Textos Interessantes
“Moça bela do campo,
Campo dourado encantado,
No gramado isolado,
Sinto-me iluminado,
A moça faz um desenho de um campo,
E isso me concentra,
Ela é bela como estrela,
A moça é bela que quando passo por ela, me congela,
Vem dançar comigo,
Moça que encanta e canta
Sua beleza é como flor em primavera
Moça bela do meu campo…
Campo dourado,
Você é minha calmaria,
Com certeza iria ser atração de alguém.”
Aquilo Que Habita em Nós
Existe uma curiosa tendência humana: compartilhar aquilo que carregamos por dentro.
Quem cultiva serenidade costuma espalhar tranquilidade.
Quem encontra esperança frequentemente a oferece aos outros.
Mas o mesmo acontece com os sentimentos mais difíceis.
Muitas vezes, a intolerância, a agressividade e o julgamento não nascem do mundo exterior. São reflexos de conflitos que ainda não encontraram paz dentro de quem os manifesta.
Talvez por isso algumas pessoas pareçam espalhar sofrimento por onde passam.
Não porque sejam essencialmente más, mas porque oferecem ao mundo aquilo que possuem em abundância.
A vida nos apresenta diariamente uma escolha silenciosa: decidir o que cultivaremos em nosso interior.
Cada pensamento alimentado, cada valor preservado e cada atitude repetida contribuem para formar aquilo que nos tornamos.
Por isso, antes de tentar mudar alguém, talvez seja mais sábio observar a nós mesmos.
O respeito, a empatia e a compreensão raramente nascem da imposição.
Eles surgem quando reconhecemos que cada ser humano enfrenta batalhas que nem sempre conseguimos enxergar.
Talvez a verdadeira sabedoria não esteja em julgar quem caminha por uma estrada diferente da nossa.
Talvez esteja em caminhar com consciência pela própria estrada.
— Wander von Muller
O Amor e a Ilusão da Semelhança
Talvez uma das maiores curiosidades dos relacionamentos seja que raramente nos apaixonamos pelo desconhecido.
Quase sempre existe algo familiar no outro. Um jeito de enxergar a vida, uma ferida parecida com a nossa, um sonho compartilhado ou uma forma de sentir que reconhecemos sem perceber.
A semelhança aproxima.
Ela cria pontes, gera identificação e nos faz acreditar que encontramos alguém capaz de compreender aquilo que muitas vezes não conseguimos explicar.
Mas existe uma armadilha silenciosa nesse processo.
Depois de encontrar afinidades, passamos a desejar ainda mais correspondência. Aos poucos, deixamos de conhecer a pessoa que está diante de nós e começamos a compará-la com aquilo que esperamos dela.
Sem perceber, trocamos a descoberta pela expectativa.
O amor então corre o risco de deixar de ser encontro para se tornar exigência.
Talvez por isso os relacionamentos mais saudáveis não sejam aqueles em que duas pessoas se tornam iguais, mas aqueles em que aprendem a conviver com suas diferenças sem perder o respeito, o cuidado e a admiração.
Existem muitos tipos de amor.
Mas o amor que realmente transforma não é aquele que encontra alguém parecido conosco.
É aquele que nos ensina a acolher aquilo que é diferente sem desejar controlar, corrigir ou moldar.
Porque amar não é encontrar alguém que confirme quem somos.
É aprender a crescer ao lado de alguém que também está tentando descobrir quem é.
— Wander von Muller
Quando a Felicidade Transborda
Existe algo curioso na felicidade.
Quando ela é verdadeira, raramente deseja permanecer apenas em nós.
Um momento de paz, uma paisagem bonita, uma notícia boa ou uma simples sensação de plenitude despertam quase sempre o mesmo impulso: pensamos em alguém.
Desejamos que outra pessoa esteja ali para ver o que vemos, sentir o que sentimos ou experimentar aquilo que nos faz bem.
Talvez o afeto se revele justamente nesses instantes.
