Um para o outro
“O Encontro dos Oceanos”
Há dois mares dentro de ti, —
um de fogo, outro de silêncio.
Ambos azuis, ambos infinitos,
mas quando se tocam,
o mundo se parte em correntezas.
O primeiro, o da superfície,
fala com voz firme, veste poder,
seduz o destino com olhos de aço.
Ele construiu castelos de controle,
para que ninguém visse o menino cansado
que só queria descansar dentro de um abraço.
O outro, o que mora no fundo,
carrega lembranças em forma de cinza.
É o mar que sabe o nome da dor,
e ainda assim sussurra esperança.
Nele vive o homem que ama,
que sonha com paz, com o simples,
com o toque que não cobra,
com o olhar que o reconhece.
Quando esses mares se encontram,
ninguém vê a linha —
só sente o peso da mistura.
É o ponto onde o guerreiro
larga a espada e encontra o espelho,
onde a pantera entende
que também nasceu pra deitar na sombra,
onde Te Ka
lembra que já foi Te Fiti.
E nesse instante,
entre o rugido e o suspiro,
surge o homem real —
feito de cinza e de luz,
de amor e de abismo.
Ele não quer mais provar nada.
Quer apenas existir
sem precisar de plateia.
Quer sentir, sem precisar se esconder.
Porque agora ele entende:
a força que o move
não é o ferro,
é o coração queimando
por ainda querer ser inteiro.
Lampejo
.
Entre o hoje e o amanhã,
Um tempo e outro tempo
Todo tempo é pra te amar…
.
O que outrora eu nada era
Sou pra sempre incipiente
Nessa arte de te amar…
.
Se me fosse no seu tempo
Um instante em sentimentos
Me veria em ti estar…
.
Agora pois, é no lampejo
Que te me vejo
Só em mim te encontrar.
.
Edney Valentim Araújo
Entre um e outro
O tempo passa, a saudade fica,
Mas meu amor por você, a um e a outro resiste.
Na saudade, um dia se torna um século.
Mas o tempo que lentamente passa só faz aumentar meu “amor” por você,
Toda a eternidade não seria mais de que um breve instante se eu estivesse com você.
Edney Valentim Araújo
Na caminhada
O rio e o sol se pondo de um lado,
do outro lado a cidade e a lua cheia com todo sua beleza,
no meio a estrada, os caminhos a seguir, um horizonte a desbravar.
Entre um sol e outro
Já vi o sol saindo da escuridão por entre as nuvens da janela de um avião,
Já vi o crepúsculo com seus diversos tons avermelhados desaparecer do horizonte praiano,
E em nenhum destes fantásticos acontecimentos eu vi, porém eu senti você renascendo,
Sofro de tensas saudades, mais tenho a esperança de que está muito perto o nosso reencontro.
O ser humano consegue criar tecnologia para que um avião abasteça
outro avião em pleno ar.
Mas ainda não aprendeu
a abastecer sentimentos
entre si.
O Palco da Sé
Sob a luz cálida e poluída da tarde, o metrô parece um portal para outro mundo. A Catedral da Sé agora vende ingressos para quem quiser ver suas obras e contemplar sua missão singela; mas, pelo preço caro, faltaram os "bebes e comes"...
Piadas à parte, os indigentes e moradores de rua fazem o verdadeiro contraste. Há lojas fechadas e o Corpo de Bombeiros sempre a postos. Livrarias agora parecem cafés e lanchonetes. As lojas de discos ganham outro formato, onde a convivência com os animais traz o ardor do odor — afinal, a limpeza não faz parte da crônica dos discos velhos, relíquias de um tempo que já passou. Ali perto, o chafariz parece um banheiro a céu aberto.
Ter um posto policial na praça não significa que o lugar seja seguro. Acontecem shows a céu aberto e também apresentações de magia: o palco perfeito para o roubo de carteiras e celulares. Esse é mais um pedaço da cidade de São Paulo.
Toma um vinho comigo ..me conta tua vida todinha.. entre um gole e outro a gente vai se entendendo , se acertando .. entre um gole e outro nossas vidas vão se cruzando ..quem sabe pra sempre...
"Eles combinaram em silêncio que eu nunca existiria; passam um após o outro com o mesmo olhar gélido e a intenção calculada de me ver falhar, forçando-me a comer o pão da minha própria derrota no fim do dia."
UM DIA DESSES!
Um dia desses eu te encontro por aí
Te dou um abraço
Olhamos um para o outro
Lembramos várias histórias
Que nos fizeram sorrir e chorar.
Um dia desses nossas vidas se encontram
Para dizer como estamos
De tudo que aconteceu
Quando nos distanciamos
Nos perdendo por aí...
Um dia desses eu te encontro
E vamos lembrar que o tempo
É a maior força do sentimento
Não esquece jamais o que somos
Começo e recomeço do momento
Desse encontro por aí...
Um dia desses
Eu te encontro por aí!
