Um Poema para as Maes Drummond
Eu deveria viver sempre assim:
em plena contemplação
com um bloco de escrever,
e com você no meu coração.
E sempre que surgisse a inspiração,
eu a simplesmente colocasse no papel.
Eu deveria viver sempre assim:
encontrando bons motivos
em todos os sinais da Natureza,
para escrever versos de amor sem fim.
Porque você é a minha inspiração,
A minha poesia e canção do céu.
Tenho todos os motivos para ser assim,
Escrevendo mesmo até sem motivo,
Encontrei o meu maior presente do destino.
Tronou-se um desejo
Que tem o teu nome!...
Para uns é um escândalo,
E para outros é singelo
Tal como um dia do Sol.
Estou em tuas mãos...,
Como uma delicada flor,
Eis um desejo secreto,
Um tormento severo,
Que só passa no teu colo,
Ele é o meu alento...
Embora, eu seja angélica,
Também sou carnal,
- devoradora
Como uma fera faminta,
Rezo que se consinta..
Estou em teu coração,
Sou chama que abrasa,
- e só aumenta
O meu nome é labareda,
A lascívia que te inunda,
Pedindo que eu te aqueça...
Talvez você não saiba,
Talvez sequer desconfie,
Ou não tenha percebido,
A vida segue um ritmo,
Possui um maniqueísmo,
Comanda até a vontade,
Só não domina a saudade.
Ah, talvez! Esse talvez...
Que morde a beira do lábio,
Ousado e larápio...,
É passo com sutileza,
Requer toque com firmeza,
Porque no fundo é safadeza,
Assim alcança o astrolábio...
Vejo o cair da noite acetinado,
Como se eu estive no teu colo,
Doce, quente e perfumado...,
Aos beijos molhados e cálidos,
Os dois apreciando o Balneário,
Saídos do meu imaginário...,
Experimentando esse rimário...
Um sopro de amor
Um barulhinho do mar
Gostinho de tardinha
Pairando leve pelo ar
Tardinha de brisa
Cheiro de amor
Carinho a tardinha
Em pleno fragor
Tardinha sertaneja
De ternura e beleza
Colocando na mesa
A doçura de amor
Tardinha tão suave
Tão sua e tão minha
Tardinha, ai que maldade!
Já está deixando saudade...
A saudade não passou,
O presente ainda machuca,
O futuro é um convite,
O poeta tem razão.
É de exuberância monumental,
- a minha vista é do quintal,
À espera da tua presença espiritual.
Lá em Isla Negra perdura
A saudade que você deixou,
O amor que ainda persiste
No rimário de encanto e sedução.
É uma espera sem igual,
- dizem que isso não é normal
Essa espera valerá a paz sem igual.
A saudade não vai passar
O presente irá te trazer,
O futuro irá nos pertencer
- E o poeta há de nos escrever! -
Um poeta morre e nasce,
Sempre que escreve poesia,
E vai seguindo o curso da maré,
Ele reinventa,e sempre ressurge;
O poeta quando menos se espera,
- ele ressuscita
O poeta é feito de sangue, pó e ouro.
Um poeta se mata e ressuscita,
Sempre que declama poesia,
E vai seguindo o curso do rio,
Ele inventa, e surpreende;
O poeta não espera nada de ninguém,
- ele é eterno
O poeta é feito de amor, ódio e mistério.
Vocês não fazem a mínima ideia
do que é feito um poeta,
E muito menos como na vida
um poeta surge;
Portanto, desejo que todos vocês
vão para o Inferno!
Ninguém está sozinho,
- eu acredito
Nem um cadinho nisso,
Somos feitos de carinho,
E de doçura sem fim...
Descobri em ti a salvação,
A redenção do meu coração,
O teu amor é revelação,
Fonte da minha libertação.
Desde que você chegou,
A estação saudade se alterna,
Entre o verão e a primavera,
Mesmo que você se vá,
Aqui você para sempre ficará.
Quando vejo você dormir,
Dá uma vontade de contigo ficar,
É um sonhar de olhos abertos,
Amando cuidar de você,
Destino traçado para prosseguir,
E até os teus passos velar...,
Porque o teu olhar é farol a luzir,
É lindo o teu acordar!...
Quando vejo você dormir,
Tenho a certeza do futuro,
Desse amor puro,
E que se você se sente seguro;
Agradeço aos astros o teu existir,
O teu sentir e o teu fluir,
Esse teu lindo sorriso,
Que sempre faz o meu sorrir.
Vendo você dormir,
Não dá vontade de fazer mais nada,
A não ser ficar te namorando,
Como o Sol e a manhã,
Que juntos tem cor ‘auriromã’,
Dos teus lábios cor de maçã,
Da tua saliva um punhado de hortelã,
Sinto o quanto a vida é [boa,
No teu corpo nado como quem nada
numa tranquila [lagoa,
Na minha vida você apareceu para
me amar, - não foi à [toa...
