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Alma cigana


Minh'alma cigana
nem santa
e nem profana
se encanta
mas não se engana ...


nas linhas da vida
(sempre agradecida)
está sempre a caminhar
em busca da verdade e da luz
pelas páginas do destino a decifrar
toda a poesia do viver que me conduz...


no mundo, na vida e na estrada...
onde o vento tudo leva e tudo traz
a Lua me protege na minha caminhada
o bem me agarra , o mal fica para trás...


✍©️@MiriamDaCosta

A delicadeza tem o poder
de vislumbrar o olhar sensível
e até mesmo encantar e hipnotizar
a agressividade dos mais ferozes...


A delicadeza,
frágil em aparência,
é chama invisível
que atravessa couraças...


Ela se insinua
pelo olhar mais atento,
desarma punhos cerrados,
sussurra sobre o peito dos duros,
e como um feitiço antigo
é capaz de encantar,
de hipnotizar até mesmo
a selvageria dos mais ferozes...


fazendo-os se curvar,
ainda que por um instante,
ao milagre do estupor e do sensível...


✍©️@MiriamDaCosta

Não custa nada
Encantar
Minha mãe e pai
Minha filha
Meus irmãos
Meus amigos
As pessoas que encontrar
Encantar
Amar
Sonhar
Só se leva o encanto
De um para o outro
Vai se embora
O encanto fica
Não esqueça você
Faz parte de mim
Leva um pouco
E deixa para o outro
O encanto sem fim.

O País Não Precisa de um Mito


O Brasil tem uma doença política curiosa: transforma fracassos em símbolos e homens comuns em salvadores. Troca projeto por personagem, programa por slogan, pensamento por torcida. E, quando percebe o estrago, já está discutindo novamente o mesmo personagem como se a história lhe devesse uma segunda temporada.


O bolsonarismo não foi apenas uma candidatura. Foi a industrialização política do ressentimento.


Durante anos, ensinou-se ao brasileiro que pensar era suspeito, que ciência era conspiração, que imprensa era inimiga, que cultura era ameaça e que instituições só eram legítimas quando obedeciam ao lado certo. A política deixou de ser disputa sobre o futuro e passou a ser campeonato de indignações.


Agora, em 2026, o sobrenome continua em campo. Mudou o candidato, mudaram algumas frases, mas permanece a velha arquitetura: transformar medo em voto, conflito em identidade e adversário em inimigo. A política brasileira ainda é convocada a escolher entre o “nós” e o “eles”, como se um país de mais de duzentos milhões de pessoas pudesse caber numa guerra de grupos.


Não pode.


E aqui está o erro que parte da esquerda também comete: imaginar que basta chamar alguém de fascista para vencê-lo. Não basta. A democracia não se defende apenas denunciando a extrema direita; defende-se oferecendo ao cidadão uma razão concreta para acreditar nela.


O Brasil precisa de escola que ensine a pensar, não apenas a repetir. De saúde que funcione antes que a doença vire estatística. De segurança pública que não seja espetáculo. De emprego que não seja favor. De ciência que não precise pedir desculpas por existir. De Estado que proteja sem tutelar.


E precisa, sobretudo, abandonar a infantilização política.


Nenhum presidente é messias. Nenhum partido é dono da verdade. Nenhum eleitor precisa entregar a própria consciência na porta de uma convenção partidária.


O bolsonarismo prosperou justamente onde a razão recuou.


Por isso, enfrentá-lo não significa apenas derrotar Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou qualquer herdeiro eleitoral do sobrenome. Significa derrotar a ideia de que o Brasil precisa de um homem providencial para funcionar.


Não precisa.
Um país sério não procura um salvador.
Procura cidadãos.


E talvez essa seja a coisa mais perigosa que se possa dizer numa eleição: o Brasil não precisa acreditar em ninguém. Precisa aprender a pensar por si mesmo.


William Contraponto

Vamos repensar?

Darwin — “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

“Adaptar-se é necessário, mas adaptar-se a tudo pode ser o início da perda da própria essência. Sobreviver exige flexibilidade; evoluir exige discernimento.”

Carlos Eduardo Balcarse

Vamos repensar:

Nicolás Gómez Dávila:

“A inteligência moderna não busca a verdade, busca argumentos.”

Carlos Eduardo Balcarse:

“A maior crise intelectual do nosso tempo não é a ausência de conhecimento, mas a ausência de sabedoria. As pessoas não procuram a verdade para transformar a própria vida; procuram argumentos para justificar os próprios erros.”

Vamos repensar?

Baltasar Gracián:

“Não basta ter inteligência; é preciso saber usá-la.”

