Textos sobre a Morte
Quem tem a mãe viva, valorize. Depois que a tampa do caixão for fechada, a única coisa que você terá será a lembrança, talvez poucas, pois quando ela estava aqui, você não abraçou, beijou, sorriu ou disse "mãe, eu te amo!". O maior presente para uma mãe é o amor dos filhos, que em muitos casos só dizem de verdade que amam quando se inicia o cortejo fúnebre. Pense nisso hoje para não se arrepender amanhã, em um tempo que não voltará mais...
O maior castigo da vida é viver. A vida inteira é uma luta pra não morrer, tudo dói. Se não comer, dói Se não beber, dói Se não descansar, dói Se não amar, dói Trabalhar dói Ficar sem trabalhar dói A morte é o repouso do corpo doído Da alma eu não sei, mas espero que seja também.
Toma-me nessa escuridão, dando-me sua gratidão. De loucuras e conjecturas na marulha da agulha. Quase um ano no bandulho; do desgosto à Terra dos fantasmas perfeitos. Avisei essa solidão, nessa vasta servidão, meu corcel é o chão, fervilha no batuco da miséria, nas minhas camadas decrépitas, no som da minha dor surda. Sou dessa vida fantoche, desse céu um pirilampo e nesse mar nem sei nadar.
Quando fiquei sabendo, ele tava morto. Foi nesse dia que todo o meu mundo ficou preto. O ar parecia preto, o sol parecia preto. Fiquei deitada na cama, olhando pras paredes pretas da minha casa. (...) Levei três meses pra olhar de novo pela janela, pra ver se o mundo ainda tava no lugar. Fiquei surpresa quando vi que a vida do meu filho tinha parado, mas o mundo não.
Eu odeio este lugar. Odeio que a mulher que viveu comigo durante 42 anos esteja morta, que em um minuto, numa manhã de sábado, ela estivesse na cozinha misturando massa de waffle em uma tigela e me contando sobre a briga na reunião do conselho da biblioteca na noite anterior e, no minuto seguinte, estivesse no chão, contorcendo-se enquanto o derrame partia seu cérebro ao meio. Odeio o fato de suas últimas palavras terem sido: ‘Onde eu botei a porcaria da baunilha?’.
Use a ponta, garoto. Use sempre a ponta. Mata mais rápido. (...) Se você está usando o gume da espada significa que está em campo aberto. A parede de escudos foi rompida, e se a parede de escudos que foi rompida é a sua, então você é um homem morto, não importa que seja bom com a espada. Mas se a parede de escudos se mantém firme isso significa que você está de pé ombro a ombro e não tem espaço para girar a espada, só para estocar.
De repente as luzes apagam-se, de repente tudo muda, de repente a alegria fica de lado, de repente, de repente, de repente. Abrace mais, preocupe-se mais com as pessoas, seja mais “humano”. Envie uma mensagem, pergunte como foi o dia, demonstre o verdadeiro significado da palavra amizade e lembre: a vida é feita de “de repentes”.
Eu não morri, apenas embarquei rumo a eternidade, não quero que recordem de mim com lágrimas como aquele que não tem esperança. Eu não morri, mesmo que meu corpo não esteja, sempre minha presença poderá ser sentida. Que eu seja como um barulho de santidade no coração de cada um, que eu seja um alegre peregrino que passou deixando o aroma de Cristo por aonde ia, que eu seja aquela boa lembrança de felicidade, otimismo e certeza que unicamente Cristo salva, que eu seja um simples semeador que semeou o amor em cada coração, que eu seja um singelo grão de areia viajante no deserto em meio a tantos outros pequenos grãos seguindo viajem em sua pequenez. Perdão a todos, apressadamente tive que ir, fui convidado mais uma vez a uma missão, só que na eternidade e me esqueci de dize-los, eu não morri, apenas embarquei rumo à eternidade.
O amor não começa e acaba, o amor nasce e morre. Mas ele também renasce e de forma mais bonita, sem reservas, sem medo, com pressa, com insensatez, com loucura, sem medidas. A esse novo amor, quando aceito, torna-se infinito, não tem mais os sonhos e as ilusões do primeiro, não tem mais expectativas, ele simplesmente deseja acontecer. Por isso ele se torna tão intenso e tão vivo. Pois não tem mais os medos da antiga vida. Esse talvez, seja o amor que transcende a vida e se perpetua dentro da gente, nos fazendo reconhecer a quem amamos. Não pela imagem do ser mas por seus gestos, cheiros, gosto palavras e atitudes.
