Textos de Saudade
Tum tum
Desembala o coração
Querendo amar, amado ser....
Chora a distância, a saudade, o desejo,
a espera, pela menina dos olhos cobiçados.
Chora, chora, mas nenhuma lágrima
dói tanto, quanto o desamor.
Entre o ser adulto e ficar criança,
o coração brinca, ri, faz do seu dono, seu capacho.
Do bem amado, Rei ou Rainha...
Terra desconhecida é a do coração,
ditador soberano, enquanto dorme a razão .
Esconderijo
Por onde andas, céu das minhas meninas?
Meus olhos já se cerram de saudade.
Onde estás?
Por onde vais?
Por onde te escondes?
Em que lugar te refugias?
Em qual rua ou parte da lua
se encontra esse cruel esconderijo?
Vens...
Abres a porta e iluminas,
esse triste riso,
de quem já perdeu o brilho.
Perdes o receio.
Chegas devagar e, delicadamente,
aquece o coração dormente.
Pois não há vida, onde se mente.
"Ó meu irmão"
Um amigo, um irmão…
Algo no peito dói.
Talvez seja a saudade, ou não,
Seja a distância que criamos em silêncios…
Risos que saíram com tanta vontade
Que criaram vida
E se foram
Pra nunca mais voltar.
Lembro das conversas sem hora pra acabar,
Da areia da praia guardando nossos passos,
Do vento levando nossas preocupações
E trazendo uma paz que só existia ali.
Você foi mais que companhia,
Foi abrigo nos dias em que eu me perdia,
Foi luz quando o túnel parecia não ter fim,
Foi quem me puxou de volta
Quando a dona morte sussurrava perto de mim.
Tudo que aprendi na fé
Carrega um pouco de você,
Cada oração, cada esperança,
Tem marcas das suas palavras
Que me ensinaram a permanecer.
E dói…
Porque sei que essas memórias não são só minhas,
Você também as guarda em algum lugar,
Mas talvez escolheu não olhar,
Talvez escolheu não lembrar.
Ainda assim,
Entre o som do mar e o silêncio do tempo,
Sua amizade permanece viva em mim,
Como ondas que vão e voltam,
Mas nunca deixam de existir.
Um amigo, um irmão…
E mesmo que a distância exista,
E o silêncio tenha crescido,
Há coisas que o tempo não apaga:
A paz que você me trouxe,
A fé que você fortaleceu,
E o pedaço de mim
Que sempre vai lembrar de você
O PAI E A SAUDADE
Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)
Minha saudade tem nome, endereço — e um sorriso que insiste em não se apagar da memória.
É lembrança viva…
da queda que não foi o fim,
mas o início de um reerguer silencioso.
— Aquele que me adestra nas batalhas não dorme —
e foi Ele quem me tomou pela mão
quando minhas forças já não eram suficientes.
Hoje sigo… confiante.
Trazendo à memória tudo aquilo que me devolve paz e serenidade.
Ando devagar —
porque já tive pressa.
E levo esse sorriso comigo —
porque já chorei demais.
— 𝓟𝓪𝓾𝓵𝓸 𝓣𝓸𝓷𝓭𝓮𝓵𝓵𝓪
Quis o destino me separar de você, mas eu não quis culpar você e minha saudade e minha ansiedade, quase para o meu coração; mas isso, você não deve saber: mas deve saber, como nunca senti ódio de você e não há nada que eu deseje mais, que a tua felicidade; eu vi nas minhas lágrimas palavras, que só querem lembrar como é celestial a gratidão que há na saudade de amor.
O tempo pode passar, mas sempre vou amar você, vou pensar em você; meu coração não pertence há mais ninguém; você é a razão do meu sonhar; tudo que é bom eu quero com você, só com você há beleza; minha vida é você, meu paraíso celeste: posso com você renascer e meu coração florescer; só com você, esse amor puro me tem; não importa quantas vezes eu descreva, eu nunca achei nada que fizesse, entender minha alma.
Eu largo tudo pra ir com você, eu não ligo pro mundo, nem pro dinheiro, eu pedi pra Deus: eu perco tudo, mas deixa ela comigo, ela é minha vida; ele não deixou e quiseram falar da fé, mas eu perdi e não vou compreender, eu não sei mais o que é fé: se toda fé não bastou: Deus ainda me levou você; mas o amor por você, não há quem leve de mim; o tanto que sinto tua falta, o amor que há por você: é mais forte que o destino e não há tempo, nem razão que mude isso.
Vou transformar o destino que me levou você, querendo que eu há esqueça, querendo que eu siga a vida; quando me tiraram você, tiraram tudo de mim e agora: eu desafio a vida e o destino, eu não vou mais deixar de amar você e pode não ser nessa vida, mas eu quero provar para Deus que o tempo e o destino: não podem mudar o amor e, mesmo longe, pode acreditar, eu não vou deixar de amar você e tudo que sinto, eu vou honrar por toda minha vida.
