Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
"Ele está sempre junto"
Não importa se chove ou faz sol.
Não importa o muro, a classe, o silêncio.
Jesus está ali.
É como olhar no espelho e ver o rosto marcado,
o olhar cansado, que não suporta mais.
Você acha que é só você.
Só dor. Só cansaço.
Mas então a ficha cai:
não era o seu reflexo.
Era a imagem e semelhança do seu Criador.
E naquele instante você entende:
o que você vê não é só ruína.
É o mérito de Cristo em você.
E tudo muda.
Porque a dor ganha endereço.
O sofrimento ganha sentido.
E o amor que se entregou por todos,
sem exceção,
se revela onde você menos esperava:
em você mesmo.
Por Marcio Melo
Não tente impedir um romancista e poeta
de acreditar no amor. Será frustrante.
Pois ele acredita que o verdadeiro sentido da vida
é o amor.
Tentar destruir o que nele foi construído
e edificado como uma fortaleza
é uma luta perdida.
Um poeta romântico vê beleza em tudo,
até nas mínimas coisas
que para muitos nem existem.
Mas para ele, na sua profunda sensibilidade,
cada detalhe abre um universo de possibilidades.
É um olhar que nasce com o sol da manhã,
como um renovo cheio de esperança.
Ele sente a vida nos sons da natureza
e se enxerga nas outras espécies
como parte do todo,
onde nada está separado.
Assim é o olhar do romancista e do poeta:
ver além dos objetos
e encontrar o sentido do existir
em sua plena totalidade.
Um só
Marcio Melo
Um dos maiores males espalhados pelo mundo
é a ideia de que todo o mal
é causado por algum demônio em particular.
São tantos demônios que destroem e consomem o mundo
que perdemos nossa identidade humana.
E agora, quando olhamos para o outro,
só conseguimos enxergar um demônio.
Marcio Melo
"Mudanças"
Basta mudarmos de atitude
e recriarmos nossas palavras.
Nossos atos mudarão as pessoas ao nosso redor,
até os sons da vida mudarão ao nosso redor.
Basta mudarmos os pensamentos,
e mudaremos a forma como vemos o mundo.
Pra começarmos, enfim,
a dar sentido real à vida.
Marcio Melo
Inverno quente de 1998
"Quando eu partir"
Um poeta me ensinou
que nada vai parar quando eu partir desta jornada.
Que a vida continuará como se nunca me tivesse conhecido.
A primavera virá,
e trará suas flores sem pedir licença.
O sol nascerá,
e pintará o mundo com cores que não me pertencem.
As pessoas rirão, trabalharão, chorarão,
e seguirão vivendo
como se a ausência fosse apenas vento.
Minha ausência não mudará a rotina,
não quebrará o relógio,
não alterará o fluxo da vida.
As ruas continuarão cheias,
as mesas postas,
os dias contados sem o meu nome.
Ao deixar esta vida,
o único que deixará de existir aqui serei eu.
O mundo segue.
A terra gira.
O amor e a dor trocam de lugar em outros peitos.
Nada muda.
A vida continua.
Marcio Melo
Inspiração: “Quando vier a primavera”
de Fernando Pessoa
"O Peso dos Pensamentos"
Eu não penso tanto quanto pensava antes.
Com o tempo a gente descobre que pensamento pesa. Pesa nos ombros, pesa no peito, pesa na noite que não dorme. No começo é bonito pensar demais. Parece que se você pensar o suficiente, resolve o mundo. Resolve a vida. Resolve a dor.
Mas chega uma hora que a cabeça cansa de correr em círculo.
Aí você para.
Não é que pare de sentir. É que para de gastar energia tentando entender tudo de novo. O que já doeu, já doeu. O que já entendeu, já entendeu.
E é aí que começa o outro movimento: você para de pensar e começa a lembrar.
Lembra do que pensou há dez anos, há vinte. Lembra das conclusões que já tirou e esqueceu. Lembra das coisas simples que a pressa fez você jogar fora.
Talvez seja isso envelhecer: trocar a busca por respostas novas
pela coragem de olhar de novo pra resposta velha.
