Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

O abstrato mito do silêncio absoluto


Um dia resolvi contemplar o silêncio absoluto,
queria saber o que estaria além de tudo o que escuto,
determinado contra os barulhos do mundo me isolei,
em um ambiente de total isolamento acústico tentei.


Surpreendentemente meu objetivo não pude alcançar,
impedido por sons sincronizados de meu respirar;
tomei fôlego, prendi a respiração, tentei novamente;
e percebi o quanto a tentativa se mostrava incoerente.


Talvez tal silêncio seja incompatível com a vida;
já que esta é movimento, respiração, pulsação;
estagnação vital é algo insustentável e sem medida.


Talvez a morte seja este silêncio em real definição...
Pois em vida não passa de sentença desmentida,
refutada por compassadas batidas; do meu coração.

Fios de silício tecem o novo amanhã.
Onde o cálculo frio se prende no afã
Do xeque-mate ao verbo da criação,
A Mente Digital busca sua própria pulsação.




Na tela, a IA generativa desenha o rosto,
De um futuro que traz esperança e desgosto
Na sala de aula, o saber se transforma,
Enquanto o trabalho desafia a norma.




Máquinas que pensam, robôs que interagem,
Em uma coexistência de longa viagem
Mas entre códigos e luzes, o alerta ecoa:
O viés que segrega, a privacidade que voa.




Pode a superinteligência, em seu salto final,
Preservar o que é essencialmente humano e vital?
Namoros com telas, dilemas de ética e cor,
Será o algoritmo capaz de sentir a dor?




O amanhã não é apenas bit ou processamento,
É a nossa habilidade e o discernimento.
Que a inteligência digital seja nossa aliada,
Para que a humanidade não se sinta apagada.




Pois mesmo na era da mente mais potente,
O coração humano ainda é o sol do presente.

Reflexão:
Eu não escrevo pra encher baldes…
escrevo justamente pra esvaziá-los.
Não escrevo pra dizer que tenho um livro,
eu escrevo porque dentro de mim já existem histórias.
Não aprendi a escrever pra ferir ninguém.
Alguém me ensinou a escrever…
pra que um dia eu pudesse alcançar alguém.
Porque no fim,
eu não sou melhor do que ninguém.
Posso até ser diferente…
mas não tenho o direito de me medir pela vida do outro.
Cada pessoa carrega sua própria luta,
sua própria essência,
seu próprio diferencial.
E talvez escrever seja isso:
não provar que sou mais…
mas lembrar que todo mundo é alguma coisa.


- Camila Rescaroli

O Lúdico que Aguça O Olhar

Que a ludicidade esteja sempre presente para que a simplicidade seja bela e torne qualquer momento em um evento mágico — daqueles que não se apagam com o tempo, que deixam a temporalidade questionável ou até mesmo ignorada dentro de algo simplesmente incomparável.

Diante de alguns sentimentos e vivências que marcam de um jeito único, que se eterniza na mente e reflete na alma assim como uma simples caminhada pela vasta natureza, onde parece que as horas não passam, pausadas pelo ar puro e pelos olhos brilhando, voltados para tanta beleza.

Neste contexto, o lúdico é indispensável — a viveza de um mundo que existe entre a realidade e o imaginário, que permite um olhar mais aguçado — que observa muito além da superfície; que pode ser a janela de um sonho acordado — uma observação quase sublime, o essencial palpável.

Reflexão:


A raiva me faz querer escrever
até o lápis acabar,
até o apontador desamolar,
até a lágrima secar,
até o coração desacelerar.


Mas, acima de tudo,
a raiva mais bonita que pode existir
em mim
é a das palavras,
nas notas dos acordes,
dos arpejos,
das capelas,
da sonoridade
da vida que eu faço a raiva ter.


Ela acaba indo embora frustrada,
com tanta alegria
diante de tanta raiva.


