Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
[Cantigas para Ninar Lenhadores]
Salgada esperança,
Posta para secar,
As entranhas pra fora,
Embaladas nos cantos
Da cruel inocência.
Para ser proposital
Exigiria muito treino e precisão,
Mas a incisão que fizeste em minha alma,
Veio calma e causou frustração hemorrágica.
Lenhador distraído,
Sem machado ou madeira,
Não sei mais distinguir
Entre a presa e a teia.
Minha atitude enérgica
Diante de tua presença e expressão,
Se findou, afogando-se em teus afagos
Apertados, desonestos, ensaiados num tom ártico.
As entranhas pra fora,
Embaladas nos cantos
Da cruel inocência.
Posta para secar,
Vem salgada a esperança.
Lenhador decidido,
Sou machado em madeira,
Eu sou água do mar
Em teu castelo de areia.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[Páginas Restritas]
Mofando num arquivo,
Mandamentos esboçados,
Teu altruísmo destrutivo,
Afastando os ajuntados.
O costume prejudicial,
Foi meu único aliado,
Neste impasse desigual,
Sou um ogro e seu cajado.
Ficaste com o todo,
E com as docilidades,
Sei que sou escroto,
Tu és a polpa das beldades.
As Páginas Restritas,
Nas quais te fixei,
São feitas de Renúncias,
Incontáveis que enfrentei.
Foste minha seiva,
Nutrindo o entusiasmo,
Até escoar num ralo,
Fétido de espasmos.
Pra mim restaram labaredas,
Poeira e carvão. E fui reduzido
Ao refrão de uma composição.
Eu fui os teus gravetos,
Foste meu combustível,
Queimamos o recato,
Na fogueira indefinível.
As Páginas Restritas,
Nas quais te fixei,
São feitas de Recusas,
Incontáveis que enfrentei.
Enfrento e enfrentaria,
Tudo o que enfrentei,
Pra ter as páginas restritas,
Nas quais te fixei.
(Michel F.M. - Conectatum - Esplêndida Face Magnífica)
Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)
Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.
Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.
Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,
Eufóricos desenfreados, anatomistas.
Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.
Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.
Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.
Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.
Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.
Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos)
[Entre Aliens e Unicórnios]
Surgimos de baixo da cama,
Por meio de lençóis e colchas,
Para além dos edredons,
Dos portais fabulantes,
De trás para frente,
De ponta cabeça, enfim,
Comece de novo,
Só comece novamente.
Remoendo a massada das rimas,
Bote o todo na betoneira dos poemas.
Você não quer que todo mundo entenda, não é ?!
Imagine como seria tedioso
Se todo mundo entendesse.
Mas não se aflija, pois não vão.
Para cá desta murada,
Não se vê tumulto, flagelos,
Nem filas ou reclamações,
As únicas interações são nossas
E para conosco,
Quando as nuvens do incômodo se aglutinam,
Despenca o toró, a torrente do alvoroço
E a alvorada nos enlaça saudosa.
Disseste que teu nome
Era diminutivo de lua,
Como recompensa te dedico
Esta soma empanada de estrofes.
Indissociável como estrógeno e progesterona,
Luara, o motivo inicial desta composição
Foi um tanto desvirtuado,
Mas considere o fato que registros efetuados
Tem como prêmio a posteridade,
Ficando assim estampado
Senão nas memórias pueris,
Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos, serem como são.
Abandonados nos trópicos
Entre câncer e capricórnio,
Um humor sulfúrico para ti,
Vossa graciosidade se revela a sós.
Entre Aliens e Unicórnios,
Existem tantas teorias
Que não existem, por aí,
Mas que existem, para nós.
Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos serem como são.
Serem
Como são,
Em nossa comoção.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2020)
[Mechas de uma Gueixa]
Uma garota me foi comovente,
Era da terra do Sol Nascente,
Herdeira de um trono desde criança,
Hoje mulher renegava a herança,
Inconformada com tanta tristeza,
Ajudava os mais fracos, verdadeira nobreza.