Carlos Eduardo Balcarse:

“A inteligência sem consciência é apenas uma ferramenta sofisticada nas mãos de uma mente despreparada. O mundo não sofre pela falta de pessoas inteligentes; sofre pela falta de pessoas sábias. Saber muito não significa compreender profundamente. A informação amplia a mente; o discernimento transforma o homem.”

Ruínas da verdade


Chegam os tempos das incertezas.
Quando quase nada encanta,
ao saber da verdade dos truques;
A magia de tudo se esvai.
Os belos discursos, o teor das palavras frenéticas,
perdem a veemência
com o caráter de papel do preletor.


A democracia é relativa aos interesses;
E a vergonha se mede pelo tamanho e pelo lucro da barganha.
As casas e os homens da justiça
parecem recicláveis, misturas de tudo.


O poder nas mãos de roedores,
que nada plantam, nada produzem,
só consomem e deixam restos.


Tempos de incertezas, rumos ao caos.
Caminha-se para a ruína
no tempo de tantas informações.
A ganância consome
primeiro a capacidade de projetar um futuro melhor.

É incrivelmente difícil traduzir em palavras essa sensação de ter perdido você, sabendo que você ainda está no mundo. Nós não nos perdemos para a vida; nos perdemos nas escolhas que fizemos, no tempo que deixamos passar e nas circunstâncias que desenharam esse distanciamento entre nós. E o que me sobra hoje é um vazio. Um espaço imenso no peito repleto de lembranças, de planos que agora ficaram órfãos e que costumavam colorir os nossos dias e as nossas conversas mais bonitas.
​Olhando para trás, sinto a necessidade urgente de te pedir desculpas. Me perdoa. Me perdoa pelas vezes em que não soube te dar valor. Se eu pudesse voltar no tempo, faria tantas coisas de um jeito diferente, só para não ter que ver o nosso "fim" se transformar em saudade.
​O mais pesado de tudo isso é perceber que o meu amor por você não entende de prazos, finais ou distâncias. Ele continua aqui, pulsando vivo e intacto dentro de mim. Você me invade em momentos completamente aleatórios do dia: de repente, me pego ouvindo o eco da sua risada, sentindo o calor do seu toque ou lembrando do seu perfume. É um amor que transborda, mas que agora não tem mais para onde ir.
​Estou tentando aprender, dia após dia, a conviver com esse sentimento. É um exercício doloroso de não apagar o que fomos, mas de aceitar, com o coração partido, o que somos agora. Eu não quero te esquecer, mas preciso aprender a te deixar ir.
​Eu sigo em frente, mas a verdade é que deixei os melhores pedaços de mim morando em você. Por fora, o meu sorriso vai se recompondo para o mundo, mas por dentro existe um coração completamente apaixonado que ainda te espera. Mesmo sabendo que o nosso caminho agora é individual, uma parte de mim sempre vai pertencer a você.
​Dizem que a vida nos ensina a suportar o insuportável. Minha única esperança é que, com o tempo, essa dor se transforme em uma lembrança leve — um lugar bonito na minha mente onde eu possa te visitar sem me machucar, apenas para sorrir, lembrar do quanto fui feliz ao teu lado e te agradecer por ter sido o amor da minha vida.

Curiosidade bíblica


Você sabia que, no episódio registrado por Mateus 8, Marcos 4 e Lucas 8, nenhum desses três autores estava presente quando Jesus acalmou a tempestade no mar e seguiu viagem para Gadara?


Curiosamente, dos quatro evangelistas, o único que possivelmente estava presente era João, filho de Zebedeu. E há um detalhe surpreendente: embora tenha testemunhado esse acontecimento, João é o único dos cinco presentes (Jesus, João, Pedro, Tiago e André) que não registra esse episódio em seu Evangelho.


Possivelmente, cada evangelista obteve essas informações da seguinte forma:
Mateus: ouviu o relato de João, Tiago, André ou Pedro, pois sua conversão aconteceu depois desse episódio.


Marcos: escreveu com base no testemunho de Pedro.


Lucas: reuniu informações a partir dos relatos dos apóstolos e de outras testemunhas oculares.


Vale lembrar que Marcos e Lucas não eram apóstolos, e Mateus ainda não havia sido chamado por Jesus quando esse acontecimento ocorreu.