Não apenas nas grandes declarações, mas no desejo sincero de compartilhar o que há de melhor em nossa experiência.
Quando amamos alguém, queremos dividir nossos sorrisos, nossas descobertas e nossas alegrias. Queremos que o outro encontre abrigo onde encontramos paz e que sinta esperança onde encontramos luz.
Existe uma forma silenciosa de amor que não pede nada em troca.
Ela apenas deseja que o outro seja feliz.
Talvez seja por isso que, nos momentos mais bonitos da vida, quase sempre sentimos falta de alguém.
Não porque a felicidade seja incompleta.
Mas porque sua natureza é transbordar.
— Wander von Muller
Eu adoro poeminhas bobinhos, pensamentos soltos que encantam,
mas que não têm intenção de encantar!
As palavras me escolhem, elas correm nas veias, na boca,
mas como eu não falo pouco, acho melhor não recusar!
srsrsr
A vida é encantada, sabia?
O encanto vai depender do seu grau de inocência, de querência, de bem querer de tudo e a todos.
Se não está encantada, deixe de maturidade abestada, pegue sua criança interior e vá ser feliz, por favor!
Aceite o amor, a magia e a doçura da vida...
Deixe florir... flores de suas dores.
Estamos conversados.
Beijo na alma.
O Retorno ao Essencial
No meio de tanto barulho moderno, algo curioso tem acontecido.
Enquanto o mundo corre, apita, notifica e exige respostas imediatas, há gente fazendo o caminho inverso.
Desliga o excesso.
Desacelera o passo.
E volta.
Volta para o campo.
Volta para o simples.
Volta para aquilo que não precisa de explicação sofisticada para fazer sentido.
O campo não tem pressa.
Ele não compete com ninguém.
Não disputa audiência.
Não busca curtidas.
Não precisa provar nada a ninguém.
Ali, o dia nasce devagar, como quem respeita o tempo das coisas.
O sol não acelera.
A chuva não pede licença.
O vento apenas passa, como sempre passou.
E a vida segue um ritmo antigo, quase esquecido pelos que vivem entre telas e notificações.
Curiosamente, muitos que viveram anos na correria das cidades estão começando a perceber algo que sempre esteve diante deles, mas nunca foi ouvido com calma:
a paz não está na velocidade, mas na ausência de pressa.
E assim, aos poucos, surgem histórias de pessoas que trocam o excesso pela essência.
Trocam o trânsito pelo silêncio.
Trocam a disputa pela convivência.
Trocam a necessidade de estar certo pela vontade de apenas estar em paz.
No campo, ninguém pergunta se você está vencendo ou perdendo na vida.
Pergunta-se se você dormiu bem.
Se a chuva veio na hora certa.
Se o milho nasceu.
Se o café está bom.
Se a tarde está tranquila.
A modernidade, por outro lado, parece ter transformado tudo em competição invisível.
Quem sabe mais.
Quem fala melhor.
Quem aparece mais.
Quem se destaca mais.
Quem responde mais rápido.
Quem produz mais.
Quem vive menos.
E no meio disso tudo, o ser humano vai se desgastando tentando acompanhar um ritmo que não foi feito para ele.
Talvez por isso o campo esteja chamando novamente.
Não com gritos.
Mas com silêncio.
Um silêncio que não cobra desempenho.
Um silêncio que não exige explicação.
Um silêncio que simplesmente acolhe.
Há algo profundamente libertador em não precisar estar certo o tempo todo.
Em não disputar cada opinião.
Em não transformar cada conversa em batalha.
No campo, a vida ensina outra lógica.
A terra não discute.
A semente não questiona.
A chuva não negocia.
Tudo apenas acontece no tempo certo.
E isso, por si só, já basta.
Enquanto isso, lá fora, a inteligência artificial responde perguntas, organiza ideias, escreve textos e resolve problemas em segundos.
Mas não conhece o cheiro da terra molhada depois da chuva.