Marcio Melo
"Assoreamento"
Marcio Melo
Sou rio corrente,
arrasto o que me dói.
Mas no peito se assenta
a lama que corrói.
Assenta devagar,
soterra o que eu sou.
Cobre o leito antigo,
apaga o que jorrou.
Sou só correnteza
sem fundo pra voltar.
Peso no meu peito
que não deixa amar
Lugar de Mato
Marcio Melo
Eu queria ir pra um lugar
onde o vento sopra paz,
onde revoada canta alto
e o mato tem cheiro de mais.
Cheio de pássaro e terra
nos pés sem pressa de andar.
Sentado na porta da casinha de sapê,
só vendo o tempo passar.
Longe da cidade imunda,
poluída de gente vazia,
que se consome e se acaba
morrendo sem alegria.
Quero uma vida que não seja
só passagem sem sabor.
Quero erguer lembranças minhas
como quem ergue um castelo.
Um lugar onde se sonha
e o sonho vira real.
E morrer abraçado ao mato,
com a paz no coração.
Meu Amor
Marcio Melo
Em algum momento desta vida
eu terei meu amor.
E aí a gente vira sentido,
complemento, um só coração.
Até que os beijos, os abraços,
as carícias virem eternas.
Cada instante virando inspiração
pra quem se entrega sem preço.
Pra amar sem medo,
arriscar tudo por um beijo,
se aventurar no verdadeiro
e não soltar mais depois.
Só quero dormir e acordar
do lado de quem faz tudo ter sentido.
E amar cada dia
como se fosse pra sempre amar.
Febril
Marcio Melo
Enquanto a febre queima
e a dor inflama,
a solidão espreme a alma
até ela pedir licença pra ir.
Fechado no meio da multidão,
numa cidade que não para.
Nada é fixo, tudo gira
no furor de quem trabalha até morrer.
Onde está o fio da vida?
Escapa entre as dores,
entre o vazio cansado
de quem não tem tempo pra existir.
Aqui na cama, debaixo do cobertor,
derreto fritando na febre.
O quarto cheio de objetos inúteis,
empoeirados, mortos como eu.
O corpo na cama doente
sepulta o último desejo de viver.
Fragmentos de Mim
Marcio Melo
Somos fragmentos de vida,
folhas soltas no outono.
Caindo pouco a pouco,
levadas pelo vento que o tempo soprou.
Secas ao tocar o chão,
amareladas, sem cor.
Cada uma se desfaz em silêncio,
sem deixar rastro do que foi.
O tempo amarelou cada dia,
cada ano que assentou na terra.
E hoje não sobra vestígio
da vida que um dia fui.
Dias Fechados
Marcio Melo
Tem dias que é melhor não levantar.
Tem dias que nem banho tira o peso.
A água corre, limpa a pele,
mas não alcança o que dói por dentro.
Tem dias que viver
é morrer um pouco a cada hora.
Preso na cama, casa trancada,
enquanto o mundo lá fora não para.
O cabelo entope o ralo,
o café esfria no bar da esquina.
A tosse prende na garganta,
o frio castiga quem não tem pra onde ir.
Tem dias que é melhor nem sair.
Adoecer no quarto fechado,
deixar que o tempo furte o que sobrou.
Deixa-me aqui sozinho,
deitado com a dor,
na companhia do meu sofrimento.
Tem dias.
Tem dias que é melhor nem sair de casa
Tem dias ruins.
Versador
De Marcio Melo
09/2023
Um versador versava versos
pra cantar sobre o amor.
Às vezes vinham em rima,
outras vinham em prosa,
e ele lançava ao vento
sem saber pra onde vão.
Com o tempo, sem perceber,
foi ficando romântico.
De tanto falar de amor,
de tanto escrever o nome,
acabou se apaixonando
pelo que ele mesmo criou.
Sobre Amar
Marcio Melo
Se alguém me disser que não vale a pena amar,
eu diria que é o mesmo que
cortar as asas de um pássaro e impedir ele de voar.
Ou como um rio sem água,
que nunca vai encontrar o mar.
Será que vale a pena um pássaro não voar?