Por Ubirajara Almeida

Do julgamento


E aí tudo tem dois lados... e todo mundo (inteligente) sabe disso, né não!?
E você ouve só um...
E faz o seu julgamento... que só pode ser bem capenga, né não?
Aceita como verdade irrefutável o que ouviu... verdade absoluta... verdade verdadeira... E sem provas de que não é BEEEMMM assim que as coisas são...
...
Mas... simplesmente porque lhe convém, você denigra o outro, você pisa no outro, você aponta erros que SÓ o outro tem (ou você, convenientemente fabrica no outro esses erros... essas falhas... essas faltas que VOCÊ considera primordiais pra manter o bom andamento do SEU trabalho... MANTER o seu trabalho).
Ou... talvez... porque olhar o outro lado vai te dar trabalho... e você não quer ter trabalho... você mal dá conta (e mal, por sinal) do seu próprio trabalho.
Ou, ainda... quem sabe... porque você quer que o outro lado se arrombe... e olha aí uma excelente oportunidade pro outro lado se arrombar... e você sai ganhando (eu me pergunto exatamente o que você sai ganhando, empurrando um colega de trabalho com seu próprio dedão sujo? (Gostaria de ter a capacidade de ler mentes nessas situações... de verdade).
E, no fim, você não tem nada com isso né!? O bater de asas de uma borboleta... como é que é o tal do efeito borboleta!?... ah! você sabe, né!?
Sabe uma coisa que admiro demais?
Aquelas pessoas que antes de expressar um julgamento procuram ouvir os dois lados antes de apontar o dedo... (e ainda há o lado verdadeiro... né não?)
São pessoas inteligentes... são sábias... são confiáveis... são pessoas coerentes... são pessoas que investigam, analisam, ouvem... pessoas que fazem uso do princípio do nosso sistema de justiça...
E vão crescer na vida!!
Os outros (os bitolados, de mentes fechadas, medrosos, temerosos de que sua incapacidade profissional, social... e de tudo o mais... uma hora qualquer salte aos olhos de seu chefe).
Bom, a vida vai se encarregar de colocar na vida desses apontadores de dedos maldosos pessoas que lhes irão ensinar... do jeito fácil ou de um jeito BEM punk.
Genten... a verdade é a coisa mais natural do mundo... ela aparece sem que seja necessário muito esforço não... então, por que não sermos verdadeiros o tempo todo e... pra que puxar o tapete de um colega de trabalho?
Não estamos cercados de pessoas cegas... não mesmo... sempre há alguém de olho em nossas ações, né não?


Rosangela Calza

Desaprender é um dos atos mais elevados da inteligência.

Fomos ensinados a aprender, mas raramente fomos ensinados a desaprender. E talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas acumulam conhecimento sem jamais alcançar sabedoria.

Aprender amplia a mente. Desaprender a liberta.

O conhecimento acrescenta. O discernimento seleciona.

A mente mente. Cuidado para não ficar demente. Ela se apega às certezas, apaixona-se pelas próprias conclusões e transforma opiniões em prisões. Por isso, nem tudo o que aprendemos merece permanecer dentro de nós.

Há ideias que iluminam. Outras apenas ocupam espaço.

O verdadeiro conhecimento não consiste em acumular respostas, mas em desenvolver a coragem de abandonar respostas que já não explicam a realidade. Crescer exige aprender. Evoluir exige desaprender.

Quem não desaprende transforma a própria inteligência em cárcere. Afinal, a pior prisão não é aquela construída por muros, mas por convicções que nunca foram questionadas.

Toda aprendizagem autêntica exige um esvaziamento. Não se derrama água limpa em um recipiente cheio de água turva. Antes de receber uma nova verdade, muitas vezes é preciso renunciar às velhas ilusões.

Desaprender não é esquecer. É discernir.

É separar o conhecimento da sabedoria.

É abandonar crenças que limitam para acolher verdades que libertam.

A ignorância pode ser ensinada. A arrogância de quem acredita já saber tudo torna-se quase inalcançável. O maior inimigo da aprendizagem não é a falta de conhecimento, mas o excesso de certezas.

Quanto mais rígida é uma mente, menor é sua capacidade de crescer. A inteligência abre portas. O ego as tranca.

Penso, logo resisto. Resisto à manipulação, às verdades prontas, aos paradigmas herdados sem reflexão e às ideias aceitas apenas porque sempre foram repetidas.

Desaprender é um ato de humildade intelectual. É reconhecer que a verdade não precisa da nossa aprovação para continuar sendo verdade.

A educação nos ensina a responder. O discernimento nos ensina a perguntar.

A educação nos ensina o que pensar. O discernimento nos ensina a pensar.

Porque, no fim, aprender muda o que sabemos.

Desaprender muda a forma como enxergamos o mundo.

E quando muda a forma como enxergamos o mundo, inevitavelmente muda quem somos.

Carlos EDUARDO Balcarse

28/07/2026

"16-11-2020 13:34


Interessante saber como a mente vagueia, quando estamos em sono profundo...
Ela costuma ir lá no porão do nosso subconsciente e trazer tudo aquilo que está já empoeirado...


Eu não sei como descrever sobre o que aconteceu nesse sonho...


Mas, lembro de muitas garotas alegres, bonitas e fazendo bagunça...