Não conhece o som de um galho estalando no silêncio da manhã.
Não conhece o descanso de olhar o horizonte sem pensar em produtividade.
E talvez por isso, mesmo cercado de tecnologia, o ser humano comece a sentir falta de algo que nenhuma máquina consegue simular:
a simplicidade de existir sem ser avaliado o tempo inteiro.
No campo, as pessoas estão voltando a valorizar o que não se mede.
O café feito devagar.
A conversa na varanda.
O pôr do sol sem fotografia obrigatória.
O trabalho que cansa o corpo, mas alivia a alma.
A presença sem pressa.
A paz sem explicação.
Não se trata de fugir do mundo moderno.
Mas de não ser engolido por ele.
De usar a tecnologia sem ser usado por ela.
De viver conectado ao mundo, sem se desconectar de si mesmo.
Talvez o maior luxo da atualidade não seja ter mais.
Mas precisar de menos.
Menos barulho.
Menos disputa.
Menos aparência.
Menos urgência.
E mais vida de verdade.
Aqueles que voltam ao campo não estão necessariamente desistindo da modernidade.
Estão apenas escolhendo o que ela não conseguiu oferecer:
tranquilidade.
Equilíbrio.
Presença.
E uma forma mais leve de existir.
No fim, não importa tanto estar certo ou errado.
Nem vencer ou perder.
Nem aparecer ou desaparecer.
Importa apenas viver com o coração em paz.
E talvez seja isso que o campo, com sua simplicidade silenciosa, ainda ensina melhor do que qualquer outro lugar:
a vida não precisa ser uma disputa constante.
Ela pode ser apenas um lugar de descanso para a alma.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
[Ilustríssima Karine]
Curiosamente inegável
Nossa vasta semelhança,
Em nenhuma circunstância
Foi amor ou amizade.
Uma situação
De mútua discordância,
Fomos brevemente
Uma questão de eternidade.
Ilustríssima Karine,
Em nosso caso complicado,
Restou a simples causa
De ser complexíssima.
Ilustríssima Karine,
Na habitual desimportância,
Nossa estranha semelhança,
É incompatível e caríssima.
Ilustríssima Karine,
Em nenhuma circunstância
Foi amor ou amizade.
Ilustríssima Karine,
Fomos brevemente
Uma questão de eternidade.
(Michel F.M. - Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado - 2014)
[Pavio]
a incrível capacidade
de queimar neurônios,
na mesma velocidade
em que se estabelecem
as conexões.
somos forjados
de sinapses e porres,
e não necessariamente
necessitamos
de bebedeiras,
para sofrer de ressaca.
nos inspiramos
nos minúsculos,
que seguem com tuas tarefas
mesmo que ninguém note.
imperceptíveis.
o universo nada seria
sem o microcosmo.
meros captadores
de conhecimento,
aprendizes persistentes,
deste vasto profundo.
nossa maior ambição
é continuar aprendendo.
inflamem-se faíscas,
reluzam, fagulhas fulgurantes.
durante esta breve
vida de centelha,
saboreie a centelha
que é a vida.
29/07/23
Michel F.M.
Crônica
O Grande Teatro das Aparências
Vivemos tempos curiosos.
Nunca se falou tanto sobre verdade, e talvez nunca ela tenha sido tão evitada.
As pessoas dizem que querem sinceridade, mas apenas enquanto ela concordar com suas opiniões. Basta uma palavra contrariar seus desejos para que a verdade se transforme em ofensa, preconceito, intolerância ou qualquer outro rótulo conveniente.
O mundo moderno parece ter desenvolvido alergia ao contraditório.
Todos querem liberdade de expressão, desde que a expressão seja exatamente igual à sua.
As falsas promessas continuam circulando com excelente saúde. Mudam os rostos, mudam os discursos, mudam as embalagens, mas o conteúdo permanece praticamente o mesmo.
Prometem prosperidade.
Prometem justiça.
