Textos Vc Nao foi Homem pra Mim
ENQUANTO POETA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem julgar que me sabe por meus textos,
meu estilo, a conduta literária,
minha mente operária da palavra
que abarrota cadernos; vão pro mundo...
Saberá quase nada sobre mim;
quando muito, que sou alguém sensível,
mas no fim da certeza de quem sou
nada mais achará que me anuncie...
Um poeta está muito e pouco é,
dura o tempo fugaz de cada verso
no qual sente o que sente pra compor...
Seu amor vira mágoa, mágoa riso,
sua meta se atinge pra não ser
e não ser se compõe no ser poeta...
A TRAJETÓRIA DOS PRECONCEITOS
Demétrio Sena - Magé
Fiz muitos poemas e textos em prosa que hoje não faria, com a pretensão de conscientizar sobre o racismo. Acho agora, que todos aqueles poemas eram racistas. Também fiz muitos textos que, pretensamente, fariam refletir sobre o machismo. Usei até palavras de um cavalheirismo protecionista que atualmente julgo medieval. Fui machista. Homofobia, mesmo quando não se chamava homofobia, preconceito religioso e tantos outros, tudo isso passou pelas minhas canetas e teclas. Atualmente, seria preconceituoso republicar tais escritos.
É que todas as formas de preconceito evoluem. Ao mesmo tempo, as formas de combater preconceitos, pensar e verbalizar sobre eles precisam evoluir. Mais ainda, nossas formas de antipreconceito precisam ampliar horizontes e nos induzir a novas posturas sociais. Os textos de todos os escritores; as músicas, pinturas e outros desempenhos de todos os artistas, nessa direção, foram válidos em seus tempos. Foram. Hoje capengam, porque o mundo, com novas identidades, inclusive de gênero, exige novas mentalidades, sensibilidades e consciências. E o racismo, que é o pior e mais resistente preconceito, exige ainda maior avanço da sociedade.
Tenho rasgado páginas de alguns livros que lancei, porque os novos tempos tornaram ridículas essas páginas. E todos nós precisamos rasgar muitas; muitas páginas não só de livros, mas também da vida e da sociedade, para sermos um mundo conectado consigo mesmo e com a realidade que ora nos cerca. Realidade essa, que logo será também obsoleta; o que exigirá, mais e mais, novos avanços humanos; civilizatórios.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Descubra a Verdade e a Verdade Vos Libertará
A Bíblia, um dos textos mais antigos e influentes da humanidade, foi escrita em diversos idiomas, incluindo o grego. No contexto bíblico, encontramos a palavra grega "daimon" (demônio), que originalmente designava almas ou espíritos humanos, podendo ser bons ou maus. Os daimons eram entidades espirituais que habitavam o mundo e exerciam influência sobre as pessoas de variadas maneiras.
As ações de Jesus, ao expulsar esses espíritos, contribuíram para uma mudança de percepção, levando a uma interpretação equivocada de que todos os espíritos eram malignos.
A Bíblia sofreu alterações para alinhar os textos com doutrinas teológicas e interesses de líderes religiosos, adaptados ao contexto da época, afetando a forma como as palavras de Jesus foram interpretadas e transmitidas.
A integridade dos textos bíblicos nos convida a uma reflexão mais profunda sobre como a história e a religião são transmitidas e interpretadas ao longo do tempo. É um lembrete da importância de estudar esses textos com uma mente crítica e aberta.
É imperativo ressaltar que, na concepção original, um daimon não era necessariamente maligno. Eles eram considerados espíritos que podiam tanto ser benéficos quanto maléficos. A natureza de cada daimon era definida pela maneira como influenciava as pessoas ao seu redor. Esses espíritos, muitas vezes atrasados ou impuros, são almas em desequilíbrio e em processo de aprendizado, assim como nós. Estamos todos aqui para aperfeiçoar nossas almas, cada um em um estágio de evolução, tanto encarnados como desencarnados; se fosse diferente, estaríamos nos planos superiores e não aqui, vivendo no meio de todo tipo de gente que nos influencia tanto para o negativo quanto para o positivo.
Essa reflexão sobre a evolução do significado das palavras ao longo do tempo destaca a importância do contexto histórico e cultural na interpretação de textos antigos. Compreender a origem e a transformação das palavras nos permite uma visão mais abrangente e informada, enriquecendo nossa leitura e interpretação das mensagens contidas nos textos bíblicos. Devemos trazer os exemplos da Bíblia e adaptá-los ao nosso tempo, utilizando suas lições como guias para a vida nos dias atuais, promovendo a harmonia e o crescimento espiritual.
