"Rotina de um Autista na... Azazel Melo Autista
"Rotina de um Autista na Periferia"
Por Marcio Melo
Sou prisioneiro do desespero alheio.
Onde gritos, ruídos e barulhos se misturam ao caos inflamado de uma capital inquieta, sem paz.
Me sinto fechado numa sepultura.
A miséria e a pobreza sem espírito se manifestam na bagunça, no barulho que quase sempre vira violência.
Eu, trancado no meu quarto, não saio.
Estou isolado, cercado por violências externas de pessoas transtornadas que se consomem em álcool e outras substâncias.
Sons altíssimos, sem respeito nenhum.
Eu, encolhido, me sinto exposto.
Minha mente colapsa diante do terror que vira a noite.
Só acaba quando o dia nasce.
Desgastado, exausto, me recomponho pra rotina.
Uma rotina dividida entre o pânico da tormenta da noite, que vara a madrugada,
e a responsabilidade de sobreviver ao dia.