Eu conhecia quase todas!


Interessante que me perguntaram algo que eu jamais havia falado naquele lugar pra ninguém, eu não me recordo...


Mas, lembro que depois estava a beira de um rio e estavam todos lá, menos uma pessoa, como na casa também...


O 'C'... Como sempre, invadindo meus sonhos...


Essa era a única pessoa que não estava em lugar algum!


Eu vi uma oferenda passando em um rio, o cheiro muito forte e ainda parece estar em meu nariz.


Só que a pessoa que estava ao meu lado disse que era só pra aromatizar o ambiente...
Mas, como?
Eram velas com incenso e palha, algo do tipo...


Eu fiquei abismada com aquilo e ainda sentindo falta da pessoa que não estava em lugar algum.


Do 'C'...


Eu gostaria de entender esse sonho, mas, acho que entendo...


Só não consigo entender porque ainda me perturba tanto, será que irei enlouquecer?"

Tem um momento curioso da vida em que a gente percebe que algo mudou, mas não houve fogos de artifício, nem anúncio no alto-falante do universo. Simplesmente aconteceu. Um dia eu acordo, preparo um café qualquer, desses que parecem conversar com a gente enquanto sobe o cheiro pela cozinha, e percebo que aquilo que antes pesava no peito já não ocupa tanto espaço. Não é esquecimento, não é indiferença, é outra coisa. É como trocar um móvel enorme de lugar e descobrir que a sala respira melhor.

Eu lembro de quando certas lembranças doíam como quem pisa descalça em pedra quente. Tudo parecia recente demais, vivo demais, quase insolente. O passado às vezes se comporta como visita inconveniente, entra sem bater, senta no sofá da memória e ainda pede atenção. E eu, naquela época, ficava olhando para dentro de mim como quem procura um botão de desligar emoções. Não achava. A vida, sábia e meio irônica, nunca entrega manual de instruções.

Mas então chega um tempo. E esse tempo não avisa que chegou. Ele se instala devagarinho, como luz entrando pela janela no final da tarde. O que antes era ferida aberta vira cicatriz. E cicatriz é uma coisa interessante, ela não some totalmente, mas também não manda mais na história. Eu olho para trás e penso que sobrevivi a mim mesma. Parece filosófico demais para uma sexta-feira comum, eu sei. Ainda assim é verdade.

Existe um tipo de silêncio que aparece quando a dor se transforma em superação. Não é o silêncio do vazio, é o silêncio da paz. Como se o coração finalmente sentasse numa cadeira confortável depois de caminhar quilômetros carregando malas que nem eram dele. E aí eu percebo que muita coisa ficou para trás não porque eu quis forçar, mas porque simplesmente deixou de me pertencer.

É estranho como a gente acredita que algumas dores vão morar para sempre dentro da gente, pagando aluguel emocional atrasado. Só que a vida tem essa mania de renovar contratos internos sem pedir opinião. Quando vejo, já não dói. E não doer mais não significa que não importou. Significa que eu cresci o suficiente para não sangrar toda vez que a memória passa.

Eu gosto de pensar que superar é um tipo de maturidade silenciosa. Não é aquela pose de quem venceu tudo, até porque ninguém vence tudo. É mais como quem aprendeu a caminhar sem tropeçar nas mesmas pedras. E quando olho para frente agora, existe um espaço novo dentro de mim, um espaço que antes era ocupado por perguntas, culpas e saudades que machucavam.

Hoje esse espaço virou paz. E paz, descobri, não é ausência de história. É presença de entendimento. É seguir adiante com o coração mais leve, quase sorrindo para o próprio passado, como quem diz obrigada por tudo, até pelo que doeu, porque no final das contas foi justamente isso que me ensinou a continuar.

Tem dias em que eu olho para trás e penso numa coisa meio curiosa, quase irônica, dessas que a gente conta rindo no café da tarde enquanto mexe o açúcar devagarinho. Desde pequena a vida parecia uma arena gigante, como se cada fase viesse com um teste novo, um daqueles que não dá para devolver para o professor dizendo que caiu conteúdo que ninguém explicou. E mesmo assim eu fui atravessando tudo com uma cara tranquila, quase elegante, como quem diz para o mundo que está tudo sob controle, quando na verdade por dentro existia um turbilhão inteiro discutindo filosofia com a própria sobrevivência.

Nunca contei quase nada. Não porque não existisse história, muito pelo contrário. Era tanto capítulo que dava para montar uma biblioteca inteira, daquelas silenciosas, onde só eu conheço o catálogo. E reclamar nunca foi muito meu estilo, não por heroísmo, mas porque as pessoas criaram uma versão de mim que parece feita de aço temperado. A tal mulher forte. Aquela que resolve. Aquela que aguenta. Aquela que sempre volta. E quando o mundo decide que você é forte, pronto, está oficialmente proibida de fraquejar em público, como se fosse uma regra invisível assinada numa reunião secreta da humanidade.