Deixou o seu lar o Vale dos Samurais,
Mas levou em seus atos o amor de seus pais,
E nos campos rasteiros das tulipas puras,
Me envolvi com a gueixa das mechas escuras,
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
As colinas azuis não esquecerei,
O código de honra eu cumprirei,
Os riachos gelados me fortificaram,
As folhas secas me aqueceram,
Os olhos da gueixa me enfeitiçaram,
Seu sorriso e sua boca me converteram.
Os fogos das festas desenham no ar,
No Oriente pretendo estar,
Mas uma lacuna cresce dentro de mim,
O medo da gueixa nunca mais me encontrar.
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
Ela me levou até os confins,
Desde a muralha aos pequenos capins,
Ela me mostrou a força dos anciãos,
E jovens budistas ensinando cristãos,
Tanto as regras quanto as tradições,
Me ensinou a amar, transcender emoções.
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
(Michel F.M. - Áspera Seda: Volume Único - 2012)
Manual Supérfluo
dos Conselhos (inúteis)
Indispensáveis
Às vésperas do outono
Só nos resta esperar,
Pelo inverno rigoroso
Que se impõe sem hesitar.
Às vésperas dos sonhos
Mirabolantes, irreais,
Pulsando vigorosos,
Irresistíveis e nada mais.
Às vésperas do encontro
Ansiedade a escancarar,
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça.
Às vésperas de tudo
Quando tudo conflitar,
Só declame poesias,
Para alguém e doe graça.
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça,
Só declame poesias
Para alguém e doe graça.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[Tinta que Fere em Frases Avulsas]
Apinhadas de impropriedades,
Minhas poucas impressões,
São expressamente inapropriadas.
Nada nos pertence, pertenceu, pertencerá,
Tudo ficará suspenso, sem receio dos divórcios,
Quando formos embora, de novo.
Só há o cheiro do mato cortado,
A garoa que bate na terra e molha,
Lavando a poeira sufocante que cega,
Deixando o mormaço que aquece as folhas.
Suor dos teus poros, borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas.
Tua dedicação afogada em pântano,
A lamuria insistente teu único canto.
E último.
Nessa persistente desistência,
Desistente persistência, desistiu de nós,
Ou será que nós desistimos dela.
Não há mais a quem recorrer,
Afinal, somos nós a decorrência.
E a isso se referia,
A estúpida e sábia profecia.
Suor dos teus poros borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas,
Histéricas, concretas, poéticas, precisas.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)
[Ingrid, a Poderosa em Moletom]
Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.
No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.
Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.
Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.
Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...
Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.
Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.
Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[Mensagem Fora da Garrafa]
O que é meu é para mim
e do teu quero um pouco,
vida estreita num segundo.
Ela se apresenta assim,
feita para alguém
e dedicada à todo mundo.
O que é seu é para ti
e do meu defeito louco,
a rudeza em tom imundo.
Invejo profundamente
pessoas que conseguem escrever
sobre a paz, em tempos de guerra,
Eu só consigo escrever
sobre a guerra,
mesmo em tempos de paz.
Tudo que se ganha é de grátis ?!
Não se engane,
o MUNDO está acabando,
Desde o princípio.
da pétala ao cabo,
só quero ser efêmero
como a flor,
porque ela pode acabar
e eu não ?!
Mas seja como for,
sei que um dia ainda me acabo,
Por aí.
O que é seu é para mim
e do teu não quero pouco,
há pureza num tom profundo.
O que é meu é para ti,
eis nosso defeito louco,
VIDA estreita num segundo.
Feita para alguém,
Ela se apresenta assim,
Dedicada à todo mundo.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[Une Chanson Pour la Fille]
Algo lhe disse,
Amanheceu pensamentos,
Habitou cromossomos
Por muitos períodos,
Temporadas inteiras.
Discursou sobre razões
Quando não possuía nenhuma,
Justificou-se, jorrando pretextos,
Argumentou dissertando,
Manuseando inquietudes.
Quis estabelecer parâmetros
Para o intangível,
Exaltando esquisitices peculiares,
Compreendia explicitamente
Interrogações que confundiriam
A maioria.