Dedicatória
"Dedico à ti todos os poemas, todos os textos, todos os livros, todas as canções.
Dedico à ti o tempo, os lugares e os motivos, para que o quando seja infinitamente hoje, maravilhosamente ontem e incrivelmente amanhã, para que o onde seja em todo lado e lugar nenhum e para que o porquê seja porque sim, porque sim seja resposta porque respiramos e que seja também porque não, para o porquê dure para sempre
E caso não seja suficiente, dedico à ti todas orações, minha, dos anjos, da lua e das estrelas"
Referente à interpretação de textos poéticos...
Se as minhas palavras são intensas demais em um tanto que arda suficientemente bem os olhos alheios, nada posso fazer... Pois as minhas palavras não requerem atenções de quem ignora a sabedoria;
No entanto quem nasce para ser expectador ou leitor de jornais, para saber de violência! Jamais saberá como escrever a própria história, no qual faça a diferença;
Se eu uso palavras um tanto intensas... É por que da intimidade falo e mexo com imensas certezas...
Não busco ofender fulano ou cicrano, mas sim exaltar para ajudar a pessoa se encontrar com o seu próprio ego;
Mas se alguém não gosta do que escrevo ou penso... Não se dê o trabalho de se importar com a leitura do que escrevo... Pois eu separo bem os entendedores, os críticos e o resto;
Dos entendedores? Procuro escrever sempre o melhor, dos críticos? Busco acertar para melhor me aceitarem e do resto... “Bem do resto ninguém precisa..." NE?
Deus de Gerações
Observe esses dois textos:
Gênesis 37.1-2: Habitou Jacó na terra das peregrinações de seu pai (...). ESTA É A HISTÓRIA DE JACÓ. TENDO JOSÉ dezessete anos (...).
2º Crônicas 29.1-2: Tinha Ezequias vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias. E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto FIZERA DAVI, SEU PAI.
No primeiro texto, a história é de Jacó, então porque estão falando de José? Porque a nossa história não termina em nós. Jacó habitava na terra das peregrinações dos seus pais, e esse legado deve continuar nas gerações que estamos gerando, nas pessoas que estamos discipulando, nas vidas que estamos dando propósito.
Já o segundo texto, diz que o pai de Ezequias era Davi, mas o PAI BIOLÓGICO de Ezequias era Acaz (2º Crônicas 28.27), mas a referência de Ezequias era Davi, pois Acaz não pode lhe dar o destino que Deus queria lhe dar, pois Acaz foi um Rei terrível e fez o que era mau aos olhos de Deus (2º Crônicas 28.1-5).
Por isso é importante que os pais deem destino aos filhos, ou deixarão de serem referências para os seus filhos e filhas. Pais sem destino perdem filhos de propósitos.
A nossa história não deve terminar em nós (Jz 2.8-15). Não deixe nada parar em você. Não deixe nada terminar em você. Devemos ter responsabilidade com essa geração dando destino para ela. Deus é um Deus de gerações, e não um Deus de uma pessoa ou de um tempo (Êxodo 3.6).
As gerações devem trabalhar juntas, pois esse é o propósito de Deus; uma geração contando e transmitindo a história da outra. Em Joel 2.28, a antiga e a nova geração estão juntas; Jovens tendo visões com os velhos, e os velhos sonhando com os jovens. A antiga geração sonhando e nova geração tendo visões. Tradição e inovação juntas, uma conectada na outra. A tradição não permite que a inovação se desvie do caminho, e a inovação não permite que a tradição se empedre.
Pense nisso e ótima semana!
No Amor do Abba Pater, Marcelo Rissma.
John Wesley e o Arcanjo Miguel
Pessoal, anda circulando nas redes sociais alguns textos, espalhados por alguns grupos mal intencionados, tentando ligar Wesley à heresia dessas seitas. Para isso eles recortam alguns comentários de Wesley, fora do conjunto da sua obra, para tentar enganar as pessoas. Hoje fui questionado por alguém me pedindo uma resposta, por isso preparei uma resposta inicial sobre o tema. Então vamos a ela.