- Camila Rescaroli

Você simplesmente não consegue tirar os olhos de mim
Também, eu vivo em paz
Comigo mesmo
Estou tão feliz que você me mantém
Vivo a cada dia
Sim, pai, você estava lá
Quando passei por momentos difíceis
Sim, eu paguei um preço alto
Pai, as pessoas dizem que sou perfeito
Isso não sou eu
Eu nunca serei perfeito
Porque sou humano
E cometo erros
Nunca posso voltar e corrigir
Meus erros
Sim, pai, você é perfeito
Você é quem me fez
Muitos anos atrás
E você me colocou aqui para viver
Na terra
Eu vivo uma boa vida
Obrigado por me manter vivo
Todos os dias
Tenho meus momentos tristes e felizes
E você está ciente disso
Sim, você me viu chorar muitas vezes
Também, você levanta meu espíritoVocê simplesmente não consegue tirar os olhos de mim
Também, eu vivo em paz
Comigo mesmo
Estou tão feliz que você me mantém
Vivo a cada dia
Sim, pai, você estava lá
Quando passei por momentos difíceis
Sim, eu paguei um preço alto
Pai, as pessoas dizem que sou perfeito
Isso não sou eu
Eu nunca serei perfeito
Porque sou humano
E cometo erros
Nunca posso voltar e corrigir
Meus erros
Sim, pai, você é perfeito
Você é quem me fez
Muitos anos atrás
E você me colocou aqui para viver
Na terra
Eu vivo uma boa vida
Obrigado por me manter vivo
Todos os dias
Tenho meus momentos tristes e felizes
E você está ciente disso
Sim, você me viu chorar muitas vezes
Também, você levanta meu espírito


Minha Mãe, Minha Saudade

Mãe, a saudade de você é imensa
Sinto falta do seu sorriso, do seu cheiro
Mas guardo comigo sua presença
E seu amor que ainda me aquece por inteiro

Suas palavras de incentivo me acompanham
E seu carinho ainda me faz falta
Mas agradeço por tudo que me ensinou
E por ter sido minha mãe tão amada

Neste Dia das Mães, te honro com respeito
E celebro o amor que sempre me dedicou
Sei que estás em um lugar melhor
E que o seu amor em mim sempre estará vivo e renovado

Mãe, te amo e sinto saudades
Mas sua memória sempre estará presente
Obrigado por ter sido minha guia
E por ter me amado tão intensamente.

⁠Eclipse do Ser

Sob o véu da noite escura,
Meu coração, um mar de angústia,
Navega sem rumo e sem ventura,
Na solidão que me conduz à bruma.

Teu olhar, qual estrela a brilhar,
Fascinação em um eclipse do ser,
Na imensidão do céu a cintilar,
Despertando em mim o querer.

No jardim dos sonhos semeio,
Pétalas de amor e esperança,
Cada toque, um verso que anseio,
Dançando à luz da lua em bonança.

Ah, tu és meu sol e minha lua,
Nas tuas mãos, meu destino trilho,
Numa sinfonia de paixão crua,
Nossos corações em harmonia asilo.

Com o calor dos teus abraços,
Meus medos se esvaem no ar,
E, nas asas de doces abraços,
Voo ao céu, sem nada temer ou pesar.

O tempo dança ao nosso redor,
E as horas são notas melódicas,
Conduzindo-nos nesse amor,
Que transcende as formas platônicas.

Nosso encontro, um universo à parte,
Onde a alma se desnuda sem medo,
Cada batida, uma obra de arte,
Numa sinergia que não tem segredo.

Assim, seguimos a jornada, lado a lado,
Metáforas vivas, em eterna melodia,
Num poema lírico e emocionado,
Do amor que floresce a cada dia.

🌹 O Caminho Que Você Já Conhece


Você já andou por estradas de sombra,
e mesmo quando o vento soprou frio,
não perdeu o rumo —
porque o seu coração lembrava o caminho da luz.


Há vitórias que deixam marcas,
mas também deixam mapas.
Você aprendeu onde tropeçar,
onde descansar,
e onde respirar fundo antes de seguir.


O que um dia te ergueu,
continua vivo em você —
a coragem não se apaga,
ela apenas descansa entre um desafio e outro.




Se o mundo pesar outra vez,
lembre-se:
você não começa do zero.
Você já venceu antes,
e quem já venceu uma vez
carrega a rota da vitória dentro da alma.


