Um Estranho Impar Poesia
Continuamos
Vivo nessa solidão,
um sentimento que me consome.
Que me traz aflição
e ás vezes tira minha fome.
Este mundo tão cruel...
Eu não entendo.
Cada um fazendo seu papel
sem nenhum sentimento.
Oh sociedade titubeante
que me traz loucura.
Será que mais adiante
serei uma alma pura?
Nossas vidas,
tão irrelevantes,
parecem causas perdidas
procurando algo significante.
Medo de ser,
de causar.
De morrer,
de cansar.
Oh meu caro amigo,
não fique assim;
Um dia encontramos um motivo
de continuar nesse mundo ruim.
Só lhe peço paciência,
continuaremos sofrendo,
mas tenha persistência,
mesmo que estejamos morrendo.
UM SOL PRA CADA DIA
Amanhece!
E todas as manhãs o sol vem
Dia após dia ele aparece
E pra todo tipo de clarear, sol tem
Tem sol recomeço
Que vem depois de um tropeço,
De uma noite “cumpriida”
A refletir sobre a vida
E tem sol continuidade
Que é esperado com ansiedade
Por quem já criou o seu amanhã ideal
E que acredita e deseja torná-lo real
De sol a sol, na correria
Que a gente possa algum dia
Pelo sol agradecer
Por além de luz ser sinal
De que amanhã, apesar de hoje
Tudo volte ao seu normal
Um poema é estrada desconhecida.
Por mais que se deseja conhecer
Tem-se apenas uma leve impressão
dos caminhos
Nada feito
Lá se foi um verso inteiro
e eu não disse coisa alguma
Esse aqui já é o terceiro
e a rima mal se arruma
desperdiço meu tinteiro
escrevendo, assim, ligeiro
antes que a palavra suma
Nu (flagra)
Quem pegou o meu soneto
e jogou metade fora?
Encontrei só um quarteto
Ai, meu livro! e agora?
Quando abri o meu terceto
Eu flagrei meu poemeto
Com redondilhas de fora
ALVORADA
A alvorada lembra um linho sem mancha,
aparando a orvalhada.
Há musselinas, contas claras de miçanga
entre as folhas frescas do pomar.
Na meia-luz trêmula, qualquer cousa espera.
O jardim ajoelhou, num misticismo doce.
Incensórios de corolas, folhas que fossem
lábios de seiva, murmurando em prece..
No linho puro, sob o altar da alvorada,
é a missa eterna.
Passarinhos, campainhas vivas...
Toda a alvorada religiosa
adora a luz na lenta elevação do sol.
(Coração verde, 1926.)
Para esta minúscula aventura, escolhi Andrés Segovia como pano ou pane de fundo.
Um piano ao cair da tarde, era um programa antigo de rádio.
Procurei uma lapiseira, questão de gosto, compõe o modus operandi do tagarela que não vos fala, mas agora escreve.
A cena é de certa forma bizarra, no mínimo pitoresca
Numa avenida, uma mulher, feliz pelo semblante, humilde pela vestimenta, passa... empurrando um carrinho de supermercado, dentro dele um cachorro, naturalmente pouco a vontade e sem nenhuma ação em comum com quem o carreia mundo afora.
Parou no canteiro entre as duas vias e conversava animada e afetuosamente com um conhecido ou amigo dela sobre o que não imagino, não consegui prestar atenção.
Isso durou alguns minutos, uma dezena de copos de cerveja e uma coleção de interjeições verbalizadas.
A impressão que eu tinha é que ela literalmente não se conectava com o mundo que eu via, era o mundo dela que valia a pena e talvez nem existisse outro...
Sim, foi um alívio ver que não foi xingada nem atropelada, ela continuava feliz...
Me dei por satisfeito.
Sorri como outros tantos que ali estavam.
Não sabia exatamente se podia definir aquela demonstração de afeto e puro “non sense”, acho que continuo sem poder, continuo sorrindo.
Não a vi mais, nem o cachorro...
Preciso fazer umas compras no supermercado.
Era uma vez um sonho
(O poeta e um anjo)
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um sonho de amor que eu sonhei
O poeta e um anjo
Uma história de amor que imaginei
Ela parecia uma princesa
Seu coração eu amei
Ela tinha a voz de uma sereia
Uma vez sonhei que a beijei
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um conto de fadas
Uma poesia de amor
Um anjo com suas asas
Que tocava uma linda melodia
Com o doce toque da harpa e da lira
No paraíso e em seus campos floridos
Eu olhava o brilho de seu lindo sorriso
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um poeta que se apaixonou
Por um lindo anjo
O coração do poeta amou
E sonhou com um doce beijo
Daquela que era sua amada
Com o brilho de seus olhos ele sonhou
Mas foi tão triste quando acordou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Uma estrela que brilhava no céu
Uma rosa orvalhava amor
Uma noiva rumo ao altar, e seu véu
Do branco mais puro tinha a cor
Um doce sonho de amor o poeta sonhou
Mais doce que o mel era seu amor
Mas chorou quando seu anjo para longe voou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
Era uma vez um sonho...
Desequilibrista
Há equilíbrio na balança
a pesar, de tudo, um pouco
Há equilíbrio em cada dança
e em cada grito rouco.