Prometem igualdade.
Prometem felicidade.
E o povo continua esperando a entrega de uma encomenda que parece extraviada há décadas.
As amizades também entraram na era da aparência.
Há quem possua milhares de seguidores e não encontre uma única pessoa para carregar suas dores quando a vida pesa.
São amizades de fotografia.
Companheiros de curtidas.
Irmãos de ocasião.
Presenças digitais e ausências reais.
Basta a tempestade chegar para que muitos desapareçam com a velocidade de um sinal de internet mal conectado.
E o que dizer dos costumes?
Houve um tempo em que honestidade era motivo de orgulho.
Respeitar os pais era virtude.
Cumprir a palavra era questão de honra.
Ser educado era demonstração de caráter.
Hoje, por vezes, quem procura andar corretamente parece carregar uma estranha culpa social.
A esperteza recebe aplausos.
A vulgaridade ganha visibilidade.
A superficialidade conquista admiradores.
E a integridade, muitas vezes, é tratada como ingenuidade.
Mas talvez uma das maiores contradições esteja justamente no campo da fé.
Não falo da fé sincera, que transforma vidas silenciosamente.
Falo do espetáculo religioso.
Da religião que se veste para ser vista.
Do discurso que emociona, mas não pratica.
Do irmão que abraça dentro do templo e ignora o necessitado na calçada.
Do fiel que conhece versículos inteiros, mas esqueceu o significado da compaixão.
Há quem vá à igreja não para ouvir aquilo que precisa escutar, mas apenas aquilo que deseja ouvir.
Não quer correção.
Não quer reflexão.
Não quer mudança.
Quer conforto.
Quer aprovação.
Quer sair convencido de que já está tudo certo.
Enquanto isso, o andarilho continua sentado na esquina.
O idoso continua abandonado.
A viúva continua esquecida.
E o órfão continua esperando alguém colocar em prática aquilo que foi tão bem pregado no domingo.
Chega-se ao culto com roupas impecáveis.
Sapatos brilhando.
Perfume importado.
Palavras cuidadosamente escolhidas.
Tudo muito limpo.
Tudo muito elegante.
Tudo muito correto.
Mas ao retornar para casa e retirar a roupa social, permanece uma pergunta silenciosa diante do espelho:
Quem limpa a alma?
Porque o banho remove a poeira do corpo.
Mas não lava a vaidade.
Não remove a hipocrisia.
Não elimina a indiferença.
Não apaga a falta de amor.
Do lado de fora, a televisão continua fabricando celebridades.
Nas redes sociais, surgem influenciadores que muitas vezes não influenciam sequer a própria existência.
Filmam o café.
Filmam o almoço.
Filmam a academia.
Filmam a viagem.
Filmam a própria filmagem.
E assim seguem registrando a vida sem necessariamente vivê-la.
Parece que o valor das pessoas já não está naquilo que são, mas naquilo que conseguem exibir.
A aparência tornou-se currículo.
A exposição virou moeda.
A vaidade recebeu status de virtude.
E a consciência foi sendo colocada discretamente em segundo plano.
Nesse cenário, a família perde espaço.
Os pais perdem voz.
Os costumes perdem significado.
Os princípios perdem valor.
E o silêncio da consciência vai sendo abafado pelo barulho constante de um mundo que nunca desliga.
Às vezes me pergunto para onde estamos indo.
Talvez a pergunta mais importante seja outra:
O que estaremos deixando para aqueles que virão depois de nós?
Mais seguidores?
Mais imagens?
Mais distrações?
Ou algum legado que realmente valha a pena?
Enquanto não encontramos a resposta, seguimos caminhando entre promessas e aparências, tentando distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo, a fé da encenação, a amizade do interesse e a consciência da conveniência.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
E, mais do que isso, que nos conceda discernimento para não confundirmos brilho com luz, fama com valor, aparência com caráter e religião com amor ao próximo.
Porque, no final das contas, não será a fotografia perfeita que contará nossa história.