Une chanson pour la fille,
Le jardin des papillons,
La maison des papillons,
Les papillons et la fille.
Perspicaz ao portar um amontoado
De sensibilidades,
Alienava-se propositalmente,
Aliás, tua consciência,
Apresentava uma consistência
Autônoma, imune aos desvalores,
Isenta de desvalias.
Talvez e tão somente com tal incerteza,
Possa assegurar, não presenciei,
Nesta encarnação ao menos,
Alguém mais autossuficiente,
Rigorosamente verídica,
Autêntica, genuína.
Une chanson pour la fille,
Le jardin des papillons,
La maison des papillons,
Les papillons et la fille.
(Michel F.M. - Linha (Tênue) Rompida - Esplêndida Face Magnífica - 2013)
Floresta de Cactos
Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.
Independente
do que você espera de mim,
Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.
Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.
Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,
Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.
Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.
Palavreados
Ambicionando
Palavrões.
Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.
Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.
Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.
Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.
Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.
13/01/23
Michel F.M.
Brilho Fraterno para Caminhos Tortuosos
Ser canhoto,
Sinistro,
Escreve e chuta
Com a esquerda.
Persistente,
Inconformado,
Coração e sangue
Vermelhos.
Pulsante,
Ritmado,
Constante,
Valente.
Sua paixão
É o enfrentamento,
Seu grande amor,
A revolução.
13/01/23
Michel F.M.
Vim até aqui para Viver
Só é possível renascer,
Após a aceitação das múltiplas
Mortes que sofremos ao longo da vida.
Já morri tantas vezes
Que nem me recordo mais,
Cristalizando de volta o que não se desfaz.
Morrer é algo terrível e inaceitável,
Mas só se deixarmos de admitir
Que não se pode impedir o inevitável.
Vim até aqui para viver
E reviver com esperança renovada,
Reavivar motivações despedaçadas.
Uma mente poluída só vê o céu nublado,
Nós somos a necessária medida,
Entre plano ideal e projeto realizado.
Inflamar brasas enfraquecidas, apagadas.
Vim até aqui para viver
E reconstruir intenções estraçalhadas,
Uma última vez viver,
Formidavelmente e mais nada.
16/01/23
Michel F.M.
Tríplice Poema
1. [Ciclone]
Natureza,
Nem boa, nem má,
Apenas implacável.
2. [Definição Abdominal]
Tanque de guerra,
Tanque de roupa,
Tanquinho.
3. [Transbordado]
Ele teve tudo
O que todo mundo quer na vida,
Mas como todo mundo sabe,
Ter tudo nunca é o bastante.
22/01/23
Michel F.M.
[Pavio]
a incrível capacidade
de queimar neurônios,
na mesma velocidade
em que se estabelecem
as conexões.
somos forjados
de sinapses e porres,
e não necessariamente
necessitamos
de bebedeiras,
para sofrer de ressaca.
nos inspiramos
nos minúsculos,
que seguem com tuas tarefas
mesmo que ninguém note.
imperceptíveis.
o universo nada seria
sem o microcosmo.
meros captadores
de conhecimento,
aprendizes persistentes,
deste vasto profundo.
nossa maior ambição
é continuar aprendendo.
inflamem-se faíscas,
reluzam, fagulhas fulgurantes.
durante esta breve
vida de centelha,
saboreie a centelha
que é a vida.
29/07/23
Michel F.M.
[Strike]
num ataque feroz
irrompem-se as fileiras.
projetadas para subjulgar a maioria,
composta por excluídos e minorias,
despertam em forma certeira.
durante uma extensa lacuna,
há muito sonolenta, adormecida,
ocupou as canaletas rebaixadas,
brutalizadas em tua quintessência,
acinzentadas mesmo quando coloridas.
derrubando pinos de boliche,
com a mesma calorosa alegria,
que a tão aguardada revolução,
em tua vigorosa inevitabilidade,
derrubará a burguesia.
29/07/23
Michel F.M.
[Teste Vocacional]
Péssimo com trabalhos
Administrativos,
Uma negação com
Burocracias.