Paixão doce assim é para a vida [toda,
Ninguém desfaz, - ela não [voa...
Ninguém percebeu,
Que eu tenho raiz,
Sou a flor da duna,
Que cresceu feliz.
Tenho um doce aroma,
Bondade e textura,
Foi Deus quem me quis,
Nem o vento me derruba.
Nasci flor da duna,
Brilho com o Sol,
Existo além do tempo,
Eu descanso com a Lua.
Enxergo na penumbra,
- Deus é poesia
Enfeito o ninho da coruja,
Para o teu olhar trago alegria.
Resisto a forte mudança,
Das dunas não mudo,
Eu não perco a esperança,
De colorir o mundo com amor,
Enfeitando a vida com temperança,
E seguir plantando nesse mundo a esperança.
Uma mulher
para impressionar
um homem
não precisa
de muito,
basta um
sorriso no rosto,
amor no coração
e seja qual for
a ocasião
estar vestida
de qualquer poesia.
Você me fez crer nisso...
E assim você me disse:
- O mundo é pequeno demais
para quem não desiste.
Se tenho inspiração
pelo corpo todo
eu não sei,
mas sei que o quê
faço bem é escrever,
e resto só conto
quando eu te ter.
Você me fez pensar em você...
Deslumbrantemente,
quem enxerga
beleza no caminho
merece me ter,
Pois é desse jeito
exato que você
irá me trazer.
Presente
no pensamento
Como o ondular
das dunas
Que acenam
um novo
caminho,
Um brinde
indescritível
E gamação
inefável,
Sem explicação
e nenhum fardo.
Não sei aonde
vamos parar,
Só sei que não
vamos parar.
Pressinto
que com você
Eu faço
uma festa,
Isso é sinal
que já sou tua.
Amada talvez
no momento,
Na poesia não
tenho dúvida.
Só de pensar em você,
qualquer lugar vira
Um doce paraíso,
mesmo sem tê-lo
De fato aqui comigo.
Só de ouvir tua voz,
prevejo o futuro,
o doce acordo,
Mesmo distante,
o radiante encontro.
Só de pensar em você,
revivi o quê devia,
A volta sem regresso,
mesmo sem tê-lo,
De fato aqui por perto.
Só de saber como és,
adivinho o destino,
A fortaleza e doçura,
mesmo de longe,
O soneto pressentido.
Só de pensar em você,
imagino mil cenários,
Já me proclamo sua,
mesmo sem você saber,
De fato tanta ternura.
Só de te admirar,
proclamo-me íntima,
Revisto cada detalhe,
mesmo em cada letra,
De fato além da poesia.
Já és realidade...
Como um bravo chacal
fez o meu peito sangrar,
Para ti convém dizer:
- Que tudo foi momento,
ferindo-me o sentimento.
Nos meus tristes olhos
você não quis olhar,
Talvez por medo,
De até mesmo sonhar.
Lágrimas de puro âmbar
saem dos meus olhos doidos,
Não tenho parado de chorar.
Vocação para se consumir?
Não tenho, tenho 'porquês'
na vida a embalar e seguir.
Cometa consumido sempre
traz uma prenda e regra,
Quando ele cai na Terra,
é capaz de marcar e virar
Campo de meteoritos.
O amor é caleidoscópio
nas mãos dos ingênuos,
O amor é mistério
nas mãos dos cientistas,
É algo que não se explica,
e nas mãos de quem crê,
É sempre pura mística.
Como o destino é irônico,
não exigirei mais nada,
Porque 'nada' tens a dar,
e mesmo se tivesse,
Nada vale a pena forçar.
O amor não se comanda
nem por um botão,
Quando chamado de idiota,
ele se recolhe e vai embora.
Cada um oferece somente
aquilo que tem para dar,
Creio que me fere
- duramente -
porque não tens coragem
De me escutar.
Não há quem permaneça
sem chance de dialogar,
Creio que me evita
- friamente -
porque não tens audácia
De me resgatar.
Mas a vida é assim:
desmistificando nas ausências
as tuas inconsequências;
Creio que me mostra
porque não há outra maneira;
De entender a tuas dolências.
Cada um seleciona o quê quer
aquilo que quer falar e escutar,
Creio que me provoca
porque não tem firmeza
De deixar no coração o amor entrar.
Há um enigma, há em nós um mistério,
- algo que sublima, algo etéreo
Algo escondido por debaixo dos lençóis,
- vejo-me com você
- abraçados -
Escutando o cantar dos rouxinóis.
Lindas flores que hão de ser
Apreciadas em tua companhia,
- sim, tenho muitas coisas para sonhar
Noites que não irei mais encontrar a cama vazia,
- sim, estou aqui a nos imaginar
Das poesias brotadas de você
- sim, estou pretendendo revelar...