Será aquilo que fizemos quando ninguém estava olhando.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
O País do Amanhã Que Nunca Chega
O brasileiro é uma criatura fascinante.
Possui sonhos grandiosos, planos extraordinários e uma habilidade impressionante de adiar ambos para a próxima segunda-feira.
Quer a casa própria.
Quer o carro novo.
Quer viajar.
Quer empreender.
Quer mudar de vida.
Quer aprender outro idioma.
Quer emagrecer.
Quer economizar.
Quer investir.
Quer tudo.
Só não quer, às vezes, o compromisso diário que transforma desejo em conquista.
Existe uma diferença enorme entre querer possuir algo e querer construí-lo.
Muitos desejam a colheita.
Poucos se apaixonam pelo plantio.
E assim seguimos vivendo no país do "depois eu vejo", do "semana que vem eu resolvo" e do famoso "deixa comigo", que normalmente significa exatamente o contrário.
A enrolação tornou-se quase um patrimônio cultural.
Há quem passe mais tempo explicando por que não fez do que realmente fazendo.
E o curioso é que essa mania não prejudica apenas a pessoa.
Ela atinge a família, o trabalho, o sistema e, de certa forma, a própria nação.
Afinal, um país não é feito apenas por governos.
É feito também pelos hábitos de quem o habita.
Mas talvez a parte mais engraçada seja o discurso moral.
O brasileiro adora falar de honestidade.
Principalmente quando o assunto é a honestidade dos outros.
Critica a corrupção em Brasília enquanto procura um jeito de não emitir nota fiscal.
Indigna-se com os desvios milionários enquanto assiste televisão por uma ligação clandestina.
Condena os políticos por esconderem patrimônio enquanto mantém um dinheiro reservado que nem a esposa conhece.
Fala sobre transparência, mas possui segredos suficientes para preencher um arquivo inteiro.
Alguns levam uma vida matrimonial.
Outros levam uma vida paralela.
E há aqueles que conseguem administrar duas ou três versões de si mesmos ao mesmo tempo.
Uma verdadeira empresa de personalidade limitada.
O mais curioso é que todos conhecem a solução para os problemas do país.
Pergunte em qualquer esquina.
O especialista surgirá imediatamente.
Resolverá economia, educação, segurança, saúde e relações internacionais em menos de quinze minutos.
Mas quando chega a hora de organizar o próprio guarda-roupa, a consultoria encerra suas atividades por tempo indeterminado.
Existe também uma paixão nacional por observar a vida alheia.
O gramado do vizinho é sempre assunto.
A pintura da casa ao lado.
O carro novo da rua.
A promoção do colega.
O casamento dos outros.
Tudo desperta interesse.
Enquanto isso, o próprio quintal continua esperando uma limpeza prometida desde o verão passado.
E reclamar...
Ah, reclamar talvez seja o esporte mais praticado do país.
Se faz calor, o sol exagerou.
Se chove, a chuva não dá trégua.
Se esfria, o inverno passou dos limites.
Se melhora, certamente há algo suspeito acontecendo.
Nada parece suficientemente bom.
Ao mesmo tempo, pouco é feito para melhorar aquilo que está ao alcance das próprias mãos.
E quando finalmente realiza algo positivo, por menor que seja, inicia-se outra tradição nacional.
A divulgação.
O anúncio.
A cerimônia.
A autopromoção.
O cidadão troca uma lâmpada e quase espera receber uma medalha por serviços prestados à humanidade.
— Viu o que eu fiz?
— Percebeu minha contribuição?
— Notou meu esforço?
E assim, aquilo que deveria ser um gesto simples transforma-se em um documentário de longa duração.
Os anos passam.
As promessas envelhecem.
Os planos acumulam poeira.
As desculpas ganham experiência.
A esposa se cansa de ouvir que tudo mudará no próximo mês.
Os filhos crescem escutando projetos que nunca saem do papel.