A vida nos cruzou de um jeito que lógica nenhuma explica: uma voz no rádio e um coração do outro lado pronto para escutar. Foi o encontro de dois corações machucados que, de repente, sintonizaram na mesma dor e na mesma esperança. Não foi um simples "oi", nem um esbarrão; foi o nosso começo. Antes de tudo, éramos amigos. Conversávamos sobre tudo, ríamos de qualquer coisa e falávamos a noite inteira. Naquela época, ninguém sabia a aparência do outro e ninguém ligava para julgamentos de idade ou opiniões alheias.
O que passamos foi bom. Havia uma conexão de alma que poucos entendem. Por causa de um erro meu — que nem nós dois sabemos explicar o real motivo — as coisas não deram certo. Ninguém é perfeito. Mas tudo o que eu vivi com você foi real e teve muito amor. Você realmente fez o meu mundo melhor e me deu a certeza de que eu tinha encontrado a esperança de um grande amor verdadeiro.
Podem falar o que quiserem, podem usar suas regras e julgamentos, mas eu sei o que eu vivi. Eu senti. Não posso falar por você, mas pela minha vida eu afirmo: foi real, foi intenso e foi, acima de tudo, o que me fez acreditar de novo.
A vida nos cruzou de um jeito que ninguém explica: um fio de voz no rádio e um coração do outro lado pronto para escutar. Podem falar o que quiserem, mas carência não faz o que o destino fez conosco. Não foi apenas um 'oi' ao vivo, foi o encontro de duas almas que cansaram de sofrer e decidiram se curar juntas.
A vida nos cruzou de um jeito que lógica nenhuma explica: uma voz no rádio e um coração do outro lado pronto para escutar. Foi o encontro de dois corações machucados que, de repente, sintonizaram na mesma dor e na mesma esperança. Não foi um simples "oi", nem um esbarrão; foi um começo. Antes de tudo, éramos amigos. Conversávamos sobre tudo, ríamos de qualquer coisa e varávamos a noite falando. Naquela época, ninguém sabia a aparência do outro e ninguém ligava para julgamentos.
Claro que o preconceito de idade veio dos outros, mas, quando a gente ama, a gente não escuta o barulho do mundo. Hoje as coisas mudaram e os "moralistas" querem dar pitaco em tudo. É curioso ver como a régua deles muda: para o pastor ou o membro da igreja que é ex-presidiário, ex-traficante ou assaltante, o discurso é o do perdão. Para quem tem "passagem pela polícia", dizem que não podemos julgar, que o passado ficou para trás e que o amor cristão tudo suporta.
Mas para dois corações que se encontraram com sinceridade, a moralidade deles vira pedra.
A diferença é clara: eu prefiro a verdade da nossa história, que começou sem máscaras e sem vitrines, do que a hipocrisia de quem usa a Bíblia para perdoar o crime, mas a usa como arma para condenar um encontro de almas. Podem rir, podem sentir pena ou dizer que é inveja; podem seguir com suas fábulas de cobras falantes. O que foi real entre nós, nenhum sermão apaga. Contra fatos — e conexões que nasceram no espírito — não há argumento religioso que vença.
Minhas palavras nascem do nada
e ao nada retornam.
No intervalo entre um silêncio e outro,
você lê os meus versos,
esse espaço nu,
onde, sem defesas,
tudo o que sou se revela.
Minhas palavras rasgam o nada
e sangram até o nada.
No meio do corte,
você lê meus versos,
sangue, suor,
lágrimas, vísceras,
âmago e silêncios
que eu não soube calar.
Ali estou,
eu inteira,
sem pele,
sem metáfora de defesa,
descrita não pelo que digo,
mas pelo que já não consigo esconder.
Minhas palavras não começam,
explodem do nada.
Não terminam,
implodem no nada.
Entre uma explosão e outra,
você lê meus versos
como quem abre um corpo vivo
sem anestesia.
Ali estão meus nervos expostos,
minha carne em estado de verdade,
meus silêncios suplicando forma.
Nada foi poupado,
nada foi simbólico.
Tudo sou eu,
visceral,
em hemorragia
de linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta
Entre um extremo e outro…
De 40° ☀️🥵 a 22° 🌧🥶
(🌡marcando agora no meu celular📱 )
o corpo aprende a dialogar com o clima,
a pele negocia com o excesso
e a alma busca um ponto habitável.
Há dias em que o sol queima por dentro,
incendeia pensamentos,
derrete certezas.
Noutros, o friozinho assenta,
organiza o silêncio,
e a chuva constante
pede recolhimento.
Entre um calor
que exige resistência
e um frio
que convida à introspecção,
eu existo e resisto,
humana,
oscilante entre extremos
e aprendendo que o equilíbrio
não mora nos extremos,
mas nesse intervalo instável
onde a vida respira,
o pensamento repousa,
o coração aquieta
e a alma transborda versos
entre o banho de suor
e as gotas de chuva...
✍©️@MiriamDaCosta
'Faça o que gosta de fazer ou seja rico, pois, se você não ser nem um e nem outro, você será infeliz pro resto da vida..'
Entre um dia e outro, ciclos da vida se iniciam, outros terminam, alguns são aprimorados e outros, procrastinados. E isso não é sobre os dias!