Dificuldade extrema,
Tanto com papéis
Quanto com tecnologias.
Ele não sabia lidar
Com as pessoas também.
Fora de cogitação
Atuar em público.
Não havia desenvolvido
Sequer uma única
Habilidade ou competência.
Mas ele era muito bom
Em longas caminhadas
Na praia, sem cronometragem,
Ou regras definidas,
Apenas uma pegada
De cada vez, na macia areia;
Contemplando as ondas,
Ora observava o mar,
Ora observava a serra.
Às margens do continente,
Bem ali, ele era feliz.
Talvez esse fosse seu
Tão esperado talento.
Provavelmente, esse era
Seu único dom.
01/09/23
Michel F.M.
[Brilho no Telescópio]
Isso sim,
que eu chamaria
de uma análise rascunhada
e especulativa,
do espírito humano.
Aparentemente,
somos mais parecidos
do que possa parecer.
Naquele exato momento,
compreendeu,
que sua maior ambição
era o desapego.
A vida não é
em seu todo,
uma derrota absoluta.
Ao menos,
fomos bem sucedidos
em fracassar,
Aos olhos daqueles
que classificam
e quantificam a existência.
Muitas vezes,
aproveitar todas
as oportunidades
que se têm na vida,
não é o suficiente.
Das realidades possíveis,
quase relamos nos sonhos
que nunca esquecemos
e por pouco não acariciamos,
os afetos com os quais
sempre sonhamos.
Aos corações
sensibilizados
a poesia em tudo está.
Aos corações
predispostos
a poesia tudo é.
No entanto,
só consuma tua luz,
com aquilo que merece
ser iluminado.
19/09/23
Michel F.M.
O Pupilo
Destaque nos melhores colégios,
Praticou desportos aquáticos,
Campeão banhado em sortilégios,
Senhor dos rankings olímpicos.
Segunda, dia de esgrima e canto,
Na terça fazia alemão, francês,
De quarta cerâmica e artesanato,
Ás quintas escalada, esqui montanhês.
Sexta-feira piano e artes marciais,
Aos sábados curso de empreendedor,
Domingos guardados ao culto
E a museus monumentais no exterior.
Percorreu o globo antes dos 18,
Trinta e três países em 29 meses.
Rebelde inflamado, vileza legítima,
Um quilo de pó, dois litros num copo,
Sofreu overdose na orla marítima,
O mar piedoso cuidou de seu corpo.
Não foi encontrado para declarações,
Ações despencaram, o boato cresceu,
A posse do trono foi cancelada,
O Pupilo herdeiro desapareceu.
Anularam todo e qualquer contrato,
O Pupilo herdeiro não foi encontrado,
O Primeiro e Único partiu como veio,
Na busca pelo fim descobriu um meio.
O Pupilo herdeiro partiu como veio,
Na busca pelo fim descobriu um meio.
O Primeiro e Único partiu como veio,
Na busca pelo fim descobriu um meio.
(Michel F.M. - Impressão Intensa - 2012)
[Contra-plongèe]
Toda sociedade humana
até agora,
foi caracterizada
por um elaborado sistema
de controle
e condicionamento,
que tem como fundamento
a submissão
da maioria,
para obtenção
de benefícios e privilégios
pessoais e estritamente
particulares,
de uma minoria,
que nega e sufoca
sua própria natureza social.
O que nos resta
é a desobediência,
o que nos cabe
é a insubordinação.
As regras, leis,
regulamentos, estatutos,
resoluções, moralidades,
protocolos, paradigmas,
são criados
pelos que têm poder,
para subjulgar
todo o resto.
Nosso único dever
é sobreviver,
pelo tempo que pudermos,
da melhor forma
que pudermos,
essa é nossa obrigação única
para conosco.
Emergir do furioso turbilhão,
que suga e digere toda
intenção despretensiosa,
que esfola nosso humanismo
e escalpela nossa dignidade,
oxigenando uma vez mais,
nosso fadigado sopro existencial.
19/09/23
Michel F.M.
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