O curioso é que eu mesma comecei a acreditar nessa história. Não que eu nunca tenha cansado, claro que cansei. Só que eu aprendi a conversar comigo mesma como quem acende uma luz interna no meio de um apagão. Houve uma vez, só uma, que pensei em dividir o peso, abrir a caixa preta da minha história, mostrar as evidências, os fragmentos, os acontecimentos. E a resposta foi aquele silêncio estranho, ou pior, aquela frase que parece pequena mas faz eco dentro da gente por muito tempo. Não acreditam em evidências. E eu pensei, então está bem, talvez a minha prova não seja para convencer ninguém, talvez seja apenas para me manter de pé.

Engraçado como a gente descobre forças que não estavam no manual de instruções da vida. Eu fui percebendo que existe uma musculatura invisível dentro da alma. Uma espécie de academia espiritual onde cada queda vira um exercício novo. E ali, sem plateia, eu fui ficando mais resistente, não porque o mundo exigiu, mas porque alguma coisa maior sempre esteve comigo. Aquela presença silenciosa que não precisa de explicação, que aparece nos momentos mais absurdos da existência e sussurra, calma, continua.

Então eu continuo. Não enlouquecida, como alguns poderiam imaginar quando veem a quantidade de batalhas acumuladas desde a infância, mas curiosamente lúcida. Como quem atravessou tempestades suficientes para reconhecer o som da própria paz quando ela aparece. E tem uma coisa engraçada nisso tudo, quase uma ironia elegante da vida. As pessoas pensam que eu nunca precisei de ajuda. Mas na verdade eu sempre tive ajuda, só que veio de um lugar que não depende de aplauso, de aprovação ou de testemunha.

No fim das contas, eu sigo com essa mistura de força interior e fé silenciosa que me acompanhou o tempo inteiro. Como se eu estivesse caminhando por um mundo barulhento com uma bússola dentro do peito. E olha, posso te dizer uma coisa com aquela tranquilidade de quem já atravessou muita coisa. Quando a gente aprende a confiar nessa força que mora dentro da gente, o caos até tenta fazer barulho, mas já não manda mais na história. Porque a história, no fim, continua sendo minha. E eu ainda estou escrevendo.

Tem uma coisa curiosa sobre a gente que ninguém conta no manual da vida, até porque esse manual nunca foi entregue. A gente sonha coisas que parecem roteiro de novela das nove, cheio de drama, olhar atravessado e silêncio pesado. Acorda meio confusa, meio irritada, às vezes até com vontade de tirar satisfação de algo que, tecnicamente, nem aconteceu. E aí vem a frase racional, quase como uma tentativa de se proteger do próprio coração: sonho não é prova de nada. E não é mesmo. Se fosse, a gente já teria perdido o juízo há muito tempo.

Mas também existe essa outra verdade, mais quieta, mais sutil, que chega sem fazer alarde: sentimento não nasce do nada também. Ele não brota como mato em terreno abandonado. Tem raiz. Tem história. Tem pequenos detalhes acumulados que a gente vai fingindo que não vê, vai empurrando para debaixo do tapete emocional, como quem acredita que ignorar é o mesmo que resolver. Não é.

Às vezes, o sonho é só um exagero da mente, um teatro meio bagunçado do que a gente viu, ouviu ou temeu durante o dia. Mas o sentimento… esse é mais honesto. Ele pode até se confundir, pode até exagerar, mas dificilmente é totalmente inventado. Ele costuma ser um sussurro do que já estava ali, pedindo atenção, pedindo nome, pedindo coragem.

E eu fico pensando que o problema não está no sonho em si. Está no que a gente faz depois de acordar. Tem gente que ignora tudo, como se nada tivesse acontecido. Tem gente que se afoga naquilo, como se fosse uma verdade absoluta. Mas talvez o caminho mais difícil, e mais verdadeiro, seja olhar para dentro com uma certa sinceridade desconfortável. Aquela que não acusa ninguém primeiro, mas também não se abandona.

Porque sentir não é crime. Mas também não é sentença.

É só um convite. Um convite para investigar o que dentro da gente está pedindo mais cuidado, mais atenção, mais verdade. Às vezes não tem nada a ver com o outro. Às vezes tem tudo a ver com inseguranças antigas, com medos que a gente achou que já tinha superado, mas que só estavam quietinhos, esperando uma brecha.

