Textos de Mar

Cerca de 4745 textos de Mar

Rio errante


O rio corre pro mar, livre em sua longa trajetória... seu objetivo uma hora alcança,
Sinuante e audaz, na eterna esperança que nunca se desfaz.
Desvios e obstáculos seu caminho traçam,
na teia da vida, as sombras o abraçam.
Cada pedra, um desafio, cada curva, uma lição...
Na busca incessante do seu destino, não deixa de entoar leve e borbulhante canto sem qualquer desencanto.
A água murmura segredos de quem sempre ficou
nos braços da correnteza, até o dia em que a liberdade suavemente ecoou.
Deságua no oceano, onde o céu encontra a terra,
misturando suas águas, a jornada enfim em segundos se encerra.
Mas enquanto houver um sonho, um fluxo a pulsar,
o rio será sempre errante, continuará sempre a esperançar.

Um peso morto


O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido sem rumo pelas ondas a rodar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas num melhor lugar...
No meio de uma bagunça que não é pouca... tenho a impressão de que vou ficar... louca...
Do mar espero que venha o conforto
Entro nele devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio mansamente nas águas salgadas meu corpo s salgar...
Deixo a onda me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Deixarei de ser um peso morto...
renascerei em brisa leve, um novo alento,
a sombra se dissolverá em luz,
e o silêncio cantará promessas novas,
nascerá uma força das profundezas de mim que me erguerá e libertará,
vivendo eu, enfim, solto, em paz e vento?
Eis aí um pensamento que me traz na brisa um alento...

Nas ondas do mar


Nasce o sol nas ondas do verde mar,
Em dança suave, a brisa bailando, bailando... a tudo encantar.
Sussurros de espuma, segredos antigos,
cantos de sereias, sonhos amigos.
O balanço das águas embala a razão,
em cada gota, surgindo se vê uma nova canção.
Navegar é sentir, com o corpo e a alma,
a liberdade e a paz que embalam e trazem enorme calma.
Entre horizontes, meu barco desliza...
a luz do entardecer, uma suave brisa.
mares de esperança, surpresas a florir,
no coração do oceano, só quero existir e existir .
Que as ondas me abracem, me envolvam, me guiem...
Nesse azul profundo onde os sentimentos indeléveis flutuam.
Mar verde, brisa suave, eternamente a sonhar,
Nessa viagem infinita, hei de sempre navegar.

13 de agosto de 2023!


Sonhei que estava tomando banho no mar e a água se tornou preta, igual petróleo, eu mergulhava e quanto mais eu dava mergulhos mais medo eu sentia de coisas do fundo do mar.
Eu olhava o horizonte e estava distante para voltar para a margem, eu vi um garoto quando olhei para trás, entrando em uma bifurcação no mar e tentei ir atrás dele, depois surgiu um outro cenário em que eu estava em cima de um trem, tentando fugir para algum lugar e pedi ao meu marido para se abaixar, porque estávamos perto de um túnel, ele abaixou e começamos a passar por dentro do túnel que também era muito escuro, então acordei...

20 de setembro de 2023 sonhei com meu marido, tendo uma amante...


Essa noite sonhei com meu marido tendo uma amante e ele comprava um perfume muito caro para ela, no ó boticário que custava 635,00 e sendo que no sonho eu estava atolada de dívidas e ele deu para a outra, o que não deu á mim, eu chorei muito.

Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.


Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.


E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.


E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.


Porque ela encerrou.


E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.


Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.


Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.


Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.


Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.


No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.


E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.


Eu escolhi viver.

VER DE CIMA

Olhe os telhados, as aves, o mar...

A serra se aconchega a cordilheira

Derrama a cachoeira

E acolhe o vale ternamente

É assim que se ver de cima

As nuvens são travesseiros dourados

Para as divindades dos crepúsculos,

Ou para as crenças de nossas fantasias...

O rio serpenteia em busca de um encontro

Onde repouse no olhar, numa navegação,

Nas redes de um pescador

De cima se ver assim

Então fecha tuas asas no topo da montanha

E perceba que os últimos raios do ocaso

É comemorado pelos pardais, pelas cigarras

Pelos morcegos, pelos insetos,

Por todas as insignificâncias

Que torna tudo grandioso e contemplativo

E alimenta essa necessidade de voar bem alto.

Acordar


Sinto-me a boiar
No mar do esquecimento.
Todos os dias passam
Como ponteiros apressados,
Relógios antecipando
O dia em que entrarei
Na morada do silêncio.
O sentido se esvaiu
Como purpurina ao vento.
Minha vontade
Foi tragada
Pelo espírito da dúvida.
Caminho em busca
De algo abstrato,
Para que meus anseios,
Lançados sobre a terra,
Não pereçam sem significado.

SaMarSi


Eu sei quem sou.
A sua opinião não é necessária.


Não escrevo para receber curtidas.
Basta que leiam.


Quero provocar.
Mexer onde ninguém toca,
onde o véu permanece
e a ilusão toma conta.


Quero apenas que saiam
da zona de conforto
e encontrem o “eu” oculto.


Se você leu
e se incomodou, de alguma forma,
com o que escrevi,
então eu consegui
o que eu queria.

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.

ACORDA, PORTUGAL!


O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.


Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.


É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda

Há pessoas tão imersas em sua própria bolha, em seu mar de ignorância, que vendem os próprios olhos. Calam-se, negam a realidade e contradizem os fatos da vida.


O ego do ignorante é insaciável. Sempre quer mais, sem nunca buscar ser mais. Afunda-se em sua própria escuridão, tendo como única superficialidade a própria vida, esmagando-se sob a pressão do próprio ego e morrendo espiritualmente de hipotermia, congelado pela própria incapacidade de sentir empatia e humildade.