Primeiro, que vários reformadores pensavam sobre o tema FIGURADAMENTE OU TIPOLOGICAMENTE como Wesley; Calvino, Armínio, John Gil, Matthew Henry etc... Mas nenhum deles ensinou essa heresia!
Segundo, eles eram homens, portanto relativos e sujeitos às falhas, como a história demonstra. Caso alguém os considerasse infalíveis, cairíamos em idolatria como alguns grupos religiosos, que consideram seus fundadores semideuses e profetas infalíveis.
E terceiro, eles não tinham os recursos que temos hoje.
Agora os parcos e recortados comentários de Wesley:
Daniel 10.13 [...] e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes.
Wesley comenta: SUPÕE-SE comumente que Miguel aqui quer dizer Cristo. SUPÕE-SE!!!
Daniel 10.21 Miguel, vosso príncipe.
Wesley comenta: Miguel - Cristo é o protetor de sua igreja. Aqui Wesley não disse que Cristo e Miguel são a mesma pessoa!!! Wesley faz ANALOGIA OU TIPOLOGIA do nome.
E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo... Daniel 12:1
Wesley comenta: portanto, haverá ainda uma maior libertação para o povo de Deus, quando Miguel seu príncipe, o Messias deve aparecer para a sua salvação. Novamente Wesley faz ANALOGIA OU TIPOLOGIA DO NOME Miguel!
Primeiramente, o nome Miguel vem do hebraico Mikhael, formado pela junção dos elementos mikhayáh e El que significa "quem é como Deus?". E Jesus também pode ser chamado de Emanuel que significa "Deus conosco". Portanto, o arcanjo Miguel não é Cristo. Mas o NOME que o arcanjo carrega faz uma ANALOGIA OU UMA TIPOLOGIA de Cristo. Foi assim que Wesley tratou o tema, ANALOGICAMENTE, FIGURADAMENTE OU TIPOLOGICAMENTE!!!
Wesley nunca ensinou que o arcanjo Miguel fosse o Cristo em pessoa, mas sim, ele apenas não discorda do significado que a PALAVRA Miguel carrega. Portanto, Wesley não estava levantando afirmações de que o arcanjo Miguel seja o Cristo em pessoa, mas apenas atribuindo o significado da PALAVRA Miguel à Cristo de um modo FIGURADO ou TIPOLOGICO.
Observe isso: Wesley comenta: SUPÕE-SE comumente que Miguel aqui quer dizer Cristo.
Supõe vem do verbo supor. O mesmo que: conjectura, imaginar, basear em hipótese, admitir como provável ou possível, presumir.
Esses parcos comentários de Wesley sobre o tema são todos por ANALOGIA OU TIPOLOGIA, assim como quase todos pensavam na época. Wesley e os reformadores não criam que Jesus e o Arcanjo Miguel eram as mesmas pessoas, não ensinaram isso em nenhum lugar. Textos isolados acabam sendo alternativas para quem deseja deturpar a palavra de Deus ou os ensinos de homens sérios.
Muitos também por ANALOGIA OU TIPOLOGIA supõem que José do Egito é um TIPO de Cristo; outros acham que Melquisedeque é um TIPO de Cristo; alguns usam Jonas, que ficou três dias dentro do grande peixe como um TIPO de Cristo, etc... Mas nenhum deles ensinaram que eles eram O Cristo (Deus Filho).
Regra número 01 para interpretar um texto é observar o contexto e a sinoticidade do tema. E quando olhamos para o conjunto da obra de Wesley e dos reformadores, nenhum deles ensinaram tal heresia, ou encontraríamos tal ensinamento sistematizado por eles e muitos escritos esclarecendo o tema.
Fiquem com Deus e atentos com as heresias.
No Amor do Abba Pater, Marcelo Rissma.
"Enquanto lia"
*
Enquanto lia aquela história, pensava em poesia lembrava de textos da Bíblia. *
E tudo ficando cada vez mais claro, e talvez, eu deveria fazer uma pesquisa mais decisiva, para eliminar aquelas dúvidas... *
Sim, incertezas em tomar uma decisão, afinal os imprevistos estão sempre a nós rodear e eu quero acertar.
*
Desta vez não deixarei ninguém pensar por mim, o tal de faça assim ou assado... *
Eu estou aprendendo a tomar minhas decisões e minhas orações e reflexões, estão me conduzindo o meu alvo, e deste jeito fico a salvo livre daquelas idéias insanas.