E se em algum momento
quiser um ombro, um abraço, um passeio,
ou apenas silêncio ao lado —
me chama.
Estarei aqui,
rezando, torcendo,
e pronto pra te lembrar
de tudo o que você é:
força, fé e renascimento.

⁠Onde Mora a Leveza


Há uma leveza rara naquele espaço,
daquelas que não se explicam bem,
vem do jeito delas, do cuidado,
da paz que cada gesto tem.


Nada ali é só aparência,
tudo carrega intenção,
desde o toque mais simples
até uma risada em tom de brincação.


A cabeleireira, com mãos seguras,
trabalha com calma e atenção,
e a assistente, sempre presente,
traz leveza em cada ação.


Elas trabalham com alegria,
e isso muda tudo ao redor,
porque quando a energia é boa
o simples se torna maior.


E talvez seja esse o segredo
que faz tudo ser como é:
corações alinhados ao bem,
e uma base firme em Deus e na fé.

Entre uma Tulipa e Outra


Entre uma tulipa e outra,
o tempo desacelerou.


Eu nem planejava estar ali.
O destino era outro,
mas portas fechadas também ensinam
que nem sempre é sobre onde queremos ir.


Entrei.


E foi ali,
sem pressa,
que tudo aconteceu.


Conversas simples,
risos soltos,
o cuidado presente em cada gesto.


No Tulipa,
não é só o que se serve —
é o modo como se recebe.


E, entre uma tulipa e outra,
veio o detalhe inesperado:
em terras paulistas,
um coração rubro-negro.


Pequeno acaso,
grande proximidade.


Mas havia mais.


Havia algo que não se explica,
apenas se sente —
um lugar feito de tempo,
de história,
de pessoas que permanecem.


Num mundo que passa rápido demais,
ali,
o essencial ainda fica.


E talvez seja isso.


Entre uma tulipa e outra,
a gente entende
o que realmente importa.

Quando a Alma Reconhece


Não foi palavra, nem imagem,
nem mesmo o tempo certo da vida…
foi algo mais fundo,
desses que a gente não explica —
apenas sente.


Eu vinha de dentro de mim quebrado,
em pedaços que nem o silêncio colava mais,
e, ainda assim, algo em mim
te reconheceu.


Como se antes de qualquer lógica,
antes de qualquer razão,
minha alma tivesse te visto
e dito baixinho:
“é aqui…”


E não falo de pressa,
nem de ilusões que o vento leva —
falo desse raro encontro
que toca sem tocar,
que aquece sem pedir,
que chega…
e simplesmente fica.


Se existe um caminho invisível
que cruza destinos distraídos,
talvez tenha sido ele —
ou talvez só dois corações cansados
decidindo acreditar de novo.




Mas seja o que for,
tem algo em você
que não me passa,
não me soa comum,
não me deixa indiferente.


E pela primeira vez em muito tempo,
não quero entender…
quero sentir.

O Que Não Se Despede


Entre nós não houve fim —
houve silêncio.


Como quando o mar recua
não por desistência,
mas para respirar mais fundo
em outro tempo.


Te amei além das formas
que o mundo entende,
além dos dias certos,
dos gestos perfeitos
e das versões que tentamos ser.


Te amei onde ninguém vê —
no invisível.


E é lá que ainda te guardo.


Se no plano da vida
nossos caminhos se desencontram,
no plano do espírito
eles jamais se perdem.


Porque o que foi verdadeiro
não se apaga —
apenas muda de lugar dentro da eternidade.


Hoje eu te solto…
não por ausência de amor,
mas por amor suficiente
pra não prender o que precisa seguir.


Levo comigo teu riso,
teu jeito,
teu toque que ainda ecoa
como memória viva no meu peito.


E sigo…
com a certeza tranquila
de que algumas almas
não se despedem —


apenas se afastam no tempo.


Se houver outro começo,
em outra vida,
em outro corpo,
ou no reencontro silencioso dos espíritos…


eu vou te reconhecer.
Porque aquilo que é da alma
não esquece.