Dos silêncios que hão muito de nos falar,
- nos teus suspiros eu hei de escutar
Sinto os sabores dos vinhos
Que você há de harmonizar e me servir;
- sinto que muitas coisas boas estão porvir.
Eu tenho desejado diariamente,
Que os nossos enigmas reunidos,
E mistérios não solucionados
Vinguem como um canteiro,
De amores-perfeitos,
Que eles sejam mais do que eternizados
E pelos céus sejam protegidos,
Estejam escritos os nossos destinos
- divinizados....
Sempre acreditei no amor,
E que se um dia houvesse
Salvação para o amor;
É porque nunca deixou
De ser e viver o [amor...
Por triste desventura
Não houve salvação
Para o [amor
É porque era [tudo]
Só não era [amor].
Sempre acreditei no amor,
E que se um dia viesse
Abandonar esse amor;
É porque tu desertou
De ser e viver de [amor.
Distraí-me com o 'amor'
E o tempo passou,
O 'amor' era dos outros,
Só não era o teu;
O destino comprometeu,
E o tempo passou,
É porque o teu amor
Nunca me pertenceu.
Pelo amor que há de ser,
não é justo 'prometer'.
Porque há de se esgotar
um sentimento anterior.
Para que se fique em paz
com o amor primeiro.
Porque em nome do último,
que seja verdadeiro.
Pela missão de ser e receber
o amor derradeiro:
Não é exagero que ele
seja [inteiro].
Sou aquela que não quis ver:
o teu olhar como um oceano,
Louco para me [ter]
morando no teu castelo,
Cortejando o mais profano.
Ninguém pode me tirar o direito
de te amar em [silêncio],
Ninguém pode nos roubar de nós:
a jura, a ternura e o compromisso.
Entraste na minha vida como magia,
pleno com este doce [feitiço...
Sou a ilustre cidadã que vaga
[nua] no teu mundo:
- A aventura impensada,
o teu esquecer das horas,
e a tua Lua na madrugada.
Ninguém pode contra nós,
juntos somos imbatíveis!
Ninguém nos [conhece],
os nossos olhares se reconhecem,
Falamos de amor olhos nos olhos.
Sou a alma insubordinada,
que apeou no teu [forte],
E tocou no teu coração.
O teu querer virou atordoado,
o teu impulso será multiplicado!
Ninguém pode me tirar de você,
e nem mesmo o [tempo;
Ninguém pode me tirar você
de dentro de mim.
Brindamos com [convencimento]
a certeza do amor ter nos encontrado.
Ser livre para mim é um imperativo:
Do amor sou como um eterno fugitivo
Como um animal ferido no cativeiro
Que um dia se viu apreendido,
E agora já não sabe mais [voltar.
Não que eu não saiba amar:
- Provei o sabor da rua
Com o amor próprio canto pro Sol
E escrevo para a Lua;
Vivo a vida para [reverenciar].
Ser livre para mim é um jogo:
- Blefarei para ganhar a partida
Se receber amor, terei coragem;
E como fera selvagem
Vou me queimar no teu [fogo.
Não que eu não queira amar:
- Amar para mim é navegar!
Das letras eu sou maruja,
Da serra tenho a altura
Cresci poesia do [mar].
Porque inspirada na vida,
E na impoluta crença:
De que só vale perder
- a liberdade -
Só se for pela [verdade]
Da tal história que surpreenda,
E que faça tudo ter valido a [pena].
No sinal do nosso desencontro
não diminuiu a vontade de ter,
No final um dia eu te conto,
que nunca passou a vontade
De ter imensamente [você].
No final da minha noite
não tenho como não 'dizer':
- Transbordo a leveza de ser
e a indizível crença de te ter.
Da mais enternecida cadena,
sou a rebelde prisioneira,
Só você tem a chave dela;
que desperta a [obediência
De revelar a doce cadência.
No sinal que me trazes,
ele me deslumbra toda...,
A vontade de ter você
é incrível e não é pouca,
Tu me deixas [louca]....
Tu me punes e me abres,
eis o nosso paraíso!...
Tu me corriges,
eis o nosso feitiço!...
Tu me beijas e me levas,
eis o nosso rebuliço!....
Tu me dobras,
E eu não me nego;
Por você perco o juízo.
- Relacionados
- Poesias de Carlos Drummond de Andrade
- Poemas de aniversário: versos para iluminar um novo ciclo
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Frases para falsos amigos: palavras para se expressar e mandar um recado
- Poemas para o Dia dos Pais (versos de carinho e gratidão)
- Poemas de Carlos Drummond de Andrade
- Frases de perda de um ente querido para encontrar conforto em palavras
