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A LENDA DO TOURO DIAMANTE
Na fazenda esperança havia algo interessante, entre as cercas de um pasto, um boi mestiço com olhar brilhante, por esta razão, deram a ele um nome empolgante, sim, diamante...
Um touro forte e importante, mas que continha um problema gritante, algo que não passava despercebido, pois, quem o olhava à distância, percebia o seu defeito, algo diferente, que impulsionava um sentimento de dó, vendo que aquele touro imponente, que assustava toda gente, possuía um chifre só.
Diamante era um touro muito bonito, com autoridade e força, porém havia algo esquisito, mesmo através de sua passada, que levantava uma nuvem de pó, quem o via, logo percebia, diamante possuía um chifre só.
Ele era o rei do pasto, o dono do curral, bravo e imponente, o destaque daquele gado leiteiro, Diamante, porém, guardava um segredo no olhar, pois mesmo sendo valente, rei de tudo naquele lugar, sentia no fundo do peito um desejo a lhe chamar: não era só ser temido, queria mesmo era voar.
Dizem que certa manhã, quando o sol mal despertou, viram o touro de um chifre só erguer a cabeça e num berro, ecoou.
O vento correu pelo campo, a terra inteira vibrou, e o gado em silêncio, assistia à lenda que ali se formou. A cerca, Diamante saltou, e quem esta cena presenciou, jura com verdade e fervor, que o touro de um chifre só, com coragem e esplendor, foi além da fazenda esperança, virou mito, virou valor.
E até hoje, quando o vento levanta o pó do terreiro,
dizem que é ele passando, forte, livre e verdadeiro, Diamante, a lenda do touro, rei do pasto e do mundo inteiro.
(Jean Carlos de Andrade)
O resultado final é encantador, mas aos olhos da parte operacional a beleza de uma atividade é o processo.
No setor elétrico, o "rito perfeito" não é apenas uma escolha estética; é uma questão de segurança e confiabilidade. Enquanto o cliente final celebra a luz que acende, nós, da operação, celebramos o religador que atuou na curva exata, o 5S aplicado com rigor no canteiro e o passo a passo técnico que evitou um incidente.
A verdadeira maestria está em dominar o processo. Quando o método é respeitado, o resultado extraordinário torna-se uma consequência natural, e não um golpe de sorte.
Ela é linda, de um olhar sereno, doce, determinado, encantador, tenro!
Ela é linda!... os traços parecem ter sidos desenhados ao som de uma melodia clássica.
Ela é linda!... sua pele tem um toque e textura que exala paixão. É envolvente ao ponto de deixar registrado suas digitais em minha alma.
Ela é linda, é angelical.
Ela é linda e, como se não bastasse, tem um gosto musical marcante, que revela seu íntimo, sua essência.
Ela é linda!...
O Mérito, a Propriedade e a Confusão dos Tempos Modernos
Há uma curiosa tendência do homem moderno de confundir conceitos distintos e depois declarar que encontrou uma contradição. Muitas vezes ele toma duas ideias diferentes, mistura-as em um mesmo recipiente e, quando o conteúdo se torna incoerente, culpa a realidade pela confusão que ele próprio produziu.
Entre essas confusões, poucas são tão frequentes quanto a que envolve mérito e propriedade.
O mérito é uma coisa. A propriedade é outra.
O mérito responde à pergunta: "Como alguém conquistou algo?"
A propriedade responde à pergunta: "De quem é esse algo?"
São perguntas diferentes, e exigir que uma responda à outra é tão absurdo quanto exigir que a certidão de nascimento substitua uma escritura de imóvel.
Quando um homem funda uma empresa, investe recursos próprios, assume riscos, trabalha durante anos sem garantia de sucesso e finalmente constrói um empreendimento próspero, existe uma justificativa meritória para sua riqueza. Seu patrimônio não surgiu do nada; foi resultado de decisões, sacrifícios e responsabilidades que outros não assumiram.
A riqueza, nesse caso, não é um acidente. É consequência.
Por isso, quando se pergunta por que o proprietário recebe mais que o funcionário, a resposta inicial é simples: porque não desempenharam o mesmo papel. Um criou a estrutura; o outro foi contratado por ela. Um assumiu o risco do fracasso; o outro aceitou um salário previamente definido. Um poderia perder tudo; o outro não.