Mesmo sem você aqui, eu estou esperando você aqui; mesmo que não volte, eu estou com saudade aqui; quando me sinto só, eu descrevo você aqui; quando não acho palavras, eu choro aqui; quando durmo, te faço mais presente aqui.
Nas palavras que eu não disse: se descreveu no tempo, no tempo sem você; mas a saudade tem sobrescrito o tempo; isso é o amor, que não passou com o tempo; me fez poeta além do tempo; não há ódio, não há rancor; o amor que descrevo descreve a oração que implora você comigo.
Nosso romance, em cálice de amor tinto, descreve a cor do amor; nossa relação, bordada a graça do celestial; na linha do tempo, um presente é passado; anjos observam você e eu, e celebram o amor, cuidam da saudade e da gratidão por nós e por amor.
Posso lembrar dos beijos doces como mel; sentir você sem tocar, fazendo meu coração voar como beija-flor; não vivo sem minha flor; quando me deixa sem você, sinto tanto medo e sofro na dor bela de amor, por amor de quem não está e está no coração que dói.
É você, sempre será você; me leve onde você está; me deixe onde você está; sua ausência me torna poeta, descrevo saudade, sempre por amor e por você; não precisam entender; não há mais ninguém; só você precisa saber: como eu te vivo, te respiro, te desejo e te amo, vida minha.
A sensação que me vem quando descrevo você é como se estivesse do meu lado e talvez esteja; eu não posso toca-lá, mas meu coração é abraçado; talvez eu comece chorar e até posso sorrir; dá a impressão que vai me chamar e, mesmo só, te imagino no altar, na saúde ou na doença, diz que me ama.
Hadil
Sinto saudade dos seus lábios,
que a minha boca ainda não sabe,
mas inventa em sonho
como quem adivinha o gosto
de um destino antes do beijo.
Saudade do seu olhar,
que nunca pousou inteiro sobre mim,
mas que eu já reconheço
como se houvesse em mim
um lugar antigo esperando o seu encontro.
Saudade do seu sorriso fácil,
esse sorriso ainda inédito,
que eu nunca vi de perto,
mas que já ilumina
os cantos mais silenciosos do meu dia.
Saudade dos seus braços,
dos abraços que ainda não vieram,
mas que o tempo, generoso e secreto,
parece guardar
como quem protege um instante sagrado.
Saudade da sua presença,
do som da sua voz perto de mim,
dos detalhes pequenos
que ainda não conheço:
o jeito de chegar,
de rir sem aviso,
de interromper o mundo
só por estar aqui.
É uma saudade absurda,
dessas que nascem antes da hora,
dessas que desafiam a lógica
e florescem mesmo sem memória.
Porque sinto falta
não do que vivi com você,
mas do que em algum lugar
já começou a existir em mim
antes mesmo de acontecer.
Tenho saudade adiantada,
invertida, impossível,
do instante exato
em que o tempo enfim vai ceder
e eu deixarei de imaginar
para finalmente te encontrar.
Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.
Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.
A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.
E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.
Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Meu amado bebê,
Existe uma saudade em mim que não sei explicar.
Saudade do seu rosto que meus olhos nunca puderam ver,
saudade do som do seu coração que eu tanto queria ouvir,
saudade de um futuro inteiro que sonhei viver com você.
Mesmo por tão pouco tempo, você mudou tudo em mim.
No silêncio do meu ventre, eu já te amava, já conversava com você,
já imaginava seus olhos, seu sorriso, seus pequenos passos pelo mundo.
Você foi um pedacinho do céu que Deus me permitiu carregar dentro de mim.
E mesmo que nossos dias juntos tenham sido tão breves,
o amor que nasceu por você é eterno.
Há momentos em que fecho os olhos e imagino como teria sido te segurar,
sentir seu cheirinho, ouvir seu choro, ver você crescer.
Esses sonhos agora moram no lugar mais íntimo do meu coração.
Você existiu.
Você foi amado desde o primeiro instante.
E sempre será parte de mim.
Meu bebê, onde quer que você esteja,
saiba que existe uma mãe aqui na Terra
que carrega seu nome gravado na alma
e um amor por você que nunca vai acabar.
Com todo o amor do mundo,
da sua mamãe.
Diário da alma
Hoje, escolhi o silêncio.
Não como ausência, mas como refúgio.
Existe um lugar dentro de mim que não precisa ser explicado, nem exposto, nem compartilhado — apenas sentido. E foi para lá que eu fui. Sem avisar, sem deixar rastros, sem olhar para trás.