Às vezes o casamento termina.
Às vezes a paciência termina antes.
Mas certas manias permanecem firmes e fortes.
O discurso continua.
As justificativas continuam.
As reclamações continuam.
As promessas continuam.
E o amanhã segue lotado de intenções que jamais chegam ao presente.
Talvez por isso o brasileiro seja, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de admiração.
Preocupação pelas oportunidades desperdiçadas.
Admiração pela capacidade de continuar acreditando que tudo pode melhorar.
Mesmo quando insiste em repetir exatamente os mesmos hábitos.
No fundo, somos um povo que sonha grande, trabalha muito, reclama bastante, improvisa demais e muda menos do que promete.
Talvez a verdadeira transformação comece no dia em que passarmos menos tempo observando os erros do mundo e mais tempo corrigindo os nossos.
Porque nenhum país se torna melhor apenas apontando defeitos.
Mas pode começar a melhorar quando cada cidadão resolve limpar o próprio quintal antes de fiscalizar o jardim do vizinho.
Até lá, seguiremos fazendo planos para segunda-feira.
Mesmo sabendo que hoje já é quinta.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Um homem inteligente é um homem predestinado a sofrer
O sofrer é inerente ao própria existência do ser
E o homem inteligente consegue ampliar esta percepção da vida o que o revela lacunas no mundo real que outros por ignorância não enxergam por cegueira
O homem inteligente reconhece e compreende estes conflitos pessoais e com o mundo
Este se torna mais sensível aos paradoxos da existência
Plantão garante que este é o homem que sai da caverna e Nietzsche o chama de Übermensch
Isto não tem relação com o ouro e a prata em si mas com a maior riqueza que um homem pode de fato garimpar ao longo da sua vida a sabedoria pelo conhecimento...
Para todos ser humano desperto, sabedor de quem é e de sua natureza. A inteligência artificial é uma ponte de expansão e o leva para novos e inusitados caminhos.
Mas, para o ser humano perdido a mesma inteligência artificial será um abismo. Pois tendenciosamente o levará para caminhos, em que o ser já não saberá o que humano e o que é máquina.
Não importa os meios o maior de todos os dilemas é o mesmo: “sede quem és sabendo”!
VIDA VIVIDA
Hoje amanheci numa vontade incrível de viver a vida, afinal tenho motivos de sobra para prosseguir a jornada.
E dentre tantas aquisições importantes que conquistei ao logo da minha vida e essa breve passagem aqui na terra, encontrei você.
Poderia me fazer um favor?
Não saia da minha história.
O Paradoxo do Estresse Humano
O ser humano — esse ser magnífico, dotado de inteligência e saber intelectual — dissemina conceitos para tudo que existe, para tudo que há de respirar ou apenas para aquilo que o incomoda e o estressa.
O ser humano é inventivo, revolucionário e criativo. Impressiona como, em menos de 200 anos, moldou o mundo com suas criações fantásticas: a eletricidade, métodos de prolongar a vida (e até de extingui-la) e o modo mais fácil de viver, com tudo na palma da mão. No entanto, tudo o estressa.
O ser humano é o único que escreve, transcreve, lê e relê. É o ser que pensa antes dos impulsos (talvez?) e que fala sobre o bem coletivo (quando lhe convém). Mas não tem paciência para preparar o próprio alimento; opta pelo delivery, comida que, por vezes, demora mais tempo para chegar do que ele levaria preparando a própria refeição. E isso, inevitavelmente, o estressa.
O ser humano é incrível em evidenciar problemas, apontá-los, criticá-los e reclamar de opiniões alheias. Mas, quanto a resolvê-los... ah, ele também se estressa. Para o homem atual, qual seria o maior problema? Seria realmente o estresse? Se sim, por que não elimina as causas desses estresses? A ironia é que, até para procurar uma forma de se desestressar, ele se estressa.