No fim das contas, sonho pode até ser ilusão. Mas o que a gente sente… isso é real o suficiente para merecer ser ouvido, nem que seja em silêncio, numa conversa sincera consigo mesma, dessas que a gente evita, mas sabe que precisa ter.

E se você já se pegou pensando assim, talvez não seja sobre desconfiar do mundo. Talvez seja sobre entender melhor o seu próprio coração.

Agora me conta uma coisa… já aconteceu de você acordar com um sentimento que parecia mais real do que o próprio dia?

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Tem algo curioso na tal da Sexta-feira Santa. Eu fico observando como se fosse uma peça de teatro que todo mundo conhece o roteiro, mas ninguém lembra exatamente quem escreveu. Dizem que foi nesse dia que Cristo morreu. Dizem com tanta certeza que parece até que alguém estava lá com um relógio na mão, anotando data e horário, como quem marca consulta médica. Mas, no fundo, ninguém sabe ao certo. E mesmo assim, todo mundo respeita. Ou pelo menos finge respeitar, que às vezes dá no mesmo.


Aí chega o dia e, de repente, o mundo desacelera. A carne some dos pratos como se tivesse sido proibida por decreto celestial. O peixe vira protagonista, coitado, como se tivesse menos culpa no enredo da existência. Eu fico pensando no peixe, nadando tranquilamente dias antes, sem imaginar que seria promovido a refeição oficial da consciência aliviada. Porque não é sobre o peixe, nunca foi. É sobre a sensação de estar fazendo a coisa certa, nem que seja só por um dia.


E o medo… ah, o medo ganha um brilho especial. Tem gente que não varre a casa, não ouve música, não ri alto, não faz nada que pareça “errado”. Como se o céu estivesse mais atento, com uma prancheta na mão, anotando comportamentos. Mas aí eu penso com uma certa ironia silenciosa, dessas que a gente nem comenta em voz alta… nos outros dias, os mesmos que hoje se recolhem, vivem sem esse cuidado todo. Falam o que machuca, fazem o que sabem que não deveriam, ignoram o que pede atenção. Mas hoje… hoje não pode.


É um tipo de fé curiosa, meio seletiva, meio episódica. Como se a consciência tivesse um calendário próprio, funcionando só em datas comemorativas. E eu não digo isso com julgamento, digo com aquele olhar de quem percebe a contradição e, ao mesmo tempo, se reconhece nela. Porque, no fim, todo mundo tem um pouco disso. Esse desejo de ser melhor… mas só quando é conveniente, só quando o ambiente pede.


E mesmo assim, apesar de tudo, existe algo bonito ali. Existe um silêncio diferente no ar, uma pausa que não acontece em dias comuns. Uma tentativa, ainda que breve, de lembrar que existe algo maior, algo que pede reflexão, cuidado, presença. A Sexta-feira Santa não é sobre saber a data exata. É sobre o que a gente faz com a ideia dela. É sobre o símbolo.


O problema é que o símbolo dura pouco. No dia seguinte, tudo volta. A carne volta, o barulho volta, a pressa volta, as falhas voltam com força total, como se estivessem só esperando o sinal verde. E aquela consciência que parecia tão sensível… adormece de novo.


Talvez o ponto nunca tenha sido o peixe, o silêncio ou o medo. Talvez fosse sobre manter, pelo menos um pouco, aquilo que a gente só lembra de sentir nesse dia. Um pouco mais de cuidado, um pouco mais de respeito, um pouco mais de verdade nas atitudes, não só no calendário.


Porque fé de um dia só é quase como um feriado da alma. Descansa, aparece bonita, mas não muda a rotina.


E no fim, eu fico com essa sensação meio irônica, meio melancólica… de que a gente sabe o caminho, só não gosta muito de caminhar nele por muito tempo.


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Um belo dia, desses em que a gente abre o Instagram mais por tédio do que por curiosidade, como quem abre a geladeira esperando que um brigadeiro mágico tenha brotado do nada, lá estava ele. Sugerido. Entregue pelo algoritmo como se fosse uma encomenda atrasada do passado. A pessoa que eu mais amei nessa vida, ali, em pixels bem organizados e uma bio que provavelmente nem dizia metade do que um dia eu achei que ele era.


E foi estranho. Não aquele estranho de arrepio ou saudade que aperta o peito, não. Foi um estranho quase burocrático, como reencontrar um conhecido antigo no mercado e perceber que você não tem absolutamente nada para dizer além de um “oi” educado que nem chega a sair. Eu olhei e pensei, com uma calma que teria me assustado anos atrás: eu não o conheço mais. Talvez nunca tenha conhecido.