Será que existe rio sem água chegando ao mar?
Então eu pergunto:
qual o sentido da vida,
se não vale a pena amar?
(Sobrevivência)
Por Marcio Melo
Às vezes não dá pra estar onde todo mundo está
e abraçar a todos.
Às vezes é preciso ser seletivo.
Até se afastar de algumas pessoas
por autopreservação e sobrevivência.
Alguns grupos se formam pra buscar melhorias
e nos ajudam a alcançar objetivos em comum.
Mas outros se aproximam só pra sugar
e nos infectar com o veneno deles.
Às vezes, mesmo amando, é necessário
se distanciar
pra não ser destruído por quem já desistiu de tudo.
"Rotina de um Autista na Periferia"
Por Marcio Melo
Sou prisioneiro do desespero alheio.
Onde gritos, ruídos e barulhos se misturam ao caos inflamado de uma capital inquieta, sem paz.
Me sinto fechado numa sepultura.
A miséria e a pobreza sem espírito se manifestam na bagunça, no barulho que quase sempre vira violência.
Eu, trancado no meu quarto, não saio.
Estou isolado, cercado por violências externas de pessoas transtornadas que se consomem em álcool e outras substâncias.
Sons altíssimos, sem respeito nenhum.
Eu, encolhido, me sinto exposto.
Minha mente colapsa diante do terror que vira a noite.
Só acaba quando o dia nasce.
Desgastado, exausto, me recomponho pra rotina.
Uma rotina dividida entre o pânico da tormenta da noite, que vara a madrugada,
e a responsabilidade de sobreviver ao dia.
Manifesto do Nadar
Bati de frente com a ilusão e me decepcionei.
Schopenhauer me mostrou o mundo sem filtro. Dói, mas é real.
Nietzsche me deu a chave: se não tem sentido pronto, cria o teu.
Libertar-se é parar de pedir permissão pro rebanho.
Sartre pesou essa liberdade.
Você é livre, sim. Mas cada escolha tua carrega consequência.
Ninguém vive por você, e você não vive por ninguém.
Bauman me ensinou a nadar entre os maremotos.
O mundo é líquido, caótico, sem chão.
Não parei a onda. Aprendi a não me afogar nela.
E quando achei que precisava explicar tudo, veio Clarice:
_Nem tudo pede explicação. É mistério._
Então eu sigo.
Sem ilusão, com liberdade, carregando a responsabilidade,
nadando no caos, e respeitando o que não cabe em palavra.
Filosofando com os filósofos
De Marcio Melo
"A Maior Prisão"
A maior prisão do mundo
não tem grades.
Tem nome:
medo de não existir.
É a dor de acordar
num mundo onde foste inserido
e sentir que não fazes parte dele.
Viver se perguntando:
por que estou aqui?
É ser a prova viva
de que nunca viveste —
por medo de ser livre.
Porque liberdade fere.
Te deixa vulnerável, exposto,
sem parede pra te esconder.
Mas é ela que abre a porta.
As mesmas coisas que hoje te rasgam
serão amanhã teu aprendizado,
tua matéria-prima,
tua conquista.
E um dia
tu vais sentar de frente pro horizonte,
olhar o passado como quem assiste um filme,
e pensar:
tudo isso... foi meu.
Minha maior conquista
foi ter vivido.
Marcio Melo
Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.
Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.
Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.
Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.
E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.
Deformação
Marcio Melo
As Antigas Ruas de Pedras Lavadas
As antigas ruas de pedras,
as casas com cercas de ripas,
cobertas de rosas da roseira
que se alastrava
e se emendava com a da vizinha.
Colorindo.
Perfumando.
Um tempo que deixou saudade.
Na lembrança de um menino
que pensava como quem amava.
Inspirando versos.
Cresceu.
Tornou-se poeta.
Hoje ele vê
nas ruas antigas enfeitadas de roseiras
ruas de pedras lavadas
que ainda inspiram poemas.
Tempo de um tempo
onde ser criança
era viver a beleza encantadora da vida.
O menino cresceu
sem perder a essência.
Hoje é romancista. é poeta.
Marcio Melo
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