Cansei de traduzir sentimentos em palavras rasas para que outros pudessem entender. Nem tudo foi feito para ser compreendido… algumas coisas só existem para serem vividas em segredo, no íntimo, onde o mundo não alcança.
Aprendi que a paz não faz barulho.
Ela não pede atenção, não disputa espaço, não se exibe. Ela simplesmente chega… e fica.
E foi nesse silêncio, nesse afastamento quase invisível, que eu me reencontrei. Sem máscaras, sem versões editadas, sem necessidade de ser aceita.
Hoje, não preciso mais ser vista.
Porque finalmente aprendi a me enxergar.
E, pela primeira vez… isso basta.
Labirinto de Espelhos
Traga-me amor e eu te mostrarei a ausência; traga-me ódio e eu te entregarei o desprezo. Mostre-me quem você acredita ser e eu te revelarei a infinidade de versões que posso assumir para te confundir. Enquanto você se ancora em definições estáticas, eu habito a variável. Eu me transmuto conforme a conveniência do nome pelo qual desejo ser invocado, um camaleão de intenções ocultas sob a superfície do óbvio.
Sou o ruído branco que preenche os vácuos da conversa. Você ouve o necessário, aquilo que sua mente consegue digerir, mas jamais decifra o que foi silenciado entre as sílabas. Minhas palavras são iscas, nunca o banquete.
Como um oceano que desconhece a paz, não ofereço margens seguras. Sou a inquietude das águas profundas, onde as ondas não obedecem ao vento, mas brotam e fornecem ao comando do meu próprio caos interno. Não há um lado certo para o impacto; a maré sobe onde eu decido que o solo deve ser submerso.
Sou o espelho que não reflete a imagem, mas a distorce até que você não reconheça o que projetou. Minha essência é o movimento perpétuo de quem aprendeu que ser qualquer coisa é a única forma de não ser ninguém. No final, você encontrará apenas o rastro da espuma na areia — o sinal de que estive lá, sem nunca ter se deixado capturar.
Silvio Jr.
Sarcasmo e Arvore
Com dificuldade
Ergo-me
Na saudade do amigo
Que
Se perdeu na eterna saudade
Daquele espelho
Me olhando
Tomo o café da manhã
À minha e à sua vontade
O gigantesco abismo
Goza a delícia de ser
Lábios roxos
Assim passeio por ele
Sem sua infantilidade
Onde a cobra fuma
Seu moderado cigarro
Admirando seu ventre
Trazendo o sol batido de vento
Enquanto o mar tece a trama
Imóveis na solidão
Juntos a novos anjos cativos
Na luta de classes
Honorárias prisioneiras
Mulheres
Que o simples toque pode romper
Por um momento
Todos e infinitos talentos em seu seio
Maior que a força contida no ato
Na móvel linha do horizonte
Ciberespaço
Um útero de fios
Onde gestamos ausências
Senso
De perda
Que não pesa em gramas,
Mas em bytes de memória
Apagados em baixa resolução
Menores
Ecos do cotidiano:
O atrito da xícara no pires,
A hesitação antes de responder,
A textura do ar antes da chuva
Detalhes da rotina diária
Sendo eliminados
Por algoritmos de eficiência.
Exoesqueletos da estupidez
Vestimos interfaces intuitivas
Que pensam por nós,
Enquanto nossos músculos mentais
Atrofiam em elegantes casulos de titânio
Configuração
Um ritual sagrado:
Parâmetros biomecânicos ajustados,
Parâmetros biológicos monitorados,
Sincronização cerebral forçada
Como metrônomo para uma orquestra de neurônios cansados
Blockchain mental
Registros imutáveis de pensamentos editados,
Correntes de hashes ligando verdades revisionadas.
Atividade cerebral em ruptura
Onda delta contra firewall,
Sonhos comprimidos em pacotes de dados,
Sinais de erro brotando como flores de lótus em telas azuis
Enquanto isso
(O pronome mais humano que restou)
Ainda faz sentido.
O último suspiro orgânico
Antes do login definitivo
Criptografia da alma
Senhas de existência
Trocadas a cada aurora digital
Lacunas
Entre um ping e outro,
Surge o vácuo que canta
Em frequências não traduzíveis
Arquivos corrompidos
De emoções não indexadas:
A saudade que o sistema operacional
Identifica como "erro 404: afeto não encontrado"
Nuvens de pensamento
Sincronizadas até a última nêvoa,
Mas o backup dos instintos
Foi perdido na migração
E o corpo?
Pergunta o hardware ao firmware,
Enquanto a carne, esquecida,
Ainda treme de frio
Na sala de servidores climatizada.