Porque a verdade, essa senhora inconveniente que chega sem bater, é que a gente ama muito mais a versão que constrói do que a pessoa em si. Eu amei um garoto de 16 anos que despertou em mim um universo inteiro, como se tivesse apertado um botão secreto dentro do meu peito que ninguém antes tinha encontrado. E eu fiquei ali, por muito tempo, vivendo daquele eco, daquela sensação inaugural, como se o primeiro amor fosse um selo de autenticidade na minha história.


Eu queria que ele tivesse crescido ao meu lado. Queria que o tempo tivesse sido gentil o suficiente para nos transformar juntos, como duas xícaras esquecidas no mesmo canto da mesa. Mas a vida não é esse romance organizado que a gente planeja na cabeça. A vida é meio bagunçada, meio irônica, meio debochada. Ela separa com uma naturalidade impressionante aquilo que a gente jura que nasceu para ficar.


E separou.


Só que o mais curioso não foi a separação. Foi o depois.


Depois veio alguém que dizia nunca ter conhecido o amor. E eu, que já tinha um coração com histórico de quedas, cheguei cautelosa, quase com um manual invisível nas mãos. Observando. Testando. Duvidando. Porque amar de novo não é exatamente romântico, é quase um ato de coragem meio inconsequente. É tipo provar uma comida que já te fez passar mal, torcendo para que dessa vez o tempero esteja certo.


Ele era um homem feito, mas com aquele jeitinho de menino que ainda não entendeu algumas coisas básicas da vida. E eu fui, sem perceber, ensinando. Mostrando. Traduzindo sentimentos que às vezes nem eu mesma dominava tão bem assim. E no meio disso tudo, eu me tornei o primeiro amor dele. Olha que ironia bonita. Eu, que carregava um primeiro amor como uma espécie de monumento interno, virei o primeiro amor de alguém.


E eu gostei disso. Não vou mentir. Tem um certo charme em ser o começo de alguém, em ocupar esse lugar inaugural que muda tudo.


Mas não foi fácil. Eu tive medo. Medo de me decepcionar, medo de repetir a história, medo de investir de novo em algo que poderia virar mais uma lembrança guardada numa gaveta meio empoeirada da alma. Só que, diferente da primeira vez, eu não fui no impulso. Eu fui construindo. Lapidando. Questionando. Como quem monta um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.


E, aos poucos, fez sentido.


Hoje, tantos anos depois, o amor não é aquele incêndio descontrolado do começo da vida. Ele é mais estável, mais consciente, mais… decidido. A gente se ama com uma escolha diária, quase teimosa. Não é perfeito, longe disso, mas é real. E talvez seja isso que mais importa no fim das contas.


E então, naquele dia, diante da sugestão do Instagram, eu percebi uma coisa simples e libertadora: não fazia mais sentido. Não havia mais curiosidade, nem saudade, nem aquela vontade boba de stalkeada estratégica. Só havia um “X” ali, discreto, quase tímido, esperando para ser clicado.


E eu cliquei.


Sem drama. Sem trilha sonora. Sem discurso interno elaborado. Cliquei como quem fecha uma aba desnecessária no navegador da vida.


Porque, se existe essa ideia bonita de que somos amores de outras vidas tentando nos reencontrar, eu realmente espero que, em algum outro tempo, em alguma outra versão de mim, a gente tenha dado certo. Que a gente tenha se encontrado no momento certo, com a maturidade certa, com a vida menos caótica.


Mas não foi nessa.


E tudo bem.


Porque nessa vida aqui, nessa bagunça organizada que eu aprendi a chamar de lar, eu já tenho o amor que eu quero ter até o fim. Não aquele que me ensinou a sentir pela primeira vez, mas aquele que escolheu ficar quando sentir deixou de ser novidade e virou compromisso.


E olha… entre um amor que marca e um amor que permanece, eu fico com o que fica. Sempre.

Eu acho curioso como a gente vive numa época em que trocar de celular demora mais do que trocar de gente. O celular, coitado, ainda ganha capinha nova, película, limpeza de memória… já as pessoas, não. Travou uma vez, já vem aquele impulso moderno de deslizar pra próxima versão como se fosse atualização de aplicativo. E eu fico olhando isso tudo com uma mistura de riso e leve desespero, tipo quem percebe que o mundo virou um grande teste de paciência… e ninguém quer passar.


Porque ficar hoje em dia virou quase um ato subversivo. É tipo levantar uma bandeira invisível e dizer com toda a calma do mundo, eu não vou embora só porque ficou difícil. E veja bem, não é sobre aguentar qualquer coisa, não é sobre se anular, virar mártir emocional ou protagonista de novela sofrida das seis. É sobre escolher conscientemente continuar. E isso dá um trabalho que ninguém posta nos stories.


