Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
A minha poesia é assim como uma vida que vagueia
pelo mundo,
por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,
ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.
Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.
Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.
Não sei caminhos de cor.
Minhas mãos
- duas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino.
Minhas mãos
derretidas em cera
que vai escorrendo,
gota a gota,
ao longo do corpo hirto
da vela moribunda.
Que vai escorrendo,
lenta,
na calmaria falsa e densa
da luz delida e mortuária do meu quarto.
E o livro de Anatomia,
grave e inútil,
aberto em frente.
E todo o mundo,
que me espera
e desespera,
nas páginas inúteis e graves
do livro de Anatomia.
E as horas
morrendo, morrendo,
como uma vela que se vai derretendo
no quarto frio de um morto.
Ai! minhas mãos, minhas mãos
- duas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino!
- Que horas serão?
A vida
é uma vela de corpo hirto
que se vai derretendo, derretendo,
na calmaria falsa e densa
de um quarto de morto.
Raro e vazio dia.
Calmo e velho dia.
Os membros lassos debruados deste cansaço sem porquê.
Raro e vazio dia,
assim inteiro e implacável
na solidão grave e trágica do meu quarto nu.
Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos
sobre os livros fechados e decorados,
sobre as árvores roídas,
sobre as coisas quietas, quietas...
Raro e vazio dia
na minha boca pálida e pouca,
sem uma praga para quebrar a magia do ópio!
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina!
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quere o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite;
a chuva desaba noite e dia – inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhando sem pasto,
a morte e o frio por todo o lado,
só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António!
É preciso embarcar!
Badalão! Badalão! – o sino
já entoa a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António?
Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a secura da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra,
com tudo!
Árida, árida a vida!
António, é preciso partir!
António partiu.
E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.
Há em todas as coisas
a marca estranha
da minha presença.
Sons, palavras, imagens,
tudo eu desfiguro e torno falso.
As pessoas, à minha volta,
deslizam vagamente como sonâmbulos
- fantoches ocos de lenda...
Os sons,
se logram atravessar portas e janelas,
partem-se
no lajedo frio dos meus olhos.
Vai-se o sol
Onde o meu pensamento das trevas se poisa.
Oh! as minhas ilusões de claridade!
Que ninguém hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao
[mundo.
Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não o afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.
Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.
Prometo até a morte
Prometo, como poeta, não prometer livros
como não se promete o que e o quanto pensar
(desconfio ser um deus
os que aceitam encomendas de consciência livre,
de certo, eles sabem:
o que virá, o que pensará, o que escreverá
e por quanto ainda estará vivo).
Como poeta, vagamente, prometo viver
e viver, leia-se, escrever
posto que viver e não escrever,
pro poeta, leia-se, morrer.
Apenas sonhando
Descanso a cabeça sobre o travesseiro
As pupilas já fatigadas tornam-se pesadas
A moleza toma conta do corpo
E finalmente fecho os olhos.
Repentinamente imagens aparecem
Em meio a escuridão
Rostos, ações, sorrisos, amigos, paixões
Assombram ao mesmo tempo em que confortam
Alguém que transformou tudo em passado.
São memórias? Pequenas lembranças?
Realmente não sei dizer,
Só sei que tudo parece tão doce
Até mesmo aquilo que deveria ser ruim
Devo sentir saudade? Ou remorso?
Orgulho? Ou vergonha?
Então aparece o carrossel
Meu momento de epifania
Onde traço sonhos dentro de um sonho
Não há sentido, nem o real, nem o tempo
Não há inícios e nem fins
É um carrossel de momentos.
EU MUDEI ???
É obvio, as minhas unhas não parram de crescer, e os meus pelos pubianos também não. Há novas ideias na minha cabeça e hoje eu não sou mais idiota, aprendi com quem convivi, e foi quebrando a cara que eu percebi que não vale a pena chorrar, ficar triste, querer morrer. Hoje eu corro atrás dos meus objetivos, se for preciso eu vou até voar…ainda bem que tenho amigos, pessoas que me faz bem, AHH… você também me faz bem, muito bem, e de um jeito tão seu, acho que foi por isso que eu me apaixonei.
Eu curtia o meu próprio status, eu olhava no espelho e me achava lindo. Hoje eu me amo menos porque passei a te amar
Hoje eu sou - EU, pra ser + você.
Não, não é carência. É apenas falta de uma só pessoa.
Falta de um abraço.
Falta de um beijo.
Falta daquela frase clichê que, mesmos em querer,
me deixa com aquele sorrisinho bobo no rosto o dia inteiro.
É falta de poder expressar meus sentimentos sem receio de ser ignorado.