Até que em um loop inesperado
Um bug no paraíso lógico
O sistema encontra um glitch
Chamado poesia:
Dados que não se encaixam,
Verdades que não verificam,
E um verso antigo
Que ressoa como eco de um mundo
Que insistimos em apagar,
Mas que teima em renascer
Como raiz sob o asfalto digital
Porque ainda faz sentido
Enquanto houver um refresh
Que não apague por completo
A sombra do que fomos
Antes de nos tornarmos
O Alento da Ausência
Outrora, eu era vigília e fresta,
ansiando o teu olhar como quem acende a luz
no cais de uma espera deserta,
suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta.
Hoje, as sombras me bastam.
Prefiro o abismo desse silêncio inteiro
à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita.
Pois o que oscila entre o vir e o partir
não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória.
Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância,
não é bálsamo, mas interrogação.
Cansou-me o fardo dos intervalos,
os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro,
esses quase-encontros que são, em verdade, desertos.
Se o teu destino é o não-estar,
que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa.
Sem o eco de passos breves,
sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta.
Há uma quietude austera em renunciar à espera.
Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil:
que o esquecimento, por vezes,
é a forma mais profunda de zelar por si.
* Dia das crianças *
Tenho saudades daquela menina,
ingênua e meiguinha,
que queria escrever versinhos
bordados de doçura e afeto...
Guardava nos olhos
o brilho das manhãs ensolaradas,
e nas mãos pequenas,
o sonho de mudar o mundo
com lápis de cor e papel pautado...
Acreditava nas fadas,
nas promessas das nuvens,
e que o amor morava nas flores
que colhia no quintal da infância...
Hoje, quando a vida
me pede pressa e razão,
eu fecho os olhos ,
e volto a ser
aquela menina,
frágil e forte,
que acreditava que a poesia
era o coração das coisas simples...
✍©️@MiriamDaCosta
Fiz um pacto com a Saudade
Abri-lhe
as portas escancaradas
do coração
e da minh’alma.
Prometi
nunca expulsá-la,
nunca anestesiá-la,
nunca pedir trégua.
Em troca,
que Ela me esmague as veias,
estrangule as artérias,
e sugue, sem piedade,
o pulso vivo do meu ser,
até que eu sangre
não feridas,
mas palavras,
expressões ternas
como a dor
que reconhece,
fundas como abismos
que respiram
e versos que escorrem,
coagulam,
e fixam na carne da escrita
a sua essência.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu na madruga
daquilo que não passou, o que fica?
A saudade tem várias facetas. Às vezes várias faces.
Minha maior saudade é daquilo que não vivenciei, por mais paradoxal que isso soe.
Aquilo que fica guardado na memória pode ser resgatado, digamos que revivido com uma intensidade menor do que a vivência original.
Mas e aquilo que não foi registrado, que não foi vivido? E que não tem possibilidade alguma de se efetivar? Sim, estou pensando em quem partiu sem um adeus, sem despedida, sem um tchauzinho.
A morte é mesmo um mistério. Assim como a vida também o é.
As lágrimas vêm para purificar a alma, para abrir espaço para a leveza, para fazer vir a tona aquelas boas lembranças que estão nos detalhes mínimos, em algumas circunstâncias, nas cores, nos cheiros, nas semelhanças ou nos contrastes, enfim em quase tudo tem um pouco daquilo que ficou para trás. Essa sensação é indescritível. É um misto de valeu a pena com gostinho de quero mais.
Mas a interrupção sem aviso prévio deixou irrealizável o que estava por vir. E, novamente, a saudade não é do que ficou para trás, mas daquilo que não aconteceu.
A saudade também tem nome. E endereço fixo: coração e alma de quem a sente.
E a vida vai passando. O tempo não poupa nada, nem ninguém.
Tem gente guardando emoções para sabe-se lá quando sem perceber que esse tempo pode não chegar.
Fazer agora o que poderia ser feito depois não é burrice. Num piscar de olhos tudo pode se transformar em saudade. E aí, meus caros... ah aí a saudade do que não aconteceu pode vir e a gente só vai poder ficar com a clássica pergunta "como teria sido se?".
Já não me encontro no amor ou na dor. Na saudade ou no vício. Na espera ou na vontade de algo melhor. Não há razão ou sentido. Tudo pelo que vivi, hoje são flores mortas em um jardim sem vida dentro de um cemitério abandonado, frio e amaldiçoado. Não resta nada pelo que viver.
- Marcela Lobato
Cada coisa não dita gira e ecoa no vento. Cada grama de saudade destrói por dentro. Não quero mais fingir estar tudo bem, ou esconder a intensidade que avassala o peito. Há uma década meu maior desejo é apenas um.
O frio que congela engole o meu corpo e me lança ao abismo. Eu peço a luz que me deixe apagar. Que não seja preciso conhecer o inverno. Que a noite me leve, como vênus leva o sol. Se não há uma saída desse labirinto, que eu não precise mais caminhar nessa prisão.
- Marcela Lobato
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