Entre o Que Permanece Não foi em um dia... Francisco Dantas
Entre o Que Permanece
Não foi em um dia
que dois caminhos se perderam.
Foi aos poucos —
nos detalhes ignorados,
nas palavras não ditas,
no cansaço que foi ficando.
E, ainda assim,
há algo que não se desfaz.
O que foi verdadeiro
não termina —
apenas muda de lugar dentro da gente.
Não se sabe quando foi
que tudo se soltou,
ou em que curva da vida
houve desencontro.
Mas há um tempo de silêncio.
Um tempo de espera.
Um tempo em que a dor
aprende a se transformar.
Se é tempo de recolhimento,
que seja sem culpa.
Se é tempo de reconstrução,
que seja com cuidado.
O que foi vivido permanece
sem necessidade de explicação,
sem a tentativa de reescrever finais,
sem diminuir o que foi real.
Porque algumas histórias
não precisam continuar
para permanecerem inteiras.
E, no que fica,
já não há posse —
apenas o desejo sincero
de que o outro fique bem.
E, quem sabe um dia,
em algum ponto tranquilo do tempo,
os caminhos voltem a se cruzar —
sem dor, sem pressa,
apenas em paz.
Mesmo que de longe.