É falta de colocar em prática todos aqueles diálogos
que eu ando imaginando no escuro do meu quarto.
É falta de dizer um “eu te amo” e poder ouvir um “eu também”.
E isso tudo é falta de você. Só de você.
E se não for com você, dispenso perder meu tempo com outra pessoa.
Não adianta fugir...
Não adianta se esconder dentro de castelos...
Não adianta levantar muralhas ate o céu...
Não adianta se cercar de barreiras...
Não adianta afastar a tudo e a todos...
Ele vai te encontrar... E você terá que decidir entre o confronto e a fuga.
Toda vez que adiar o confronto... Ele vai te achar de novo... cada vez mais forte.
Se você ama,então ame,sem se importa com os outros
Ame sem se importa com a intensidade
Ame,porque não é preciso ser um amor avassalador para ser amor
Só precisa ser amor.
Ame pelo toque,pelos brilhos nos olhos,pelo sorriso,
Pelo abraço carinhoso,pelo cafuné.
Não deixe que as pessoas confunda sua cabeça,faça o que seu coração pedi
e seja feliz,a vida é uma só,cuidado para não deixar escapar a coisa mais importante de sua vida,o AMOR.
Muitos vão dizer TE AMO sem nem te conhecer,sem nem saber de teus defeitos.
Muitos vão dizer TE AMO só para ter uma chance com você.
Mas só um,que mesmo sabendo de teus defeitos,mesmo sabendo o quão chata você é,o quão ciumenta você é vai AMAR você.Esse sou eu!
Por isso de valor enquanto pode porque o amor não é eterno,a capacidade de amar que e eterna.
Até que...
Patrícia Neme
Se o amor, por fim, resolve se achegar...
Vou enfeitar com flor o meu cabelo
e me banhar em gotas de luar;
vou me vestir com mimos e desvelo.
E sorrirá o mundo em meu olhar,
nos girassóis, meu riso a recebê-lo.
Quero jasmins embevecendo o ar
e uma viola, ao longe, em doce apelo
para que venha logo, sem demora,
nesta janela estou, já desde a aurora...
Meu coração palpita, com furor.
Minha esperança ruma à eternidade...
Asas abertas... Voo à liberdade...
Até que chegue o amor... Sou beija-flor!
Soneto da Saudade
Patrícia Neme
O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.
Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...
O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.
Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!
Noites
Patrícia Neme
Em todo entardecer escuto passos,
na estrada que se achega ao meu portão;
embora haja penumbra, vejo os traços
dos andarilhos... Deus! E quantos são!
Na casa, se assenhoram dos espaços,
percorrem cada palmo do meu chão.
Semblantes - de ventura tão escassos,
contemplam-me... E na dor me envolvo, então.
Porque nos olhos meigos dos meus sonhos,
o amor sulcou caminhos tão tristonhos,
onde apenas saudade floresceu!
À noite, em rito insano de agonia,
unidos, sonhos, eu... E a nostalgia...
Ninamos o que nos restou de teu.
Partida
Patrícia Neme
Agora... A vida já se perde no horizonte
finda a existência... O sol repousa... Calmaria...
La nave va, ao som do remo de Caronte,
< pra trás restaram ilusões e fantasia.
Recordo a vinda... Fomos Luz da mesma fonte,
centelhas gêmeas, gotas da infinda harmonia.
Mas o destino, num cruel ato de afronte,
nos relegou ao desamor da ventania.
E nos perdemos nos desvãos da caminhada,
nos esbarramos, por instantes... Só... Mais nada...
Outra vivência sem estar nos braços teus.
Mia nave va... Contemplo além deste momento...
Eu sei que, um dia, existirá merecimento...
E além do tempo, não diremos mais “adeus”!
"Onde você está neste exato momento?
Preste atenção onde sua mente está te levando...
No passado, remoendo uma situação?
Ou no futuro, esperando por algo?
Cuidado com os truques da mente que fazem de tudo para te tirar do presente.
Nesse vai e vem sua vida vai passando...
Sempre que você se pegar viajando fora do agora, volte.
Volte, pois tudo acontece aqui e agora.
Por um despertar da consciência."
10 anos
É pouco para expressar o que sinto
O que passamos
Aquela amizade que construímos
Se transformou em algo lindo
E hoje juntos novamente
Que sentimento forte esse
Quando estamos juntos nosso sangue ferve
Nós pegamos fogo
Será que é você a pessoa que eu sempre procurei
E que sempre esteve do meu lado como amigo
E se é você
Por que não nos acertamos de vez
E deixamos a felicidade se completar?
Você disse que ia cuidar de mim
Também quero cuidar de você
Vem pra mim
Eu te amo!!!!
