a vítima em questão não fosse também uma policial, quantos dos juízes de plantão — esses togados da verdade das redes sociais — estariam, neste exato momento, invertendo papéis, buscando justificativas, insinuando culpas?


Quando a justiça depende de quem sofre, ela já deixou de ser justiça há muito tempo.

⁠Toda e qualquer forma de manipulação é muito ruim, mas nenhuma é tão sórdida quanto a religiosa.


Porque ela não apenas distorce ideias — ela sequestra consciências...


Usa e abusa da imaturidade e da carência espiritual e emocional das pessoas.


A manipulação comum atua sobre interesses, medos ou desejos imediatos; já a manipulação religiosa invade o território mais íntimo do ser humano: a fé, a esperança e o sentido da existência.


Quando o nome de Deus é invocado como ferramenta de convencimento, deixa de ser sagrado e passa a ser instrumento.


E é justamente aí que reside sua perversidade mais profunda: ela se disfarça de virtude.


Quem manipula em nome do divino não se apresenta como manipulador, mas como mensageiro, defensor da moral, guardião da verdade.


E, nesse teatro cuidadosamente montado, qualquer discordância pode ser tratada não como divergência legítima, mas como pecado, erro ou ameaça.


Na seara política, esse fenômeno ganha contornos ainda mais perigosos.


O que deveria ser debate de ideias se transforma em disputa de “bem contra mal”, onde posições são santificadas e opositores demonizados.


O eleitor deixa de ser cidadão crítico para se tornar fiel — e fé, quando deslocada de seu propósito espiritual, pode ser facilmente conduzida, moldada e explorada.


O problema não está na fé em si, que é fonte legítima de força, consolo e ética para milhões de pessoas.


O problema surge quando ela é instrumentalizada.


Quando líderes, discursos ou projetos se escoram no nome de Deus não para elevar, mas para controlar; não para unir, mas para dividir; não para libertar, mas para submeter.


E talvez o mais inquietante seja o fato de que muitos não percebem.


Porque a manipulação religiosa raramente se apresenta com violência explícita — ela vem em forma de promessa, de proteção, de pertencimento.


Ela acolhe antes de direcionar, consola antes de conduzir, e quando se percebe, já não se questiona mais.


Refletir sobre isso não é atacar a fé, mas protegê-la.


É reconhecer que aquilo que é verdadeiramente sagrado não precisa ser usado como ferramenta de poder.


Porque, no fim, quando o nome de Deus se torna argumento, corre-se o risco de que a verdade deixe de ser buscada — e passe apenas a ser declarada por quem fala mais alto.

"Com a boca dei os melhores beijos!
Tolice em forma de FRASE é isso. E outras desse tipo."

Da Série TAMBÉM SEI ESCREVER TOLICES

MAS SÓ POR GRAÇA E SOMENTE ESTA

NÃO INSISTAM

Esta Série é NADA-SÉRIA



Texto Meu 0942, Criado em 2019


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

Amor Enganoso


Chegou com voz mansa
e promessas que pareciam abrigo.
Tinha forma de cuidado,
mas peso de ilusão.


Me ensinou a confundir presença
com posse disfarçada.
Eu chamava de amor
o que já era controle.


Quando abri os olhos,
me vi menor dentro de mim.
O afeto cobrava preço alto
e nunca trazia paz.


Hoje recolho meus pedaços
sem pressa de amar de novo.
O amor verdadeiro não engana —
ele liberta.

O Amor em Sua Forma Mais Simples


O amor não chega fazendo barulho;
ele nasce nas pequenas coisas.
No sorriso que ilumina um dia difícil,
no olhar que encontra paz no outro e no carinho que transforma momentos comuns em lembranças eternas.
Foi assim que, sem perceber,
encontrei em você um lugar onde
meu coração sempre quis descansar.


Desde que você entrou na minha vida, cada caminho ganhou um novo sentido. Aprendi que o maior presente não é algo que se pode comprar, mas alguém que escolhe permanecer. Você faz florescer em mim a esperança, a alegria e a vontade de construir um futuro onde cada amanhecer seja mais bonito porque você está nele.


Se um dia eu tiver que resumir tudo o que sinto, direi apenas isto: encontrar você foi descobrir que o amor, em sua forma mais simples, é também a mais extraordinária. E enquanto houver tempo, continuarei caminhando em direção ao teu coração, admirando quem você é e agradecendo por cada capítulo dessa linda história que escrevemos juntos.