Não há ofensa alguma nessa diferença. Pelo contrário, seria estranho se não existisse.
O homem que construiu uma ponte não é recompensado da mesma forma que aquele que apenas a atravessa.
Entretanto, surge um segundo problema. Após reconhecer o mérito do fundador, muitos passam a questionar a continuidade de sua propriedade. Perguntam por que ele continua recebendo lucros anos depois. Perguntam por que seus filhos podem herdar seus bens. Perguntam por que alguém pode controlar uma empresa mesmo sem participar de todas as suas operações diárias.
É aqui que ocorre a confusão.
Essas perguntas já não pertencem ao campo do mérito.
Pertencem ao campo da propriedade.
Uma vez que um bem foi legitimamente adquirido, a questão deixa de ser quanto mérito ele exigiu para ser conquistado. A questão passa a ser quem possui autoridade legítima sobre ele.
Um homem não deixa de ser dono de sua casa porque está viajando. Não deixa de ser dono de seu carro porque outra pessoa o dirige. Não deixa de ser dono de sua empresa porque contratou administradores.
A propriedade não é um salário. É um direito.
O proprietário não precisa justificar diariamente sua posse por meio de novas demonstrações de mérito. Se assim fosse, ninguém possuiria coisa alguma por muito tempo. O agricultor teria de provar todos os dias que merece sua terra. O escritor teria de provar continuamente que merece seus livros. O pai teria de justificar incessantemente a posse de sua própria residência.
A sociedade tornar-se-ia um tribunal permanente.
A objeção frequentemente retorna sob outra forma. Diz-se que o trabalhador produz valor e, portanto, deveria participar da propriedade da empresa.
Mas o trabalhador já participa da relação econômica segundo os termos que aceitou livremente. Seu contrato especifica salário, benefícios, direitos e deveres. Não existe engano oculto nessa troca. Ele não foi contratado como proprietário. Foi contratado como empregado.
Se deseja assumir riscos empresariais, buscar participação nos lucros, abrir um negócio próprio ou trabalhar sob modelos de remuneração variável, essas possibilidades existem. O mercado oferece inúmeras formas de associação econômica.
Mas não é razoável aceitar um contrato específico e depois reclamar que ele não era outro contrato.
A liberdade contratual perde o sentido quando uma das partes exige alterar retrospectivamente os termos que aceitou.
Há ainda uma verdade frequentemente esquecida: o esforço não garante sucesso.
Um homem pode trabalhar arduamente e fracassar.
Outro pode trabalhar arduamente e prosperar.
As circunstâncias existem. O acaso existe. As crises existem.
Reconhecer isso, porém, não destrói o princípio do mérito.
Pelo contrário.
Se o sucesso fosse garantido, o mérito teria pouco valor. O mérito existe justamente porque alguém escolhe agir sem garantias.
O navegador é admirável porque o mar oferece tempestades.
O empreendedor é admirável porque o fracasso é possível.
O estudante é admirável porque a aprovação não é automática.
O mérito não promete resultados inevitáveis. Promete apenas a possibilidade de alcançá-los.
E essa possibilidade é uma das maiores forças de uma sociedade livre.
Quando um homem pobre se torna rico por meio de trabalho, estudo, disciplina ou empreendedorismo, não se prova que todos alcançarão o mesmo resultado. Prova-se algo mais importante: que a ascensão é possível.
E uma sociedade na qual a ascensão é possível é radicalmente diferente de uma sociedade na qual ela é proibida.
Por fim, toda a controvérsia parece retornar a uma única pergunta.
A propriedade privada é legítima?
Se a resposta for não, então nenhuma quantidade de esforço, risco ou sacrifício justificará sua existência.
Se a resposta for sim, então o proprietário possui o direito de conservar, administrar, vender ou transmitir aquilo que lhe pertence.
Nesse ponto, o debate deixa de ser econômico.
Torna-se moral.
E talvez esta seja a questão fundamental de toda a disputa: não se trata de decidir quem merece mais, mas de decidir se o homem tem o direito de chamar alguma coisa de sua.
A Jovialidade de um Devaneio Poético numa Dança Audaciosa.