Resumo: Boas leituras ajudam a tomar boas decisões... O ***
(Francisca Lucas) ***
A Bíblia !
A Bíblia, é o livro dos livros,
Os seus lindos textos, são sagrados,
Muitos vivem em miséria,
Por não ter nela confiado.
Deus é o seu autor,
Cristo é o mediador,
O Espírito Santo,é quem nos convencem ao Senhor seguir.
Então não fiquem de fora,
Porque o tempo estar no fim.
Não olhe para os pastores, que pregam
sem confiança, pois quando Cristo
voltar, vocês sobem e eles dançam.
Os poetas e escritores sabem o quanto é importante achar as palavras certas para criação de textos que dinamizam e expressam seus pensamentos e suas experiências, dando a possibilidade aos leitores de refletirem sobre a sua arte.
Muitas dessas criações tornam-se peças teatrais e filmes, materializando e dando vida assim ao que foi escrito.
A palavra sempre foi e será o início de tudo. Observem que na vida o poder do que se expressa é algo divino, e nós não percebemos o quanto somos guiados por elas.
Deus deu início ao universo através da sua palavra, tudo que há nela inclusive nós, seres humanos somos frutos do Verbo.
Deus é o nosso poeta e escritor, Ele criou através da palavra a história da humanidade, materializando e dando vida assim tudo que vemos nesse mundo.
A Sua palavra tem o Poder de mudar a história da nossa vida.
Não seja incauto com suas palavras, e expresse sempre palavras positivas, seja para sua vida ou para vida de outrem. Tudo vai se recriar, bons ventos viram.
Creie Naquele que é o próprio verbo pois somos frutos das Suas palavras e com certeza tudo irá se transformar.
Atila Negri.
Dona dos meus textos
O realismo está presente em meus textos, muitas vezes vem expressado em forma de sorriso ou se apresenta chorando.
Vale a pena contar as minhas histórias, na maioria delas a minha principal e favorita personagem é você.
Em meus versos, a culpa, a dor, a alegria, o respeito e o amor, ganham vida e estão marcados no nosso passado, no meu presente e nos meus sonhos futuros, o final da nossa história ninguém sabe, acho que nem o destino tem certeza de como será, então, irei continuar imaginando, acreditando e vivendo na esperança de escrever um final feliz.
Há uma imensa diferença entre quem pensa e escreve, e entre quem copia textos e pensamentos alheios, sem dar crédito ao autor.
Eu, quando escrevo algo sobre a conduta dos homens, geralmente faço de modo universal, sem apontar minha pena para quem quer que seja, desta forma ninguém poderá me acusar de plágio leviano, nem dizer que estou a enviar recado para algum desafeto. Isto deve ser pelo fato de que, escrever tem sido meu ofício, e continuará sendo enquanto eu respirar.
Escrevo porque preciso me sentir vivo e capaz de contribuir com meu pensamento e análise sobre muito temas, contudo, não posso ter opinião sobre isto o aquilo, pois sempre incorrerei no risco extremo de ser injusto, pela complexidade dos assuntos em voga.
Me coloco sempre no centro da neutralidade, não é porque penso e escrevo que tenha o direito de ofender àqueles que possuem suas opiniões formadas sobre as coisas ou sobre pessoas.
É bom nunca esquecermos, talvez da única verdade absoluta que existe: Quem têm certeza, não raro, são pessoas questionáveis e perigosas, propensas a cometer equívocos e injustiças. Também são elas que gostam de se apropriar das ideias de outros e de publicar, como fossem decretos morais.
CONVERSA FIADA, PRA BOI DORMIR
F: - Somos textos inacabados, forjados pelos dedos do caos!
P: -Toda existência é um poema inacabado, escrito pelo viver do seu autor.
F: - Não há romance na tragédia, toda vida tem igual destino, ser distração e comédia para os criadores de eternidade.
P: - Contudo, meu caro filósofo, a vida com o seu objetivo tem seus deleites.
F:- Pode parecer pessimismo, todavia, não acredito em ilusão, nem vejo poesia alguma no movimento caótico de nascer, criar barriga e rugas, depois desaparecer no pó ou nas cinzas.
P:- Nesta questão, meu caro pensador, não haverá acordo entre mim e ti, somos almas distintas, embora feitos da mesma essência, barro e contradição!
"Alguns dizem que eu escrevo uma miscelânea de textos que são interligados a uma falta de maturação na aquisição da linguagem, por delinear modelos de frases mixórdias. Outros ainda tipificam meus textos sem concisão ou sem objetividade por serem prolixos.
