Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Fruta Caída


Aquela fruta que cresce na árvore
mas o vento forte a derruba
antes de amadurecer.


Enquanto as outras, firmes no galho,
amadurecem no seu tempo.


Ela se rompe.
Interrompida.
Começa a apodrecer.


Dispensada pelos pássaros
que se deliciam nas que ficaram,
só os fungos a comem


Mas fruta caída vira adubo.
O que apodrece no chão
alimenta a raiz da árvore.


Talvez o interrompido
não seja lixo.
Talvez seja o que faz
a próxima safra crescer mais forte.


A vida não desperdiça o que caiu.
Ela recolhe, transforma,
e faz do que apodreceu
motivo de vida nova.


Marcio Melo

Saudade
por Marcio Melo


Saudade são pessoas.
É um tempo onde momentos vividos marcaram profundamente a vida,
com gente importante que significava tudo.


Saudade de abraços, de sorrisos.
De casa, família e amigos.
De mesa farta, de festas repletas de felicidade.


Ah, que saudade...
Só de lembrar do tempo que abriu um espaço que nunca se fechou.
Eram momentos.
E a vida é feita de momentos que valem a pena lembrar.


Ruas de terra.
O cheiro de mato molhado.
O pé de manga que eu subia, lá de cima parecia que eu estava voando.
Os tios e tias.
As brincadeiras com amigos, primos, primas, irmãos correndo.


Era uma alegria que contagiava.
Cada brincadeira era uma conquista
que ficou registrada na memória
pra um dia lembrar suspirando e chamar de saudade.


Que saudade.

Os Sonhos
por Márcio Melo


Acho que eu já disse
que sou um sonhador.


Eu acredito.
Acredito na vida, na felicidade como uma busca interior.
Acredito no amor como sentido da vida,
que o amor cura qualquer ferida.


Eu sei que já disse isso muitas vezes:
sou um sonhador.
Os sonhos são possibilidades que projetamos na alma,
e acreditar é parte da realização.


Sou sim sonhador.
E sei que sonhar não é ilusão.


Sonhos que não motivam,
que não se tornam realidade,
são projeções desistidas
de alguém que se permitiu desacreditar
e perdeu o sentido da vida.


Mas pode sim voltar a sonhar,
recuperar o sonho perdido
e se realizar.


Por isso acredito:
vale a pena sonhar.

Quanto Tempo?
por Marcio Melo


Quanto tempo você tem?
Segundos, horas, dias, meses, anos, décadas, milênios...
Ou quem sabe a eternidade?


Só pare e reflita por alguns instantes:
Quanto tempo?


Eu não sei quanto tempo ainda me resta
até que meu fôlego acabe.
Acredito que a maioria também não sabe.


Mas do que estamos falando, então?
De tempo?
Ou de vida?


Dos dois. Sim.
Ambos andam de mãos dadas,
e só um continua a partir de um ponto na vida.
O tempo sempre segue sozinho.


A vida é um tempo finito, com prazo de validade.
Como diziam os antigos que passaram por este mundo:
_"Somos só passageiros."_


As adaptações, as transições, as mudanças
que vivemos como aprendizado de sobrevivência...
já que ninguém nasce com manual.


Viver está de fato ligado ao tempo.
São nossas perspectivas que nos definem
e nos colocam em algum momento no tempo.


Mesmo considerando passado, presente e futuro,
sabemos: este lugar no tempo é o que temos.
E só temos o agora.


É onde a pergunta inicial faz todo o sentido:
Quanto tempo você tem?


Bom, só temos o agora.
Ficam lembranças e projeções,
mas o que permanece é o agora.

Não Permita Morrer Sem Realizar
por Marcio Melo


Às vezes abandonamos alguns projetos
do que gostaríamos de realizar,
porque permitimos que os problemas e as dificuldades da vida
nos engulam e sufocam parte do que realmente faria sentido.


Começamos a planejar ainda jovens, no início da vida.
Mas acabamos nos envolvendo com obrigações, responsabilidades e compromissos
que dizem mais respeito aos outros e seus projetos do que aos nossos.


E a vida vai passando,
e sem se dar conta, enterramos o que elaboramos com tanto carinho e acreditamos.


Mas o tempo passa.
A juventude enérgica e motivada que planeja e sonha,
capaz de desbravar o mundo,
é afogada em um mar de ilusões, distrações e falsas realizações.
Essas que nunca são as nossas.