Até quando o corpo cansa
e o equilíbrio nos balança,
apesar de tudo... um pouco!
Em um céu vasto e tranquilo
se levanta para o novo
um bater de asas suave.
Acompanha outro voo,
delicada e humilde ave...
É teu canto que entoo
o teu som, em mim, ecoo
delicada e humilde, Ave!
Familiar
Nunca diga que alguém
nunca disse que te ama!
Cada um - você também! -
tem seu jeito; não reclama!
Lá em casa sempre tem:
Boa noite, durma bem...
e não vai cair da cama!
Acessório
Passa o dia no Salão
e o cabelo despenteia
ou - pior! - um esbarrão
pode desfiar a meia.
Todo mal tem solução!
Pra qualquer ocasião,
leve uma amiga feia...
Corpo Alma
No meu coração há lugares desiguais;
Um horizonte, um mar sem porto
E nas profundezas abismais;
Um vulcão, quase extinto e morto.
Mas, quando você, tão frágil; emana,
Uma palavra que vence minha resistência,
Tornando linda a liberdade humana,
Uma palavra – “ amo” -, óbvio, a essência.
Autor
O livro o pertence, mas ao autor nunca se mostra
Como um ser de muitas faces
Possuindo vontade própria, da vontade não controla
Incompreensível, folheia as paginas em demora
Em passos penosos, perpassam as palavras
Manchando as paginas de sua revolta
No desencanto o seu livro ele joga
Da amargurada dor ele transforma
Em belas palavras para outrora.
Amor Sufocado
Um coração cansado;
Castigado pelos pecados cometidos;
Poderia parar sem volta!
Perdido na paixão cega;
Desorientado pela ilusão;
Quase silencioso.
Guarda tantos segredos Contidos.
Paralisa-se pela amargura;
Comete um erro;
Desassossego;
Feito poesia sem leitura!
Bate, sempre repetidamente;
Desacelerado;
Acometido pelo quebranto dos ciúmes sem sentidos;
Essência da solidão;
Desvirtua o tempo!
Para pra a vida passar;
Quase como um relance!
Olhos turvados;
Lágrimas acumuladas;
Momentos guardados;
Suspiros sufocados!
Apenas o desejo silencioso;
Calado pela saudade;
Um amor forte;
Sem retoques!
Preso no norte d'alma;
Apenas cala-se!
Entrega-se ao silêncio.
É O QUE EU SINTO
Antes de você nascer,
fiz um pacto com Deus,
que a cada passo teu,
seria ligado aos meus.
Ilumine a minha mente,
sussurre em meus ouvidos,
lições de amor e carinho,
para que eu lhe ensinasse.
Pedi um menino carinhoso,
de coração muito bondoso,
e que com o passar do tempo,
mostrasse a todos o seu talento.
Me vejo sonhando assustado,
dentro de um sono profundo,
e quando acordo neste mundo,
olho e observo calado!
Será que ainda sonho?
João Daniel do meu lado.
Tocando o meu rosto enrugado,
o mais belo anjo enviado.
E com muita serenidade,
vejo em formato de anjo,
o melhor presente meu,
o que Deus me concedeu...
Te recebi como a um belo presente
Ao saber que era minha, alegrei-me
Agora como lembrança, entristeço-me
Pois não mais te tenho em meu presente.
Receba
Teu rosto revela raro ser
Resistente, reluzente, radiante
Como o baixo ruído de um rádio distante
Sem regra ou receio, deixei-me render.
Teu riso me rouba toda atenção
Rápido, remédio, irracional
Como sons ritmados de forma irreal
Sem relutar, deleito-me em seu refrão.
Teu corpo tem jeito de abrigo
Reflexivo, refúgio, resiliente
Como plantar e regar a semente
Sem rodeio ou recado, floresça comigo.
A literatura pode ser um pensar, um falar sem dizer, escritos em versos.
Sejam letras, sejam traços e desenhadas por um olhar, em; como enxergar quem de fato seja ela.
Ela é absinta e abstrata
Reverente ou irreverente
Direta e discreta
Concreta ou desdenhas da vida.
Descrever; ‘‘O ser em pontes e processos’’
Do ser e do não existir
Do viver e até do não sentir
Ela existe e insiste e persiste, que humanos viventes dessa fonte, desencadeia o saber e o entender a cerca do ‘’TUDO OU NADA’’, que traz sentido a isso, ou representa a arte envolto a realidade manifestada.
Um Cigarro mentolado
frescor entre pele e aço
Frio na barriga pés descalços
Ofegantes violinistas
Dedilhando seus genitais
Partitura composta
Pôr estímulos sexuais
Robert Johnson
Habita na minha língua
Ouço gemidos de nina simone
O Corpo também se alimenta
Me, engole e deguste
Até matar sua fome
Mulheres molhadas De lágrimas
Homem secos de alívio
corpos bem Maquiados
Escondem o hematoma
olhe bem no fundo
Quando for, ouvir ela dizer
Sobre angústia
Talvez suas calças percam o volume
E Seu, estômago embrulhe
você, odiaria nesse momento
Ser homem
Mas jamais abriria mão
Dos privilégios de ser, um deles.
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