Dito isto, peço indulgência por apresentar de maneira tão imprópria, os tecidos de minha identidade no recôndito da minh'alma."
Zelador
No domingo veio o Gustavo. Esse eu confesso que não é o que se pode chamar de irmãozinho, ainda que a gente já tenha tomado muitos banhos juntos. Mas olha, seu Zé, que menino mais fofo: veio me trazer um presente. Uma luminária super bonita, dessas de chão. Você não acha que ele mereceu aquele beijo que eu dei nele no elevador? Eu sei que o senhor viu, sei bem. E sei também que o senhor viu que não foi bem um beijinho inocente. Mas ele não merece? Um presente bacana desses, veja só! O senhor entende, né?
Na terça tava um silêncio danado na rua, a maior paz. E eu sei que acordei o senhor. O senhor tava lá dormindo escondidinho na guarita, não tava? E eu no interfone desesperada pra subir logo. Mas o senhor logo entendeu meu desespero, não foi? Não vou enganar o senhor não, pra esse eu dei mais do que um beijo safado no elevador e uma mordiscada irmã no braço. Pra esse eu dei banho e fiz até torrada no café da manhã. O senhor viu como ele era bonito? Nossa. Ah, o senhor reparou também que ele é bem mais novo do que eu? Caramba, seu Zé, mas tá tão na cara assim? Só porque ele usa o moletom da faculdade? Aliás, que moletom mais cheiroso, seu Zé.
Que será que tá acontecendo comigo, heim? Ando muito a fim desses garotinhos que ligam pra avisar a mãe que não vão voltar. Será que é a crise dos 30, Zé? Ou será que já que o cérebro de um de 20 é o mesmo que o de um de 50, então pelo menos vamos ficar com o melhor desempenho na corrida dos 100 metros rasos? Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora. Um macho.
Na quarta eu não vi o senhor, mas será que o senhor me viu chegando cedinho, com o dia amanhecendo? Balada, Zé. E da boa. Sabe quem tava lá? Esse mesmo. Ele que veio me trazer, o senhor não viu? Ah, o senhor viu? Que vergonha. Eu tava meio caindo pelas beiradas não era? Era sono. Tá, um pouco disso e um pouco daquilo também, mas basicamente sono. O senhor não viu ele indo embora? Então somos dois. Mas vou confessar pro senhor: adoro quando eles vão embora sem me dar nenhum trabalho. Se eu cobro? Que é isso, seu Zé! Tá louco? Sou menina de família! Escritora, publicitária e à espera de um grande amor. Mas to me divertindo, ué. Não é isso que mandam a gente fazer? Quando a gente chora e escreve aquele monte de poesia profunda. Quando a gente se apaixona e tudo mais e enche o saco dos amigos com aquela melação toda. Não fica todo mundo dizendo pra gente parar de tanto drama e se divertir? Poxa, tô só obedecendo todo mundo. Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa. Mas hoje é quinta, hoje tem visita. Hoje tem risada alta, tem festinha, tem maquiagem e música. O senhor promete que não me julga, Zé? Eu sei que você se atrapalha, liga aqui pra cima e fica até mudo. São tantos nomes, não é? Mas é só fazer que nem eu: chama todo mundo de “o outro”. Todos são outros. Porque o de verdade, Zé, o de verdade não existe. A gente chora, escreve lá umas poesias profundas, chora, mas um dia a gente acorda e descobre que esse aí não existe não. Amanhã é sexta, um novo dia. Um novo outro qualquer. Eu queria te dizer que eu sinto muito, Zé. Mas eu não posso te dizer isso porque a verdade é que eu não sinto mais nada. Nadinha, Zé.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Super gaúcha
Sou urbana, gosto de cidade grande, não gosto de mato, de bicho e de pão feito em casa. Pronto. Falei. Acredite: não é um desvio de caráter. É o meu jeito. Minhas preferências. Não jogue no lixo tudo o que a gente construiu juntos só por causa deste detalhezinho bobo. Desde que eu era pequena que sítios, fazendas e assemelhados nunca me seduziram. Tenho medo de cobra, não sei andar a cavalo e suo frio só em pensar em encontrar uma perereca no banheiro. Eu bem que gostaria de me adaptar, pois se todo mundo diz que não há nada melhor do que a vida no campo, alguma verdade há nisso. Eu gosto de árvores, de flores, de silêncio, eu fiz minhas tentativas. Eu tentei ser normal. Achei que bastaria calçar botas de couro, mas é pouco. É preciso vocação.