Ao avistá-la, eu fiquei fascinado, ela, como sempre, estava linda, serena, pensativa, expondo a sua jovialidade atraente e certamente trazendo aquela emoção intensa no seu coração; parecia até que uma arte veemente havia ganhado vida ou que a inspiração tinha sido personificada — presença marcante e bastante expressiva, cuja intensidade não se acaba, está cada vez mais viva na essência da sua alma.
Em pouco tempo, a partir daquela ocasião exata, a minha mente e os meus olhos ficaram impactados, entrei em um daqueles devaneios que a poesia me permite e logo, estávamos juntos em um belo cenário, onde a nossa euforia era verdadeiramente recíproca e sublime; um pôr do sol de verão já estava presente, nos proporcionando uma iluminação naturalmente calorosa, enquanto os nossos olhares conversavam intensamente.
A realidade a nossa volta prontamente foi congelada e de mãos dadas viajamos ao passado, fomos para uma época distante quando o essencial era mais valorizado; tudo ao redor está coberto por um nevoeiro, entretanto, conseguimos chegar até as margens de um rio, pois estava iluminado por várias estrelas; de repente uma canção intensa foi tomando conta, nos convidando a dançarmos sobre as águas uma dança audaciosa com o fervor das nossas almas.
Com Todas As Suas Fases, A Lua de Alguns Mundos
As suas fases são todas interessantes, cada uma delas com a sua peculiaridade e o seu devido momento; diferentes e constantes; dessa maneira, ela é muito emocionante, a Lua de determinados mundos, aqueles poucos privilegiados que satisfazem naturalmente o seu íntimo profundo.
Nos seus olhos, existe o lúdico e a realidade; a ternura e a intensidade do amor; a determinação da sua seriedade, a sua dose indispensável de bom humor e o brilho da sua verdade — um belo esplendor no seu olhar; o reflexo da sua integridade; expressão singular de uma distinta venustidade.
Muitas cenas memoráveis ganham mais vida com a sua presença, como um sonho que se tornou um fato; a viveza que virou arte; um céu à noite iluminado pelo luar; a pintura atraente que saiu de um quadro e entrou em uma mente; então, veio essa poesia de linhas e parágrafos com as curvas de uma inspiração veemente.
Cordel do Fogo Encantado
Um rei de berço ministra qualquer civilização. Um rei de fé luta com seu povo. Um rei de terras anda pelo mundo. Um rei de gerações passa sua corôa. E todos são exemplos de amor nesse cordel que chegou ao fim.
Vou sentir falta da figura shakespeariana de Bel. Dos gritos cômicos de Patácio. Do seu filhinho nidinho, o prefeito mirim. Dos personagens santos, Clara e Francisco de Assis. Do profeta que poderia existir na vida real, principalmente ao leste da África. Desse amor de novela que está bem longe da atualidade.
Cordel Encantado, me encantou como " O Cravo e a Rosa". Porém, mais envolvente. Mais rica em histórias e estórias. Um multipluralidade de contos como muitos de nossa literatura dentro de um contexto e suas civilizações, movidos por fé, união e amor. Chorei e choro com essas cenas. Uma pena serem vistas com tanta ênfase numa novela e não na vida real.
O fim de um vicio televisivo e o final de 4 reinados de amor.
É interessante ver como, nós humanos, somos inconstantes, amamos tao intensmente e no momento seguinte também odiamos com a mesma intensidade, como mudar o que parece impossível? Curioso, sempre estamos querendo respostas, no entanto nada fazemos para achar as respostas, ou as vezes até mesmo encontramos, e nos fazemos de desentendido, talvez por medo, ou por desejos carnais, mundamos e continuamos a viver o que nos é oferecidos, temos muitas vontades, estamos sempre com boa intenção, mas de que vale isso tudo se não temos atitude para agir, esquecemos de tudo qe aprendemos ao longo dos anos de nossas vidas, por medo da reação das pessoas, por medo de como elas agirão conosco, esquecemos que todos os ensinamentos, que até o mundo nos ensina da sua forma, e esquecemos de viver a vida plena, que sabemos que nos foi dada por direito, e passamos a viver, mais uma vez o que mundo impõe.
Nao somos perfeitos, mas devemos ser diferentes!
“Moça bela do campo,
Campo dourado encantado,
No gramado isolado,
Sinto-me iluminado,
A moça faz um desenho de um campo,
E isso me concentra,
Ela é bela como estrela,
A moça é bela que quando passo por ela, me congela,
Vem dançar comigo,
Moça que encanta e canta
Sua beleza é como flor em primavera
Moça bela do meu campo…
Campo dourado,
Você é minha calmaria,
Com certeza iria ser atração de alguém.”