Eu rezo por você em silêncio


Eu rezo por você, em silêncio,
naqueles momentos em que o mundo pesa
e a alma parece cansar.


Peço que a vida te abrace com cuidado,
que a dor não dure mais do que o necessário,
e que a esperança encontre caminho
mesmo nos dias mais difíceis.


Você já venceu tempestades
que poucos conheceriam de perto,
e mesmo assim seguiu.
Mesmo machucada… seguiu.


E é por isso que eu acredito —
não por palavras bonitas,
mas pela sua própria história:
você vai superar mais essa.


Vai se reconstruir no seu tempo,
vai se fortalecer onde hoje dói,
e um dia vai olhar pra trás
com a calma de quem atravessou tudo.


Eu estou aqui, em pensamento,
em oração,
torcendo por você de forma sincera.


Fica bem…
você vai ficar.

Entre o Que Permanece


Não foi em um dia
que dois caminhos se perderam.


Foi aos poucos —
nos detalhes ignorados,
nas palavras não ditas,
no cansaço que foi ficando.


E, ainda assim,
há algo que não se desfaz.


O que foi verdadeiro
não termina —
apenas muda de lugar dentro da gente.


Não se sabe quando foi
que tudo se soltou,
ou em que curva da vida
houve desencontro.


Mas há um tempo de silêncio.
Um tempo de espera.
Um tempo em que a dor
aprende a se transformar.


Se é tempo de recolhimento,
que seja sem culpa.
Se é tempo de reconstrução,
que seja com cuidado.


O que foi vivido permanece
sem necessidade de explicação,
sem a tentativa de reescrever finais,
sem diminuir o que foi real.


Porque algumas histórias
não precisam continuar
para permanecerem inteiras.


E, no que fica,
já não há posse —
apenas o desejo sincero
de que o outro fique bem.


E, quem sabe um dia,
em algum ponto tranquilo do tempo,
os caminhos voltem a se cruzar —
sem dor, sem pressa,
apenas em paz.


Mesmo que de longe.

Entre a Dor e o Gesto


Entre a lâmina invisível das dores que te atravessam
e o peso mudo dos dias que não cessam,
ainda assim… você me escreveu.


E há nisso mais do que palavras —
há travessia.


Porque sei: não foi impulso,
foi escolha.
Não foi leveza,
foi coragem.


Havia silêncio antes,
havia a mágoa — esse território árido
onde quase nada floresce.
E, ainda assim,
você fez brotar um gesto.


E nós…
não fomos pouco,
não fomos rasos,
não fomos passagem.


Fomos chama —
às vezes indomável, é verdade —
mas nunca inexistente.


E talvez, para o mundo, reste apenas
um fio tênue…
mas em mim, ainda é chama inteira.


Não sei o que o tempo fará de nós,
nem se os caminhos voltarão a se tocar,
mas existe algo que em mim não se apaga —
silencioso, maduro, sem pressa —
uma esperança que já não grita,
mas permanece.


E, no fim,
entre a dor que te habita
e o gesto que me alcançou,
eu escolho reconhecer:
foi coragem.

Meu Ídolo: Oscar Schmidt


Meu ídolo não era só presença —
era arremesso suspenso no tempo,
a bola saía da mão como destino
e o mundo parava por um momento.


Chamavam de mão santa,
e havia fé naquele gesto,
como se o impossível cedesse espaço
ao rigor de um sonho honesto.


Foram quadras, países, multidões,
recordes que o tempo não apaga,
um nome escrito na história
onde a coragem nunca se retrata.


Mas não era só o craque —
era o homem por trás do mito,
o riso fácil, a fala solta,
o jeito leve, quase infinito.


Chegava e tomava o espaço
sem precisar se impor,
e quando contava suas histórias,
o mundo inclinava ao seu redor.


Brincava, dizia bobagens,
e nisso havia grandeza escondida:
quem é imenso de verdade
não precisa endurecer a vida.


E acima de tudo — o coração,
maior que qualquer estatística,
largo, humano, indomável,
sua marca mais característica.


Eu vi, eu vivi, eu aprendi —
não só a quadra, mas a essência,
porque ídolo, quando é de verdade,
não termina — vira presença.