Minha inaptidão para o mundo campeiro fica bem demonstrada quando o assunto é gastronomia. Eu não gosto de charque. Eu não gosto de chimarrão. Eu não gosto de doce de abóbora. Eu não gosto de leite recém tirado da vaca. Restou-me a resignação: vim ao mundo com este defeito de fábrica e não há nada que se possa fazer. Todas as pessoas possuem uma espécie de deficiência, e algumas são bem piores do que as minhas. Há quem seja vegetariano. Não cheguei a esse extremo. Uma picanha, não recuso. Mal passada, melhor ainda.
Estamos vivendo uma fase de ufanismo gaudério. De repente, o Rio Grande do Sul ganhou destaque, devido à minissérie e ao livro A Casa das Sete Mulheres, da minha talentosa amiga Leticia Wierzchovski. Toda a população está se sentindo orgulhosa de pertencer a esta terra. Uma rede de lojas, recentemente, colocou uma campanha publicitária no ar com a seguinte pergunta: o que é ser gaúcho? As melhores respostas ganharam prêmios.
Eu não ganharia nem um tapinha nas costas.
Ser gaúcha, eu responderia, é gostar de ler Michael Cunningham, de ir ao cinema, de viajar para o Rio, para Punta, para Nova York. É caminhar na esteira de uma academia, trabalhar até tarde num escritório e antes de voltar pra casa passar no Zaffari e comprar uma pizza congelada. Ser gaúcha é ouvir bossa nova, gostar de praia e ficar só de camiseta e meias comendo Ruffles na frente da tevê. É preocupar-se com a meteorologia porque amanhã é dia de fazer escova e você morre de medo que chova e o cabelo vá por água abaixo. É acordar com as galinhas, mas sem ver as galinhas, a não ser na hora do almoço, grelhadas. Ser gaúcha é ter bom humor e nojo de barata, é adorar a Internet e assistir ao pôr-do-sol da sacada. Ser gaúcha é ter nascido aqui mas ser feliz em qualquer lugar, com o estilo de vida que escolher.
Eu me sinto tão gaúcha quanto as prendas que dançam nos CTGs, tão gaúcha quanto as mulheres que encilham cavalos, que cozinham em fogões a lenha, que ordenham vacas e bordam tapetes. Aliás, eu bordo tapetes. Aliás, eu nasci neste Estado. Aliás, somos todos gaúchos, nenhum mais gaúcho que o outro.
Como é facil ser difícil. Basta ficar longe do outros e , desta maneira, não vamos sofrer nunca.
Não vamos correr riscos do amor, das decepções, dos sonhos frustrados.
Como é facil,ser difícil. Não precisamos nos preocupar com telefonemas que precisam ser dados, com pessoas que pedem nossa ajuda, com a caridade q é necessário fazer.
Como é fácil ser difícil. Basta fingir que estamos numa torre de marfim, que jamais derramamos uma lagrima.
Basta passar o fim de nossa existencia representando um papel.
Como é facil ser dificil. Basta abrir mão do que existe de melhor na vida.
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.
(...) mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.
TEU CORPO
O teu corpo muda
Independente de ti
não te pergunta
se deve engordar.
É um ser estranho
que tem o teu rosto
ri em teu riso
e goza com teu sexo.
Lhe dás de comer
e ele fica quieto.
Penteias-lhe os cabelos
como se fossem teus.
Num relance, achas
que apenas estás
nesse corpo.
Mas como, se nele
nasceste e sem ele
não és?
Ao que tudo indica
tu és esse corpo
-que a cada dia
mais difere de ti.
E até já tens medo
De olhar no espelho:
Lento como nuvem
o rosto que eras
vai virando outro.
E a erupção no queixo?
Vai sumir? Alastrar-se
feito impingem, câncer?
Poderás detê-la
com Dermobenzol?
Ou terás que chamar
o corpo de bombeiros?
Tocas o joelho:
Tu és esse osso.
Olhas a mão.
A forma sentada
de bruços na mesa
és tu.
Mas quem morre?
Quem diz ao teu corpo – morre –
quem diz a ele – envelhece –
se não o desejas,
se queres continuar vivo e jovem
por infinitas manhãs?