Aquilo Que Habita em Nós
Existe uma curiosa tendência humana: compartilhar aquilo que carregamos por dentro.
Quem cultiva serenidade costuma espalhar tranquilidade.
Quem encontra esperança frequentemente a oferece aos outros.
Mas o mesmo acontece com os sentimentos mais difíceis.
Muitas vezes, a intolerância, a agressividade e o julgamento não nascem do mundo exterior. São reflexos de conflitos que ainda não encontraram paz dentro de quem os manifesta.
Talvez por isso algumas pessoas pareçam espalhar sofrimento por onde passam.
Não porque sejam essencialmente más, mas porque oferecem ao mundo aquilo que possuem em abundância.
A vida nos apresenta diariamente uma escolha silenciosa: decidir o que cultivaremos em nosso interior.
Cada pensamento alimentado, cada valor preservado e cada atitude repetida contribuem para formar aquilo que nos tornamos.
Por isso, antes de tentar mudar alguém, talvez seja mais sábio observar a nós mesmos.
O respeito, a empatia e a compreensão raramente nascem da imposição.
Eles surgem quando reconhecemos que cada ser humano enfrenta batalhas que nem sempre conseguimos enxergar.
Talvez a verdadeira sabedoria não esteja em julgar quem caminha por uma estrada diferente da nossa.
Talvez esteja em caminhar com consciência pela própria estrada.
— Wander von Muller
O Amor e a Ilusão da Semelhança
Talvez uma das maiores curiosidades dos relacionamentos seja que raramente nos apaixonamos pelo desconhecido.
Quase sempre existe algo familiar no outro. Um jeito de enxergar a vida, uma ferida parecida com a nossa, um sonho compartilhado ou uma forma de sentir que reconhecemos sem perceber.
A semelhança aproxima.
Ela cria pontes, gera identificação e nos faz acreditar que encontramos alguém capaz de compreender aquilo que muitas vezes não conseguimos explicar.
Mas existe uma armadilha silenciosa nesse processo.
Depois de encontrar afinidades, passamos a desejar ainda mais correspondência. Aos poucos, deixamos de conhecer a pessoa que está diante de nós e começamos a compará-la com aquilo que esperamos dela.
Sem perceber, trocamos a descoberta pela expectativa.
O amor então corre o risco de deixar de ser encontro para se tornar exigência.
Talvez por isso os relacionamentos mais saudáveis não sejam aqueles em que duas pessoas se tornam iguais, mas aqueles em que aprendem a conviver com suas diferenças sem perder o respeito, o cuidado e a admiração.
Existem muitos tipos de amor.
Mas o amor que realmente transforma não é aquele que encontra alguém parecido conosco.
É aquele que nos ensina a acolher aquilo que é diferente sem desejar controlar, corrigir ou moldar.
Porque amar não é encontrar alguém que confirme quem somos.
É aprender a crescer ao lado de alguém que também está tentando descobrir quem é.
— Wander von Muller
Quando a Felicidade Transborda
Existe algo curioso na felicidade.
Quando ela é verdadeira, raramente deseja permanecer apenas em nós.
Um momento de paz, uma paisagem bonita, uma notícia boa ou uma simples sensação de plenitude despertam quase sempre o mesmo impulso: pensamos em alguém.
Desejamos que outra pessoa esteja ali para ver o que vemos, sentir o que sentimos ou experimentar aquilo que nos faz bem.
Talvez o afeto se revele justamente nesses instantes.
Não apenas nas grandes declarações, mas no desejo sincero de compartilhar o que há de melhor em nossa experiência.
Quando amamos alguém, queremos dividir nossos sorrisos, nossas descobertas e nossas alegrias. Queremos que o outro encontre abrigo onde encontramos paz e que sinta esperança onde encontramos luz.
Existe uma forma silenciosa de amor que não pede nada em troca.
Ela apenas deseja que o outro seja feliz.
Talvez seja por isso que, nos momentos mais bonitos da vida, quase sempre sentimos falta de alguém.
Não porque a felicidade seja incompleta.
Mas porque sua natureza é transbordar.
