Trechos de Livros
Não foram os incontáveis livros lidos desde a meninice que me proporcionaram a singela inteligência que possuo, mas sim a distância que mantive da TV, ao longo de cada minuto em que neles eu me debruçava!
"Não procures em livros soluções para a vida, mas numa música que apesar de poucas frases, define toda solução do seu problema."
Até os livros não são mais os mesmos, ou melhor, são sempre os mesmos. As mesmas filosofias falidas, os mesmos romances piegas, os mesmos cenários, as mesmas idéias...
Menina, você lê livros como quem procurasse uma resposta nas entrelinhas. Diz não acreditar em contos de fadas, mas quando fecha os olhos imagina como seria bonito se um dia o príncipe aparece na sua vida. Esse mundo de imaginação se tornou o seu mundo. Não por medo do que há lá fora, por pura distração, a realidade é tão chata eu sei. Nenhum grande amor para te tirar da rotina, coração vazio, sempre foi assim. Cria histórias querendo que todas elas fossem suas, vê a vida passando todas as manhãs pela sua janela e não corre atrás dela. Ainda tão criança, mal sabe que o 1º passo quem tem que dar é ela.
Descrever o amor que sinto por você, não caberia nem em mil livros! Pois, são infinitas palavras de amor!
Te amo Fabricio.
Numa bagunça ainda maior que a minha prateleira de livros eu vivo. Numa zona tão grande onde eu nem consigo dizer quem é meu amigo e quem é a minha paixão. Um olhar com olhar, um sorriso com sorriso. Não sei distinguir o que é meu ou o que é seu. Talvez eu seja sua e você talvez, e só talvez, não seja tão meu assim.
Bem na minha insônia
Debruço sobre meus livros
e a sala continua vazia, sem abajur
uma menina no ponto do ônibus
às onze e meia da noite
resolve ir embora a pé
colhendo flores no cemitério.
Eu continuo na sala, agora há vento,
muito vento, é a chuva.
O telefone toca e eu atendo,
nenhuma palavra.
Não me levanto da poltrona,
ali mesmo continuo.
O céu brilha
flashes formam sombras
na janela aberta.
A menina passou pela porta
senti o cheiro das flores
vagamente umedeceram meus poros
A cidade dorme, o ônibus passou no ponto a sós
ela não entrou, já havia ido.
O ônibus continua,
é meia-noite.
Um passarinho morreu de choque elétrico.
Houve o velório com os outros passarinhos,
no mesmo cemitério onde a moça colheu flores.
No terreno que sepultaram o passarinho
nasceu novas flores,
foi na parte que a moça havia tirado as outras flores
para poder agora nascer novas vidas
junto com o passarinho.
Tudo isso aconteceu em uma noite chuvosa.
Os pensamentos que eu Refleti
Todos os livros que eu li,
todos os versos que eu não escrevi,
todas as poesias que eu esqueci,
todo o mundo que eu me perdi
e todos os amores que eu parti,
estão ainda aqui.
Todas as garrafas que eu bebi,
e cigarros que acendi,
todos os casamentos que eu pedi,
toda minha vida que eu vivi,
e todos os corações desenhados pra ti,
juntos com aquelas flores que eu colhi,
estão por ali.
E as mortes que eu ainda não morri,
andam a me seguir
no passeio que eu corri
lá na casa que eu construí,
da mulher que eu vim,
nos dias que eu amanheci,
nas noites que mal dormi,
e em todas às horas que eu sofri.
Um dia incolor
Apesar de ser o título de um dos meus livros preferidos, a expressão "um dia", em determinado e similar contexto, tem a incrível capacidade de me tirar do sério. Não é a frequência com que a usam, nem a simplicidade coerente aos monossilábicos de plantão, é a falta da resposta que eu quero ouvir, ou mesmo da que eu não quero que seja pronunciada.
É ainda pior do que a corriqueira "quando você crescer", uma vez que com essa pelo menos se conta o passar dos anos até a fase adulta, mas "um dia", por favor! É vaga, é decepcionante, é desencorajadora. Pode ser que seja essa mesmo a intenção, mas não me culpe por não compreendê-la, ou ainda por abafar essa compreensão em meio a outros sentimentos prevalecentes. E não sendo o afastamento o propósito, por mais poética que possa parecer a quem a profere, sejamos sinceros, quem a ouve "um dia", que provavelmente chegará bem antes do teu "um dia", cansa! Mesmo sem ter um prazo definido, espera que seja condizente aos seus anseios. Mas não é, parece nunca ser. Tem a capacidade de despertar a minha paranoia adormecida e na falta de coragem, culpa-se a presença do artigo indefinido masculino pela inquietude provocada por essas duas palavras, afinal, se eu tivesse ouvido " o dia", jamais teria cansado.
"Um dia" sempre me parecerá um desperdício de tempo, um comodismo que leva junto uma coletânea de sensações não vividas.
Livros não são bons e ruins em geral, eles apenas se enquadram em um dos perfis a partir do leitor que os têm em mãos.