O ser humano surge em um mundo autônomo; um mundo que sabia se regular e superar dificuldades sem a necessidade de um "ser magnífico" e autossuficiente resolvendo tudo. Mas o homem não resolve, apenas cria. Seria, então, o mal da humanidade não o estresse em si, mas o próprio homem? Bem, nem todo homem gosta de filosofia, porque pensar demais estressa.
Penso que o mundo também está exausto do ser humano, já que ele degrada, destrói e corrompe. Inventa milhões de criações, mas não se importa com seus impactos, com a destruição ou com a biodegradação. No fim, quando precisa pensar em soluções para os problemas que ele mesmo criou — na tentativa de solucionar problemas anteriores — e precisa lidar com o fato de que está acabando com seu único planeta... ele se estressa.
A Vida Entre o Quase e o Aconteceu
Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás.
Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão transforma-se em castelo, e uma simples tarde de chuva é suficiente para criar aventuras que nem os adultos conseguem compreender.
Nessa época, os sonhos não conhecem limites.
Queremos ser astronautas, jogadores de futebol, cantores, heróis ou qualquer coisa que nos faça sentir especiais.
O mais bonito é que acreditamos de verdade.
Mas o tempo passa.
E a infância, sem pedir licença, entrega lugar à adolescência.
Talvez seja aí que os primeiros desencontros aconteçam.
O espelho começa a mostrar alguém diferente.
O coração passa a bater mais forte por motivos desconhecidos.
Surge aquele amor impossível pela menina da escola, pelo rapaz da sala ao lado, por alguém que muitas vezes nem sabe da nossa existência.
Passamos horas ensaiando palavras que nunca serão ditas.
Criamos diálogos perfeitos que jamais acontecem.
Vivemos encontros imaginários e colecionamos desencontros reais.
Mas seguimos em frente.
Porque a juventude tem essa estranha capacidade de transformar decepções em combustível.
Então chega a fase em que acreditamos que já sabemos tudo.
Escolhemos profissões.
Fazemos planos.
Desenhamos o futuro como quem traça uma estrada reta em um mapa.
Só esquecemos de um detalhe.
A vida raramente segue o mapa.
Ela prefere os atalhos.
As curvas.
Os desvios inesperados.
Muitos encontram o emprego dos sonhos.
Outros descobrem que o emprego dos sonhos não era exatamente aquilo que imaginavam.
Há quem encontre o amor cedo.
Há quem espere anos por ele.
Alguns constroem castelos.
Outros precisam aprender a reconstruí-los depois que desabam.
E assim vamos colecionando experiências.
Os anos passam.
Os encontros continuam acontecendo.
Novos amigos surgem.
Outros seguem caminhos diferentes.
Algumas pessoas chegam para ficar.
Outras apenas passam, deixando ensinamentos que só compreenderemos muito tempo depois.
Também existem as frustrações.
A promoção que não veio.
O negócio que não deu certo.
O namoro que terminou.
O projeto que ficou pela metade.
A oportunidade perdida por poucos segundos.
São momentos difíceis.
Porque ninguém cresce imaginando os "nãos" que ouvirá pelo caminho.
Mas eles chegam.
E quando chegam, doem.
Porém existe algo curioso nas derrotas.
Elas quase sempre ensinam aquilo que as vitórias nunca conseguem explicar.
Então a vida continua.
Casamos.
Criamos filhos.
Mudamos de cidade.
Mudamos de opinião.
Mudamos de sonhos.
E, sem perceber, vamos mudando a nós mesmos.
Chega uma fase em que passamos mais tempo lembrando do que planejando.
As conversas ficam mais profundas.
As prioridades mudam de lugar.
Aquilo que parecia indispensável perde importância.
E coisas simples passam a valer ouro.
Um almoço em família.
Uma ligação inesperada.
Uma tarde tranquila.
Um abraço sincero.
Percebemos que a felicidade nunca esteve tão longe quanto imaginávamos.
Ela apenas se escondia nos detalhes.
Mesmo assim, a vida continua nos surpreendendo.