— Wander von Muller
Eu adoro poeminhas bobinhos, pensamentos soltos que encantam,
mas que não têm intenção de encantar!
As palavras me escolhem, elas correm nas veias, na boca,
mas como eu não falo pouco, acho melhor não recusar!
srsrsr
A vida é encantada, sabia?
O encanto vai depender do seu grau de inocência, de querência, de bem querer de tudo e a todos.
Se não está encantada, deixe de maturidade abestada, pegue sua criança interior e vá ser feliz, por favor!
Aceite o amor, a magia e a doçura da vida...
Deixe florir... flores de suas dores.
Estamos conversados.
Beijo na alma.
O Retorno ao Essencial
No meio de tanto barulho moderno, algo curioso tem acontecido.
Enquanto o mundo corre, apita, notifica e exige respostas imediatas, há gente fazendo o caminho inverso.
Desliga o excesso.
Desacelera o passo.
E volta.
Volta para o campo.
Volta para o simples.
Volta para aquilo que não precisa de explicação sofisticada para fazer sentido.
O campo não tem pressa.
Ele não compete com ninguém.
Não disputa audiência.
Não busca curtidas.
Não precisa provar nada a ninguém.
Ali, o dia nasce devagar, como quem respeita o tempo das coisas.
O sol não acelera.
A chuva não pede licença.
O vento apenas passa, como sempre passou.
E a vida segue um ritmo antigo, quase esquecido pelos que vivem entre telas e notificações.
Curiosamente, muitos que viveram anos na correria das cidades estão começando a perceber algo que sempre esteve diante deles, mas nunca foi ouvido com calma:
a paz não está na velocidade, mas na ausência de pressa.
E assim, aos poucos, surgem histórias de pessoas que trocam o excesso pela essência.
Trocam o trânsito pelo silêncio.
Trocam a disputa pela convivência.
Trocam a necessidade de estar certo pela vontade de apenas estar em paz.
No campo, ninguém pergunta se você está vencendo ou perdendo na vida.
Pergunta-se se você dormiu bem.
Se a chuva veio na hora certa.
Se o milho nasceu.
Se o café está bom.
Se a tarde está tranquila.
A modernidade, por outro lado, parece ter transformado tudo em competição invisível.
Quem sabe mais.
Quem fala melhor.
Quem aparece mais.
Quem se destaca mais.
Quem responde mais rápido.
Quem produz mais.
Quem vive menos.
E no meio disso tudo, o ser humano vai se desgastando tentando acompanhar um ritmo que não foi feito para ele.
Talvez por isso o campo esteja chamando novamente.
Não com gritos.
Mas com silêncio.
Um silêncio que não cobra desempenho.
Um silêncio que não exige explicação.
Um silêncio que simplesmente acolhe.
Há algo profundamente libertador em não precisar estar certo o tempo todo.
Em não disputar cada opinião.
Em não transformar cada conversa em batalha.
No campo, a vida ensina outra lógica.
A terra não discute.
A semente não questiona.
A chuva não negocia.
Tudo apenas acontece no tempo certo.
E isso, por si só, já basta.
Enquanto isso, lá fora, a inteligência artificial responde perguntas, organiza ideias, escreve textos e resolve problemas em segundos.
Mas não conhece o cheiro da terra molhada depois da chuva.
Não conhece o som de um galho estalando no silêncio da manhã.
Não conhece o descanso de olhar o horizonte sem pensar em produtividade.
E talvez por isso, mesmo cercado de tecnologia, o ser humano comece a sentir falta de algo que nenhuma máquina consegue simular:
a simplicidade de existir sem ser avaliado o tempo inteiro.
No campo, as pessoas estão voltando a valorizar o que não se mede.
O café feito devagar.
A conversa na varanda.
O pôr do sol sem fotografia obrigatória.
O trabalho que cansa o corpo, mas alivia a alma.
A presença sem pressa.
A paz sem explicação.
Não se trata de fugir do mundo moderno.
Mas de não ser engolido por ele.
De usar a tecnologia sem ser usado por ela.
De viver conectado ao mundo, sem se desconectar de si mesmo.
Talvez o maior luxo da atualidade não seja ter mais.
Mas precisar de menos.
Menos barulho.
Menos disputa.
Menos aparência.
Menos urgência.
E mais vida de verdade.