Mas se a vida, mesmo no fim, te der só uma única oportunidade...
abrace. Pegue.
Tire do papel para a realidade seus sonhos, seu projeto.


Não permita morrer
sem que pelo menos um seja realizado.

"Quem é você?"
É a pergunta que a identidade-armadura não aguenta, porque ela exige resposta sem etiqueta, sem hashtag, sem palco.


E a resposta que você deu depois é o contragolpe:
A árvore não precisa declarar “sou árvore” o tempo todo. Ela só é.
O gato não passa o dia explicando por que não é cachorro. Ele caça, dorme, mia. Pronto.


O problema começou quando a gente esqueceu que ser humano também tem um “só ser”.
A gente trocou o ser pelo provar, pelo performar, pelo justificar.


Então a pergunta pra Gen Z e pras que vêm depois não é “qual identidade você escolhe hoje?”.
É: o que sobra de você quando tira todas as identidades?


Se a árvore tirasse a casca, ainda seria árvore.
Se o gato tirasse o pelo, ainda seria gato.
Se você tirar as máscaras, ainda sobra algo que não precisa de aprovação pra existir.


É aí que mora o “quem é você” de verdade. E é isso que nenhuma pauta, geração ou algoritmo consegue te dar ou tirar.


Por Marcio Melo

O diabo não gasta flecha com quem já jaz caído.
Para os que se afogam na ilusão, ele oferece banquete e riso,
para que durmam tranquilos no berço da distração,
sem ouvir o eco da própria ruína.


Mas aos que sangram de pé,
aos que seguram a fé como quem segura a vida,
a esses ele persegue.
Porque são os únicos que ainda podem escapar.
E é deles que ele quer roubar a alma,
arrastando-os para o brilho falso da sua festa.


A festa e o ilusionista
Por marcio melo

Bomba de paz


Uma bomba nuclear espalha radiação que envenena por décadas.
Uma bomba de paz espalha consciência que quebra o ciclo antes da próxima bomba.


A primeira precisa de laboratório, dinheiro e sigilo.
A segunda só precisa que uma pessoa pare e não repita a vingança.


A primeira viraliza em 3 segundos.
A segunda demora gerações, e quase nunca vira manchete.


Mas se a conta da guerra nunca fecha, alguém tem que rodar outra equação.
Essa não mata ninguém pra provar que está certa.


Por marcio melo

"Lamento"


A vida é lamento.
Nem sei quem foi a peste que inventou o sofrimento.

Será que eu só lamento?
O que dói é angústia,
a dor que machuca,
essa tortura que nunca acaba.

Parece até praga.
Uma injustiça desgraçada.
Quem aguenta?
Na vida só se leva pancada.


Quando parece que vai terminar...
Aí é hora de outra vez lamentar.


Marcio Melo

Ciclo


Eu me apaixonei
pra não desapaixonar.

Te amei
pra nunca na vida te desamar.

Porque quem se apaixona não deixa
até virar amor.

E quando vira amor, não quer acabar.
E não acaba.

Porque a paixão é o fogo
que esquenta o amor.

Que de paixão nunca falte ao amor,
nem ao amor a paixão que o alimenta.


Marcio Melo

Infância


Brincadeiras que alegraram a infância
que nunca se esquece e trazem boas lembranças.

O jeitinho especial de enrolar o fio no pião,
de desbicar a pipa no céu,
de dar um relo.

A alegria das meninas pulando amarelinha.

O futebol — esse fica até a vida adulta,
paixão nacional.

Ah, infância bonita
de uma alegria espontânea!

Das corridas, do esconde-esconde...
Saudade danada da minha infância.
É uma pena não poder voltar
ao meu tempo de criança
e brincar tudo outra vez.


Marcio Melo

"Intensidade"
Inspirado em Clarice Lispector


Dizer muito em silêncio
Se espremer pra não gritar na intensidade desesperadora que me aquieta a voz
E minhas únicas palavras são neutras em versos que se equilibram em poemas
Só papel e tinta e muito dos meus sentimentos
Do meu silêncio.


Marcio Melo

"Nada"
Inspirado em Fernando Pessoa


Quem queria andar, que se ande.
Quem queira parar, que se pare.
Eu nada quero.

Quem quer construir, que construa.
Quem quer subir.
Eu não quero absolutamente nada.