Definitivamente, a vida é uma ilusão. Todos sabemos que vamos morrer um dia, e mesmo assim vamos levando, como se isso não fosse acontecer com a gente. Viver é uma falácia, um sonho permanente, pois basta saber que a hora está próxima que acordamos para a mais genuína realidade, de que somos finitos e mortais, e não há nada que possamos fazer para mudar isso.
As vezes sinto dores que não sei identificar. É como se cimitarras cortassem-me de dentro pra fora. Parece-me que nessa hora, atinjo o ápice do sofrimento existencial! E então preciso me agarrar a todos os instintos primordiais de conservação para continuar sobrevivendo! Quem me matará será o tempo. Há de ser ele! Ninguém mais possuirá esse prazer!
Já faz alguns anos que venho participando de simpósios, seminários, escolas bíblicas, e conferências. Sempre que se abre um precedente, a localização geográfica do vale da sombra da morte descrito no salmo de Davi, desperta uma discussão acalourada e ninguém nunca tem certeza de nada. As descrições mais aceitas é que se tratava de um desfiladeiro ingrime, estreito e perigosíssimo, onde ladrões habitam as cavernas. Outros dizem que se tratava do vale dos leprosos. Mas, de fato, ninguém sabe se era um local ou uma situação que ele atravessou. De qualquer forma, para quem busca esta informação, a resposta está aí para todos. Nunca o vale da sombra da morte foi tão real, como os dias que nós atravessamos hoje. Afinal, a morte está literalmente no ar e cada um de nós trilhamos por este vale. Não temas, Deus está contigo. Creia!
Penso que a mortalidade de nossos desejos, sonhos e aptidões, seja fundamental pra que façamos escolhas e sacrifícios em direção ao que mais queremos em vida. Para muitos, esta busca simplifica-se em felicidade ou legado. Queremos levar o melhor da vida e deixar o melhor de nós para o mundo, basicamente. A morte nos dá um prazo, uma condição. E nisto fundamos qualquer valor sobre a vida. Sobre nós.
O fato de não compreendermos com precisão o que acontece diante da interrupção da vida - biológica, mental e todas as energias - da mesma forma que entendemos o nascimento de um ser vivo, me leva a imaginar um universo ainda maior na totalidade de suas dimensões. Transcendemos a realidade conhecida? Mergulhamos num sono completamente escuro e sem sonhos do qual jamais despertaremos outra vez? Nossa matriz energética se dispersa e não se converte em mais nada, apodrecendo-se com a matéria de nossos corpos? Melhor, se almas ou espíritos existem, como um tipo de matéria ou energia, a morte seria um estágio natural do processo que nos leva a assumir sua verdadeira forma ou seu perfeito estado?! Uma possibilidade fascinante! Aterrorizante!
Às vezes aqueles que se foram mais cedo, aqueles que decidiram que iriam parar seu próprio tempo, aqueles que pararam sua dor por conta própria, estes, estes perceberam que não é possível sonhar acordado, apenas imaginar, então caíram em um sono do qual não podem mais acordar, sua dor parou, sua respiração se tornou um desejo de quem permaneceu acordado... Nenhuma carta foi deixada, nenhum "adeus" foi dito, dívidas de saudades se acumularam e aquele pensamento de que tudo poderia estar bem agora, esse pensamento será eterno.
Sufoco, insaciedade, injustiça, dor, sofrimento, amargura, incapacidade, fraqueza, saudade... pra qual objetivo? Milagre biológico ou catástrofe? Sinto-me incapaz de seguir qualquer ideologia, não tenho minhas próprias. Não sei o que sou, pra que eu estou, pra onde eu vou... isso dói, me dá desespero e uma hora vai acabar, mesmo tentando correr e abraçar alguém pra acalmar, mas ela chega e quando você nem perceber já não ama, pensa, sonha, vive..