Aqueles que voltam ao campo não estão necessariamente desistindo da modernidade.
Estão apenas escolhendo o que ela não conseguiu oferecer:
tranquilidade.
Equilíbrio.
Presença.
E uma forma mais leve de existir.
No fim, não importa tanto estar certo ou errado.
Nem vencer ou perder.
Nem aparecer ou desaparecer.
Importa apenas viver com o coração em paz.
E talvez seja isso que o campo, com sua simplicidade silenciosa, ainda ensina melhor do que qualquer outro lugar:
a vida não precisa ser uma disputa constante.
Ela pode ser apenas um lugar de descanso para a alma.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
[Ilustríssima Karine]
Curiosamente inegável
Nossa vasta semelhança,
Em nenhuma circunstância
Foi amor ou amizade.
Uma situação
De mútua discordância,
Fomos brevemente
Uma questão de eternidade.
Ilustríssima Karine,
Em nosso caso complicado,
Restou a simples causa
De ser complexíssima.
Ilustríssima Karine,
Na habitual desimportância,
Nossa estranha semelhança,
É incompatível e caríssima.
Ilustríssima Karine,
Em nenhuma circunstância
Foi amor ou amizade.
Ilustríssima Karine,
Fomos brevemente
Uma questão de eternidade.
(Michel F.M. - Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado - 2014)
[Pavio]
a incrível capacidade
de queimar neurônios,
na mesma velocidade
em que se estabelecem
as conexões.
somos forjados
de sinapses e porres,
e não necessariamente
necessitamos
de bebedeiras,
para sofrer de ressaca.
nos inspiramos
nos minúsculos,
que seguem com tuas tarefas
mesmo que ninguém note.
imperceptíveis.
o universo nada seria
sem o microcosmo.
meros captadores
de conhecimento,
aprendizes persistentes,
deste vasto profundo.
nossa maior ambição
é continuar aprendendo.
inflamem-se faíscas,
reluzam, fagulhas fulgurantes.
durante esta breve
vida de centelha,
saboreie a centelha
que é a vida.
29/07/23
Michel F.M.
Crônica
O Grande Teatro das Aparências
Vivemos tempos curiosos.
Nunca se falou tanto sobre verdade, e talvez nunca ela tenha sido tão evitada.
As pessoas dizem que querem sinceridade, mas apenas enquanto ela concordar com suas opiniões. Basta uma palavra contrariar seus desejos para que a verdade se transforme em ofensa, preconceito, intolerância ou qualquer outro rótulo conveniente.
O mundo moderno parece ter desenvolvido alergia ao contraditório.
Todos querem liberdade de expressão, desde que a expressão seja exatamente igual à sua.
As falsas promessas continuam circulando com excelente saúde. Mudam os rostos, mudam os discursos, mudam as embalagens, mas o conteúdo permanece praticamente o mesmo.
Prometem prosperidade.
Prometem justiça.
Prometem igualdade.
Prometem felicidade.
E o povo continua esperando a entrega de uma encomenda que parece extraviada há décadas.
As amizades também entraram na era da aparência.
Há quem possua milhares de seguidores e não encontre uma única pessoa para carregar suas dores quando a vida pesa.
São amizades de fotografia.
Companheiros de curtidas.
Irmãos de ocasião.
Presenças digitais e ausências reais.
Basta a tempestade chegar para que muitos desapareçam com a velocidade de um sinal de internet mal conectado.
E o que dizer dos costumes?
Houve um tempo em que honestidade era motivo de orgulho.
Respeitar os pais era virtude.
Cumprir a palavra era questão de honra.
Ser educado era demonstração de caráter.
Hoje, por vezes, quem procura andar corretamente parece carregar uma estranha culpa social.
A esperteza recebe aplausos.
A vulgaridade ganha visibilidade.
A superficialidade conquista admiradores.
E a integridade, muitas vezes, é tratada como ingenuidade.
Mas talvez uma das maiores contradições esteja justamente no campo da fé.
Não falo da fé sincera, que transforma vidas silenciosamente.
Falo do espetáculo religioso.
Da religião que se veste para ser vista.
Do discurso que emociona, mas não pratica.
Do irmão que abraça dentro do templo e ignora o necessitado na calçada.
Do fiel que conhece versículos inteiros, mas esqueceu o significado da compaixão.