Porque sempre existe algo por acontecer.
Um novo amor.
Um novo trabalho.
Um novo projeto.
Uma nova amizade.
Uma nova chance.
Talvez seja esse o grande segredo.
A esperança.
Ela é a única companheira que atravessa todas as fases da nossa existência.
Está presente na criança que sonha.
No adolescente que ama.
No jovem que planeja.
No adulto que trabalha.
E também naquele que já viveu muito e continua acreditando que o amanhã pode ser melhor.
A esperança não envelhece.
Não se aposenta.
Não desiste.
Ela permanece sentada em algum canto do coração, esperando o momento certo para nos lembrar que ainda há páginas em branco para serem escritas.
E talvez a vida seja exatamente isso.
Uma sucessão de encontros e desencontros.
De expectativas e frustrações.
De planos que dão certo e de caminhos que precisam ser refeitos.
Mas, acima de tudo, uma jornada onde a esperança nunca deixa de caminhar ao nosso lado.
Porque enquanto houver esperança, sempre existirá um novo capítulo esperando para acontecer.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
É curioso pensar que hoje eu posso ler algo escrito por alguém que viveu dois séculos atrás e me reconhecer ali, como se aquela pessoa ainda respirasse no mesmo tempo que eu.
Há uma comunhão invisível entre quem escreve e quem lê, uma ponte que desafia a distância do tempo.
Escrever é, de certa forma, se eternizar no efêmero.
"A cada manhã, a cada instante, a vida nos dá uma chance incrível: a chance de encontrar pessoas, ideias, sentimentos. E com cada encontro vêm oportunidades sem fim. Basta a gente prestar atenção.
Todo dia é especial. Não precisa ser feriado nem aniversário. Cada dia traz algo único.
Mas nem tudo precisa ficar guardado. Escolha bem o que leva com você: as lembranças boas, os sorrisos sinceros, os poemas que tocaram, os cheiros que marcaram, a saudade que aquece, os momentos que valeram a pena.
O resto, deixe ir. O que fica é o que fez sentido."
Alexandre Sefardi
''A Arte que Herdei''
O dom da criação me fascina,
Criamos o que bem entender,
Da maneira que mais apetecer,
E isso se torna ainda mais gratificante viver.
Aprender, escrever, ler,
Criar laços e romper,
Afinal, o prazer só é prazer,
Se houver a adrenalina de perder.
Ganhar, amar, falhar, tentar,
Amor, terror, sacrifício, dor,
Cada sentimento tem seu sacrifício,
Seu terror, mas no fim, haverá só você.
Lutar com seu ódio ou amor,
Por mais que seja difícil, aprenda,
Lide, observe, entenda,
Que o universo, por mais seja infinito,
Nosso tempo é finito.
Mesmo que pareça ser mito,
As memórias, momentos e sentimentos,
Ultrapassam o infinito.
O peso da comparação
A comparação tem um jeito curioso de roubar a paz.
Ela faz você olhar para a felicidade dos outros e esquecer o caminho que percorreu para chegar até aqui.
Cada pessoa enfrenta batalhas que nem sempre aparecem nas fotografias, nas conquistas ou nos sorrisos.
Quem vive comparando capítulos diferentes acaba acreditando que a própria história nunca é suficiente.
Talvez a única comparação que realmente faça sentido seja entre quem você era e quem está se tornando.
Pepita de Oliveira
Afirmar que não tens medo
Inteligente não é
Ostentares a humildade respeito e a fé
Seres a gota d'água
Isolada
Na profunda solidão
Desgarrada à sua raça
Sem nenhuma proteção
Junte- se as outras
Escoa- se desta imensidão
Frutifique este deserto
Mais amor no coração
Volte- se a Jesus
Obtenha a salvação
Ou então irmão
Esvairás feito cinzas ao vento
O embrião não fertilizado
Água que corre rumo ao pântano
Povo sem território
País sem nação..
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