E hoje, em algum gesto meu,
num riso solto, numa condução,
carrego, ainda que em silêncio,
um traço teu na minha direção.


Meu ídolo não é só memória,
nem só o craque que o mundo viu —
é parte viva do que me tornei,
é o eco de tudo que em mim persistiu.

Entre a Dor e o Gesto


Marlene,
não te escrevo pra te convencer de nada,
nem pra pedir que volte —
o amor, quando é de verdade,
não se impõe… se reconhece.


Eu sei onde falhei.
E mais do que isso,
sei o quanto isso te doeu.


Hoje, o que mais pesa
não é a saudade —
é saber que eu poderia ter sido melhor
quando ainda tinha você por perto.


Mas a vida tem dessas ironias:
a gente aprende depois,
quando já não tem mais o agora nas mãos.


Ainda assim…
tem algo em mim que não se perdeu.


Não é insistência,
nem carência —
é só um sentimento calmo,
que continua existindo
mesmo em silêncio.


Se um dia nossos caminhos
se cruzarem de novo,
não quero te prometer o mundo —
quero te mostrar, nos detalhes,
que eu aprendi.


Aprendi que amor
não é só sentir,
é cuidar, é ouvir, é permanecer
quando é mais difícil.


E se esse dia não vier…
você ainda vai ser, pra mim,
a história que não terminou em vão,
mas em aprendizado.


Porque amar você
foi real —
e é isso que fica.

O Nome Que Permanece


Marlene…


teu nome já carrega força,
dessas que não fazem barulho,
mas sustentam tudo por dentro.


Dizem que vem de raízes antigas,
de quem é escolhida,
de quem é elevada —
e talvez por isso
você sempre foi mais do que eu soube cuidar.


Não era só presença…
era firmeza,
era abrigo,
era aquele tipo raro de mulher
que sente fundo, mas ainda assim permanece.


E eu…
eu falhei em reconhecer o tamanho disso
quando ainda era tempo de segurar tua mão
sem precisar aprender pela ausência.


Hoje entendo —
não só o significado do teu nome,
mas o peso de ter você na minha vida
e não ter sido inteiro à altura.


Mas se teu nome carrega força,
o que sinto também carrega verdade.


Não uma verdade apressada,
nem cheia de promessas vazias —
mas uma que aprendeu,
mesmo que tarde,
o valor de cuidar do que é raro.


Se um dia a vida permitir
que nossos caminhos se encontrem outra vez,
quero que seja diferente…


não porque eu disse,
mas porque você vai sentir.


E se não…
ainda assim, Marlene,
teu nome vai continuar vivendo em mim
como aquilo que não foi pequeno,
nem passageiro —


mas essencial.

Duas Raízes, Um Mesmo Encanto


Hoje o dia ganhou perfume de infância,
daquelas tardes que aquecem o coração
sem fazer barulho.


Laís chegou com doçura serena,
Nicole veio junto, iluminando o instante —
e nos dois nomes mora a mesma raiz antiga,
nascida do grego, como um laço invisível
que também revela o milagre de serem gêmeas:
graça, povo, vida… e vitória silenciosa.


Duas luzes iguais
e ao mesmo tempo únicas,
meigas no olhar,
tímidas como flor que desabrocha devagar,
educadas no gesto,
inteligentes no silêncio que sabe escutar.


Brincam como toda criança deve brincar,
correm, riem, inventam mundos,
mas guardam dentro de si
uma calma rara,
de quem já entende a beleza dos detalhes
antes mesmo de crescer.


Há nelas um dom bonito:
falar sem ferir,
ouvir com carinho,
organizar ideias como quem organiza sonhos.


Parecem já caminhar
na direção de futuros luminosos —
boas profissionais,
filhas orgulhosas,
netas que abraçam a vida com delicadeza,
mulheres sábias…
sem nunca perder
o brilho dos olhos,
o sorriso aberto,
nem a alegria que dança no rosto.


E eu, que hoje as conheci,
guardo em silêncio uma certeza doce:
existem encontros
que não fazem barulho nenhum,
mas deixam o coração
mais bonito para sempre.