Há quem vá à igreja não para ouvir aquilo que precisa escutar, mas apenas aquilo que deseja ouvir.
Não quer correção.
Não quer reflexão.
Não quer mudança.
Quer conforto.
Quer aprovação.
Quer sair convencido de que já está tudo certo.
Enquanto isso, o andarilho continua sentado na esquina.
O idoso continua abandonado.
A viúva continua esquecida.
E o órfão continua esperando alguém colocar em prática aquilo que foi tão bem pregado no domingo.
Chega-se ao culto com roupas impecáveis.
Sapatos brilhando.
Perfume importado.
Palavras cuidadosamente escolhidas.
Tudo muito limpo.
Tudo muito elegante.
Tudo muito correto.
Mas ao retornar para casa e retirar a roupa social, permanece uma pergunta silenciosa diante do espelho:
Quem limpa a alma?
Porque o banho remove a poeira do corpo.
Mas não lava a vaidade.
Não remove a hipocrisia.
Não elimina a indiferença.
Não apaga a falta de amor.
Do lado de fora, a televisão continua fabricando celebridades.
Nas redes sociais, surgem influenciadores que muitas vezes não influenciam sequer a própria existência.
Filmam o café.
Filmam o almoço.
Filmam a academia.
Filmam a viagem.
Filmam a própria filmagem.
E assim seguem registrando a vida sem necessariamente vivê-la.
Parece que o valor das pessoas já não está naquilo que são, mas naquilo que conseguem exibir.
A aparência tornou-se currículo.
A exposição virou moeda.
A vaidade recebeu status de virtude.
E a consciência foi sendo colocada discretamente em segundo plano.
Nesse cenário, a família perde espaço.
Os pais perdem voz.
Os costumes perdem significado.
Os princípios perdem valor.
E o silêncio da consciência vai sendo abafado pelo barulho constante de um mundo que nunca desliga.
Às vezes me pergunto para onde estamos indo.
Talvez a pergunta mais importante seja outra:
O que estaremos deixando para aqueles que virão depois de nós?
Mais seguidores?
Mais imagens?
Mais distrações?
Ou algum legado que realmente valha a pena?
Enquanto não encontramos a resposta, seguimos caminhando entre promessas e aparências, tentando distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo, a fé da encenação, a amizade do interesse e a consciência da conveniência.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
E, mais do que isso, que nos conceda discernimento para não confundirmos brilho com luz, fama com valor, aparência com caráter e religião com amor ao próximo.
Porque, no final das contas, não será a fotografia perfeita que contará nossa história.
Será aquilo que fizemos quando ninguém estava olhando.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
O País do Amanhã Que Nunca Chega
O brasileiro é uma criatura fascinante.
Possui sonhos grandiosos, planos extraordinários e uma habilidade impressionante de adiar ambos para a próxima segunda-feira.
Quer a casa própria.
Quer o carro novo.
Quer viajar.
Quer empreender.
Quer mudar de vida.
Quer aprender outro idioma.
Quer emagrecer.
Quer economizar.
Quer investir.
Quer tudo.
Só não quer, às vezes, o compromisso diário que transforma desejo em conquista.
Existe uma diferença enorme entre querer possuir algo e querer construí-lo.
Muitos desejam a colheita.
Poucos se apaixonam pelo plantio.
E assim seguimos vivendo no país do "depois eu vejo", do "semana que vem eu resolvo" e do famoso "deixa comigo", que normalmente significa exatamente o contrário.
A enrolação tornou-se quase um patrimônio cultural.
Há quem passe mais tempo explicando por que não fez do que realmente fazendo.
E o curioso é que essa mania não prejudica apenas a pessoa.
Ela atinge a família, o trabalho, o sistema e, de certa forma, a própria nação.
Afinal, um país não é feito apenas por governos.
É feito também pelos hábitos de quem o habita.
Mas talvez a parte mais engraçada seja o discurso moral.
O brasileiro adora falar de honestidade.
Principalmente quando o assunto é a honestidade dos outros.
Critica a corrupção em Brasília enquanto procura um jeito de não emitir nota fiscal.
Indigna-se com os desvios milionários enquanto assiste televisão por uma ligação clandestina.
Condena os políticos por esconderem patrimônio enquanto mantém um dinheiro reservado que nem a esposa conhece.