A quem durma, que durma então.
A quem não durma, que se acorde
e fique sem dormir.

Eu, eu nada quero.
Nada que eu queria mais
que nada.

Posso eu querer além de nada?
Nada.


Marcio Melo

`Estações`


No inverno senti frio
nas noites de inverno sem você pra me aquecer


Desejei, com saudade,
nossos verões


Mas neste inverno vivi meu outono
Sem cor, opaco
Com saudades das nossas primaveras
Floridas e perfumadas


Mas sem você vivo o inverno
da solidão


E meu coração chora
nas noites frias
a falta do seu verão
que aquecia o nosso amor.




Marcio Melo

Um lenhador ergueu seu machado contra a árvore.
Ao se dar conta do que iria fazer,
soltou o machado no chão.


Diante de tantos anos e de tanta beleza,
o lenhador abraçou a árvore centenária.


E se desculpando, jurou:
Nunca mais destruir o planeta.


Mas daquele dia em diante,
iria apenas preservar a natureza...


Marcio melo

Tantas vezes eu já olhei, já julguei, já atirei pedras e não perdoei. Tantas vezes eu não reconheci que errei. Já me arrependi só da boca para fora, já pedi perdão só por conta de uma religião. O outro também já me pediu desculpas, perdão e reconheceu que errou, mas eu ainda não consegui, não consegui perdoar a quem me machucou. Mas vou!
​Nildinha Freitas

O Sucesso do Coelho de Chapéu Amarelo.

— Todos os dias um coelho de chapéu amarelo dizia: Amanhã irei na casa do meu amigo lenhador.
Gostaria de saber se ele cortou madeira suficiente para o próximo inverno.

— Certa manhã o coelho levantou e foi chegando lá viu seu amigo lenhador deitado na cama: logo perguntou o que aconteceu com você sempre trabalhador e prestativo.

— O lenhador com os olhos abertos e cheios de lágrimas respondeu.

Coelho do Chapéu Amarelo quando você veio aqui pela última vez o sol não apareceu mais. Sendo assim as árvores não cresceram o suficiente e hoje estou sem alimento.

O coelho com o coração partido ao ver o amigo. Respondeu o Sol é o meu Chapéu tome ele de presente e que nunca mais lhe falte nada.

— Construímos celeiros.


Em uma terra onde qualquer semente germina por qual motivo o ser humano tem a preguiça de levantar e plantar seu próprio alimento na esperança que outros venham e plante em seu lugar.

— Terras escassas com sementes germinando.


Sendo assim o planeta está há cada dia com alimentos a menos devido à falta de força de vontade do trabalho em produzir alimentos.

A mídia não informa: domestica.
Ela normaliza a mentira, estreita o pensamento, sufoca o senso crítico e mata qualquer sonho utópico, porque gente que sonha grande não aceita viver aprisionada.
E quem sonha grande não aceita sobreviver sem sentido: exige uma vida com propósito, dignidade e compromisso real com a transformação da realidade.

31/12/2025

A vida é arquitetada para nos vender uma ilusão: a de que somos os protagonistas, os mestres no controle de nosso próprio destino. Mas a verdade nua e crua é que o controle pertence, unicamente, a quem tem dinheiro.




Para o resto de nós, a agência é uma farsa. Não temos poder real de escolha, não temos voz, não temos um lugar de fala que seja verdadeiramente ouvido. Nossa função no sistema é simples e brutal: existir, crescer e, acima de tudo, enriquecer uma minoria que monopoliza a vida que todos nós desejaríamos — ou melhor, que todos teríamos o direito de viver.




E, como insulto final, somos forçados a engolir o consolo barato de que "amanhã será um novo dia". Que mentira. Nunca há um novo dia. Há apenas uma nova data no calendário para repetirmos o mesmo ciclo exaustivo, enquanto nos iludimos com a sensação de avanço ao adquirir coisas supérfluas, conquistas vazias que não preenchem absolutamente nada.




Esses pequenos prazeres materiais, que nos oferecem um alívio fugaz, logo revelam sua total inutilidade. Então, em um raro momento de clareza, a verdade nos atinge como um soco: todo o dinheiro gasto nessas distrações deveria ter sido guardado para uma fuga. Para um destino desconhecido, um lugar para, finalmente, ESFRIAR a cabeça e talvez sentir, nem que seja por um único e miserável instante, a brisa do que a vida de verdade poderia ser.