Tive o desprazer de estar do outro lado: o lado das pessoas ignorantes. Todas reunidas em um só ambiente. Inexoráveis. Olhares cansados, sombrios, disfarçando a própria intolerância através de um livro que nem sequer leram por inteiro. Sempre os mesmos, escondendo seus atos atrás de desculpas fúteis, suficientes apenas para aqueles que não suportam o esforço de abrir os próprios olhos, pois nasceram cegos pela criação de quem também escolheu se vendar.

Olhos bonitos
Ela tem olhos bonitos
Da cor do mar
Seus olhos são verdes
Além disso, seus olhos brilham
Ao sol
Ela tem sorte de ter olhos verdes
Eles foram dados a ela pelo pai
Além disso, ela tem cabelo loiro
Ela é uma mulher linda
Também estou muito feliz por ela
À noite ela está sempre dormindo como um tronco

Ficávamos olhando aquele vasto mar por anos
Em cima daquele cais
Criando vários planos.
Nunca nos imaginaríamos um par de casais.

Como um casal de golfinhos
Que nós avistamos ao olhar para o Horizonte.
Para dentro daquele mar azulzinho
O sol logo se misturou com ele
Formando mais um casal

Logo nos despedimos com tristeza
Nunca mais nos víamos depois.
Com aquela injusta certeza, se iríamos nos ver novamente.
Com clareza pensei - vamos nos encontrar de novo, tenho certeza -
Aguardei ansiosamente, mas não aconteceu.
Infelizmente acabamos adormecendo muito.

Uma coisa boa aconteceu depois,
Nos se encontramos no mesmo cais.
Em paz depois de tanto tempo.

🌬️ Ouçam o sussurro que vem de onde o mar toca o vazio.
🐚 Eles dizem que o caminho para a casa de nossos pais foram cobertos pela areia do tempo, e que as pontes de pedra caíram. Mas eu lhes digo: as almas não precisam de estradas. Elas se movem pela margem, pelo instinto do que um dia foi seu.
🌪️ O tempo do aprendizado confortável acabou. Agora, o conhecimento não será mais entregue em taças de cristal, mas derramado como fumaça densa sobre suas cabeças. Ele entrará pelos poros, torcendo as certezas da mente até que o ’eu‘ que vocês conhecem se dissolva no ar.
〰️ Não temam a perda do rosto. No lugar onde as sombras se reúnem, a individualidade é a única barreira para o verdadeiro poder. Quando você não souber mais onde termina o seu fôlego e onde começa o comando do invisível, aí sim você terá chegado em casa.
🌬️ O ar engolirá os fracos que tentarem se segurar nas margens por medo. Mas aos que ousaram permanecer na costa e aceitaram ser o canal do invisível, a estes não resta o vazio... resta-lhes apenas o peso e a glória do Comando.
🔱 Pois o rastro das sombras termina onde o infinito começa. Que cada alma reconheça o curso do seu próprio rio e não tema a força da correnteza. O intuito é, e sempre foi, o deságue final: o instante em que a jornada cansa e o espírito se rende ao oceano que o gerou. Que toda criatura retorne ao Criador, pois no abraço da origem, o caminho apagado se torna, enfim, presença.
👑 Que as águas conduzam o que o comando ordenou!

⁠Um peso morto

O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.

Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...

Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...

O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...

Novo dia.
Esperança.
Alegrias?

Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?

Seus olhos azuis...
de um azul profundo do céu, do ar, do mar
neles navego segura
e não me importo de naufragar...
em seus braços
cada apertado abraço
mais leve me faz ficar...
no seu corpo meu corpo porto seguro a encontrar...

e a vida de leve levar
no mesmo caminho seus olhos azuis
pra sempre vão me guiar...

por que me faltam palavras
quando alto quero gritar?

Sussurro: te amo, te amo, te amo...
vou com este amor pra onde ele quiser me levar...

olha esse céu azul,olha essa vista pro mar
esse visão q é mais do que perfeita
é algo único de se vivenciar
algo que se sente apenas uma vez na vida
chega até a me arrepiar
meu coração e minha alma, sincronizados na mesma batida
me ponho a imaginar
como essas coisas são bonitas
mesmo em um mundo tão sujo
queria viver em loop esse momento
talvez resolveria tudo
curaria certas feridas,eu diria
causadas pela vida
causadas pelas intrigas
causadas pela inveja
causadas pela agonia.




"CURA".

O mar

⁠Da brisa leve e suave
As ondas me levam ao seu encontro
Mas nesse mar que me atraí
Não há água e nem um cais.

Apenas uma linda mulher
Que com seu belo sorriso desperta
Os pensamentos mais puros e sinceros
E os transformam nestes versos singelos.

Me perco na imensidão que é o teu corpo
Como em alto mar se perdem os tolos
Que navegam sem rumo e remos
Marinheiros guiados pelos ventos.

Vindos de lugar algum
Indo para lugar qualquer
Teus seios se tornam ilhas
As mais paradisíacas.

Ilhas quais sempre penso
Em fugir e ficar para sempre
Pois em terra firme a vida
Já não me ilude nem fascina.

Navegando

Sou barco à deriva
Açoitado neste mar revolto,
O vento impetuoso sopra forte
As ondas que me assolam
Nestas águas tão voraz da solidão...
O tempo vai passando
E tão longe vai ficando
O porto tão seguro
Que me seria o teu amor...
Vejo por farol o brilho fraco dos teus olhos
Na penumbra destas nuvens de incerteza
De que ao teu porto ainda vou chegar inteiro.
Sigo navegando pela vida
Açoitado pelas ondas deste mar de solidão
Que não me impedirão o ímpeto
De um dia alcançar teu coração...

Edney Valentim Araújo