O tempo sempre será o suficiente. Toda passagem de uma pessoa amada, mesmo sendo curta, sempre será o suficiente. Suficiente para amar, ensinar, aprender, encantar e deixar saudade. A morte, nunca é esperada, ou nunca aceitamos o suficiente. Suficiente para amar, cuidar, valorizar e nos arrepender, mas ela vem, vem pra todos nós. O tempo é o nosso melhor amigo, alivia-nos da dor pela a ausência, sem nos deixar esquecer, fazendo com que não deixemos morrer completamente as pessoas que amamos.
A vida não permite ensaios, nem regravação de cenas. A vida não permite a você ter um roteiro, nem decorar suas falas. A vida não te conta o que vai acontecer daqui há dois anos ou dois minutos. A vida acontece agora e ela não espera por você ou por sua vontade de viver. A vida é o circo iluminado, a risada do palhaço, as palmas da platéia. A morte, bom, a morte é quando as palmas acalmam, o riso para e as luzes apagam. você marcou de cortar finalmente seu cabelo, mas não vai aparecer no salão. A vida pode ser um clichê, mas a morte, mesmo quando esperada, é sempre surpresa. Vão ter que mexer nas suas coisas, dobrar as suas roupas, por em dia suas contas. Vão guardar as suas lembranças e passar seus pertences para frente. Aquele dinheiro que você guardou todos esses anos, para aquela sua viagem inesquecível, nunca vai ser usado, pelo menos não por você. Você não teve a chance de esperar se formar para ser feliz, para ter dinheiro, para comprar aquela coisa que sempre quis. Você não teve tempo nem se despedir. Um acidente bobo em um trânsito no feriado e pronto, acabou. A vida não espera por ninguém para acontecer e a morte também não. A morte é aquele tio chato que ri de uma piada que não teve graça nenhuma. A vida dos outros irá continuar, mesmo que aos poucos, sem você. Apenas aqueles que eram extremamente próximos serão realmente afetados. Suas lembranças serão guardadas naquelas fotos e naqueles momentos em que você foi realmente feliz. Ninguém irá lembrar de você pelo dez que tirou naquela prova que passou três noites inteiras estudando e sim, por aquele sete verdadeiramente comemorado. Sua turma da faculdade vai entrar na sala e sentir a sua ausência, mas logo algum aluno esquecido sentará no seu lugar e os outros estarão ocupados demais estudando para próxima prova para notar. A morte é aquele livro que você não conseguiu terminar e vida, bom, a vida é como o vento que continua a soprar, mesmo que o moinho não exista mais
O olhar congelante de quem há tempos perdeu o coração. Talvez roubado, talvez doado, talvez devorado pelos carentes de sensibilidade. As imponentes asas negras em movimentos sincronizados deixavam mais frio o meu quarto. Encontro a paz, que não veio acompanhada da luz que imaginei. A escuridão não amedronta, você me protege. Devia estar apavorada, ao contrário, corro para os seus braços e me acho em ti. Anjo da morte, onde esteve todo esse tempo? Esperava sem me dar conta. Precisava sem nunca ter sentido falta. Fica, ou me leva contigo. Não sofrerei. O sofrimento é a vida e você minha cura.
"Você se sente perplexa como uma mosca que levou um tiro de canhão e sobreviveu, todas as manhãs depois de se ter perdido um filho numa morte trágica. Daí você levanta não por estar viva e porque a vida continua, continua... Você levanta e se veste de raiva. A raiva é a mola impulsionadora da coragem. Da coragem necessária para não esperar a dor passar esperando. Você levanta, se veste de raiva e é com raiva que coloca um sorriso na cara e segue, mas não porque a vida continua, não mesmo, mas para debochar dessa anedota sem sentido que é a existência e não entregar os pontos à ela. Vou cultivar essa raiva, esse riso, essa rebeldia, essa resiliência inconteste até o último 'bufar' de minhas narinas. Pois eu sou uma flecha no calcanhar da vida que não cede à inflamação. Resistindo vulnerabilidades do corpo como se um dia não tivesse que curvar-se diante da morte. Esta, quando chegar, há de encontrar-me sóbria porque eu me fiz forte, mas foi por preguiça de ser fraca. É preciso muita coragem para ser covarde. E lidar com a tristeza é árduo demais. É preciso ser covarde para jamais ser covarde. Acovardo-me, pois". (Em sua página oficial no Facebook)