Fala sobre transparência, mas possui segredos suficientes para preencher um arquivo inteiro.
Alguns levam uma vida matrimonial.
Outros levam uma vida paralela.
E há aqueles que conseguem administrar duas ou três versões de si mesmos ao mesmo tempo.
Uma verdadeira empresa de personalidade limitada.
O mais curioso é que todos conhecem a solução para os problemas do país.
Pergunte em qualquer esquina.
O especialista surgirá imediatamente.
Resolverá economia, educação, segurança, saúde e relações internacionais em menos de quinze minutos.
Mas quando chega a hora de organizar o próprio guarda-roupa, a consultoria encerra suas atividades por tempo indeterminado.
Existe também uma paixão nacional por observar a vida alheia.
O gramado do vizinho é sempre assunto.
A pintura da casa ao lado.
O carro novo da rua.
A promoção do colega.
O casamento dos outros.
Tudo desperta interesse.
Enquanto isso, o próprio quintal continua esperando uma limpeza prometida desde o verão passado.
E reclamar...
Ah, reclamar talvez seja o esporte mais praticado do país.
Se faz calor, o sol exagerou.
Se chove, a chuva não dá trégua.
Se esfria, o inverno passou dos limites.
Se melhora, certamente há algo suspeito acontecendo.
Nada parece suficientemente bom.
Ao mesmo tempo, pouco é feito para melhorar aquilo que está ao alcance das próprias mãos.
E quando finalmente realiza algo positivo, por menor que seja, inicia-se outra tradição nacional.
A divulgação.
O anúncio.
A cerimônia.
A autopromoção.
O cidadão troca uma lâmpada e quase espera receber uma medalha por serviços prestados à humanidade.
— Viu o que eu fiz?
— Percebeu minha contribuição?
— Notou meu esforço?
E assim, aquilo que deveria ser um gesto simples transforma-se em um documentário de longa duração.
Os anos passam.
As promessas envelhecem.
Os planos acumulam poeira.
As desculpas ganham experiência.
A esposa se cansa de ouvir que tudo mudará no próximo mês.
Os filhos crescem escutando projetos que nunca saem do papel.
Às vezes o casamento termina.
Às vezes a paciência termina antes.
Mas certas manias permanecem firmes e fortes.
O discurso continua.
As justificativas continuam.
As reclamações continuam.
As promessas continuam.
E o amanhã segue lotado de intenções que jamais chegam ao presente.
Talvez por isso o brasileiro seja, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de admiração.
Preocupação pelas oportunidades desperdiçadas.
Admiração pela capacidade de continuar acreditando que tudo pode melhorar.
Mesmo quando insiste em repetir exatamente os mesmos hábitos.
No fundo, somos um povo que sonha grande, trabalha muito, reclama bastante, improvisa demais e muda menos do que promete.
Talvez a verdadeira transformação comece no dia em que passarmos menos tempo observando os erros do mundo e mais tempo corrigindo os nossos.
Porque nenhum país se torna melhor apenas apontando defeitos.
Mas pode começar a melhorar quando cada cidadão resolve limpar o próprio quintal antes de fiscalizar o jardim do vizinho.
Até lá, seguiremos fazendo planos para segunda-feira.
Mesmo sabendo que hoje já é quinta.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Um homem inteligente é um homem predestinado a sofrer
O sofrer é inerente ao própria existência do ser
E o homem inteligente consegue ampliar esta percepção da vida o que o revela lacunas no mundo real que outros por ignorância não enxergam por cegueira
O homem inteligente reconhece e compreende estes conflitos pessoais e com o mundo
Este se torna mais sensível aos paradoxos da existência
Plantão garante que este é o homem que sai da caverna e Nietzsche o chama de Übermensch
Isto não tem relação com o ouro e a prata em si mas com a maior riqueza que um homem pode de fato garimpar ao longo da sua vida a sabedoria pelo conhecimento...
Para todos ser humano desperto, sabedor de quem é e de sua natureza. A inteligência artificial é uma ponte de expansão e o leva para novos e inusitados caminhos.
Mas, para o ser humano perdido a mesma inteligência artificial será um abismo. Pois tendenciosamente o levará para caminhos, em que o ser já não saberá o que humano e o que é máquina.
Não importa os meios o maior de todos os dilemas é o mesmo: “sede quem és sabendo”!