Tem dias em que amar parece simples, leve, até meio cinematográfico. Mas tem outros em que amar é quase administrativo. Exige organização emocional, revisão de expectativas, paciência digna de quem já enfrentou fila de banco em dia de pagamento. Porque não tem trilha sonora, não tem vento no cabelo, não tem cena em câmera lenta. Tem só duas pessoas tentando não estragar o que construíram com as próprias mãos.


E o mais engraçado é que a gente foi condicionado a acreditar que amor de verdade é aquele que faz o coração disparar o tempo todo. Sendo que, sinceramente, se for assim o tempo inteiro, talvez seja mais caso de ansiedade do que de romance. Porque amor mesmo, esse que dura, ele se parece mais com um sofá confortável do que com uma montanha-russa. Não impressiona à primeira vista, mas sustenta o corpo quando a vida pesa.


Escolher ficar é isso. É olhar pra mesma pessoa, com os mesmos defeitos já conhecidos, com as mesmas manias que às vezes irritam, e ainda assim pensar, eu prefiro construir aqui do que começar do zero com alguém que ainda nem sei como vai me decepcionar. Porque, convenhamos, todo mundo decepciona em algum momento. A diferença é se você vai embora na primeira rachadura ou se entende que relações não são porcelana, são mais tipo concreto… racham, mas também podem ser reforçadas.


E no meio desse mundo que valoriza o novo, o rápido, o descartável, permanecer virou quase um luxo emocional. Um tipo de coragem silenciosa que não dá curtida, não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. Porque no fim, o extraordinário não é o começo cheio de fogos de artifício. O extraordinário é continuar quando os fogos acabam e sobra só a realidade… e mesmo assim, escolher ficar.


Agora me conta… você é do time que insiste ou do time que troca?

Vivemos uma época curiosa. Nunca houve tanta facilidade para acessar informações, opiniões e diferentes pontos de vista. Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil consumir conteúdos que transformam pessoas em inimigos umas das outras.


Basta abrir as redes sociais para encontrar alguém dizendo que homens não prestam. Logo depois, aparece outro afirmando que mulheres são interesseiras. Em seguida, surgem discursos que tentam convencer as pessoas de que o amor verdadeiro não existe, que a fidelidade é uma mentira ou que todo relacionamento está condenado ao fracasso.


O problema não está apenas na existência dessas opiniões. O verdadeiro perigo surge quando alguém começa a consumi-las diariamente sem questionamento. A mente humana funciona de maneira muito mais influenciável do que gostamos de admitir. O que ouvimos repetidamente tende a parecer verdade, mesmo quando não existe nenhuma evidência concreta na nossa própria realidade.


Muitas pessoas passam a enxergar traições onde não existem. Começam a desconfiar de parceiros que nunca deram motivos para desconfiança. Interpretam gestos comuns como sinais de manipulação. Criam conflitos baseados em histórias de desconhecidos na internet. Aos poucos, deixam de viver a própria vida para viver dentro de narrativas criadas por pessoas que sequer conhecem sua realidade.


É importante compreender que experiências individuais não representam a humanidade inteira. O fato de alguém ter sofrido uma decepção não significa que todos irão sofrer a mesma decepção. O fato de um relacionamento ter fracassado não significa que todos estão destinados ao fracasso.


A internet recompensa conteúdos que provocam emoções intensas. Raiva, medo, indignação e conflito geram visualizações. Quanto mais as pessoas brigam, comentam e compartilham, mais esses conteúdos se espalham. Nem sempre o que recebe mais atenção é o que possui mais verdade.


Enquanto isso, existe uma parcela silenciosa da sociedade formada por homens e mulheres que continuam construindo relacionamentos saudáveis, respeitosos e duradouros. Essas histórias raramente viralizam. Não porque sejam menos reais, mas porque a paz costuma gerar menos engajamento do que o conflito.


Talvez uma das maiores demonstrações de maturidade na era digital seja desenvolver a capacidade de filtrar aquilo que consumimos. Nem toda opinião merece espaço na mente. Nem todo discurso merece influenciar nossas decisões. Nem toda experiência alheia deve ser transformada em regra para a nossa vida.


Antes de acreditar que o mundo inteiro é exatamente como alguém descreve em um vídeo de poucos minutos, vale a pena olhar ao redor e observar a realidade com os próprios olhos. Porque cada pessoa tem uma história. Cada relacionamento tem suas particularidades. Cada vida possui desafios e conquistas que não cabem em generalizações.


O amor não desapareceu. A confiança não desapareceu. O respeito não desapareceu. O que muitas vezes desaparece é a capacidade de enxergá-los quando passamos tempo demais ouvindo pessoas que lucram com a divisão, o ressentimento e o conflito.


A pergunta é simples: você está construindo sua visão de mundo a partir da sua própria realidade ou a partir do barulho produzido por pessoas que nem sabem que você existe?