Febril Marcio Melo Enquanto a febre... Azazel Melo Autista
Febril
Marcio Melo
Enquanto a febre queima
e a dor inflama,
a solidão espreme a alma
até ela pedir licença pra ir.
Fechado no meio da multidão,
numa cidade que não para.
Nada é fixo, tudo gira
no furor de quem trabalha até morrer.
Onde está o fio da vida?
Escapa entre as dores,
entre o vazio cansado
de quem não tem tempo pra existir.
Aqui na cama, debaixo do cobertor,
derreto fritando na febre.
O quarto cheio de objetos inúteis,
empoeirados, mortos como eu.
O corpo na cama doente
sepulta o último desejo de viver.
